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   P

 

 

A Paixão de Cristo

“ Ele foi ferido por nossas transgressões.
Por seus suplícios, nossos pecados foram perdoados.
Por suas feridas, fomos curados “.  (Isaías, 53)

Apenas esses versos do Profeta, na tela, começam o filme, num prólogo comovente. Logo em seguida, nos defrontamos com a noite no Jardim das Oliveiras.

“ Não fostes capazes nem de vigiar uma hora comigo? “

Para os cristãos, a Paixão de Cristo é um acontecimento extraordinário, uma experiência real a nos acompanhar diariamente.

“ Pai, Tu podes tudo. Se for possível, afasta de mim este Cálice. Mas se for da Tua vontade, seja feita a Tua vontade, e não a minha.”

Assistir a um filme que nos guia com fé e sensibilidade para acompanharmos, numa sala de cinema, durante duas horas e seis minutos, as últimas 12 horas de Jesus de Nazaré (Jim Caviezel), nos mínimos detalhes, desde o momento doloroso da traição de Judas Iscariotes (Luca Lionello) até a sua crucificação no Gólgota, representa vivenciarmos, com o nosso Salvador, seu percurso de sofrimento voluntário, em todas as estações dessa Via Crucis.

“ Judas, entregas o Filho do Homem com um beijo? “

Tenho orgulho por divulgar a obra de Mel Gibson muito antes do término do filme, isto é, quando a obra ainda estava sendo realizada, por acreditar em sua proposta inédita e nos sentimentos de respeito e convicção do diretor e produtor. Admirável a sua coragem, transpondo com audácia uma história narrada tantas vezes.

Acreditei na força mística do projeto, na certeza íntima de que a perturbação de muitos também levaria à conversão. E somente isso bastaria para justificar a exposição da violência de que Cristo foi vítima – logo Ele, com a sua mensagem de amor e perdão.

Os maus-tratos, a agonia de Jesus lembram como fomos resgatados para a vida eterna. Levam à reflexão sobre a Cruz, onde a morte se transformou em vida.Para sempre.

Padre Jonas declarou: “ Entrei num cinema para assistir ao filme. Saí de uma igreja.”

O Pastor Clodomir testemunhou na TV Record, em 20/3/04: “ Aquele sangue é vida!”

Padre Quevedo, também numa emissora de TV, afirmou que, apesar do realismo da obra cinematográfica de Mel Gibson, “ na realidade, Jesus Cristo sofreu muito mais do que vemos na tela.”

Herodes pergunta ao Nazareno:

“ É verdade que devolves a visão aos cegos? Que ressuscitas os mortos? “

Dirigido e co-produzido por Mel Gibson (também co-autor do roteiro), o filme " A Paixão de Cristo" (The Passion of the Christ -EUA – 2004 – cor, scope, 126 min. – dolby digital) é uma obra de arte, realizada com sensibilidade, eficiência e sentimentos de fé.

“ Se não queres ouvir a verdade, ninguém pode te dizer a verdade” (diz Cláudia, ao marido Pilatos, após interceder por Jesus)

Marido e mulher conversam. Ele explica a Cláudia a situação política e o seu problema, como procurador romano.

Mais tarde, pergunta Pilatos aos judeus:

“ - E o que vocês querem que eu faça com Jesus, o Nazareno? “

A multidão devolveu a liberdade ao criminoso Barrabás, mas exigiu a crucifixão de Cristo. E Satanás aparece na multidão, se movimentando maleficamente.

Em cena rápida, assistimos à entrada festiva de Jesus em Jerusalém (como relembramos no Domingo de Ramos).

O caminho da Cruz revela-se também o calvário de sua Mãe (a atriz judia, romena, Maria Morgenstern), de Maria Madalena ( Monica Bellucci ) e de seu discípulo João. Que interpretação admirável!

“ Meu coração está pronto, Pai “ – e começa a flagelação.

Com excelência demonstrada na produção, direção, interpretação, fotografia, trilha sonora original e belíssima ( coro, orquestração) _ de John Debney _, (premiada com Disco de Ouro, nos EUA ), edição, direção de arte, maquiagem e cenografia; no roteiro, nas locações externas; nos figurinos,efeitos especiais, penteados, adereços e objetos de cena. Merece destaque, ainda, o trabalho dos 20 (vinte) dublês – e dos figurantes também.

E tudo de acordo com os Evangelhos e a tradição oral cristã.

 

“ Porque um dia fomos escravos e agora não somos mais.” (na cena em que aparecem, pela primeira vez no filme, expressivas e belíssimas, a Mãe de Jesus e Maria Madalena)

“ Este é o meu Corpo, entregue por vós. Este é o meu Sangue, símbolo da Nova Aliança e derramado por vós para remissão dos pecados. Fazei isso em memória de mim.”

Filmado na Itália (em Matera e Roma), inicia-se no Horto das Oliveiras, com cenas admiravelmente realizadas, quando o Mestre aceita os padecimentos do Calvário, numa antevisão das traições. A iluminação de sombras, luzes e cores acentua a figura de Jesus, ao mesmo tempo abandonado e firme na entrega de Sua vida.

“ Confio em Ti. Em Ti busco refúgio.”

Satanás é representado de forma andrógina e sua presença maligna demonstra a origem dos males praticados pelos homens que rejeitam o bem.

À multidão, diz Pilatos:

“ Sou inocente do sangue deste homem.”

Na cena do Horto das Oliveiras, Pedro corta a orelha de um dos soldados. Cristo a recoloca e admoesta o seu discípulo ( que mais tarde iria nega-Lo três vezes ):

“ Pedro, guarda a espada. Quem vive pela espada, pela espada morrerá.”

Católico praticante, Mel Gibson há doze anos tentava realizar o filme, falado em aramaico e latim, mas não conseguia apoio. Até que decidiu produzir a obra com os seus próprios recursos (trinta milhões de dólares). Terminada a filmagem, procurou sacerdotes, pastores evangélicos e rabinos, buscando divulgar “ A Paixão de Cristo “ e vender ingressos com antecipação. Com a aprovação de padres católicos e dos evangélicos, obteve a distribuição da Fox. Para a estréia nos EUA, havia cinco mil cópias disponíveis.

“ Mãe, eu renovo todas as coisas.”

Em dezembro de 2003, uma cópia do filme foi levada ao Papa João Paulo II, por membros do Opus Dei, organização católica de leigos, que promove a evangelização nas respectivas áreas de atuação profissional. O Sumo Pontífice afirmou, ao término da sessão: “Assim foi.” Para o Chefe da Igreja Católica, a obra de Mel Gibson reproduziu fielmente o que as Escrituras Sagradas já nos ensinavam. Entre os agradecimentos, nos créditos finais, está citada a colaboração dos Jesuítas e dos Legionários de Cristo.

“ Tumulto no templo. Caifás mandou prender um profeta. Os fariseus o odeiam.”

As qualidades do filme são inegáveis, para os que se dispuserem a fazer um julgamento imparcial quanto à forma e ao conteúdo. Movimentação de câmera, com emocionantes travellings e belas panorâmicas verticais/horizontais; ótima reconstituição de época; som, efeitos sonoros e visuais, efeitos de maquiagem; edição de som, iluminação, ressaltam a mensagem por sua moldura estética, sua plasticidade revelada a cada cena.

“ – Ele se proclama rei dos Judeus!

- Não, ele diz que é o Filho de Deus.”

E até as crianças se mostram cruéis, na perseguição a Judas.

“ O que fez este homem para merecer esta pena? (...) Alguém pode me explicar esta loucura?”

“ Ele seduziu o povo.(...) Ele afirma que é o Messias !”

O olhar de Jesus não deixa dúvidas sobre a interpretação magnífica de Jim Caviezel, que teve um “ personal trainer “. Está perfeito no papel!

“O ator que interpreta o papel de Jesus Cristo, Jim Caviezel, é aquele mesmo dirigido por Terrence Malick, como protagonista do seu extraordinário "Além da Linha Vermelha", um dos mais belos filmes dos últimos anos.” (...) “ A paixão de Cristo “ é realmente um filme emocionante.”

Reynaldo D. Ferreira

Ao Bom Ladrão, arrependido, Jesus crucificado promete:

“Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.”

Durante a narrativa da Paixão, há alguns flashbacks ( Jesus menino, Jesus carpinteiro,várias cenas da Última Ceia ) que eu destaco por sua beleza e sensibilidade. No Sermão da Montanha, Cristo ensina que devemos amar aos inimigos ( em oposição aos ensinamentos do Antigo Testamento – olho por olho, dente por dente).

“ Tenho sede.” ( e lhe dão vinagre para beber!)

A ele que fez milagres, curou os doentes, ensinou amor e perdão.

“ Eu sou o Bom Pastor. Eu dou a vida por minhas ovelhas.” (...)

“ Ninguém toma a minha vida. Eu tenho o poder de entregá-la livremente.”

(...) (e na Última Ceia: )

“ Vós sois meus amigos. Não há maior amor do que dar a vida por seus amigos.” (...)

“ O meu mandamento é este: amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”

A crucificação de Jesus é mostrada com essas cenas da Última Ceia intercaladas.

“ Eu sou o Caminho, a Verdade, a Vida.” (...)

“ Pai, perdoai-lhes! Eles não sabem o que fazem. “

Ao pé da Cruz, a Mãe de coração dilacerado:

“ Carne de minha carne, coração de meu coração, deixa-me morrer contigo.”

Mas Jesus responde:

“ Mulher, eis aí teu filho. João, eis aí tua mãe.”

Pouco antes de morrer, as palavras que parecem encerrar todo o mistério da Paixão de Cristo:

“ Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Tudo está consumado. Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito.”

A ventania, a tempestade no Gólgota, envolvendo a terra em trevas.

O corpo de Jesus é retirado da Cruz .

Na última cena , depois que se vê o túmulo vazio, aparece, de perfil, o rosto sereno do Nazareno. “ Eu renovo todas as coisas.”

Durante os créditos finais, a música maravilhosa nos envolve de forma quase mística.

Em algumas entrevistas, o diretor revelou algo muito significativo, sobretudo para encerrar toda essa polêmica sobre quem crucificou Jesus Cristo ( os judeus? os romanos ?): a mão que coloca os cravos nas mãos e pernas do Salvador é a dele, Mel Gibson. Decidiu com muita convicção que seria ele, Mel Gibson – e nenhuma outra pessoa do elenco ou da equipe do filme – a fazer esse papel. Porque se confessou pecador...e por quem Cristo morreu. Sim, fomos todos nós, pecadores, que O crucificamos.

Que filme extraordinário! Uma obra-prima. Parabéns, Mel Gibson!

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Pão e tulipas

Sucesso de público e crítica, a comédia dramática "Pão e Tulipas" (Pane e Tulipani - Itália, 1999 - 115min.), dirigida por Silvio Soldini e protagonizada por Licia Maglietta e Bruno Ganz, agrada especialmente às mulheres, devido ao estilo da narrativa, aos temas e personagens, inseridos em circunstâncias familiares e sociais que destacam problemas enfrentados na rotina feminina. Elas vão cuidando de seus entes queridos, muitas vezes esquecendo-se de si mesmas. Mas os homens também podem apreciá-la, porque, como diz o título, é atual, realista e lírica, mostrando como a vida deve ser valorizada pelo convívio, sem que a individualidade desapareça.

Homenageia a mulher, por sua sensibilidade, e o homem capaz de tomar decisões que mudam sua existência. Sobretudo quando o comentário de uma criança, ouvido com atenção, revela o que se torna essencial, em meio a todas as superficialidades. Amizade, alegria, amor, respeito ao próximo, bom humor são componentes que fazem desabrochar em poesia as vidas aparentemente sem sabor. E os sonhos transformam-se em realidade. Afinal, há sonhos bem simples, que apenas dependem de nossa vontade.

Destaques: direção, interpretação,fotografia, trilha sonora, roteiro (ABN).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Para sempre Cinderela

Um belíssimo filme (forma e conteúdo) para todas as idades, "Para Sempre Cinderela" (Ever After, EUA, 1998 - 121'- de Andy Tennant) é uma versão que apresenta uma interpretação realista, mais moderna, do famoso conto de fadas romântico.

Com Drew Barrymore, Anjelica Huston e Dougray Scott, tem ação, humor, drama, aventura e romance, numa competente reconstituição de época (França,século XVI). Jeanne Moreau introduz e narra a história, começando por uma conversa com os Irmãos Grimm. Eles reconhecem a existência de diversas versões, como a de Charles Perrault, com abóbora transformada em carruagem e outros elementos fantásticos. Falam sobre os sapatinhos do baile, que seriam de pele, vidro ou cristal.

Roteiro criativo, original, narra o conto da Gata Borralheira como sendo real; somente com o tempo teria se metamorfoseado em conto de fadas. Enfatiza a leitura como instrumento de conscientização, mostra as dificuldades na busca da alma gêmea.

Encantadoras tomadas aéreas registrando com abrangência os cenários naturais; travellings (câmera em movimento), panorâmicas verticais e horizontais; cores variadas que lembram, às vezes, quadros impressionistas.

A fotografia, os cenários externos ( propriedades rurais e castelos da França e seus arredores), a trilha sonora de George Fenton, o Coro de Magdalen College, Oxford; as ruínas de Amboise; os diálogos e os momentos românticos, a apresentação dos créditos iniciais e o final são os destaques; assim como o personagem Leonardo Da Vinci e a obra "Utopia", de Thomas More, como um dos livros preferidos de Cinderela e metáfora do filme; e a cena em que se vê , no Mosteiro dos Franciscanos, os monges copistas, humildes e anônimos preservadores da cultura de sua época, absortos em seu trabalho.

E ainda: a maquiagem, a iluminação, as cores; o uso apropriado de cavalos e carruagens; a sonoplastia; os vestuários e adereços; o trabalho dos responsáveis pelos animais.

As músicas citadas nos créditos finais são:"Veni Creator Espiritus", "Canarios" e "Put your arms around me" (Ponha seus braços a meu redor).

A linguagem correta, mesmo entre os criados e os ciganos, não é realista, mas está de acordo com os princípios pedagógicos que promovem a correção gramatical inclusive entre os mais jovens.

A personagem principal mostra-se inteligente, amorosa, decidida, amante dos livros; amiga e defensora de seus criados; de natureza trabalhadora, ao invés de realizar suas tarefas somente por imposição da madrasta; consciente das injustiças sociais, procura combatê-las dentro de suas possibilidades, mostrando entusiasmo e convicção.

Uma obra para ser vista mais de uma vez, com prazer estético e sentimental renovados.

(...) "Senhor, dai-me forças."(...) "Como encontrar a alma gêmea?"(...) "O destino é muito ocupado. Precisamos ajudá-lo." (...)

"Você tem mais convicções em sua memória (em suas recordações/lembranças) do que eu tenho em todo o meu ser". (...)

" - A vida sem amor não vale a pena ser vivida.

- E sem confiança mútua?(...) Não cederei.

- Então, você não a merece."(...)

" - Você é para ser encantador.

- E nós devemos ser felizes para sempre.

- Quem disse?

- Eu não sei. Você é quem sabe."(...)

"Se Cinderela e seu Príncipe viveram felizes para sempre, não sei, mas o importante é que viveram."

Comparar com "O Feitiço de Áquila" (Ladyhawke- EUA, 1988 -de Richard Donner, com Rutger Hauer, Mathew Broderick e Michelle Pfeiffer - outra belíssima aventura romântica).

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Abril Vídeo/Fox (ABN).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Patch Adams - o amor é contagioso

História real sobre um homem apaixonado por sua missão de ajudar pessoas, tratando-as com muito carinho e risos, "Patch Adams - o amor é contagioso" (Patch Adams - EUA, 1998 - 115'- de Tom Shadyac) é protagonizado por Robin Williams, que nos faz rir e chorar ao conhecermos as críticas e os preconceitos que precisou superar para conseguir realizar os seus sonhos.

Comovente, pode ser visto e apreciado por público de todas as idades, pois a todos interessa o tema de viver com qualidade, estejamos sãos ou doentes. De modo específico, trata-se de um filme de interesse especial para os profissionais da área de saúde.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje

Premiado com o Margarida de Prata 2003, outorgado pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o documentário " Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje" (Brasil, 2002 – cor – 35 mm –Dolby - 83 min.), de Izabel Jaguaribe, tem argumento e entrevistas de Zuenir Ventura, escritor e jornalista ( de 1963 a 1965, ele foi meu professor de Jornalismo – Técnicas de Redação, na Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do RJ).

"O filme mostra a trajetória do cantor, suas influências, seus mestre e amigos. Em paralelo revela sua rotina discreta e muito peculiar. Há encontros musicais, com Marina Lima, Elton Medeiros, Zeca Pagodinho, Marisa Monte, a Velha Guarda da Portela e outros."

Paulinho da Viola, na intimidade, revela as suas atividades de marceneiro amador, que lhe proporciona relaxamento, numa espécie de terapia " para as tensões do próprio ofício de músico. Se eu não fosse músico, seria marceneiro."

Sem hesitação, cita as "duas músicas emblemáticas: Carinhoso ( de 1917), de Pixinguinha e Asa Branca, de Luiz Gonzaga."

São destaques no documentário: direção, roteiro, fotografia, montagem, trilha sonora e as locações diversas. Um painel da música brasileira.

"O instrumento (de) que eu mais gosto é o violão – tem mais recursos, mas eu também gosto do cavaquinho."

A família de Paulinho da Viola – presente no filme, dando vários depoimentos, como na rotina de sua vida, sente-se à vontade para recordar momentos especiais. Seus pais, a esposa e os filhos conhecem o músico nos detalhes de sua personalidade, na regularidade de suas atitudes e atividades.

Confirmando a dificuldade dos pais em "vigiar" com eficiência os filhos menores, Paulinho diz:

"A gente olha a criança...olha e a criança desaparece, não está mais lá!"

Quando está hospedado em hotéis, ele quer fazer a manutenção do apartamento – revelam a esposa e os filhos de Paulinho da Viola. Ele liga para a recepção, fala que tudo está perfeito, mas precisa de um alicate... Não quer que mandem ninguém ...ele mesmo quer resolver o problema.

"o que importa é o que foi perdido, é ter guardado o seu sorriso."

Filme simpático, agradável de se ver, aliás, tão simpático como Paulinho da Viola. Ele toca e canta com tanto sentimento, com o coração e muita personalidade. Um encanto simples, um charme discreto, autêntico. Seja tocando sozinho ou em grupo, transmite um gosto genuíno pela música. Valoriza a amizade, o convívio familiar, social e profissional. A alegria está presente nas refeições, nas partidas de sinuca, no seu lento trabalho de "restauração" de carros antigos.

"Ah, que conflito: roubaram o cabrito de seu Benedito " (numa festa em Xerém, Rio de Janeiro).

"...provei do famoso feijão da Vicentina/ só quem é do pagode é que sabe que a coisa é divina..." (" No Pagode do Vavá " – Paulinho da Viola)

A cena dos três tocando juntos: o pai de Paulinho, ele e o filho...os três fazendo música de forma tão harmoniosa, unindo as três gerações, como eles mesmos afirmam.

"Foi um rio que passou na minha vida e meu coração se deixou levar!" ( de Paulinho da Viola, em homenagem à Portela)

Na celebração de seu aniversário, em família, Paulinho dança com a esposa, Lila Rabello, mostrando intensa alegria. As filhas do músico também dançam com ele. Ali, não faltam risos nem melodias nem ritmos.

"...muito além do mero registro biográfico, capturando um pouco da essência da tradição musical popular enraizada no Rio de Janeiro.

Duas faces de Paulinho da Viola orientam o filme. A primeira, bem mais conhecida, é a figura pública, o compositor e intérprete nascido no bairro do Botafogo, em 1942.

Filho do músico César Faria ( violonista do conjunto Época de Ouro), ele conviveu desde muito cedo com músicos como Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Decidiu se profissionalizar nos anos 60 e popularizou-se nos anos 70.

Integrantes da Velha Guarda da Portela ( que exerceu sobre ele influência marcante) participam do filme, bem como artistas de outras gerações e quadrantes............" (Sérgio Rizzo)

E como é lindo se ouvir Marina Lima e Paulinho da Viola interpretando " Carinhoso".

Que beleza, a composição " Rua que sonhei", de Paulinho da Viola, na voz de Amélia Rabello!

"E muita gente, se vestindo de alegria, faz de conta que a tristeza já passou..."

Na tela, o roteiro inclui personagens de todas as faixas etárias, embora se possa dizer que há um predomínio da Terceira Idade. Na platéia, vê-se a admiração de todas as idades, com o predomínio dos jovens. E o silêncio...bebendo a música, afagando nosso coração. Emocionados, sensibilizados, esperamos que o filme não termine tão cedo.

Meu tempo é hoje? Na verdade, Paulinho da Viola insere seu passado no presente...e o presente é o futuro! Ele está cercado das três dimensões do tempo – muito mais que hoje! O ontem e o amanhã entrelaçados ao hoje.

"Noel Rosa tinha razão – o samba não é da favela, nem da cidade – vem do coração."

Para nossa tristeza, o filme vai terminar...com Paulinho da Viola em poses diversas, sempre sorridente. Pouco antes, afirmou:

"Meu tempo é hoje. Eu não vivo no passado. O passado vive em mim."

(Segundo o crítico Sérgio Rizzo, uma postura pessoal, também princípio básico da obra de Paulinho da Viola.)

Com aquelas palavras, confirmando o título do filme, encerra-se o documentário sobre o músico talentoso, uma pessoa realizada como ser humano, fazendo da vida uma oportunidade única para compor e cantar com sensibilidade criativa.

A platéia aplaude! Que entusiasmo! Mas como poderia ser diferente?

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em 01/09/03)

 

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Pearl Harbor

BRASÍLIA (ABN) - "Pearl Harbor" (EUA, 2001, de Michael Bay).

Conta a história do ataque japonês, em 7/12/1941, à base norte-americana de Pearl Harbor no Havaí... por meio de

narrativa sobre a vida de dois amigos de infância, interpretados por Ben Affleck e Josh Hartnett.No elenco, estão ainda: Kate Beckinsale e Cuba Gooding Jr.

São 183 minutos de ação, romance, violência, efeitos especiais, com trilha sonora comovente.

Uma frase se destaca, pronunciada pelo estrategista do ataque aéreo, respondendo a um elogio por seu plano militar: "Um homem realmente brilhante teria evitado esta guerra."

Acredito que o grande valor de filmes como esse é revelar, enfatizar todo o sofrimento causado por conflitos armados: mortes e ferimentos (físicos e psicológicos).

A importância da amizade, as bênçãos do altruísmo e do amor são temas marcantes em " Pearl Harbor " (ABN). 

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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A pequena Sereia

A pequena Sereia (The little mermaid - EUA, 1989 - 83 min.)

Volta ao cinema, em versão restaurada pela tecnologia digital e com direção de John Musker e Ron Clements.

Inspirado no conto clássico de Hans Christian Andersen, é uma das preciosidades dos estúdios Disney ( o seu 28º longa de animação). Premiado com Oscar de melhor canção e melhor trilha sonora de Alan Meken e Howard Ashman, o filme conta uma história romântica: uma das filhas de Netuno, a princesa Ariel, apaixona-se por Eric, um ser humano; e troca a sua bela voz de sereia por pernas de mulher ... tudo em nome do amor! Um desenho animado encantador... como o fundo do mar e o canto das sereias.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Os pequeninos

Com efeitos especiais e personagens encantadores de aproximadamente 10 (dez) centímetros de altura, "Os Pequeninos " (The Borrowers -Inglaterra/EUA, 1997 - de Peter Hewitt-97 min.) convivem com os humanos de dimensões normais, conscientes dos perigos que isso significa. Obedecem a dois princípios: nunca serem vistos e somente

pegarem "emprestado " o que precisam. Os dois grupos têm no advogado Ocious Potter ( interpretado por John Goodman) o seu inimigo desleal, ambicioso, violento e mentiroso, capaz das artimanhas as mais desonestas.

No elenco, também está Jim Broadbent.

Há muita ação, aventura, bastante humor e suspense;clima familiar onde os pais amam e se preocupam com os filhos;amizade corajosa.

Filme para crianças, jovens e adultos apreciadores do gênero.

Assisti ao filme no cinema. Em vídeo: Warner (ABN)

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Pequeno Milagre

História comovente, sensível, "Pequeno Milagre" (Simon Birch - EUA, 1998 - de March Steven Johnson) tem uma bela fotografia e trilha sonora de qualidade. Outros destaques: direção, interpretação e roteiro.

Comédia dramática sobre o dom da amizade, é narrada com emoção por Jim Carrey (de "O Máscara"), que aparece apenas no início e nos momentos finais do filme.

"Simon Birch me fez acreditar em Deus." (...)

"Não preciso de provas. Eu tenho fé." (...)

"Sede fortes e valorosos, Vós que esperais no Senhor." (...)

"O problema com você é que você não tem fé."

Joe procura identificar, encontrar seu pai, ajudado pelo amigo Simon.

Há cenas de heroísmo e suspense.

"É morrendo que se vive para a vida eterna."(...)

"Deus tem um plano para todos nós." (...)

"Quando morre uma pessoa que amamos, nunca a perdemos de uma vez, mas aos poucos, com o

passar do tempo".

"Ao paraíso...que os Anjos o levem". (...)

"O tempo é um monstro com o qual não se discute."

Com Ian Michael Smith e Ashley Judd, o filme tem momentos especialmente tocantes.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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O Pequeno Stuart Little

Comédia dramática, com suspense, ação e gatos bem treinados, produzida pelos Estúdios Disney. Com uma encantadora trilha sonora, além de muitos efeitos computadorizados e um protagonista realmente charmoso, "O Pequeno Stuart Little "(Stuart Little - EUA, 1999 - de Rob Minkoff), com voz de Michael Fox, é um filme para ser apreciado por toda a família. De modo especial porque o tema do roteiro enfatiza os valores familiares, a tolerância na convivência, a importância da amizade e da solidariedade.

A mensagem principal ressalta não haver "obrigação" de amar o outro, que achamos diferente e difícil de compreender, mas precisamos respeitá-lo como membro da família, com direito a seu respectivo lugar, no espaço que pertence a todos os integrantes.

São intérpretes principais: Geena Davis, Hugh Laurie e Jonathan Lipnicki.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Perdão, Cupido

Produção belga de 1992, "Perdão, Cupido" (Pardon Cupidon - de Marie Mandy- 88') foi inteiramente rodado em Bruxelas. Drama para adultos, com cenas explícitas de sexo e diálogos pouco criativos.

Com Pietro Pizutti e Sabrina Leurquin, trata de relacionamentos sexuais liberais entre dois jovens casais. E das conseqüências do adultério: os dias seguintes...

O roteiro leva à reflexão crítica sobre os valores e as reações humanas.

Temática principal: a traição nas relações romântico-afetivas; a maternidade como nova perspectiva de vida.

Destaques: a fotografia; a trilha sonora; a "inclusão" da cena final de "Os guarda-chuvas do amor" (ABN).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em 31/07/02)

 

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Perdido no Espaço

Perdidao no Espaço (Lost in space - EUA, 1998 - de Stephen Hopkins - 131 min.)

Atração para todas as idades, no gênero ficção científica, revive os temas e personagens do seriado homônimo, sucesso na TV norte-americana durante a década de sessenta. Aventura familiar narrada com mais de 750 efeitos especiais primorosos, tem ação, suspense, drama, humor e romance em clima contemporâneo. Nos diálogos entre: marido e mulher (William Hurt e Mimi Rogers nos papéis do Professor e Sra. Robinson), e pais e filhos, refletem-se problemas bem atuais de relacionamento. Tanto os jovens quanto a esposa reclamam bastante da falta de atenção do pai; mostram-se magoados, exigem mudanças de atitude.

Destaque para o tema das relações afetivas.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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O pianista

Com sensibilidade e realismo, o drama de guerra " O Pianista " ( The Pianist – França/ Inglaterra/ Alemanha/Polônia/Holanda - 2002 – cor, scope, dolby digital - 148 min. - ), Palma de Ouro no Festival de Cannes, demonstra as qualidades indubitáveis do diretor Roman Polanski e lhe deu, merecidamente, os prêmios: da Academia Britânica de Artes, o César e o Oscar 2003. Cercado por colaboradores de Andrzej Wajda, um dos mentores de sua carreira, ele alcançou, portanto, aos quase 70 anos de idade, o reconhecimento de sua maturidade profissional. Sua dedicação ao intérprete principal fez com que filmasse isoladamente, durante um mês, as cenas de Adrien Brody.

Aos sete anos, Polanski experimentou as agruras do confinamento no gueto de Varsóvia. Em campo de concentração nazista, morreram sua mãe e sua irmã. " Quando eu conseguia deixar o gueto, acabava voltando – recapturado ou por opção minha. Não queria viver afastado ( da família)." Lutou, sem êxito, pela permanência de todos os familiares unidos nos tempos do Holocausto. " Se alguém salvou minha vida fisicamente, se posso dizer que alguém salvou minha vida, foi um jovem policial. Pedi para ir em casa buscar pão, já que eu não comia há dois dias, e ele, sabendo da minha necessidade de fuga, disse: - Vá, mas não corra."

Vencedor, também, do César e do prêmio da Academia Britânica de Artes na categoria de Melhor Filme, " O Pianista" foi considerado o melhor roteiro adaptado ( Oscar para Ronald Harwood, de " O fiel camareiro"). O norte-americano Adrien Brody ( de " Além da Linha Vermelha " e " Pão e Rosas ") recebeu o Oscar de melhor ator, precedido da premiação do César. Para o Globo de Ouro, recebeu duas indicações (filme/ator). Fotografia ( a primeira indicação do diretor de fotografia Pawel Edelman , de " Pan Tadeusz"), montagem e figurino foram as outras categorias indicadas para o Oscar (um total de sete indicações para o Oscar 2003).

O compositor Wojciech Kilar, bastante conhecido na Polônia, valoriza, com peças de Chopin, a trilha sonora.

"Ninguém toca Chopin como você." (elogia a estudante de violoncelo)

A história começa em Varsóvia, onde Wladek toca o " Noturno Póstumo " de Chopin na rádio local, quando a cidade onde mora com a sua família é invadida pelas tropas de Hitler, em 1939. O estresse provoca brigas e discussões até na hora das refeições. A emissora é bombardeada. O irmão, vendedor e amante dos livros, não esconde sua revolta diante das humilhações impostas aos judeus. Mas a rebeldia mostra-se bastante perigosa, quase suicida. A BBC de Londres informa sobre a declaração de guerra da Grã-Bretanha à Alemanha nazista. Os jornais, que só trazem notícias ruins, são lidos com ansiedade. A invasão da privacidade prenuncia os horrores nunca antes imaginados. A indignidade, o desrespeito como algumas das muitas provas da insanidade humana. A fome e o que se faz para aplacar o estômago faminto. A todo momento, luta desesperada para se manter um mínimo de dignidade. Busca-se trabalho como se fosse o pão e a água necessários à conservação da vida.

"Fomos bombardeados. Precisamos ficar juntos."

O pesadelo se revela nos atos de violência, nas ações covardes que atingem os judeus de todas as idades, obrigados a portar a estrela de Davi bem visível em suas roupas. Assustados, angustiados, vivem inúmeras formas de restrições, além de espancamentos: estão proibidos de sentar nos bancos da cidade, não podem entrar nos cafés ou parques, nem mesmo andar pela calçada! Em caso de desobediência, punições severas. E vem a ordem para 360 mil judeus morarem no gueto de Varsóvia, enfrentando as mais severas condições, como a fome e a falta de dinheiro. Logo surgem os conspiradores judeus, se agrupando, procurando aliciar combatentes.

"É uma vergonha! (...) Um absurdo!"

Em 31 de outubro de 1940, famílias inteiras são forçadas a sair de seus lares, na capital polonesa. A realidade tem clima de incerteza e corrupção; o sofrimento torna pesados os corações daqueles cuja existência passa a ser uma perspectiva de morte. A dor de ignorarem o paradeiro de seus entes queridos, sobre os quais nada mais sabem, depois que foram separados à força. À volta, crueldades de todos os tipos, perversidades sem fim, tragédia contemporânea. As datas assinalam situações piores, como se isso fosse possível: 15 de março, 16 de agosto de 1942, 16 de maio de 1943. As execuções diárias. As terríveis notícias sobre os trens de Varsóvia para Treblinka. A corajosa resistência dos judeus.

"Eles estão nos exterminando. Éramos 1 milhão, agora somos 60 mil!."(...)

"Matam principalmente os mais jovens." (...)

"Enforcam quem ajudar ou tentar ajudar os judeus."

Famílias obrigadas a caminhar, famintas, conduzidas como se fossem gado no pasto. No caos, no inferno, a importância dos entes queridos. O choro dos órfãos; as surras impiedosas; a lama... O embarque nos trens apinhados. As preocupações que não abandonam a mente. A penúria, a carência de tudo. Ameaças constantes, atrocidades, agressões físicas e verbais. O medo que não pára de aterrorizar os que nada mais têm. As tentativas de fuga levam aos "buracos para dormir". A corajosa resistência dos judeus. A sobrevivência de Szpilman numa cidade sob ocupação inimiga. A descoberta de um piano! Todavia, não pode ser tocado...ou denunciará a presença de Wladek.

" A música foi sua paixão. Sobreviver foi sua obra-prima."

O pai deWladek compra um único caramelo...tira um canivete e corta a bala em pedaços, para oferecer a todos os membros de sua família. Que cena linda e, ao mesmo tempo, aterradora!

"- Tem um pouco d’água? Meu filho está morrendo de sede!"

Thomas Kretchmann ( de " U-571 – A Batalha do Atlântico ") e Frank Finlay também integram o elenco dessa história real ( indicada para o público adolescente e para adultos), adaptada da autobiografia ( " Death of the City" ) do brilhante pianista judeu-polonês Wladyslaw Szpilman, que vivenciou, com os seus familiares e amigos, todas as dimensões da tragédia em Varsóvia, durante a Segunda Guerra Mundial.

"Você é um artista. Alegra as pessoas.

(...) Salvei sua vida! Vamos! Não corra!"

Merecem ser destacados, além da produção, direção, interpretação e roteiro: temática e personagens; a fotografia, cenografia (dolorosamente realista, autêntica: interiores e cenários externos), direção de arte, reconstituição de época, montagem; a trilha sonora, o figurino, a maquiagem e os créditos finais, valorizados pelo concerto emocionante, apreciado com emoção pela grande maioria do público, como demonstra a sala esvaziada somente quando os acordes terminam.

(Presenciei a saída de algumas pessoas que, de tão comovidas, precisaram de ajuda para deixar a sala, esquecendo objetos como óculos; algumas, trêmulas, em conversa com outras, no saguão, não resistiram ao choro. Encontrei um casal de jornalistas, sendo que o marido passou vinte minutos relembrando a guerra – suas experiências e memórias - e soluçando. )

"Os Aliados desembarcaram na França."

Em troca de comida, Wladek entrega o seu precioso relógio: "Comida é mais importante que tempo."

Quando os seus salvadores precisaram fugir para locais mais seguros, ele ficou sem água. Como um rato encurralado, em meio à destruição, não sabe como nem para onde fugir daquele inferno. Continuar respirando exige todos os sacrifícios, enquanto lhe restarem forças.

O cinema não nos deixa esquecer as histórias não mais recordadas nos jornais, nas revistas e nos outros meios de comunicação. Felizmente! É preciso lembrar! Prometer a nós mesmos que não mais permitiremos que essas atrocidades voltem a acontecer.

Pungente e chocante por cenas violentas que relembram a crueldade do nazismo, "O Pianista" emociona, inclusive, nos momentos em que vemos o reconhecimento da importância dos artistas para a sociedade. E quando lembramos os sacrifícios de muitos, para salvar seus amigos e, sobretudo, pessoas desconhecidas, que se viram fragilizadas e abandonadas, a depender totalmente da bondade e coragem de estranhos.

O suspense do início ao fim faz com que os espectadores possam, de um certo modo, compreender um pouco a tragédia da separação de familiares, o genocídio, os aspectos sócio-econômicos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o medo, a covardia, a omissão que permite/reforça o poder dos ditadores e sua força civil e militar. Como sobreviver em tal cenário real de desolação, ouvindo os gritos lancinantes e testemunhando esse quadro dantesco? Compreendendo que a sua vida está à mercê de outrem, a todo momento?

"Sair é fácil. O difícil é sobreviver lá fora."

A solidão, o estresse dos esconderijos. A descrença, a desesperança, a ferir o coração fragilizado.

(...) "Temos que continuar transferindo você de esconderijo a todo momento. Os alemães agora estão matando sem discriminação, judeus e não-judeus."

A vida muda de forma tão drástica...o desrespeito à dignidade humana se instala e tudo se resume, para os mais fracos, a tentativas de sobrevivência. Comer, saciar a sede, dormir transformam-se em objetivos fundamentais, diários. Passam a ser metas difíceis, uma interrogação a cada minuto, perguntas sem respostas, problemas sem solução. Os absurdos tornam-se rotina. As circunstâncias não têm sentido.

" – Toque! Toque alguma coisa! " (O oficial alemão lhe ordena/pede.)

Quem estaria mais emocionado? O pianista ou o militar? Este, senta-se para ouvir a arte de um homem faminto e sedento, esfarrapado e sujo, mas ainda assim, um pianista! A música soberana e forte, sobrevivendo às explosões e aos tiros de canhão! E a comunicação entre seres humanos se estabelece. Ambos têm necessidades profundas que, naquele instante, são bem diferentes. A compaixão do mais forte seria anterior ou posterior à dádiva da música, em meio à devastação espiritual e física? O que importa é que, naquele momento sublime, eram irmãos da mesma humanidade.

" – Como posso lhe agradecer?

_ Agradeça a Deus. Ele quis que nós sobrevivêssemos."

Esse oficial alemão morreu num campo soviético, em 1952. Wladek viveu em Varsóvia, tocando com orquestras, até 6 de julho de 2000, quando morreu, aos 88 anos.

Não se pode classificar " O Pianista ", inteiramente rodado na Polônia, como divertimento, e sim, como obra de conscientização do que não devemos esquecer. Para impedir que a história se repita, para vergonha de todos nós! E lembrar, mais uma vez, que a solidariedade na dor é dever de todo ser humano.

" - Vocês me tiraram tudo que eu tinha. Levaram meu violino. Levaram minha alma."

Como descrever o sentimento de ser salvo por alguém? Que emoção profunda e perene (indelével!) , experimentada por quem salvou outra pessoa, arriscando a sua própria vida!

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Os picaretas

Comédia inteligente sobre artistas, produtores, diretores e a indústria cinematográfica, "Os
Picaretas"(Bowfinger - EUA, 1999 - de Frank Oz - 97 min.) é divertimento garantido, com linguagem comercial e abordando, com humor escrachado, as dificuldades para a realização de um filme de baixo orçamento e com pessoas fora do círculo de artistas famosos.

Steve Martin escreveu o roteiro e, com Eddie Murphy, protagoniza a história, ambos, com muita eficiência, o que significa, fazem rir bastante.

Interpretanto um ator negro de sucesso e, ao mesmo tempo, o seu irmão simplório, Eddie Murphy tem a oportunidade de, com os seus personagens, mostrar as fobias provocadas pelo sucesso, assim como as suas desconfianças quanto ao tratamento diferenciado, racista, que ele e seus irmãos de cor recebem, nos EUA, inclusive nas premiações artísticas. Sua mania de perseguição está recebendo tratamento em uma clínica de "controle mental".

No elenco, também estão: Heather Graham, Robert Downey Jr. e Terence Stamp.

"Bobby Bowfinger é um produtor que há anos tenta emplacar um sucesso de bilheteria". Seu próximo filme tem tudo de que precisa para atrair multidões e conseguir muito dinheiro nas bilheterias: ação, alienígenas, uma bela mocinha e Kit Ramsey, " o maior astro de Hollywood. Só há um pequeno problema: o próprio Kit não sabe que protagoniza a história."

Quando falta dinheiro, recorre-se à criatividade, a trabalhadores sem treinamento mas dispostos a trabalhar, sonhando com o sucesso. Buscando a fama a qualquer custo, uma jovem se faz de ingênua e vai enganando a todos aqueles que podem lhe ajudar a conquistar a celebridade no cinema. Até o esperto diretor se deixa iludir...

O grande consolo pode ser definido com as palavras da atriz encantada pela oportunidade de trabalhar em um filme: "Foi uma linda mentira."

Assisti no cinema, mas o filme pode ser encontrado em vídeo CIC.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Um plano simples

História comum de ambição financeira, "Um plano simples" (A simple plan - EUA, 1998 - de Sam Raimi - 121 min.) vai revelando como a ganância pode transformar situações familiares e sociais, destruir vidas e relacionamentos humanos. Ou será que o dinheiro encontrado tem o poder de solucionar problemas? E uma vida humana - tem preço?

Suspense, ação, violência. No elenco: Billy Bob Thornton, Bridget Fonda e Bill Paxton.

Destaques: tema (sempre atual), roteiro (para adultos) e fotografia; direção e interpretação.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo PlayArte.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em em 25/07/02)

 

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Poder

Drama político, "Poder" (Power - EUA, 1986- de Sidney Lumet - 111min.), faz uma reflexão crítica sobre o processo eleitoral, a propaganda e a publicidade político-partidárias, e os princípios éticos.

O elenco é respeitável: Gene Hackman (de "Mississipi em Chamas"), Julie Christie e Richard Gere como intérpretes principais.

Este filme não se destaca por qualidades técnicas ou estéticas, e sim, pela atualidade de seu tema, ao mostrar alguns candidatos e aqueles profissionais encarregados de "construir" a "sua" imagem pública: nos palanques, nos meios de comunicação de massa e até no âmbito pessoal, familiar e social.

Portanto, pode ser um instrumento de conscientização do público, de modo que provoque perguntas e a formação de uma opinião mais esclarecida porque mais consciente da realidade política nem sempre tão transparente através das imagens e das palavras.

Não se trata de cinema-divertimento ou cinema de experimentação artística; todavia, recomendo essa obra para ser vista por todos, especialmente universitários, que devem prestar muita atenção às cenas e acompanhar os diálogos com interesse; também recomendo que seja vista mais de uma vez, para que possam apreciá-la devidamente, aproveitando suas lições. O final é positivo e, por conseguinte, moralista e didático, o que atende às necessidades éticas de nossa época.

"Poder" merece elogios pela seriedade de sua proposta, como filme que contribui para uma sociedade mais democrática.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Poder absoluto

Dirigido, produzido e protagonizado por Clint Eastwood ( que também compôs temas da trilha sonora), "PODER ABSOLUTO" (Absolute Power - EUA, 1997 - 120 min.) é mais que um simples roteiro policial. História dramática adaptada do best-seller de David Badalacci, une ação e suspense num contexto político e afetivo.

O elenco se destaca, igualmente, por ter, contracenando com Clint Eastwood, atores conhecidos por sua competência, liderados pelo vencedor do Oscar de coadjuvante (em "Os Imperdoáveis") Gene Hackman: Ed Harris, Judy Davis, Laura Lynney , E G Marshall, Scott
Glenn e Melora Hardin.

Não se trata "apenas" de um roteiro de corrupção, mentiras ao povo, violência contra inocentes; há traições pessoais, negligência, omissão familiar; além dos temas da solidão e da amizade. Lado a lado de personagens inconscientes, a trama também mostra ao público
aqueles profissionais preocupados em cumprir os seus deveres profissionais. E o prelúdio de uma ligação romântica entre pessoas que não parecem ter se preocupado antes com essa possibilidade, em suas vidas tão ocupadas.

Destacamos, ainda: a apresentação dos créditos iniciais, bem como a cena final; os pequenos toques artísticos que enriquecem esse filme de formato e conteúdo bastante comerciais; a reflexão crítica sobre a imagem dos políticos que convencem o seu eleitorado e tudo exigem dos que com eles trabalham; as questões éticas do dia-a-dia, inclusive os
princípios fundamentais na amizade e nas relações familiares.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Columbia Tristar.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em 19/09/02)

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Poderoso Joe

Aventura na selva e na cidade, "Poderoso Joe" (Mighty Joe Young - EUA, 1998 - de Ron Underwood- 114 min.) narra a história dramática de uma jovem que viu sua mãe morrer defendendo gorilas,enfrentando com coragem a ambição de caçadores; e cresceu fiel a seus ideais.

Com ação, suspense, humor e romance, tem como artistas principais: Bill Paxton, Charlize Theron, Regina King e David Paymer.

O filme é apreciado pelos fãs do gênero, de todas as idades.

Destaques: a denúncia contra os caçadores e a defesa de reservas naturais para os animais selvagens; a trilha sonora de James Horner.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Abril Vídeo/Walt Disney).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Por Amor

Drama romântico e realista, "Por amor" (For the love of the game - EUA, 1999 - Sam Raimi - 137 min.) é protagonizado por Kevin Costner e Kelly Preston.

O roteiro tem dois temas principais: a carreira em declínio de um famoso jogador de beisebol; e o seu relacionamento amoroso com uma profissional insegura no plano afetivo.

Como são pessoas que vivem rotinas bem diferentes, há muitos conflitos (não apenas de horários e compromissos).

Os objetivos existenciais não coincidem, a menos que ambos procurem valorizar a convivência, a importância da atração recíproca e do entrelaçamento de suas vidas.

Destaque: o processo de reflexão e conscientização sobre a necessidade da dedicação e do empenho constante, num relacionamento afetivo-sexual.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Por uma noite apenas

Wesley Snipes conquistou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes 98, trabalhando ao lado de Nastassja Kinski e Robert Downey Jr., em "Por uma noite apenas" (One night stand - EUA, 1997 - de Mike Figgis - 104 min.).

Drama urbano contemporâneo, aborda temas como: casamento, atração sexual, amizade, AIDS, adultério.

Destaque para direção e interpretação.

Os acontecimentos vão demonstrar que, em muitas circunstâncias, "por uma noite apenas" pode se transformar em algo mais presente e permanente do que alguém imaginaria, provocando mudanças nos relacionamentos antes considerados sólidos.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Warner).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Prenda-me se for capaz

Dirigido – e co-produzido por Steven Spielberg, " Prenda-me se for capaz " (Catch me if you can – EUA, 2002 – cor, scope, dolby - 141 min.) conta a história de Frank Abagnale Jr., consultor do filme, com roteiro inspirado em seu livro autobiográfico. Ótima diversão para adolescentes e adultos, tem como protagonista um jovem nova-iorquino que, durante três anos (de 1964 a 1967), antes de completar 19 anos de idade, já era procurado pelo FBI, por falsificar cheques, dando golpes de milhões de dólares, assumindo identidades falsas...e conseguindo escapar da polícia. Descontou quatro milhões de dólares em cheques falsificados! Atravessou os EUA, aplicando roubos e fraudes milionários, falando mentiras, com atitudes desonestas, mas despistando os policiais. Mestre na arte do disfarce, com apenas 17 anos se tornou um dos maiores falsários na história dos EUA.

"As pessoas só sabem o que dizemos a elas." (Frank Abagnale Jr.)

Esclareço aos pais e professores, psicólogos, orientadores vocacionais e pedagogos, que não se trata de mais um filme sobre a ambição e o crime premiados com a impunidade. Muito pelo contrário. É admirável como essa produção mantém o interesse do público, em clima de suspense, ação, romance, humor e drama até o fim, mesmo revelando, logo no início, que a lei alcançou o delinqüente, colocando-o atrás das grades. Foi detido pela primeira vez na aldeia francesa de sua mãe, MontRichard, no Natal de 1967, quando foi convencido pelo investigador do FBI, Carl Hanratty, a se render voluntariamente.

Nas primeiras cenas, ele está numa prisão em Marselha, França, no Natal de 1969. No dia seguinte, o policial conseguia trazer o jovem prisioneiro para os EUA, onde foi condenado a 12 anos em prisão de segurança máxima e isolamento.

" Não posso parar ( de lhe perseguir). É o meu trabalho." (diz-lhe o policial)

Destaques: temas (bem atuais!) e personagens; produção, direção, interpretação ( Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken e Martin Sheen); roteiro (Jeff Nathanson), fotografia (Janusz Kaminski) , trilha sonora; figurino (Mary Zophres); cenários que recriam o final da década de 60; montagem( Michael Kahn); apresentação criativa, divertida, dinâmica e original, dos créditos iniciais, valorizados de forma espetacular por imagens e sons ; início e desfecho do filme.

Sobre a beleza dos créditos iniciais:

"(...) animação que transporta os espectadores ao passado de comédias despretensiosas e é pontuada pelo jazz progressivo composto por Williams, inspirado nas orquestrações de Henry Mancini que dominaram o cinema americano nos anos 60 (sic)." (Marcelo Rossi, Correio Braziliense)

Indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante (Christopher Walken, intérprete de Frank Abagnale Sr., investigado por fraude contábil) e trilha sonora (John Williams, que reuniu suas partituras originais e sucessos de Frank Sinatra ), " Prenda-me se for capaz " em nenhum momento se mostra apelativo, nem violento, inclusive abordando com discrição as temáticas do adultério conjugal, alcoolismo e divórcio.

"- Você mentiu! (Frank Jr.)

- Às vezes, uma mentira ajuda a viver. Você entende bem disso." ( Carl )

Entre os aspectos da vida pessoal de Frank Abagnale Jr. e do investigador do FBI, Carl Hanratty (Tom Hanks), o mais pungente é a questão da importância da família, cuja ausência pode se transformar em condição traumática na vida de qualquer ser humano. O drama emocional de ambos está exposto na narrativa de forma inequívoca.

Seja como advogado (assistente de promotor público!), luterano (em família luterana), co-piloto de empresa área ou médico-residente (pediatra!), o personagem principal é muito bem interpretado – e com charme, aliás, exigido pelo papel – por Leonardo DiCaprio. Como professor de francês substituto, o jovem se vê enfrentando a descortesia de alunos indisciplinados... Entre os jovens de Atlanta, Georgia, ganha popularidade. E como sabia elogiar as mulheres!

Assistindo a programas e seriados de TV, Frank aprendia o vocabulário específico para seu desempenho em profissões diversas que, na realidade, não exercia.

Na década de sessenta, Frank Abagnale Jr., um adolescente normal, morava com seus pais em New Rochelle, Nova York. Até que a vida muda completamente, numa reviravolta provocada pelas dificuldades pessoais e financeiras dos adultos que lhe eram mais próximos e aos quais dedicava seu amor de filho. O pai, agraciado com a Medalha de Mérito do Rotary Club, perde os bens familiares, entre os quais a casa e o carro, por causa de seus problemas com a Receita Federal.

"Vou casar. Vou reaver tudo que tiraram de nós." (Frank Abagnale Jr.)

Pai e filho se tratavam com muito carinho. Mais tarde, o jovem Frank oferece ao pai, graças ao êxito de suas fraudes, um carro novo, insistindo, ainda, para que ele tente recuperar a esposa (interpretada pela atriz francesa Nathalie Baye). Quando o advogado lhe dissera, na ocasião do divórcio, que deveria escolher com quem viver – seu pai ou sua mãe – Frank Jr. se mostrara transtornado. Suas cartas ao pai eram freqüentes, esperançosas e bastante afetuosas.

"Jamais denunciarei o meu filho. Se você tivesse filho, você o denunciaria?"

O promotor de justiça (Martin Sheen) a quem o charmoso delinqüente pediu a mão da filha, percebe a situação.

" - Não sou nada, não sou ninguém. Sou apenas um rapaz apaixonado por sua filha.

- Não, você é um romântico como eu."

Observando a vida familiar de Brenda, o jovem trapaceiro se lembrava, de forma carinhosa, mas melancolicamente, de seus próprios pais. O advogado e a esposa lavavam os pratos juntos, após o jantar; conversavam, cantavam hinos luteranos.

Em sua festa de casamento, diz à noiva:

"- Não quero segredos entre nós. Nem mentir para você. Não sou médico, não sou advogado, não sou luterano. Não tenho 28 anos." E combina encontrar-se com ela no aeroporto, dali a dois dias. Cumpriria sua palavra a Brenda, se não encontrasse mais de cem policiais esperando por ele.

O jovem falsário decide viajar pela Europa. O investigador do FBI, alvo das brincadeiras de seus colegas, por conta do insucesso de sua perseguição implacável, ouve observações como:

" _ Se você, Carl, não o pegou aqui, não pegá-lo na Espanha."

O policial vai demonstrar uma capacidade enorme de compreensão, reconhecendo as circunstâncias do falsário adolescente e, apesar de ter sido enganado e humilhado por ele, dispõe-se a enfrentar todas as dificuldades para lhe estender a mão, confiando em Frank Jr., quando ninguém mais se importava com a sua vida. Agiu assim olhando para o ser humano, sem esquecer a habilidade demonstrada pelo jovem impostor, o que o qualificava para identificar fraudes de todos os tipos.

" – Como você fez para ser aprovado nos exames de Advocacia? O que fez para colar? Outra pessoa fez as provas em seu lugar? (Carl insistia em saber...)

- Eu não colei. Estudei e passei!." (Frank Jr.)

O final do filme, a leitura dos créditos finais, registrando as vitórias da amizade, do amor e da capacidade humana de realizar o seu potencial...deixaram-me profundamente comovida: que história maravilhosa!

Nas palavras de Steven Spielberg: " Mostra que podemos transformar nossas vidas e sermos uma pessoa melhor."

Embora eu estivesse lacrimosa, meu coração saiu cantando da sala de cinema, entoando silenciosos hinos de aleluia.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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À primeira vista

Uma bela e realista história de amor, inspirada em fatos verídicos narrados por um médico, "À primeira vista" (At first sight - EUA, 1998 - de Irwin Winkler- 126') é protagonizada com muita sensibilidade por Mira Sorvino e Val Kilmer.

No papel da irmã protetora, está Kelly McGillis.

"Se eu não sentir, se eu não tocar uma coisa, ela não existe para mim."

O drama de um rapaz cego desde os três anos de idade e seu encontro com uma arquiteta nova-iorquina, que provoca alegrias e conflitos, além de situações difíceis, requerendo coragem para assumir atitudes e sentimentos.

"Ver não depende dos olhos, mas do coração. É conhecer o real que existe em você, o real nos outros e na vida".

Destaques: temas; roteiro com diálogos interessantes, inteligentes e sensíveis; fotografia, trilha sonora; as lições de convivência e realização pessoal, para cegos e não-cegos.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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O principal suspeito

Refilmagem realizada pelo diretor dinamarquês da primeira versão cinematográfica, "O Principal Suspeito" (Nightwatch, EUA, 1998 - 106' - de Ole Bornedal) agrada aos fãs de suspense/drama policial, oferecendo os atrativos do gênero desde a primeira cena (muito angustiante, violenta!).

O elenco se destaca: Ewan MacGregor, Patrícia Arquette e Nick Nolte. Os momentos de maior susto, na verdade, não são os de violência explícita, e sim, aquelas cenas inteligentes, criativas.

Assassino serial desafia a polícia da cidade. Um estudante é apontado como suspeito depois que passou a trabalhar como vigia noturno em um necrotério.

A trama enfatiza a imaturidade de jovens adultos, inconseqüentes em suas atitudes; ressalta, igualmente, a coragem da amizade e do amor; e o grande desafio - amadurecer, viver a vida entre os entes queridos.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Paris/Lumière).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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O Príncipe do Egito

Durante quatro anos, mais de 350 artistas, animadores e técnicos de 35 países trabalharam para realizar o desenho animado "O Príncipe do Egito" (The Prince of Egypt - EUA, 1998 - 99') de Brenda Chapman e Steve Hickner).

Ação, suspense, humor, romance.

Diversão para todas as idades, a narrativa bíblica tem Moisés como protagonista, mostrando a sua história desde a infância, e com algumas seqüências realmente emocionantes, cenas belíssimas e muitas canções.

A qualidade visual agrada bastante aos adultos, que acompanham a saga do líder hebreu apreciando, também, a dublagem de atores famosos, como:

Val Kilmer (Moisés), Ralph Fiennes (Ramsés), Michelle Pfeiffer ( Zípora, a esposa de Moisés), Danny Glover (Jetro), Sandra Bullock (Miriam), Jeff Goldblum (Aarão) e Steve Martin (Hotep).

O afeto que une os dois irmãos - o líder que conduziu os hebreus à Terra Prometida e recebeu, de Deus, os Dez Mandamentos; e o poderoso faraó Ramsés - enfrenta os conflitos de suas origens e missões diferentes.

* O design dos personagens segue uma linha mais realista que na maioria dos desenhos animados, apresentando uma distinção visível entre os traços fisionômicos simétricos e angulosos dos egípcios e os mais característicos dos hebreus. O cenário de "O Príncipe do Egito" foi dividido em dois mundos principais: o "majestoso império, talhado em pedra com ângulos afiados e bem definidos, e o pequeno ambiente dos hebreus, feito com tijolos de barro."

(...)Você não pode ver como o homem vê...(...) Olhe com o olhar do céu".

(...)

"... o poder da oração".

Ralph Fiennes e Michelle Pfeiffer cantam com a sua própria voz.

Há no filme milhares de "extras" animados por meio de inovações digitais admiráveis que, por computador, foram criados para seqüências impressionantes como a do Êxodo e a passagem pelo Mar Vermelho. Apenas o Epílogo mostra mais de 146.000 pessoas.

Stephen Schwartz (de "Pocahontas" e "O Corcunda de Nôtre-Dame") escreveu as seis canções originais e Hans Zimmer (de "O Rei Leão", "Rain Man" e "Melhor é Impossível") compôs a trilha e fez os arranjos para as canções. A música é utilizada como instrumento narrativo.

Destaques: pesquisa histórica, arquivológica e arqueológica; a participação da Orquestra de Londres (London Orchestra); a montagem; o roteiro; as cores; os efeitos especiais; a citação, encerrando os créditos finais, de versículos da Bíblia e do Alcorão.

Ação, suspense, humor, romance.

(...)"Milagres são reais. Milagres acontecem quando você crê.

(...) Milagres acontecem se você quiser."

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Príncipes e princesas


Desenho animado realmente criativo, prazeroso para crianças, adolescentes e adultos (sejam estes, leigos ou profissionais da área de educação), " Príncipes e Princesas" - Princes et Princesses - França, 1999 - 80 min.) tem roteiro e direção de Michel Ocelot, autor dos 6 (seis) contos narrados (em linguagem lírica encantadora) por este belo filme.

Original, engraçado e romântico, traz silhuetas dinâmicas, em jogos de sombras e luz, que se despejam nos fotogramas de belas cores e sons atraentes. Como na linda cena das formigas-vagalumes, transformando o cenário numa deslumbrante experiência visual.

" - Mas não há personagem para mim!

-Ora, seja criativa! Escolha um papel e faça dele um personagem feminino."

Os diálogos - muito interessantes - revelam a aplicação da técnica de RPG ("role-playing games" ), onde os participantes exercem a sua decisão pessoal ao colocarem, nas histórias, uma perspectiva individual, fruto de sua própria inspiração, que vai guiar o processo de desenvolvimento da trama e do comportamento dos personagens.

" - Príncipe, você me ama?

- Sim!

- Por quanto tempo?

- Para sempre!"

Destaques de " Príncipes e Princesas": produção, roteiro, direção, fotografia, montagem, trilha sonora (Dolby); direção de arte, cenografia, figurinos e adereços nos desenhos; movimentação das figuras; a pontuação musical das histórias; as passagens de um conto para outro; a transmissão de emoções.

"- E sonhe com os figos!

-Prefiro sonhar com rainhas..."

O fio condutor da narrativa é o trio de protagonistas: uma garota, um menino e um velho técnico desempregado, que incentiva os jovens a encenarem peças de teatro, exercendo suas fantasias de forma fantástica, inclusive procurando textos encontrados em bibliotecas.

Entusiasmados, eles se transformam em herói e heroína dessas histórias, que interpretam com bastante criatividade. Como personagens das dramatizações, viajam no espaço e no tempo, para diversos países, em diferentes épocas históricas . Os contos têm humor e poesia, além da sagacidade dos protagonistas.

A narração da época medieval envolve estratégias, uso de instrumentos e armamentos; e a manipulação de situações. O rei promete dar a mão da princesa em casamento para o homem que for suficientemente corajoso para entrar na fortaleza onde vive a bruxa...e conseguir matá-la.

Enquanto os candidatos à recompensa logo se lançam ao ataque, o herói aguarda, afirmando:

"Ainda não estou preparado: estou pensando. (...)

Continuo observando...ainda não estou preparado para entrar e enfrentar a bruxa.(...)

Deveríamos conquistar o castelo, e não, destruí-lo."

Quando ele resolve deixar seu posto de observação, a estratégia vitoriosa é perguntar:

" - Posso entrar?

- É o primeiro que pede permissão para conhecer este meu castelo. Quer entrar?

- Sim!

- Seja bem-vindo."

A bruxa lhe mostra, gentilmente, com muito prazer, a biblioteca, a oficina, os seus jardins. E, para surpresa de todos, o herói comunica ao rei a sua decisão...

Logo após o desfecho dessa história, o público é brindado com uma pausa, recebendo o convite para conversar um pouco durante um minuto.

" O filme apresenta um universo de elegantes e encantadoras figuras que deslumbram espectadores de todas as idades, mostrando a beleza do Antigo Egito, a poesia da arte japonesa, o romance na Idade Média e os prodígios do ano 3000."

Nos vários países, cenários das narrativas, os personagens se movimentam de acordo com as suas culturas, reveladas, também, por suas músicas.

No Japão do século XIX, a senhora idosa faz uma pergunta bem perturbadora ao assaltante que pretendia lhe roubar o precioso casaco:

"- E você usa a sua força para fazer o bem?" (...)

A velhinha se recusa a descer das costas do homem ameaçador. Esperta, mostra que pode estrangulá-