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Florianópolis - Santa Catarina

    

Fortalezas: turismo educativo desperta em Florianópolis

Seculares, elas circundam a Ilha de Santa Catarina, distribuídas ao longo de sua costa de 172 quilômetros, recentemente revitalizadas e abertas à visitação pública. São monumentais fortalezas que constituíram até recentemente o principal projeto na área de patrimônio cultural do Brasil. A restauração completa da maior delas, a de Santa Cruz de Anhatomirim, vem consolidando estes monumentos históricos como principais pontos de atração turística de Florianópolis. São milhares de visitantes de todo o país e do exterior, principalmente de países vizinhos. A média nos meses de janeiro e fevereiro ( alta temporada de verão ) tem sido de 400 mil pessoas.

Tais monumentos constituem um conjunto de seis unidades que remontam ao século XVIII, quando os espanhóis e portugueses entraram em conflito na região do Prata e o governo português decidiu manter um comando único em toda costa sul brasileira até a Colônia de Sacramento, tendo a Ilha de Santa Catarina, então chamada Nossa Senhora do Desterro, como ponto estratégico no Atlântico Sul.

Dessa forma, o rei de Portugal, D. João V, determinou em 1738 a ida do brigadeiro José da Silva Paes à Desterro para construir em seu redor um sistema de fortificações visando defendê-la. Engenheiro militar, Silva Paes projetou quatro: Santo Antônio, na ilha de Ratones Grande; Santa Cruz, na ilha de Anhatomirim; São José, no norte da ilha de Santa Catarina e Nossa Senhora da Conceição, ao sul desta, na pequena ilha de Araçatuba.

Do conjunto, a maior e a que sofreu menos danos ao longo dos séculos foi a de Santa Cruz, que juntamente com as de Santo Antônio e São José, formava o sistema defensivo triangular que guardava a entrada da barra norte da Ilha de Santa Catarina. Esse sistema de defesa tinha como base o cruzamento de fogos. Cada canhão da fortaleza deveria atingir a metade da distância entre as outras duas de forma que fosse possível o bloqueio do acesso aos inimigos.

Segundo os historiadores, esta fortaleza não foi efetivamente utilizada do ponto de vista bélico, nem mesmo durante a invasão espanhola em 1777. Após este episódio, o sistema entrou em descrédito e Santa Cruz passou a ser progressivamente abandonada. Em 1894, durante a Revolução Federalista, serviu de prisão e base de fuzilamento de revoltosos contra o governo de Floriano Peixoto. Em 1907, passou a pertencer ao Ministério da Marinha e voltou a ser utilizada como prisão no desfecho da Revolução Constitucionalista de 1932. Funcionou como fortaleza até o final da Segunda Guerra Mundial, quando o aparecimento de novas tecnologias bélicas tornou-a completamente obsoleta como unidade militar. Então foi desativada.

Apesar de tombada em 1938, somente em 1970 Santa Cruz veio à sofrer as primeiras intervenções de restauro feitos pela Universidade Federal de Santa Catarina, que reabriu-a oficialmente à visitação pública em 1984. A restauração completa foi terminada em 1993.

Como as demais edificadas no século XVIII no Brasil, Santa Cruz tem traços de influência renascentista em sua arquitetura. Na ilha circundada por costões, seus edifícios distribuem-se de maneira esparsa em diferentes níveis, contidos por espessas muralhas, em cujo vértices se abrigam as proeminentes guaritas circulares de vigia. Entre os edifícios mais significativos da fortaleza destacam-se a portada, que compõe-se de um corredor formado por uma abóboda de tijolos sobre os quais se elevam dois maciços de alvenaria escalonadas; a casa do comandante, tipo câmara e cadeia; e uma espécie de sobrado que foi a primeira sede do governo de Santa Catarina, onde residiu Silva Paes. O quartel da tropa é uma construção de grande destaque, representando o auge da imponência das obras de Silva Paes. O estilo clássico da construção é determinado por contornos retos, telhas coloniais e doze arcadas térreas de tal apuro que raramente deixavam de ser mencionadas por viajantes europeus em seus diários.

Além desses edifícios, encontram-se na ilha o paiol de pólvora, a casa da farinha e o armazém da praia. Outros edifícios foram construídos posteriormente, como a usina de eletricidade e a casa do telégrafo. Para o visitante desta fortaleza há o lado natural para ser apreciado. A maior parte do contorno da ilha de Anhatomirim é de costões que albergam uma fauna marinha muito peculiar. Três pequenas praias arenosas completam o seu litoral. O relêvo é modesto e a altitude máxima é de 31 metros. Entre a ilha e o continente, que são separados por duas milhas, a profundidade é de no máximo cinco metros. Nas redondezas, numa baía, abrigam-se cerca de 500 golfinhos.

A fortaleza de Santo Antônio, na ilha de Ratones Grande, é a segunda maior da região. Sua construção teve início em 1740, concluída quatro anos depois. Permaneceu em ruínas até 1990, quando foi iniciada sua recuperação. Também com traços renascentistas, os principais edifícios estão implantados em linha, guarnecidos pela costa e voltados para o mar. O paiol de pólvora, situado no ponto mais proeminente do térreo é a única construção com dois pavimentos. Os edifícios, bem como as muralhas que os resguardam, foram construídos à base de cal. Entre os elementos arquitetônicos mais significativos da fortaleza destacam-se a portada, a fonte de água e o aqueduto. Este, que une a casa do comandante ao quartel da tropa, integra um interessante e original sistema de captação, condução e aproveitamento das águas pluviais provenientes dos telhados dos edifícios principais.

A fortaleza de São José da Ponta Grossa, fica distante 25 quilômetros do centro de Florianópolis, na ilha de Santa Catarina. Estrategicamente situada no alto de um morro, emoldurada pela beleza dos costões e areia branca da praia do Forte, constituía o terceiro vértice do sistema triangular de defesa. A maioria de seus edifícios completou sua restauração na Segunda metade da década de 90. Entre os edifícios, o mais significativo é a casa do comandante, construção curiosamente geminada ao paiol de pólvora, formando o único conjunto com dois pavimentos no local. A força e a sobriedade da composição geradora do pátio principal, delineado pelo sobrado colonial e a austera capela, espelham bem a importância e a inter-relação dos poderes do Estado e a Igreja no século XVIII.

Além da própria Universidade Federal de Santa Catarina, que organiza passeios com estudantes e estudiosos, empresas particulares exploram passeios turísticos para fortalezas que se localizam em ilhas (Anhatomirim e Ratones Grande). As excursões são feitas em escunas e a principal empresa do ramo é a Scuna Sul. Mesmo fora da temporada de verão, há excursões diárias em diferentes horários e com serviço de bordo. Alem destes serviços, baleeiras são encontradas em diversas praias e na Lagoa da Conceição para passeios nas proximidades (ABN).

 

 

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