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27/02/2007 13:54

Da Democracia ao Totalitarismo - Artigo de Kurt Pessek

Kurt Pessek é articulista da ABN (www.abn.com.br) e membro da Associação da Imprensa do Distrito Federal / Associação Brasiliense de Imprensa

Brasília (ABN) - `Y el voto popular, que me ha servido de instrumento para afianzar mi poder, terminará por convertirse en la base misma de mi gobierno. Instituiré un sufragio sin distincion de clases, ni de censo, que, de un solo golpe, permitirá el absolutismo`, escreveu Maurice Joly, no notável livro Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu. Na obra, editada em francês e traduzida para o espanhol, o autor pendura na boca de Maquiavel a frase acima, na qual explica a Montesquieu uma das muitas artimanhas para se conquistar o ?imperium? em qualquer país. Perfeita síntese de como atingir o despotismo com estribo na democracia. Há inúmeros exemplos na história.

Napoleão III ganhou a eleição para Presidente da Segunda República francesa com estrondosa maioria de votos. Lembra Jean-Jaques Revel: ?Foi o primeiro chefe de Estado da história européia eleito por sufrágio universal direto! E que, depois de aplicar o golpe de estado se serviu, regularmente, e com invariável êxito, do plebiscito.? Em 1892, dissolveu o congresso e a seguir proclamou-se imperador. O caminho é sempre o mesmo.

Carlos de Lacerda condenava a hipocrisia dos plebiscitos: ?É o direito por plebiscito, a mais perigosa modalidade do totalitarismo, aquela que se impõem por via democrática... É o plebiscito, afinal, decidido por quem tem nas mãos os ins-trumentos do Poder e da sua coação, pela propaganda e pelo dinheiro, e assim fazem leis e as interpretam segundo seus interesses particulares.? Rematou o Papa Pio XII : ?A crença de que tudo o que é feito oficialmente é realmente direito é um erro que está na base do absolutismo do Estado e equivale à deificação do próprio Estado.? ?E pt saudações?, diria o saudoso Virgílio Távora.

O mote da esquerda, hoje em dia, resume-se em assegurar a indiscutibilidade do direito da bovina maioria, engabelada pela falsa propaganda. Já alcançamos a ?onagrocracia? de Benedetto Croce. Agora, só faltam os plebiscitos para réquiem da liberdade. Vejam só. O parlamentar, seriamente enlameado por suspeita com o escândalo dos ?Anões do Orçamento?, volta ao Congresso - o nosso ?Pátio dos Milagres?, de Victor Hugo - com ares de moralista, e deitou ornejos à larga. À imprensa, definiu a democracia: não é o regime de consenso, mas o regime da maioria.

Cito as velhas raposas, pois de nada tem adiantado as previsões dos analistas independentes, nacionais ou estrangeiros. Salta ao olhos a nossa marcha fatal na direção do malfadado destino da Venezuela. Há diferenças. Lá, o louco ambicioso, manda. Aqui, a pouquidão do acácio ator o obriga a desempenhar o triste papel de fantoche. Quem o manipula? Ora! a pior choldra da esquerda. A reforma partidária a ser votada de muito servirá aos intentos deles para enquadrar a oposição e todos nós. E em algum tempo, hemos perder a nossa atual liberdade. Os comunistas contam por certo o ensinamento de Bernard Shaw: ?A liberdade significa responsabilidade. E é por isso que a maioria dos homens a teme.? É ... talvez seja esse o nosso no górdio.

 
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