Dos seus 424,4 km2, a Ilha de
Santa Catarina reserva muito o que descobrir. A pé pelas trilhas de
mata fechada, a cavalo, de barco até comunidades isoladas, e pelo céu,
de asa-delta ou "paraglider". A paisagem nada monótona
revela uma diversidade que enobrece o território das 42 praias mais
encantadoras da região sul. Tem planícies, dunas, lagoas, mangues,
montanhas, vegetação atlântica nativa. Além disso, na sua
vizinhança, existem outras 30 pequenas ilhas paradisíacas.
Florianópolis, que ocupa toda a Ilha de Santa Catarina e mais um
trecho do continente, guarda até hoje traços dos colonizadores do
século XVIII. Na arquitetura , na pesca, na agricultura, na
gastronomia e até no jeitão do seu povo. É uma terra desenhada
para exploradores dos mais variados interesses.
As trilhas mais selvagens estão no sul da ilha. As três que
levam à praia do Saquinho, partindo da praia da Solidão, da
Caieira da Barra do Sul ou de Naufragados, são íngremes e exigem
um certo fôlego, mas pagam o esforço ao revelar um pedaço
imaculado da Mata Atlântica ou, para quem sai da praia da Solidão,
uma costa magnificamente recortada e enfeitada de gaivotas. No
Saquinho, a praia em formato de concha é pouco habitada, uma casa
aqui e outra acolá.
Uma das mais espetaculares praias desertas da ilha, que os "habitués"
fazem questão de manter no anonimato, é a Lagoinha do Leste. Suas
águas são um pouco agitadas e boas para o surf, sua areia é fina
e fofa, e tem pouco mais de um quilômetro de extensão. É cercada
por um morro e há uma lagoa perto da praia, com vegetação farta,
em cujas margens os campistas costumam armar suas barracas. Pode-se
chegar à Lagoinha do Leste a partir do Pântano do Sul, depois de
uma escalada de pouco mais de uma hora, ou pela trilha que sai da
praia da Armação percorrendo o que os ilhéus chamam de "costão",
a costa irregular formada por grandes pedras.
Entre Armação e Lagoinha fica a miúda praia de Matadeiro, com
apenas 200 metros, que tem ondas melhores para o surf do que a
agitada Joaquina, segundo muitos surfistas. Mas as trilhas nativas não
revelam apenas praias. A que sai um pouco ao sul do centrinho do
Ribeirão da Ilha, passa pela Lagoa do Peri e termina na praia da
Armação, oculta numa de suas vertentes o último engenho de
cangalha ativo de Florianópolis. Por uma estradinha intercalada por
meia dúzia de porteiras chega-se ao Engenho do Chico, na região
curiosamente denominada de Sertão do Ribeirão.
As nascentes brotam por toda parte, não faltam pessegueiros e o
pasto para o gado é de um verde que impressiona. Enfim, nada se
parece com o sertão de verdade. Há o engenho da farinha movido a
boi, que segundo a sabedoria dos antigos mói durante os meses que não
têm a letra "r" de maio a agosto . E há o alambique, que
produz por semana 500 litros da melhor cachaça da Ilha.
Seguindo a mesma trilha, a 8 km do Engenho do Chico, está o
Parque Municipal da Lagoa do Peri, a maior reserva de água doce da
Ilha de Santa Catarina, com 5 km2. O lugar é excelente para pescas
e caminhadas. Caminhar nas trilhas antigas exige cuidados e muita
atenção. Apesar do esforço, são garantidos o suor e o prazer dos
aventureiros (ABN).