30/09/2005 12:21
Amazônia é tema das palestras de abertura no Encontro da Imprensa em Belém
Belém - Nem só de belezas naturais vive a Amazônia. Quando se fala na maior floresta tropical do mundo, é importante lembrar os problemas vividos pela região: biopirataria, excessos de demarcação de terras indígenas, além das ameaças de internacionalização e de guerrilha nos nacotraficantes que militam nas forças guerrilheiras das Farc e causam conflitos nas fronteiras brasileira. E foi discutindo essa problemática que iniciou na quinta-feira (29) o 13o Encontro Nacional das Associações de Imprensa (ENAI) e o 7o Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira, evento realizado pela Federação Nacional de Imprensa (Fenai/Faibra), na cidade de Belém (PA). O encontro, que será até o dia 03 de outubro, no Hotel Beira Rio, tem como tema ?Soberania brasileira e o papel da imprensa no desenvolvimento da Amazônia? e está reunindo nesta capital representantes de 59 associações de imprensa e mais 248 jornalistas de outros estados além e 44 repórteres convidados de oito países.
A palestra de abertura, ?Amazônia: a visão do Exército e a questão da soberania brasileira?, foi ministrada pelo Comandante Militar da Amazônia, General Cláudio Barbosa de Figueiredo, que traçou um aspecto histórico e geográfico da região, sem deixar de falar dos principais problemas e da atuação do Exército para resolve-los. Figueiredo lembrou que a conquista da Amazônia se deu durante a expedição de Pedro Teixeira (1637-1639), que fez uma viagem de reconhecimento do rio Amazonas e tomou posse da região em nome do rei de Portugal. Igual importância, disse o general, também tiveram os tratados internacionais, que definiram as fronteiras atuais.
As características da Amazônia demonstradas pelo Comandante são a de uma imensidão de terras com baixa densidade demográfica e com a maioria da população concentrada nas grandes cidades. Os maiores patrimônios da região, segundo ele, são a água, os minerais (entre eles nióbio, estanho e ferro), além das inúmeras espécies vegetais e animais, riquezas que geram a cobiça internacional.
Através de noticias extraídas da mídia internacional, o general demonstrou que de fato existe interesse de superpotências mundiais, como Estados Unidos e Inglaterra, em internacionalizar a Amazônia, idéia repudiada pelo palestrante ?Os problemas da Amazônia são problemas brasileiros e que os próprios brasileiros devem resolver?, opinou.
Figueiredo destacou ainda o papel do exército mediante as ameaças na região, defendendo as fronteiras, combatendo a guerrilha e o tráfico e se fazendo presente nas áreas mais longínquas e de difícil acesso, garantindo a presença do Estado na Amazônia. Além dessas funções, assegurou o general, o exército realiza ainda um trabalho social, prestando atendimento de saúde e de educação à população local.
Imprensa e Amazônia ? A segunda palestra de abertura do ENAI foi proferida pelo deputado federal e diretor da Federação Nacional de Imprensa, Nicias Ribeiro, que falou sobre ?A Amazônia e a atuação da imprensa?, chamando a atenção para o fato de que vários projetos importantes, não só para a região como para o país, entre eles a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte e as obras de asfaltamento da Transamazônia e da Santarém-Cuiabá, continuam paralisados. Sobre a Santarém-Cuiabá, também conhecida como BR-163, o deputado lembrou que com a conclusão da obra, os produtores de soja do Mato Grosso e do Pará encurtariam bastante o caminho que fazem hoje para escoar sua produção, porque não precisariam mais ir até o porto de Paranaguá, no Paraná, para de lá seguir rumo à foz do rio Amazonas.
Nicis Ribeiro denunciou o comportamento das Ongs subsidiadas por grande volume de dinheiro oriundo do estrangeiro e que, empunhando uma falsa bandeira de preservação do meio ambiente, impedem o desenvolvimento da amazônia e com isso favorecem os correntes comerciais do Brasil no exterior.
O deputado, que é presidente da Comissão de Minas e Energia da câmara federal, não deixou de defender o potencial da Usina de Belo Monte, que, segundo ele, gastaria apenas 1/3 do concreto armado que foi usado na Usina de Tucuruí. ?Belo Monte é o mais belo e perfeito projeto do mundo, não porque um engenheiro brasileiro o concebeu, mas porque Deus o fez, colocando ali uma queda de água de 92 metros de altura?.
Fazendo uma comparação da importância do rio Nilo para os egipcios, civilização que fazia suas plantaçõess em uma área fertilizada pelo rio, Nicias Ribeiro destacou que nas várzeas do Marajó também há período de cheias que fertilizam o solo, mas lamentou que esse potencial não seja bem aproveitado e lembrou que ainda há muito a ser explorado na Amazônia ?É importante que os brasileiros se perguntem o que querem da Amazônia e é importante que a imprensa se pergunte o que quer da Amazônia?, enfatizou.
O 13o Enai conta com o apoio do Governo do Estado do Pará através da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e das Organizações Romulo Maiorana.
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