03/10/2005 01:29
Ciclo de Conferências da Imprensa debateu vários temas em Belém do Pará
Ciclo de Conferências da Imprensa debateu vários temas em Belém do Pará e convidados estrangeiros ficaram encatados com os atrativos da região
Jornalista mostra visão da imprensa italiana com relação à Amazônia
Uma vasta floresta intacta e pouco explorada. Essa é a principal imagem que o italiano tem da Amazônia, segundo afirma o jornalista Paolo Carlucci, representante da Associação de Imprensa Italiana no Brasil, que proferiu palestra na manhã deste sábado (01) aos participantes do 7o Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira, por ocasião do 13o Encontro Nacional das Associações de Imprensa (ENAI). O evento é promovido pela Federação Nacional de Imprensa (Fenai/Faibra), em Belém do Pará.
Carlucci explica que a imprensa italiana não se interessa muito por notícias estrangeiras ou da Amazônia e, nas poucas vezes em que é feita alguma matéria sobre a região, o destaque maior é para a natureza, deixando em segundo plano, ou até mesmo de fora, os problemas sociais. Isso acaba se refletindo no imaginário da população. ?O que não é mostrado parece com o que não existe, como se esse lugar fosse feito só de natureza e não de homem e natureza?, explica. E quando o assunto nas matérias é a pobreza no Brasil, relata o jornalista, a Amazônia também fica de fora, sendo geralmente abordadas as favelas do Rio de Janeiro.
Com relação ao Brasil, os assuntos que com freqüência vêm à cabeça dos italianos são Rio de Janeiro, Carnaval, mulheres lindas, praias ensolaradas e samba. Um grupo menor de italianos também pensa na Amazônia ou no Pantanal quando se fala do Brasil, mas, na opinião de Paolo, é uma visão extremamente limitada para a realidade brasileira. Segundo ele, isso acontece devido à preocupação dos jornalistas em só divulgar assuntos que geram audiência ou quando o assunto, como a própria suposta destruição da floresta, atinge o estrangeiro. ?A preocupação é com seu próprio bem estar, e não com o dos outros?, opina.
Debatendo o tema, o jornalista J.H. de Oliveira Júnior, presidente da Federação Nacional da Imprensa e diretor de redação da ABN Agência Brasileira de Notícias, frisou que os jornalistas brasileiros devem evitar o péssimo costume de somente pautar nas manchetes acontecimentos negativos e trágicos, com isso pautando a imprensa estrangeira que repercutindo tais notícias mancham a imagem do Brasil no exterior e afastam os turistas do nosso país.
Oliveira Júnior também chamou a atenção para a atuação da ongs que inventam mentiras sobre a destruição de florestas e índios com o único propósito de angariar mais dinheiros no exterior para custear suas mordomias, mesmo colocando em risco a soberania do país, pois suas iniciativas fortalecem na opinião pública mundial a falsa idéia de que o Brasil não tem capacidade para administrar a sua Amazônia.
Jornalista destaca a importância do rádio para a comunicação
O jornalista Luiz Solano, que tem mais de 49 anos de atividades, especialmente cobrindo assuntos relativos à Presidência da República e ao Congresso Nacional em Brasília, foi o segundo palestrante deste sábado (01) no 7o Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira, que está sendo realizado em Belém (PA) dentro da programação do 13o Encontro Nacional das Associações de Imprensa (ENAI). Solano, paraense radicado em Brasília, voltou à terra natal para compartilhar um pouco das experiências vividas por ele nesses quase 50 anos de jornalismo.
Ele alertou aos colegas sobre o destaque que deve ser dado ao veículo rádio. ?A televisão atinge um grande público, mas ainda há muita gente no Pará que não tem televisão e o jornal também não chega?, explica o jornalista, que é correspondente em Brasília da Rádio Marajoara AM de Belém. De acordo com ele, uma emissora de rádio é capaz de atingir no estado um público de aproximadamente 300 mil pessoas. O jornalista pôde inclusive sentir de perto a popularidade que conquistou através do rádio. Mesmo morando em Brasília há 46 anos, tornou-se muito conhecido da população que mora nas ilhas do município paraense de Abaetetuba, onde foi recebido com festa durante uma visita.
Sobre sua experiência em assessoria de imprensa, Luiz Solano citou a mais recente, na Secretaria de Transportes de Brasília, onde procura-se ter não só um bom relacionamento com a imprensa, como também com o usuário do metrô. ?Se sai uma carta do leitor em um jornal, a gente entra em contato com o autor da carta e depois chama a imprensa?, conta.
13o ENAI debate a crise política
Os escândalos envolvendo o Partido dos Trabalhadores e o presidente Lula também não ficaram de fora dos debates no 7o Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira.
O painel ?O Panorama político atual e a atuação da imprensa?, realizado neste sábado (01), teve como debatedores os jornalistas Nonato Dourado, da Associação de Imprensa de Marabá (PA); Paulo Tadeu, vice-presidente da Associação Cearense de Imprensa; Luiz Solano, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e Dorgival Gerônimo da Silva, segundo vice-presidente da Fenai/Faibra.
O escândalo do mensalão foi um dos temas mais polêmicos, suscitando um amplo debate com participação não só dos quatro jornalistas, como também da platéia. Na opinião de Luiz Solano, o presidente Lula vai terminar o mandato, mas apenas para não dar muita dor de cabeça à oposição nas próximas eleições. ?Se o Lula sai, que assume é o Alencar, que vai baixar os juros, ganha o crédito da população e vai ser candidato à reeleição, dando dor de cabeça para a oposição. Então é melhor deixar nas mãos do Lula, para ele continuar fazendo burrada?, opina.
Paulo Tadeu lembrou de um episódio nas últimas eleições para prefeito envolvendo o PT em Fortaleza, onde o partido não apoiou a candidata de sua própria legenda, Luizianne Lins, para poder apoiar o PC do B. Mas, mesmo sem o apoio, ela acabou saindo vitoriosa no segundo turno. ?O PT passou a vida toda dizendo que era o melhor e hoje a decepção é grande. O povo vai acreditar em quem??, questionou.
Nonato Dourado alertou que o escândalo da arbitragem, no qual juizes de futebol aceitavam dinheiro para interferir em resultados de jogos cotados em bolsas de apostas, surgiu para colocar panos quentes na situação do PT. ?Os próprios deputados dizem que a pizza está no formo e já vai ser cortada?, acrescentou. Na opinião de Nonato, casos como o do mensalão de Brasília devem acontecer também em municípios e estados administrados pelo PT, porém, acredita ele, o destaque da imprensa foi maior porque aconteceu justamente em Brasília.
Colunista social encerra ciclo de palestras do 13o ENAI
A última palestra do 7o Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira, realizado dentro da programação do 13o Encontro Nacional das Associações de Imprensa (ENAI), no Hotel Beira Rio, em Belém (PA), levou os participantes a discutir o tema ?O colunista social e a ética na imprensa?. Para tratar do assunto, foi convidado o colunista social Fernando Soares, presidente da Associação da Imprensa do Mato Grosso do Sul e colunista do jornal Folha do Povo.
Segundo Fernando, ao cursar a faculdade o jornalista aprende sobre ética, porém, quando vai trabalhar em uma redação de jornal, a realidade é outra. ?Quando o jornalista vai para a empresa colocar em prática o que ele aprendeu na faculdade parece que a ética fica muito difícil de ser um parâmetro no exercício da profissão. Fica sempre em evidência a questão dos interesses do profissional de jornalismo, sobretudo se ele for afiliado a um partido político ou a um movimento sindical, o que coloca em cheque a sua imparcialidade?, critica.
E no que diz respeito aos colunistas sociais, a situação é mais grave ainda. O jornalista chamou a atenção da platéia para a proliferação dos colunistas no País, muito deles sem a mínima noção do jornalismo, e em alguns casos cabeleireiros ou ?madames?, que querem a todo custo ter uma coluna no jornal. Para Fernando, o bom colunista é aquele que lê muito e tem como missão o jornalismo. E, por mais que não tenha formação em jornalismo, deve ter pelo menos um curso superior, para poder ter uma base que vai lhe auxiliar na escrita. Segundo Soares, o Mato Grosso do Sul é o primeiro estado do Brasil a criar um projeto de lei para tentar coibir a atuação de colunistas sociais que não tenham uma formação cultura sólida que a profissão requer.
Jornalistas estrangeiros conheceram o Pará
Dentre as delegações de oito países que participaram do XIII Enai, a representante da Associação da Imprensa Francesa, a jornalista Marie Cristine Albertine, destacou que sua vinda ao Brasil para participar do Enai foi de grande valia por ajudá-la a conhecer uma outra realidade sobre a amazônia brasileira. A repórter francesa destacou que a imagem que os franceses têm da Amazônia é completamente distorcidade e que agora ela poderá escrever, daqui por diante, com mais propriedade sobre o assunto.
Já o presidente da Associação Japonesa de Repórteres de Turismo, Takashi Kumazua, salientou que sua participação no evento contribuiu para obter uma outra visão mais acurada sobre os problemas da Amazônia e que entende como sendo válida a preocupação dos brasileiros quando o assunto é a possibilidade de ameaça da internacionalização da amazônia brasileira.
O inglês Peter Dransk da Associação Britânica de Jornalistas Independentes disse que foi oportuno o convite da Fenai/Faibra para participar de um encontro de jornalistas no Pará, um importante estado da amazônia brasileira, e que estará retornando ao seu país com uma outra visão mais realista e menos distorcida da amazônia.
O repórter russo Isaac Justiniev, da Associação da Imprensa de Moscu, afirmou que sua experiência em participar do encontro promovido pela Fenai/Faibra em Belém do Pará para debater a Amazônia Brasileira do ponto de vista jornalístico muito contribuir para eliminar idéias errôneas sobre a amazônia e que espera que mais jornalistas da europa e de outros continentes sejam também convidados oportunamente para conhecer de perto a amazônia brasileira.
O 13o ENAI, será encerrado nesta segunda-feira (3), no Hotel Beira Rio, com a elababoração e divulgação do documento Carta de Belém. O evento que contou com o tema central ?Soberania brasileira e o papel da imprensa no desenvolvimento da Amazônia? reuniu na capital paraense representantes de 59 associações de imprensa e mais 248 jornalistas de outros estados, além de 44 repórteres de oito países queforam convidados pela Fenai/Faibra. O encontro contou com o apoio do Governo do Estado do Pará através da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, das Organizações Romulo Maiorana e da ABN Agência Brasileira de Notícias.
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