02/01/03:
Leia a íntegra do
discurso de posse de Lula (clique
aqui)
01/01/03:
Rolls Royce da posse foi comprado por Getúlio
Vargas e não foi doado pela rainha da Inglaterra
BRASÍLIA - O carro aberto que será utilizado por
Lula para fazer daqui há poucoi o trajeto durante a posse foi usado pela primeira vez em
uma cerimônia pública nas comemorações do Dia do Trabalho, em primeiro de maio de
1953, no município de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Trata-se de um Rolls-Royce modelo
Silver Wraith (Espectro de Prata) conversível, que serve à Presidência da República
há quase 50 anos.
O automóvel foi o último modelo a não ter sua carroceria definida pela fábrica, mas,
sim, pelo comprador, que podia escolher entre os vários encarroçadores (coachbuilders)
para deixar seu modelo absolutamente exclusivo.
É uma raridade que não foi doada pela rainha Elizabeth II, da Inglaterra, como muita
gente acredita. O veículo, utilizado pelos presidentes do Brasil em eventos especiais,
como a posse e o desfile de Sete de Setembro, foi encomendado por Getúlio Vargas e teria
custado uma fortuna, o equivalente na época ao preço de sete automóveis Jaguar, um
carro que custa hoje cerca de US$ 60 mil.
O empresário Gastão Correia da Veiga Filho, dono, na época, da empresa que importava
carros ingleses, conta ter as faturas do automóvel. Já a filha de Getúlio, Alzira
Vargas do Amaral Peixoto, garantia que o carro foi pago por um grupo de amigos do
presidente.
Além disso, é bom lembrar que a rainha Elizabeth II só foi coroada em junho de 1953,
meses depois de o carro ter chegado ao Brasil. É pouco provável que uma princesa tenha
dado um presente desses para o País.
Rainha usou carro em visita ao Brasil
O primeiro visitante estrangeiro a utilizar o automóvel foi o presidente do Peru, general
Manoel Odria, em 25 de agosto de 1953. Depois dele, andaram no carro, em visita ao Brasil,
o rei Balduíno da Bélgica, o presidente francês Charles de Gaulle, a rainha da
Inglaterra, Elizabeth II, e outros chefes de Estado e de Governo.
Apesar de o hodômetro do Rolls-Royce indicar que o carro rodou apenas 21 mil
quilômetros, é provável que ele tenha rodado muito mais, pois antigamente o automóvel
era usado como meio de transporte para os presidentes, inclusive em viagens do Rio para
Petrópolis. Durante o governo Fernando Henrique, o Rolls-Royce presidencial sofreu uma
restauração geral.
É nesse carro que Lula decidiu passear no meio do povo para festejar seu novo cargo, logo
depois de empossado no Palácio do Planalto.
Faixa Presidencial vem criando mitos e inverdades históricas
Na história da faixa
presidencial, o último presidente do período militar, João Batista Figueiredo, ao
contrário do que se afirma não se retirou do Palácio do Planalto pela porta dos fundos
para não ter de transmitir a faixa. Na verdade ele saiu no dia anterior pela porta
lateral oficial destinada aos carros da Presidência da República. Não transmitiu a
faixa porque endendia que constitucionalmente José Sarney não poderia suceder o
Presidente Eleito morto Tancredo Neves.
BRASÍLIA - Após a cerimônia de
posse, no Congresso Nacional, o destino é o Palácio do Planalto. Em cerimônia prevista
para ter início daqui há pouco às 16h30, o presidente eleito Lula da Silva receberá a
faixa presidencial das mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Fatos históricos- Durante a vigência democrática entre 1945 e 1964, Getúlio
Vargas suicidou-se após três anos e meio de mandato e, portanto, não passou a faixa a
seu sucessor.
Juscelino Kubistcheck enfrentou a resistência de alguns políticos oposicionistas antes
de assumir o mandato que recebeu das urnas.
Jânio Quadros renunciou seis meses depois de ter recebido a faixa e João Goulart perdeu
o mandato com a Revolução de 1964.
Para Itamar Franco, não houve cerimônia de transmissão de faixa, já que Fernando
Collor havia renunciada e enfrentado processo de impeachment.
O verdadeiro motivo - Por outro motivo, o presidente Sarney recebeu a faixa das
mãos do chefe do cerimonial da Presidência: O último presidente do período militar,
João Batista Figueiredo, ao contrário do que se afirma não se retirou do Palácio do
Planalto pela porta dos fundos para não ter de entregar seu cargo. Na verdade ele saiu no
dia anterior pela porta lateral oficial destinada aos carros da Presidência da
República. Não transmitiu a faixa porque endendia que constitucionalmente José Sarney
não poderia suceder o Presidente Eleito morto Tancredo Neves.
Essa será a primeira vez desde a posse de Jânio Quadros, em 1961, que um presidente
eleito pelo povo cumpre seu mandato até o fim e passa a faixa para outro, também
escolhido por eleições diretas.
Faixa presidencial: tradição republicana de 92 anos
BRASÍLIA - A faixa presidencial que Lula irá
receber de FH durante a solenidade no Palácio do Planalto representa uma tradição que
há 92 anos se repete no Brasil.
Instituída por decreto em 1910, pelo presidente Hermes da Fonseca, a faixa já presenciou
várias histórias surpreendentes e é alvo de algumas versões. Dizem que a faixa
utilizada por João Goulart, antes da Revelução de 1964, foi levada para o exílio por
seu cunhado, Leonel Brizola, que até hoje a guardaria na esperança de ainda vir a
usá-la.
Apesar de a tradição exigir que a faixa seja sempre a mesma, o próprio desgaste exige
que seja trocada de tempos em tempos. Não há, no entanto, o registro oficial de quantas
faixas teriam sido usadas nas 35 trocas de presidente, assim como ninguém também sabe
informar por onde andariam as faixas que deixaram de ser utilizadas.
A faixa de Juscelino Kubitscheck é a única bem guardada: está em exposição no
Memorial JK. O ex-presidente José Sarney conta que mandou confeccionar uma faixa especial
para enterrar o presidente Tancredo Neves. O Palácio do Planalto garante que Lula
receberá a mesma faixa utilizada por Sarney, mas até sobre isso não há consenso.
Simbolismo - A faixa presidencial que Lula irá receber de Fernando Henrique é de
seda, com detalhes bordados em ouro e diamantes, e as franjas da sua ponta são feitas com
correntes. No centro, à altura do peito, estão bordadas as Armas da República. Sob uma
roda de tecido colocada por cima do encontro das duas pontas da faixa há ainda uma
medalha da República, em ouro, anexada a um broche, também de ouro, com detalhes em
diamantes.
Na história mundial, o uso de faixas vem de tempos imemoriais e representa uma
condecoração de mérito, honra ou bravura. Alguns países, como os Estados Unidos, não
possuem a tradição de usar faixas presidenciais; e os chefes de regimes monárquicos
costumam usar, em ocasiões especiais, faixas de países que os homenagearam. É o que
ocorre na Espanha, por exemplo.
Cavalos e seguranças enfrentam sufoco na Posse de Lula
BRASÍLIA - Os seguranças e os cavalos que
acompanham o Rolls Royce da Presidência da República conduzindo o presidente eleito Lula
da Silva e o seu vice, José Alencar, estão enfrentando, neste momento, dificuldades
diante da multidão que se aproxima e cercam o carro que se dirige até o Congresso
Nacional.
Lula a caminho do Congresso: Povo invade, cavalo cai e homem
avança sobre Lula
BRASÍLIA - O presidente eleito, Luiz Inácio Lula
da Silva desfilando no Rolls Royce, depois de deixar a Catedral de Brasília em direção
ao Congresso Nacional, está enfrentando o histerismo da população que cercam o carro.
Um cavalo que faz as honras caiu. Um homem avançou sobre Lula e teria dado um abraço,
mas foi imediatamente agarrado pelos seguranças. Militantes jogam objetos dentro do
automóvel presidencia. Pessoas que vieram de todas as partes do país.
No discurso de posse Lula aponta situação caótica do país e
enfatiza busca pela mudança e Fome-Zero
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva iniciou o discurso apontando a situação crítica que se encontra o país deixado
por FHC e lembrando a principal frase das comemorações de sua vitória eleitoral:
"A esperança finalmente venceu o medo". Ele enfatizou que mudança será a
palavra-chave para que o país trilhe novos rumos. Lula destacou que dará atenção ao
diálogo na sua administração, "para que o resultado seja duradouro". Segundo
acentuou, seu governo adotará uma política de paciência e perseverança, "mantendo
sob controle as ansiedades sociais e caminhando de olhos abertos na estrada".
Lula reiterou sua disposição de atacar a mazela da fome, conclamando toda a sociedade a
um mutirão nesse sentido, e anunciando oficialmente o Programa Fome-Zero. "Enquanto
houver um irmão brasileiro passando fome, teremos motivo de sobra para nos
envergonhar", disse Lula.
Discurso de Posse: Lula convoca País para combater a fome
BRASÍLIA - Em seu discurso de posse, o presidente
eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que duas virtudes serão exercidas diariamente
em seu governo: paciência e perseverança. Citando qualidades do povo brasileiro,
convocou-o para um grande mutirão cívico contra a fome, o que, para ele, deve ser uma
grande causa nacional, como a criação da Petrobras e a redemocratização do País.
"Deve prevalecer o imperativo de somar forças para defender o que é mais sagrado: a
dignidde humana", disse o presidente.
Lula vê um povo maduro, calejado e otimista, mas que não deixa nunca de ser jovem.
Segundo ele, "um povo que sabe sofrer, mas não esquece o que é a alegria".
Chega de fome - Lula lembra que não deveria haver razão alguma para a fome em um
País imenso e com tantas terras. "As pessoas com fome sobrevivem milagrosamente
abaixo da linha de miséria", disse, ressaltando que a fome não foi vencida em
nenhum governo. "O Brasil conheceu a riqueza dos engenhos e das plantações de cana,
proclamou a independência, aboliu a escravidão, conheceu a abundância do ouro em Minas,
da produção de café no vale da Paraíba, industrializou-se, mas não venceu a
fome".
Lembrando o que disse assim que eleito - "se, ao final do meu mandato, todo
brasileiro tiver condições de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a
missão da minha vida" -, ressaltou que, enquanto houver um irmão ou irmã
brasileiros passando fome, "teremos motivos de sobra para nos cobrir de
vergonha".
Reforma agrária - Uma das formas de se acabar com a fome, de acordo com o
presidente, será uma reforma agrária pacífica e organizada, "para que os campos do
Brasil produzam mais e tragam mais alimentos para a mesa do brasileiro; (...) para que o
homem do campo recupere sua dignidade sabendo que ao se levantar, (...) cada movimento de
sua enxada ou de seu trator irá contribuir para a melhoria do bem estar dos
brasileiros".
Luiz Inácio Lula da Silva também comprometeu-se a incentivar a agricultura familiar e o
cooperativismo, modalidades, que segundo ele, complementam a agroindústria.
Ele acrescentou que a reforma agrária será feita em terras ociosas e que contará com
linhas de crédito para estimular o aumento da produção.
Discurso de Posse: Lula reafirma desejo de mudança
BRASÍLIA - Bastante emocionado, o presidente
eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou seu discurso apontando a situação difícil
do país e dizendo que a esperança finalmente venceu o medo - momento em que foi bastante
aplaudido.
Lula ressaltou que a palavra-chave de seu Governo é a mudança e que essa foi a grande
mensagem da sociedade brasileira nas eleições de outubro: "diante do fracasso de
uma política do egoísmo e das ameças à soberania nacional, do desrespeito aos mais
velhos, a sociedade começou a promover a mudança necessária".
Lula reafirmou sua determinação de modificar o país com alterações estruturais. Ao
falar sobre o "esgotamento de um modelo que, em vez de gerar crescimento, produziu
estagnação, desemprego e fome" e enumerar os grandes problemas nacionais, Lula
disse que a sociedade iniciou a promoção das mudanças e que esse foi o sentido de cada
voto dado a ele e a José Alencar.
Discurso de Posse: Mudanças serão gradativas
BRASÍLIA - Em seu discurso, Lula disse que é
preciso mudar com coragem e ousadia, mas com a consciência de que a mudança é um
processo gradativo, e não um simples ato de vontade. Por isso, segundo ele, as
transformações de que o País precisa serão feitas por meio do diálogo e da
negociação, para que seus resultados sejam consistentes e duradouros.
Lula disse ainda que o Brasil é um país imenso e complexo, com 175 milhões de pessoas,
que não pode ser deixado à deriva, carente de um projeto de desenvolvimento nacional
baseado no planejamento estratégico. Mas é preciso, conforme destacou, manter sob
controle as muitas e legítimas demandas sociais, para atendê-las no momento justo e
adequado. "Ninguém pode colher os frutos antes de plantar as árvores",
afirmou.
Lembrando o ditado oriental pelo qual uma grande caminhada começa pelos primeiros passos,
o novo presidente disse que as mudanças começarão imediatamente. E a primeira
prioridade será um mutirão contra a fome, para o qual ele convocou a população
brasileira.
Senadora petista Heloísa Helena diz que necessidade de mudanças
impõe responsabilidades a Lula
BRASÍLIA - A senadora Heloísa Helena (PT-AL)
disse que o país precisa de mudanças estruturais, fato que impõe grande
responsabilidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela considerou a posse do
presidente um momento muito bonito, em que, pela primeira vez na história, um filho do
povo, pelas mãos do povo, com democracia, chega à maior instância de decisão política
de poder do país.
- É hora de muita alegria, um momento muito especial. Mas, acima de tudo, é hora de
muita responsabilidade, gigantesca. Nos faz tremer a responsabilidade de promover
mudanças estruturais profundas como o povo quer e merece - disse.
300 autoridades estrangeiras estão no Congresso
BRASÍLIA - Aproximadamente 300 autoridades
estrangeiras estão presentes na cerimônia de posse do presidente eleito Luiz Inácio
Lula da Silva e do vice José Alencar. Segundo o cerimonial é o maior número de
autoridades estrangeiras registrado em uma posse presidencial.
De acordo com o deputado, estão em Brasília 18 chefes de Estado, entre eles o presidente
da África do Sul, os primeiros-ministros de Portugal e Suécia e o Príncipe da Espanha.
Paulo Delgado lembra também que, das 147 missões
oficiais presentes, 18 organismos internacionais estão representados, inclusive o alto
comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, dirigido por Sérgio Viana de
Melo.
A deputada Esther Grossi (PT-RS), futura Secretária de Alfabetização do Ministério da
Educação. Toda vestida de verde e amarelo, Esther Grossi disse que o dia de hoje marca a
vitória do País e não apenas do PT.
Sobre os desafios do futuro cargo, Esther Grossi lembra que o País tem 119 milhões de
analfabetos absolutos e que toda a população deve se envolver no combate ao problema e
incentivar os analfabetos a sair dessa condição.
Começa discurso de Lula criticando situação ruim do país
BRASÍLIA - O recém-empossado presidente Luiz
Inácio Lula da Silva acaba de iniciar, no Plenário da Câmara, seu primeiro
pronunciamento como presidente da República Federativa do Brasil no qual faz críticas o
governo FHC que deixou o país em situação calamitosa e o povo ansioso por mudanças.
Senador Dutra (PT) destaca vitória democrática
BRASÍLIA - O senador José Eduardo Dutra (PT-SP),
afirmou nesta quarta-feira (1), dentro do Plenário da Câmara, durante a posse de Lula,
que está confiante no fortalecimento da democracia brasileira.
- Alguns diziam que o mundo e a democracia brasileira não absorveriam a eleição de um
presidente de esquerda. Mas Lula foi eleito democraticamente e isso fortalecerá as
instituições - disse.
Senador do PSDB rondoniense acredita que Governo Lula pode
representar mudanças
BRASÍLIA - O senador Chico Sartori (PSDB-RO)
disse que o governo Luiz Inácio Lula da Silva está cercado de grande expectativa e pode
representar mudanças num país que ainda tem muito a ser feito, principalmente na área
social.
- Só nos resta aguardar que o novo governo entre em ação. Mas uma coisa é certa: Lula
significa esperança para milhões de brasileiros - salientou Chico Sartori, ao fazer uma
profecia de fé no crescimento econômico do país nos próximos anos, desde que o governo
dê condições de trabalho para todos.
Para senador Carlos Wilson emoção tomou conta do Congresso
BRASÍLIA - O senador Carlos Wilson (PTB-PE) considerou "um
momento de extrema emoção" a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Para
ele, este é um momento sonhado pelo povo brasileiro há 502 anos: "ter um presidente
operário, um homem do povo governando". O senador afirmou que "a esperança,
que era um sentimento quase morto junto à consciência do povo brasileiro,
ressuscitou".
01/01/03 às 00h01:
Confira a equipe completa do
governo Lula
BRASÍLIA - O presidente eleito Luiz Inácio Lula
da Silva anunciou na segunda-feira os nomes que restavam para completar sua equipe
ministerial a partir de 1° de janeiro de 2003.
Confira a lista completa:
Ministérios e Órgãos
Previdência Social: Ricardo Berzoini, deputado federal reeleito pelo PT-SP
Desenvolvimento Agrário: Miguel Rossetto, vice-governador do Rio Grande do Sul pelo PT
Planejamento, Orçamento e Gestão: Guido Mantega, assessor econômico de Lula
Cidades: Olívio Dutra, governador do Rio Grande do Sul
Casa Civil: José Dirceu, deputado reeleito pelo PT-SP e principal articulador político
no partido
Educação: Cristovam Buarque, governador do Distrito Federal (1995-1998) pelo PT
Fazenda: Antonio Palocci, coordenador da equipe de transição e do Programa de Governo da
Coligação Lula Presidente
Meio Ambiente: Marina Silva, senadora reeleita pelo PT-AC
Minas e Energia: Dilma Rousseff, ex-secretária no governo do Rio Grande do Sul
Saúde: Humberto Costa, candidato do PT ao governo de Pernambuco
Trabalho e Emprego: Jaques Wagner, deputado federal reeleito pelo PT-BA
Comunicações: Miro Teixeira, deputado federal reeleito pelo PDT-RJ
Ciência e Tecnologia: Roberto Amaral, cientista político e vice-presidente do PSB
Esporte: Agnelo Queiróz, deputado federal reeleito pelo PCdoB-DF
Transportes: Anderson Adauto, deputado federal eleito pelo PL-MG
Cultura: Gilberto Gil, cantor e compositor
Turismo: Walfrido Mares Guia, deputado federal pelo PTB-MG e coordenador da campanha
presidencial de Ciro Gomes (PPS)
Integração Nacional: Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e candidato à Presidência
pelo PPS
Defesa: José Viegas Filho, embaixador do Brasil na Rússia
Agricultura: Roberto Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: Luiz Fernando Furlan, presidente do
Conselho da Sadia
Justiça: Márcio Thomaz Bastos, advogado criminalista
Relações Exteriores: Celso Amorim, embaixador no Reino Unido
Advocacia-Geral da União: Álvaro Ribeiro Costa
Corregedoria-Geral da União: Waldir Pires, deputado federal pelo PT-BA e ex-ministro da
Previdência Social
Banco Central: Henrique Meirelles, ex-presidente do do BankBoston e deputado federal
eleito pelo PSDB-GO
Secretarias
Secretaria-Geral da Presidência: Luiz Dulci, secretário-geral do PT
Direitos Humanos: Nilmário Miranda, deputado federal e candidato ao governo de Minas
Gerais pelo PT
Assistência e Promoção Social: Benedita da Silva, governadora do Rio de Janeiro desde
abril de 2002 pelo PT
Segurança Alimentar e Combate à Fome: José Graziano, coordenador do projeto Fome Zero
Direitos da Mulher: Emilia Fernandes, senadora pelo PT-RS
Comunicação: Luiz Gushiken, coordenador adjunto da Equipe de Transição
Pesca: José Fritsch, ex-prefeito de Chapecó e candidato a governador de Santa Catarina
pelo PT
Porta-voz da Presidência: André Singer, jornalista e porta-voz da Coligação Lula
Presidente
Segurança Institucional: Jorge Armando Félix
Imprensa e Divulgação da Presidência: Ricardo Kotscho
Desenvolvimento Econômico e Social: Tarso Genro, ex-prefeito petista em Porto Alegre e
candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Sul pelo PT
Canadá manda deputado para a posse de Lula
BRASÍLIA - A Embaixada do
Canadá divulgou que o Deputado Federal e Presidente da Câmara dos Comuns, Peter
Milliken, será o Chefe da Delegação do Canadá na posse do Presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, nesta quarta-feira (1). Ele estará acompanhado pelo deputado Rahim Jaffer, do
Partido da Aliança Canadense - partido oficial da oposição no Parlamento do Canadá.
O Honorável, como é tratado o político canandense, Peter Milliken foi eleito pela
primeira vez para a Câmara dos Comuns, pela jurisdição de "Kingston and the
Islands", na província de
Ontário, em 1988, e reeleito sucessivamente em 1993, 1997 e 2000. Assumiu a Presidência
da Câmara dos Comuns em janeiro de 2001.
Justificando o envio do parlamentar canadense, a Emabaixada do Canadá adianta que naquele
país, o Presidente da Câmara dos Comuns tem importantes responsabilidades de natureza
processual, administrativa e cerimonial. O Presidente é eleito pela Câmara dos Comuns e
deve exercer sua função de maneira imparcial e apartidária.
"É um grande prazer participar deste evento importante e histórico" declarou o
Presidente da Câmara dos Comuns. "O dia 1º de janeiro é um momento singular na
história da democracia brasileira e estou particularmente orgulhoso em tomar parte nas
cerimônias de posse do Presidente José Inácio Lula da Silva".
O Presidente da Câmara dos Comuns, Peter Milliken, planeja retornar ao Brasil em 2003,
chefiando uma delegação de parlamentares canadenses, com o propósito de aprofundar o
diálogo com o parlamento brasileiro em áreas de interesse bilateral e hemisférico.
Curitiba: Petistas que não foram a
Brasília reúnem no Cecopam para assistir e comemorar posse de Lula
CURITIBA - Militantes do Partido dos Trabalhadores
estarão reunidos, a partir das 14 horas desta quarta-feira (1º), em Curitiba, para
assistir à posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
O local onde os petistas irão assistir à posse de Lula é o Centro Comunitário de
Proteção Alimentar Padre Miguel (Cecopam), localizado na rua Omar Raimundo Pichetti,
754, Vila São Pedro, bairro Xaxim.
"Vamos fazer uma espécie de confraternização para parte de nossa militância que
não poderá estar presente em Brasília", comenta o vereador Adenival Gomes (PT).
"O objetivo é marcar a importância histórica deste momento, não poderíamos
deixá-lo passar em branco."
No Cecopam, serão vendidas, a preço de custo, refrigerantes e cerveja. Um telão está
sendo preparado para exibir as imagens da posse de Lula.
31/12/02:
Congresso
Nacional dará posse ao 37º Presidente da República do Brasil
BRASÍLIA - Tomam posse nesta
quarta-feira, primeiro dia do ano de 2003, o 37º presidente da República Federativa do
Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o vice-presidente José Alencar. A cerimônia será
dirigida pelo presidente do Congresso Nacional, senador Ramez Tebet, e está marcada para
iniciar-se às 15h no Plenário da Câmara dos Deputados, lugar em que o presidente e o
vice-presidente eleitos prestarão o compromisso constitucional perante o membros do
Congresso e o presidente pronunciará seu primeiro discurso oficial.
O novo presidente da República, diplomado no dia 14 de dezembro pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), sucederá Fernando Henrique Cardoso, que manteve-se à frente do
Executivo por oito anos (1995-2003). As eleições, ocorridas em outubro de 2002, deram a
vitória a Lula no segundo turno com 61,27% dos votos válidos (52.793.364),
conferindo-lhe mandato até 31 de dezembro de 2006, com a possibilidade de reeleição por
mais quatro anos. Esta foi a quarta eleição para o cargo disputada por ele nos últimos
13 anos.
Luiz Inácio Lula da Silva é pernambucano e traçou sua trajetória como metalúrgico,
sindicalista e fundador do Partido dos Trabalhadores. José Alencar é mineiro,
empresário e atuou até o ano passado como senador da República pelo Partido Liberal.
A sessão solene será acompanhada pelos parlamentares das duas Casas Legislativas,
autoridades máximas dos três poderes, da Igreja Católica e familiares dos presidentes
eleitos. Também estão confirmadas as presenças de chefes de missões diplomáticas de
diversos países, de delegações especiais e de representações de organismos
internacionais na cerimônia, que será transmitida ao vivo por todos os veículos
oficiais de comunicação do Senado e da Câmara e pela mídia em geral.
A previsão é de que o ato seja cumprido em cerca de uma hora e, na seqüência, o
presidente já empossado seguirá para o Palácio do Planalto, onde receberá a faixa
presidencial. Após as formalidades, está sendo aguardada uma grande festa popular em
Brasília, com a participação de pessoas de todos os estados, conforme desejo
manifestado por Lula.
Posse de Lula: Um roteiro
cercado de pompa e muitos cuidados
BRASÍLIA - O presidente eleito
Luiz Inácio Lula da Silva deverá cumprir, no Congresso Nacional, um roteiro de posse
cercado de pompa e de muitos cuidados. Cerca de mil funcionários do Senado e da Câmara
dos Deputados deverão estar trabalhando no dia 1º de janeiro para garantir uma
solenidade com o requinte, o apuro e a sobriedade exigidos pelo momento.
Para o diretor da Subsecretaria de Relações Públicas do Senado, Francisco Biondo, os
detalhes que cercam uma cerimônia desse porte são muitos e contam com a participação
de diversos setores da Casa, sendo inúmeros os cuidados adotados, envolvendo aspectos que
vão da segurança à acomodação dos convidados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo que está previsto no rito da solenidade de
posse, deverá chegar à Esplanada dos Ministérios escoltado por batedores do Exército,
da Marinha e da Aeronáutica. Na altura do primeiro ministério à direita de quem entra
na Esplanada, vindo da Rodoviária, o cortejo faz uma pausa para troca de veículo.
Ali, Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente eleito, José Alencar, entram no
Rolls-Royce presidencial, um presente da Rainha Elizabeth, do Reino Unido, ao presidente
Getúlio Vargas, em 1952. Ambos seguem até a entrada principal do Congresso Nacional,
escoltados pela Cavalaria de Guarda, após apresentação do seu comandante.
O cortejo, em carro aberto, deverá levar cerca de dez minutos no curto percurso entre o
primeiro ministério, ao lado da Catedral, e a entrada principal do Congresso, onde
estarão à espera do presidente e do vice eleitos, para recebê-los, os presidentes do
Congresso Nacional e do Senado, senador Ramez Tebet, e o presidente da Câmara dos
Deputados, deputado Efraim Moraes (PFL-PB), que assumiu a presidência daquela Casa, no
lugar de Aécio Neves, que renunciou ao cargo, para também ser empossado, no dia 1º,
como governador de Minas Gerais.
Após os cumprimentos, Lula e o vice-presidente eleito, José Alencar, subirão a rampa do
Congresso em meio à ala formada pelos soldados dos Dragões da Independência,
acompanhados pelos presidentes do Senado e da Câmara que atravessarão com eles o Salão
Negro do Congresso e o Salão Azul da Câmara, protegidos pelos Granadeiros, do Exército,
até a entrada do Plenário da Câmara, onde ocorrerá a sessão solene do Congresso
Nacional.
No Plenário, a sessão solene será aberta pelo senador Ramez Tebet. Em seguida, a Banda
dos Fuzileiros Navais executará o Hino Nacional, com todos os presentes de pé. Na
seqüência, o presidente da República e, em seguida, o vice-presidente da República
prestam compromisso constitucional perante o Congresso, de manter, defender e cumprir a
Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a
união, a integridade e a independência do Brasil.
Termo de Posse - Em seguida, o Primeiro-Secretário do Congresso Nacional
procederá à leitura do termo de posse, que será assinado por Lula e Alencar e pelos
parlamentares integrantes da Mesa. O presidente do Congresso declara empossados o
presidente e o vice-presidente da República, ao que se segue o primeiro pronunciamento de
Lula. Depois, o presidente do Congresso fará um breve discurso e declarará encerrada a
sessão.
O presidente e o vice-presidente serão novamente acompanhados pelos presidentes do
Congresso Nacional e da Câmara dos Deputados, fazendo de volta o itinerário do Plenário
à rampa principal, onde param na plataforma inferior, em frente à tropa, para ouvir mais
uma vez a execução do Hino Nacional pela Banda do Batalhão da Guarda Presidencial, com
salva de 21 tiros de canhão. Em seguida, o presidente da República desce até a calçada
em frente à rampa, onde o Comandante da Guarda de Honra apresenta-se e o convida a passar
em revista a tropa mista do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Terminada a revista à Guarda de Honra, o presidente da República e o vice-presidente
despedem-se dos presidentes do Congresso e da Câmara e embarcam no automóvel
presidencial, com escolta de batedores, a partir do final do jardim do Congresso Nacional,
em direção ao Palácio do Planalto. Esse embarque está previsto para as 15h50.
Ao chegarem ao Palácio do Planalto, o presidente e vice empossados serão recebidos por
Fernando Henrique Cardoso e todo o seu ministério. A eles se juntará o novo ministério
do presidente recém-empossado, dando-se início à solenidade de transferência da faixa
presidencial.
Após haver recebido a faixa presidencial de Fernando Henrique, Luiz Inácio Lula da Silva
acompanhará FHC até a saída do Palácio do Planalto, dele se despedindo. Feitas as
despedidas, o ex-presidente da República será acompanhado até o aeroporto pelo novo
chefe do Gabinete Militar e por um ajudante de ordens do Gabinete do novo presidente.
Os decretos de nomeação dos novos ministros de Estado, do chefe do Gabinete Militar da
Presidência da República, do chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, do
chefe da Agência Brasileira de Informação (Abin) e do ministro da Defesa serão em
seguida assinados pelo novo presidente da República, no Salão de Despachos do Palácio
do Planalto.
O primeiro ato a ser assinado será o de nomeação do ministro da Justiça, a quem
caberá referendar os atos de nomeação dos demais ministros de Estado e de outros
componentes do alto escalão. Os cumprimentos das missões especiais estrangeiras
designadas para a posse serão recebidos pelo novo Presidente da República em audiência
solene, realizada ainda no dia 1º de janeiro.
A Posse de Lula: No Congresso,
haverá lugares reservados para autoridades, convidados e jornalistas
BRASÍLIA - Na cerimônia de
posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e do vice-presidente, José
Alencar, também foram acertados os assentos no Plenário e nos salões do Congresso
Nacional para autoridades, convidados, imprensa nacional e estrangeira.
O presidente Lula e o vice-presidente Alencar cruzarão o Plenário da Câmara, sendo
conduzidos até a Mesa, onde ficarão ao lado do presidente do Congresso e do Senado,
Ramez Tebet, do presidente da Câmara, Efraim Moraes, do presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), Marco Aurélio Mello, além dos primeiro e segundo secretários da Mesa do
Congresso, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) e senador Antero Paes de Barros
(PSDB-MT). O presidente e o vice eleitos devem sentar-se, respectivamente, à direita e à
esquerda do presidente do Congresso Nacional.
Os sete cardeais representantes da Igreja Católica, os ministros de Estado atuais, os
ministros do STF, governadores já empossados pela manhã, e os presidentes dos tribunais
superiores federais terão lugares reservados nas primeiras filas do Plenário, à
esquerda de quem entra naquele recinto. Nessa ala, também deverão sentar-se as senhoras
Marisa Letícia Lula da Silva - a primeira-dama -; Mariza Campos Gomes da Silva, mulher do
vice-presidente eleito; Fairte Nassar Tebet, mulher do presidente do Senado; e Ângela
Maria Mayer Ventura Morais, mulher do presidente da Câmara. Ainda nesta ala estarão os
atuais ministros-chefes da Casa Civil e da Casa Militar da Presidência da República. À
direita do Plenário estarão os chefes de Estado e de governos estrangeiros.
Os demais assentos do Plenário serão ocupados por parlamentares. Nas galerias da
Câmara, estarão acomodados os representantes estrangeiros de missões diplomáticas e de
organismos internacionais, familiares de parlamentares e convidados especiais do
presidente eleito, do vice e dos presidentes do Senado e da Câmara. Haverá ainda um
telão e mais 200 cadeiras no Salão Negro do Congresso, disponíveis também para
convidados do presidente eleito.
Conheça o plano "B" da posse de Lula no
Congresso Nacional
BRASÍLIA - Em caso de o tempo
estar chuvoso, na tarde de 1º de janeiro de 2003, poderá ser acionado um "plano
B" para as posses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente José
de Alencar. Os horários, nesse caso, são mantidos praticamente os mesmos, admitindo-se
apenas alguns minutos, para mais, nas previsões dos trajetos a serem cumpridos de
automóvel fechado.
No interior do Congresso, o esquema praticamente não se altera. Mas toda a parte do lado
de fora seria extremamente simplificada, sendo vários dos eventos simplesmente
eliminados, incluindo-se aí o desfile do futuro presidente e do vice em carro aberto. Em
vez de ser feito em carro aberto, esse desfile seria realizado em carro adaptável, a
exemplo do que foi feito na visita de João Paulo II ao Brasil, quando foi utilizado um
"Papa-móvel", apenas com um pequeno prejuízo da visibilidade e com proteção
contra a chuva.
No caso de chuva forte, não haveria troca de guarda nas proximidades da Catedral e o
presidente eleito e o vice entrariam no Congresso pela Chapelaria, uma área coberta que
não oferece visibilidade a um eventual público que esteja, mesmo com chuva, do lado de
fora. Não haveria, assim, a pompa de uma entrada pela rampa principal do prédio do
Congresso.
Ao final da solenidade de posse, saída também seria feita pela Chapelaria, não se
prevendo os eventos simbólicos, de forma completa, entre o novo presidente e as tropas
das três Armas, precedido com a execução externa do Hino Nacional junto com a salva de
21 tiros.
As despedidas dos presidentes do Congresso e da Câmara, do presidente recém-empossado e
do vice-presidente seriam feitas, nesse caso, na saída da Chapelaria, de onde Lula e
Alencar seguiriam, em carro fechado, com escolta, até o Palácio do Planalto.
Do agreste ao Planalto
Central: A trajetória do novo Presidente da República
BRASÍLIA - O novo presidente
da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nasceu há 57 anos, em Vargem Grande,
localizada no atual município de Caetés (PE), numa família de pequenos lavradores. Aos
7 anos de idade, mudou-se com a mãe e sete irmãos, como tantos outros retirantes
nordestinos, para o estado de São Paulo, onde foi torneiro mecânico, líder sindical e
fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), e por onde elegeu-se o deputado federal no
pleito de 1986.
Na capital paulista, morou com toda a família num minúsculo quarto nos fundos de um bar,
na Vila Carioca. Estudou até à 5ª série do ensino fundamental e obteve, numa escola do
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o diploma de torneiro mecânico. Aos
12 anos de idade, conseguiu seu primeiro emprego, e aos 19, empregado em uma metalúrgica,
sofreu um acidente de trabalho, perdendo o dedo mínimo da mão esquerda.
O ingresso na vida sindical, em 1966, por intermédio de um de seus irmãos, foi o início
de uma bem-sucedida trajetória: em 1969, concorreu ao primeiro cargo no Sindicato dos
Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, ficando com suplente. Três anos
depois, foi eleito secretário-geral da entidade, e em 1975, elegeu-se presidente, cargo
para o qual foi reeleito em 1978, com 98% dos votos.
A atuação nas negociações das reivindicações dos metalúrgicos com o empresariado, a
condução de movimentos grevistas entre 1978 e 1981 na região do ABC paulista - que o
levaram, inclusive, a ser preso e processado com base na então Lei de Segurança Nacional
-, e a participação na fundação do PT, em 1980, ao lado de outros sindicalistas, de
intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais credenciaram Luiz Inácio
Lula da Silva a disputar um mandato eletivo.
Em 1982, Lula concorreu ao governo de São Paulo, ficando como quarto colocado. Em 1984,
participou da campanha Diretas-Já, e em 1986, foi eleito para a Assembléia Nacional
Constituinte como o deputado federal mais votado do país, com mais de 650 mil votos.
O passo seguinte foi a disputa da Presidência da República. Na primeira tentativa, em
1989, Lula foi derrotado no segundo turno das eleições por Fernando Collor de Mello. Em
1994, disputou novamente o cargo, sendo derrotado no primeiro turno por Fernando Henrique
Cardoso, o que se repetiu em 1998. Em 2002, foi eleito presidente da República com 52,8
milhões de votos.
Casado há 28 anos com Marisa Letícia, Luiz Inácio Lula da Silva tem cinco filhos e dois
netos.
Saiba mais sobre o Vice-Presidente
eleito José Alencar
Senador,
empresário, vendedor e balconista, José Alencar começou a trabalhar ainda criança
BRASÍLIA - Empresário do setor têxtil, dono do grupo Coteminas, o vice-presidente da
República, José Alencar, 71 anos, nasceu num pequeno povoado às margens da cidade de
Muriaé (MG). Antes de ser eleito senador pelo PMDB, em 1998 - com quase três milhões de
votos -, José Alencar, hoje filiado ao PL, ocupou os cargos de presidente da Federação
das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e de vice-presidente da Confederação Nacional da
Indústria (CNI).
Aos 7 anos de idade, José Alencar já se colocava atrás do balcão da loja do pai
"mais para atrapalhar do que para ajudar", como ele mesmo conta. Aos 15 anos, o
11º dos 15 filhos do casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva deixou
a casa dos pais e foi para Muriaé trabalhar como balconista em uma loja de tecidos. Como
não ganhava o suficiente para pagar um quarto, costumava dormir no corredor do Hotel da
Estação.
Em 1948, José Alencar mudou-se para Caratinga (MG). Trabalhou em uma loja, recebendo ali
o título de melhor vendedor. Aos 18 anos, com um empréstimo que obteve de seu irmão
mais velho, Geraldo, e a emancipação concedida por seu pai, abriu sua primeira empresa,
"A Queimadeira". Ali, morava "atrás da prateleira", comia de marmita
e vendia tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas, material de armarinho, entre outros
objetos.
Em 1953, decidiu vender a loja, para mudar de ramo. Enquanto aguardava o pagamento, foi
viajante de uma grande empresa atacadista carioca de tecidos. Em seguida, iniciou um
negócio na área de cereais por atacado, ainda em Caratinga, e depois, com alguns
sócios, foi proprietário de uma fábrica de macarrão. No final de 1959, com a morte de
seu irmão mais velho, José Alencar assumiu os negócios deixados por Geraldo na empresa
União dos Cometas.
Em 1967, fundou, em Montes Claros (MG), a Companhia de Tecidos Norte de Minas, a
Coteminas, e oito anos depois inaugurou uma moderna fábrica de fiação e tecidos do
país. Com 16 mil empregados e faturamento anual superior a R$ 700 milhões, a Coteminas
tem 11 unidades que fabricam e distribuem produtos como fios, tecidos e malhas para o
Estados Unidos, a Europa e os países do Mercosul.
Ao ser eleito senador para o Senado, apresentou um discurso nacionalista e de oposição
ao governo. Na ocasião, declarou: "Vendemos a Vale (do Rio Doce) que é um país. E
o que ela valeu? Apenas 17 dias de juros da dívida pública. Vamos vender tudo, já
vendemos todas as siderúrgicas, o sistema de telecomunicações e continuamos devendo
mais". No Senado, foi primeiro vice-líder do PMDB e presidente da Comissão de
Serviços de Infra-Estrutura.
Casado com Mariza há 45 anos, tem três filhos e cinco netos.
Posse de Lula renova as esperanças do povo
brasileiro
BRASÍLIA - Mais uma vez a emoção e a esperança
tomarão conta dos brasileiros nesta quarta-feira (dia 1º), quando Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), eleito com mais de 60% da preferência popular, assumirá a Presidência da
República. Lula será o 36º Presidente da República Federativa do Brasil.
Proporcionalmente, ele é o brasileiro mais votado da história, superando o marechal
Eurico Gaspar Dutra, que foi eleito com 55,4% dos votos na eleição presidencial de 1945.
A vitória do ex-metalúrgico do ABC paulista levou multidões às ruas do país, logo
após os resultados das urnas. E as manifestações de apoio e confiança não pararam
mais.
Lula ajudou a fundar o PT em 1980. Nestes 22 anos de existência, junto com trabalhadores
da classe média brasileira, intelectuais e parlamentares de esquerda, sonhou com um país
mais justo e solidário. Foram longos anos de luta e trabalho para que este momento fosse
possível. Para que um representante do Partido dos Trabalhadores pudesse presidir o
Brasil e fazer as transformações necessárias para que o país possa voltar a crescer,
gerar emprego e renda.
Lula chega ao Palácio do Planalto com o propósito de trabalhar firme para que cada um
dos brasileiros possa ter dignidade e direito de fazer três refeições ao dia. Ele vai
continuar sua luta em defesa da ética na política. Persistirá na busca do entendimento
para superar os problemas nacionais.
O Brasil abriu os braços para a esperança com a eleição de Lula. Com o voto os
brasileiros deram um exemplo de ousadia para o mundo e inauguram uma nova era. Um tempo em
que o Estado deixará de lado o seu papel paternalista para implantar políticas que
resgate a cidadania, gere empregos, distribua renda e promova a justiça social.
Festa popular marcará a posse de
Lula
Confira a
programação completa da posse de Lula
BRASÍLIA - Está tudo pronto para a
posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira (dia 1º).
Além das cerimônias oficiais no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto haverá uma
grande festa popular na Esplanada dos Ministérios. A expectativa é de que 150 mil
pessoas participem das festividades que começam às 12h.
Foram montados quatro palcos na Esplanada dos Ministérios. O principal fica localizado
entre os primeiros ministérios e é nele que acontecerão os shows de Zezé de Camargo e
Luciano, Gilberto Gil e Fernanda Abreu. Nos outros palcos serão realizadas
apresentações de grupos culturais de várias partes do país, entre eles, o Balé
Folclórico da Amazônia, ala da escola de samba Mangueira, do Rio de Janeiro e do bloco
Filhos de Gandhi, da Bahia.
Comitiva Presidencial - A previsão é de que às 14h a comitiva presidencial saia
da Granja do Torto. Às 14h30, Lula deverá sair da Catedral, em carro aberto, rumo ao
Congresso Nacional, local em que tomará posse por volta das 15h. Do Congresso, Lula segue
para o Palácio do Planalto para receber a faixa presidencial de Fernando Henrique
Cardoso. O evento previsto para começar às 16h15 será fechado, mas poderá ser
acompanhado pela população por meio de seis telões instalados na Esplanada dos
Ministérios e outros três na praça dos Três Poderes.
Novidade - A maior novidade da cerimônia será o desfile do presidente, já
empossado, em carro aberto pela praça dos Três Poderes e pela Esplanada dos
Ministérios, após o discurso no Parlatório do Palácio do Planalto. A previsão é de
que o desfile aconteça por volta das 19h. A comemoração deve terminar após as 20h30,
quando Lula receberá os cumprimentos das missões estrangeiras no Palácio da Alvorada.
Estacionamentos - O esquema de segurança começa bem antes das festividades na
Esplanada dos Ministérios. A partir das 7h cerca de 300 policias militares estarão em
frente à Catedral de Brasília orientando os visitantes quanto à localização dos
estacionamentos
As vias de saída da Granja do Torto e os acessos para o Lago Norte e Asa Norte serão
interditados durante a passagem da comitiva presidencial. O Eixo Rodoviário Norte estará
fechado para veículos em função do feriado. Os Eixos W e L Norte serão fiscalizados
pelo Detran.
Às 14h, a via de acesso à Esplanada será interditada para a chegada da comitiva
Presidencial. Os motoristas poderão usá-la até esse horário para levarem seus
veículos às 10 mil vagas disponíveis nos estacionamentos dos Ministérios. A via de
saída da Esplanada será interditada a partir das 11h, mesmo horário em que o acesso
pela L4 à Esplanada será fechado. Segundo a SSP, todos os locais onde houver público
estarão completamente livres de veículos.
O trânsito deve voltar ao normal após o término das festividades, previsto para as 21h,
horário em que acontece uma concentração de policiais militares e civis, especialmente
na Rodoviária do Plano Piloto. As preferenciais de tráfego de veículos, ao final do
evento, serão os Eixos Rodoviário Sul e Norte, Vias L2 Sul e Norte, Via L4 e Ponte JK.
Confira a programação completa da posse de Lula
12h - Show com Zezé di Camargo e Luciano e amigos
14h30 - Saída de Lula da Catedral de Brasília, em carro aberto, até o Congresso
Nacional
15h - Posse no Congresso Nacional, pronunciamento de Lula
16h - Saída para o Palácio do Planalto
16h15 - Transmissão da faixa presidencial
16h45 - Cumprimento ao atual e ao novo ministério
17h - Despedida de Lula e FHC, posse dos novos ministros
18h - Pronunciamento de Lula no Parlatório do Palácio do Planalto
19h - Desfile de Lula em carro aberto pela praça dos Três Poderes e Esplanada dos
Ministérios
19h30 - Encerramento
20h30 - Cumprimentos de delegações estrangeiras no Palácio da Alvorada
Andarilhos chegam para posse de
Lula
BRASÍLIA - O sentimento de
cidadania motivou o advogado Ivaldo Costa, 45 anos, a percorrer 1764 km a pé, para
assistir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Foram 44 dias de
caminhada para chamar a atenção do povo brasileiro quanto à importância da reflexão
em torno da "República cidadã", explica o mineiro de Serra dos Aimorés, que
mora em Eunápolis, na Bahia.
Ivaldo saiu de Porto Seguro no dia 15 de novembro e chegou a Brasília no último dia 29
de dezembro. Ele juntou-se a outros brasileiros que decidiram deslocar-se para a posse de
Lula de maneiras inusitadas, seja para pagar promessa pela eleição do petista, ou como
forma de chamar a atenção para importância do momento histórico.
Na longa caminhada, conta o andarilho, o cansaço foi compensado pelas inúmeras
manifestações de populares que o abordavam para congratularem-se com a iniciativa e
enviar mensagens para Lula. Ivaldo levou na sua pequena bagagem de mão um kit com 10
camisetas brancas e 10 vermelhas que o identificavam como o "andarilho
cidadão".
Motivou o andarilho a trilhar a longa caminhada até Brasília uma promessa feita ao
próprio Lula, em 1998, em Porto Seguro, quando conversaram sobre a dificuldade de
politização no país. Se Lula fosse eleito, previu, viria a Brasília a pé. Desde
então começou a caminhar pequenas distâncias em busca do preparo físico. Às vésperas
da eleição do petista os exercícios foram incrementados, contou. No meio do caminho, os
78 quilômetros debaixo de chuva não atrapalharam a caminhada que era interrompida para
as refeições e à noite, em torno das 22 h, para descansar até às 5 da manhã, em
local previamente programado.
O fotógrafo aposentado Antonio Francisco dos Santos também encarou longa caminhada para
assistir e registrar a posse de Lula. Ele saiu de Campinas, São Paulo, e chegou a
Brasília após 1,1 mil Km. "Fiz isso porque quero conscientizar as pessoas da
importância da participação política", afirmou.





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