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Rapsódia em Agosto
O tema de "Rapsódia em
Agosto" (Rhapsody in August -Japão, 1991 - 98 min.), do mestre Akira Kurosawa, é a
lembrança que os sobreviventes não podem nem querem esquecer: o lançamento, pelos
Estados Unidos, da bomba atômica em Nagasaki, às ll.02 h de 9 de agosto de 1945.
Com: Richard Gere e Sachiko Murase.
Avó que perdeu o marido professor, junto a seus alunos, naquele dia trágico,
transmite aos netos suas memórias. Ela faz com que os jovens também percebam o horror da
guerra e dos "valores" materiais quando predominam na sociedade, com eles
arrastando, escondendo ou destruindo, princípios fundamentais.
Richard Gere interpreta o sobrinho americano que, somente ao visitá-la, informa-se em
profundidade sobre aquele momento injustificado da história norte-americana, ao final da
Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Versátil).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

A razão do meu
afeto
Drama contemporâneo narrado em linguagem também humorística, "A Razão do Meu
Afeto" (The Object of My Affection - EUA, 1998- de Nicholas Hytner - 111 min.) é um
filme para adultos, abordando relações sexuais hetero e homossexuais num contexto
urbano. As circunstâncias têm características aparentemente banais, no entanto, as
questões suscitadas
merecem reflexão profunda, por suas implicações individuais e sociais. As decisões
afetam o cotidiano de pessoas diferentes que, às vezes, precisam se conhecer melhor,
juntamente com a sua atitude de compreender o próximo.
Afinal, "Que tipo de amor sustenta um relacionamento permanente? Até onde a
relação depende da paixão sexual? Já que a maioria dos casamentos bem sucedidos
amadurecem numa intensa amizade romântica, é possível construir um casamento sem
fundamentos sexuais? Só a amizade não basta?" pergunta o diretor.
Jennifer Aniston (de "Nosso Tipo de Mulher", "Encontro com o
Destino" e "Paixão de Ocasião") interpreta Nina, uma mulher profissional
que conduz sua vida por padrões atuais de independência. Paul Rudd ( de "Romeo +
Juliet" e "As Patricinhas de Beverly Hills") é George, um dos personagens
gays. Alan Alda ( de "Crimes e Pecados" e " Todos dizem eu te amo ")
faz o agente literário de sucesso, sempre envolvido com celebridades.
Amor, amizade, sexo; maternidade e paternidade; casamento ...são os temas do filme,
cujo roteiro se desenvolve de forma agradável, apesar dos conflitos pessoais.
Embora muitos obstáculos do passado aos relacionamentos afetivos tenham sido
derrubados nos dias de hoje, chamados de não-preconceituosos, ainda restou a dificuldade
maior dos sentimentos não-correspondidos.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser visto em vídeo - Abril Vídeo/Fox (ABN).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

O
resgate do soldado Ryan
O diretor Steven Spielberg registrou, com "O
Resgate do Soldado Ryan" ( Saving Private Ryan - EUA, 1998 - 168 min.), o retrato
cruel de toda guerra: vidas perdidas, mutilações, ferimentos graves... e um sofrimento
imenso, indescritível, de militares e civis, sejam desconhecidos ou familiares.
No elenco: Tom Hanks, Tom Sizemore, Edward Burns, Matt Damon, Giovanni Ribisi, Ted
Danson, Dennis Farina.
Drama de ação sobre o Desembarque Aliado na Normandia, em seis de junho de 1944 e a
semana que se segue, o filme tem vinte e cinco minutos iniciais de cenas onde o horror do
conflito é apresentado com precisão histórica e, portanto, absolutamente chocante.
Lembrei-me, assistindo àquela tragédia da Segunda Guerra Mundial, das palavras do
escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry (que não voltou de sua missão de
reconhecimento, em julho do mesmo ano): "A guerra não é uma aventura.É uma
doença. Um tifo."
O grande mérito dessa obra está, não somente na produção, direção,
interpretação, reconstituição militar, fotografia, mas em sua capacidade de levantar
questionamentos sobre o absurdo das guerras, quando há momentos em que os princípios
fundamentais sobre a dignidade e o respeito à vida humana são colocados de lado.
A trilha sonora contribui para o clima de desespero individual e coletivo. O personagem
de Tom Hanks, o oficial responsável por conduzir a busca de um soldado desaparecido,
chega a dizer: "A cada morte me sinto mais longe do retorno à minha família".
Os membros de seu pelotão sabem que estão procurando por um colega cujos três
irmãos morreram em ação; mesmo assim, questionam sobre os riscos que estão enfrentando
e sobre o porquê de uma missão para salvar uma vida, arriscando outras.
A linguagem chula, a irritação no convívio caracterizam a ausência de romantismo,
os temores mesclados à bravura e aos sentimentos de grupo, de companheirismo e amizade.
Mostrando a guerra com autenticidade, Spielberg fez um clamor pela paz.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo - CIC (ABN).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Riff-Raff
Drama contemporâneo sobre imigrantes,
trabalhadores e seus relacionamentos pessoais, afetivos e profissionais, " Riff-Raff
" (Grã-Bretanha, 1991) mostra a conhecida preocupação social do diretor Ken Loach,
focalizando tipos humanos com sua visão realista.
Robert Carlyle, Georg Moss e Emer McCourt lideram o elenco, atuando
com eficiência.
Para contrabalançar cenas em que pessimismo e até preconceitos
raciais e sócio-econômicos se manifestam, há também momentos de solidariedade e
conscientização.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Risco Duplo
Drama familiar e história policial, com
ação, violência e suspense do início aos minutos finais, "Risco Duplo"
(Double Jeopardy - EUA, de 1999 - de Bruce Beresford) é protagonizado por Ashley Judd e
Tommy Lee Jones.
A fotografia (lente anamórfica) de qualidade já nos dá uma bonita
apresentação dos créditos iniciais, introduzindo o filme, que aborda temas como: a
ambição desmedida pelo dinheiro; trama de julgamento e prisão; traição e mentira; a
tragédia da condenação do inocente; mas, sobretudo, a força e constância do amor
materno, no contexto doloroso da separação involuntária entre mãe e filho.
As locações externas na Província canadense de British Columbia
(Colúmbia Britânica, uma das 10 Províncias que formam o Canadá)- belos cenários
naturais, que incluem a cidade de Vancouver - devem ser destacadas. Assim como a boa
trilha sonora - delicada, melancólica, suavemente trágica, acompanhando as emoções dos
personagens e do público.
Outros destaques: o roteiro, com narrativa de ritmo e situações
comerciais; a maquiagem de Ashley Judd. Principal personagem feminina, nela admiramos sua
ternura, seu carinho, enfim, sua feminilidade. Inteligente, educada e refinada; amorosa,
boa esposa e mãe dedicada; em momentos decisivos, mostrou-se ousada, astuta e corajosa,
sob aparência frágil. Transmite o desespero materno, na busca de vencer todos os
obstáculos que a separam do filho. No rosto e nas atitudes do personagem de Tommy Lee
Jones, por sua vez, encontramos desilusão, ao lado de um caráter determinado e
disciplinador.
"99% das vezes a vida não é o que esperamos."
Trata-se de um filme emocionante, que vale mais por sua história, o
seu conteúdo, do que pela estética escolhida para narrar os acontecimentos. Visão
feminina, como em "Dormindo com o Inimigo", ao contrário de "O
fugitivo".
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Romance Proibido
Com emoção e o suspense dos sentimentos fortes, "Romance
Proibido" (The Playboys Irlanda-1992- 100'- de Gilles Mackinnon) é realista...mas
recebeu pinceladas mágicas do sonho, matéria-prima da arte, capaz de redimir e salvar,
em meio às frustrações e aos sofrimentos do cotidiano.
Diante dos preconceitos, face à dureza dos corações empedernidos,
só existe um caminho: a coragem de viver o amor que se sente irresistível, desvendando
novas opções.
No elenco: Robin Wright, Aidan Quinn, Albert Finney.
Destaques: os temas abordados, a direção, interpretação e
fotografia.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Romuald
e Juliette
Comédia dramática inteligente e sensível,
"Romuald e Juliette"(Romuald et Juliette -França, 1992 - 112') é uma
produção francesa,dirigida por Coline Serreau, que nos raz rir, nos emociona e nos
transmite valores humanos essenciais. Observando as reações dos personagens principais -
de níveis sócio-econômicos contrastantes-podemos também refletir sobre a sociedade em
que vivemos; os anti-valores no mundo dos negócios; as relações familiares e afetivas.
Destaque para a direção e a interpretação de Daniel Auteil e
Firmine Richard, nos papéis principais (um executivo com problemas familiares e
profissionais e uma imigrante negra que trabalha na limpeza de sua empresa).
Filme para ser visto mais de uma vez!
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo VTI.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Ronin
O título - "Ronin"- (EUA, 1997-
122´- de John Frankenheimer) evoca o feudalismo japonês e os samurais que são
desonrados com a morte de seus senhores, ficando condenados a vagar, procurando realizar
trabalhos mercenários.
Com muita violência, o roteiro tem como ponto de partida a posse de
uma determinada mala, de conteúdo misterioso. Aliás, o suspense da história está na
ambigüidade dos personagens, das situações e da identidade dos chefes da missão.
A presença de Robert De Niro e Jean Reno valorizam o filme, no qual
"nada é o que parece ser". Destaca-se a bela fotografia de algumas cenas
externas, assim como, a exibição de patinação no gelo, o que agrada aos que apreciam
qualidades estéticas.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo -
Warner.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Rugrats - O Filme - Os Anjinhos
História encantadora para todas as idades,
desde que apreciem desenho animado, "Rugrats - o Filme - Os Anjinhos" (The
Rugrats, EUA, 1999 - de Igor Kovalyov e Norton Virgien - 80') tem como ponto de partida a
aventura e o drama que representa a chegada de um bebê à família. A criança que está
alvoroçando o ambiente é Dylan (Dil) Pickles, que chega perturbando o ambiente e os
planos do irmão Tommy e seus amigos, meninos divertidos e com idéias próprias com
relação a seus pais e à sociedade.
Na verdade, as mudanças ocorrem para todos, adultos e jovens, pois
o novo bebê não poderia ser mais exigente, apressado ou egoísta, exigindo paciência e
compreensão. Os pais, Stu e Didi, esforçam-se ao máximo para superar as dificuldades
desses tempos. As crianças, porém, acham que toda essa atenção manifestada ao
recém-chegado precisa acabar...e decidem levar o bebê de volta ao hospital.
Uma aula de psicologia e realidade sobre as relações afetivas na
família, entre amigos e na sociedade, ressaltando-se as características comportamentais
de crianças, adultos; e alguns profissionais da mídia sensacionalista (aquela imprensa
apressada, insensível, ávida para inventar...).
Destaques: humor, realismo de personagens e situações; amor entre
pais, filhos e avós; a amizade, o apego aos animais domésticos como o cachorro de
estimação.
Inspirado em série televisiva homônima, é um filme criativo,
original, com efeitos especiais de computação e qualidade de forma e conteúdo.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária |