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Nada é para sempre
"Por que será que as pessoas que mais
precisam, não aceitam ajuda?!" (...)
"A graça da bondade..." (...)
"Amamos aqueles com quem convivemos...totalmente...apesar de não
compreendê-los..."
Com lirismo nas belas imagens, o drama familiar "Nada é para sempre" (A
river runs through it - EUA, 1992 - dirigido e co-produzido por Robert Redford - Oscar de
Melhor Fotografia) com muita sensibilidade narra poeticamente a vida de dois irmãos, em
suas diferenças...quase esquecidas em nome de laços afetivos e de suas recordações -
inesquecíveis - de momentos de rara beleza e paz.
A grande lição está na força das águas vivas do amor, mesmo diante do que não se
pode compreender.
Destaques: produção, direção, interpretação, fotografia e roteiro; temas e
personagens.
Assisti ao filme no cinema. Em vídeo: LK-Tel Vídeo/20.20 Vision.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Não matarás
Numa linguagem crua, realista e cruel, " Não
Matarás" (Krotki Film O Zabijaniu -Polônia, 1987 - 85 min. - de Krzysztof
Kieslowski)apresenta, de forma explícita, a tragédia da maldade, entre os seres
humanos...contra os seus semelhantes e até contra os animais, no local do crime e,
igualmente, no sistema jurídico.
Felizmente, a bondade, a sensibilidade do homem também se fazem presentes no filme: o
jovem advogado criminalista não está convencido de que a pena de morte seja a
"solução", ainda que fosse uma intimidação... Na lucidez deste personagem
está a luz (do filme) para nós.
Com: Miroslaw Baka e Krzysztof Globisz.
Destaque para o diálogo, na prisão, entre o criminoso e o seu advogado.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser visto em vídeo (United Films).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Nas profundezas do
mar sem fim
Drama familiar, psicológico, contemporâneo, inspirado no best-seller homônimo,
"Nas profundezas do mar sem fim" (The deep end of the ocean - EUA, 1999 - 105' -
de Ulu Grosbard) é uma história verídica.
Inicia-se em 1988, em Madison, Wisconsin.
Os personagens principais são interpretados por Michelle Pfeiffer, Treat Williams e
Whoopi Goldberg.
Acompanhamos o desespero de um casal que teve um dos filhos seqüestrado aos três anos
de idade. É muito difícil reconstruir a vida, convivendo com tão grande ausência.
Destaque para os temas; o enfoque dos sentimentos e das reações; a trilha sonora; a
direção, interpretação e o roteiro.
Recomendo para adolescentes e adultos.
A seguir, reproduzo texto da divulgação do filme:
"Quando o romance de Jacquelyn Mitchard, "Nas profundezas do Mar sem
Fim", chegou às livrarias em junho de 1996, foi aclamado como uma obra moderna,
aquele tipo de história que aparece uma vez em cada geração (sic). Baseada na história
de Mitchard sobre a triste perda de um filho e o esforço de uma família para sobreviver
em meio a uma dor
incomensurável.
Beth Cappadora (Pfeiffer) é como a maioria das mães, carinhosa, dedicada e às vezes
oprimida pelas exigências dos cuidados com a família e para manter a carreira bem
sucedida de fotógrafa. Carregando seus três filhos pequenos, ela chega a um hotel, para
uma reunião comemorativa dos 15 anos do colégio. No meio do lobby repleto de pessoas,
ela se afasta um instante, e exatamente neste instante seu filho Ben, de três anos,
desaparece. Uma busca frenética se inicia: ele sumiu num piscar de olhos e aparentemente
não deixou pistas."
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

A negociação
Bem no estilo comercial, com ação e violência, "A Negociação" (The
Negotiator- EUA, 1998- 140 min. ) destaca-se pelo roteiro inteligente e por seus
intérpretes principais- Samuel Jackson e Kevin Spacey.
Policial admirado por sua competência em negociar para resolver situações de
seqüestro, passa a ser acusado de assassinato, fraude e roubo.
Do início ao fim acompanhamos o desenrolar de uma trama em que os inimigos são
desconhecidos. O clima de desespero aumenta o suspense; as intrigas se sucedem, cada vez
mais complicadas; as ordens são contraditórias e as decisões também. Um filme policial
muito eficiente.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Warner).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Nelson Freire
"Nelson Freire é um dos mais brilhantes pianistas de todos os tempos." (Time
Magazine)
Segundo o Estado de S. Paulo, " Ele é um artista inspirado, que coloca sua
fabulosa técnica a serviço de uma sensibilidade peculiar e requintada" .
Unanimidade internacional como pianista, o artista é homenageado com este
documentário - "Nelson Freire" (Brasil, 2003 - 102 min.- co r- 35mm - dolby
digital), que o diretor João Moreira Salles (também co-editor e co-roteirista) afirma,
acertadamente, tratar-se de uma obra a ser apreciada "com os olhos e os ouvidos
".
Na época do lançamento do filme, algumas sessões, em São Paulo, foram comentadas
pelo pianista e compositor Benjamim Taubkin.
O folheto de divulgação do documentário de João Moreira Salles destaca o fato de
Nelson Freire ser admirado incondicionalmente por seus pares, explicando:
" Grava pouco e por isso sua extraordinária arte é menos conhecida do que
merece. Assim como outros grandes músicos, Nelson apostou toda a sua carreira na
espontaneidade de recitais e concertos.
(...) sempre experimenta o piano com um dedilhado rapidíssimo. Enquanto espera o
momento de entrar no palco, anda em silêncio de um lado para o outro, concentrado. Quando
volta ao camarim depois de tocar, precisa tomar água. Terminado o concerto, cumpre o
ritual dos cumprimentos.
NELSON FREIRE mostra também um pouco da longa amizade com Martha Argerich. Na casa da
pianista em Bruxelas há um documento raro: Nelson e Martha, longe dos palcos, recolhidos
numa intimidade descontraída. Qualquer música que façam é maravilhosa, e no entanto
parece que brincam de tocar.
(...) Nelson tocando o Segundo Concerto de Brahms no Municipal do Rio, tocando o mesmo
concerto no Sul da França com a Filarmônica de São Petersburgo, tocando Rachmaninoff a
quatro mãos e a dois pianos com Martha Argerich, tocando a Fantasia de Schumann em duas
ocasiões diferentes, tocando Bach, Chopin, Villa-Lobos e Gluck."
O roteiro registra os antecedentes de sua carreira, a vida em família e os eventos que
marcaram a sua biografia, desde a infância à maturidade. Nasceu em Boa Esperança, Minas
Gerais, em 1944. Foi menino-prodígio, no interior de seu estado, apesar dos sérios
problemas de saúde que muito preocuparam seus pais, quando Nelson era um bebê frágil,
cuja existência parecia não ter futuro.
Aos quatro anos de idade, tocou a Sonata de Mozart em A maior. Aos cinco anos,
apresentou-se em público pela primeira vez. Em 1957, com apenas 13 anos, participou do
Concurso Internacional de Piano, no Rio de Janeiro, interpretando o Concerto do Imperador,
de Beethoven, numa performance que lhe valeu a obtenção de uma bolsa de estudos com a
qual pode continuar seus estudos em Viena, com Bruno Seidlhofer.
Sete anos mais tarde, Nelson Freire ganhou a Medalha Dinu Lipatti e o primeiro prêmio
no Concurso Internacional Vienna da Motta, em Lisboa.
Apresentou-se como solista de orquestras famosas, como as de Berlim, Londres, Israel,
Viena, Amsterdam e Rotterdam.
Sua primeira vez nos EUA foi em 1970, quando tocou o Concerto n. 4 de Rachmaninoff, com
a Filarmônica de Nova York, cidade onde regularmente Nelson Freire se apresenta, assim
como em Chicago, Cleveland, Los Angeles e Denver.
"Pianista dos pianistas", unanimidade internacional, Nelson Freire também
dá recitais e concertos a dois, principalmente com Martha Argerich, com quem gravou o
Carnaval dos Animais, de Saint-Saens. E, ainda, com Gidon Kremer e Mish Maisky.
Martha era uma jovem de dezenove anos, quando conheceu Nelson, com 11 anos. Ele
confirma que, desde então, nunca mais se separaram...
" Um dos maiores pianistas do nosso tempo." ( Jornal do Brasil)
Filmado no Brasil ( Rio de Janeiro e São Paulo ), na França, Bélgica e Rússia, o
documentário de João Moreira Salles acompanha a rotina de Nelson Freire em suas
apresentações, "desde o primeiro contato com o piano em que vai tocar até a
recepção dos admiradores, no camarim. Uma música extraordinariamente bela pontua o
filme: Nelson toca Brahms, Schumann, Tchaikovsky, Chopin, Bach, Gluck, Villa-Lobos, e
interpreta Rachmaninoff a quatro mãos com Martha Argerich."
Há momentos de intimidade e descontração, confidências de emoções e
preferências. Recordações e homenagens, como a que Nelson Freire presta, com
admiração, "à maior pianista do mundo, a brasileira Guiomar Novaes", por quem
se declara apaixonado " desde pequenino".
Outra paixão declarada: a professora Nise Obino. " Ela não está mais aqui, mas
não se passa um dia em que eu não fale com ela."
O concertista é tomado de intensa emoção, inúmeras vezes, quando chora,
manifestando seus mais íntimos sentimentos. Mas presenciamos, igualmente, muitos risos,
além do registro de um certo nervosismo, nos dias de concertos.
" É possível encontrar três ou quatro pianistas tão excepcionais quanto Nelson
Freire, mas ninguém encontrará um melhor." (Le Monde)
O roteiro mostra fotos de arquivo pessoal e documentos familiares, como a carta de seu
pai, explicitamente a ser utilizada na biografia do filho famoso, contando as razões da
mudança para o Rio de Janeiro. Uma decisão dolorosa, mas tomada para o bem de Nelson
Freire, para que pudesse aperfeiçoar o seu talento natural. O pai entregou o destino dele
"nas mãos de Deus".
Sobre o documentário, escreveu Irineu Franco Perpetuo:
"Nelson Freire" é uma declaração de amor de João Moreira Salles pelo mais
badalado pianista brasileiro da atualidade, e talvez seja preciso compartilhar um pouco
desse afeto para conseguir gostar do filme.
Em vez de um documentário linear, explicando didaticamente quem é Nelson Freire e por
que ele ocupa posição de destaque no cenário internacional do piano, o cineasta optou
por um mosaico de 31 episódios, sem ordem cronológica, desvendando algo da reservada
rotina e do cotidiano de um dos mais tímidos cidadãos deste planeta. Embora a nossa
idéia dele seja bastante diferente, ouvindo-o tocar , por exemplo, a " Polonaise
Heróica", de Chopin.
Em um ou outro momento do filme, talvez os leigos fiquem " boiando " em meio
a tanto som e tão pouca fúria; por outro lado, quem conhece Freire de perto sabe o quão
fiel foi o retrato poético dele pintado por Salles. Seus fãs vão adorar, especialmente
pelas aparições da mítica pianista argentina Martha Argerich e pelos ensaios com a
Filarmônica de São Petersburgo (...)" , ocasião em que confessou ao Maestro estar
nervoso, por ser a sua primeira vez na Rússia, e para tocar, nesse país, Rachmaninoff!
Opinando contra o pianista se colocar acima da música, Nelson Freire demonstrou-se
contrário ao sistema comercial de criação de estrelas, ao mesmo tempo em que disse ser
" louco por cinema", admirador dos filmes das décadas de 40 e 50 e fã
entusiasmado de Rita Hayworth, mostrando-se encantado, vendo-a dançar na tela, com Fred
Astaire.
E ainda: " Tenho uma " inveja " de quem sabe tocar jazz,
improvisar...(...)tenho fascinação por Errol Garner - nunca vi ninguém tocar com tanto
prazer, com tanta alegria! Os pianistas clássicos tinham essa alegria. A alegria de
Rubinstein, Guiomar Novaes, Martha Guerich..."
Ele nos apresenta à sua cadelinha, gracejando: " A Danuza quer tocar a quatro
mãos..." E nos brinda com
"Alma Brasileira", de Villa-Lobos, depois que mandou a cadelinha para "
a platéia". Parecendo "emocionadíssima", Danuza fica ouvindo, atenta... O
que não faz a mágica dos artistas!
Antes de um concerto beneficente, Nelson Freire está nervoso no ensaio porque, segundo
ele: " Este piano tem antipatia por mim. Ele não gosta de mim! Ah, meu Deus! "
e sai do palco, tentando se acalmar.
Ao limpar as teclas de seu piano, comparando o seu "método de limpeza " ao
de Martha Guerich, termina se desculpando: " Perfeito, só Deus! "
O "filme sobre um homem e sua música" tem como destaques: a produção,
direção, o roteiro, a fotografia
( de Toca Seabra) e trilha sonora; a apresentação dos créditos iniciais, quando
acompanhamos o sucesso de Nelson Freire em São Petersburgo, repetidamente chamado à cena
para aplausos do público, de pé; a sua interpretação da Tocata de Camargo Guarnieri,
nos créditos finais (o pianista nos explica que foi atendendo a pedidos...).
Estávamos tão felizes! Intimamente repetindo as palavras dos que lhe diziam, ao final
de um concerto:
" Foi muito lindo! " " Obrigado, muito obrigado! "
Compartilhávamos o entusiasmo dos fãs que conseguiram o seu autógrafo, concedido
pelo artista com tanta simpatia e cordialidade! Que pena! O filme terminou...
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Nenhum a menos
Vencedor do Leão de Ouro de Melhor Filme, prêmio do Festival Internacional de Veneza
1999, o drama contemporâneo, para todas as idades, "Nenhum a Menos" (Ye Ge Dou
Bu Neng Shao/Not one less - China, 1998 - 106 min.) também foi escolhido como melhor
filme pelo público da Mostra Internacional de São Paulo.
Dirigido por Zhang Yimou, cineasta que se tornou famoso como diretor do também
premiado "Lanternas Vermelhas", é uma obra singelamente comovente,neo-realista,
humanista, edificante;atual, de simplicidade formal, com linguagem bem acessível e
assuntos universais.
Inspirado em uma história real, com elenco de amadores, inclui momentos de humor
cativante. Com script e fotografia marcadas pela precisão e concisão de documentário, o
filme brilha por seu lirismo, sua poesia e a característica de mimesis ( o princípio
fundamental do teatro grego: a verossimilhança).
Destaques: produção, direção, interpretação, roteiro, fotografia, trilha sonora;
os temas: a educação negligenciada pelo governo (professores, alunos, material escolar e
instalações) ; a tragédia da evasão escolar, das crianças de rua e do trabalho
infantil; o poder da televisão.
Uma pequena escola rural, onde apenas um professor trabalha, ensinando crianças de
várias faixas etárias, em condições precárias, recebe uma jovem de 13 anos para
substituir o mestre que precisa se ausentar para cuidar de sua mãe doente.
A adolescente despreparada, inexperiente e até desmotivada para um trabalho sério,
chegou ali porque ninguém mais aceitou a tarefa... O que atraiu a moça foi o dinheiro
prometido. O professor Gao viu a sua turma diminuir, de 40 alunos, no início do ano
letivo, para 28. Antes de viajar, promete a Wei mais $10 yuans de pagamento, se ela
conseguir que nenhum outro estudante abandone a escola.
Quando o garoto mais levado desaparece, enviado por sua pobre família à cidade
grande, com a esperança de ganhar dinheiro suficiente para saldar as dívidas, Wei decide
resgatá-lo a todo custo. Começa aí, também, o seu processo de
amadurecimento/crescimento, a sua conscientização, que tocam profundamente o coração
dos espectadores.
( Ver também, do mesmo diretor: "Tempos de viver ".)
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária
Neve sobre os cedros
Drama romântico sobre preconceitos raciais, valores culturais, familiares e sociais
(inclusive questões históricas internacionais). Suspense, mistério.
Qualidade de forma e conteúdo caracterizam "Neve sobre os cedros" (Snow
falling on cedars - EUA, 1999 - 133 min.) , dirigido por Scott Hicks (de
"Shine"), protagonizado por Ethan Hawke em versão cinematográfica do romance
homônimo.
Destaques: a belíssima fotografia de Robert Richardson; a interpretação de Max von
Sydow como advogado e de Sam Peppard como pai do personagem de Ethan Hawke (pungente, na
sua tristeza); a produção, direção, reconstituição de época; roteiro, temas,
personagens e trilha sonora.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Ninguém é perfeito
Drama atual, dirigido por Joel Schumacher,
"Ninguém é perfeito" (Flawless - EUA, 1999 - 111 min.) é protagonizado por
Robert De Niro e Philip Seymour Hoffmann. São personagens com uma visão da vida bem
diferente um do outro, morando em prédio de Nova York onde a violência de assaltos,
roubos e tráfico de drogas tornam muito perigosa a rotina diária.
Roteiro realista sobre os problemas de pessoas solitárias, destaca-se por sua
direção, interpretação e mensagem de solidariedade. Aceitação do próximo com as
suas diferenças e características pessoais, enfim, um olhar para além do indivíduo, em
busca das necessidades dos que nos rodeiam. Do sofrimento é possível construir-se uma
compreensão mais profunda do que podemos fazer com as nossas deficiências.
Linguagem chula. Filme para adultos. Os desafios para se estabelecer uma comunicação
fundamentada na conscientização de valores e anti-valores contemporâneos. A cura da
mente e do coração como elementos primordiais para a reabilitação do corpo.
Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode
ser encontrada em vídeo - Look Filmes.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Nível
cinco
Pacifista, originalíssimo em seu formato e profundo no seu
conteúdo, "Nível Cinco" (Level Five - França, 1997 - 106'- com direção,
roteiro e montagem de Chris Marker) relembra "Hiroshima mon Amour", de Alain
Resnais (e até "O ano passado em Marienbad"), com uma linguagem diversa,
atualizada, computadorizada, mas sem esquecer o lirismo e o romantismo em algumas cenas.
Informativo e comovente, apresenta fatos pouco conhecidos.
Laura está concluindo um videogame sobre Okinawa, a última batalha
da Segunda Guerra Mundial (30 de junho de 1945; tema do filme "Além da linha
Vermelha").
Destaques: produção, roteiro, fotografia.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

No
Coração dos Deuses
Produção brasileira de 1999, "No Coração dos Deuses"
é uma aventura para adultos dirigida por Geraldo Moraes, com elenco liderado por Antonio
Fagundes.
Drama com momentos cômicos e trágicos, destaca-se por sua
fotografia e seus cenários naturais, e por lembrar a saga dos bandeirantes numa linguagem
criativa sobre a busca do Tesouro dos Martírios, um dos mais famosos do Brasil Central.
Algumas frases valorizam explicitamente as lendas, os mitos e os
sonhos como inspiradores das ações humanas.
O roteiro às vezes se mostra confuso e complexo, saindo do século
XX para o século XVII e, depois, retornando aos dias atuais, comparando (e fazendo
analogias) os bandeirantes e os retirantes que abandonam suas terras e se tornam
imigrantes.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

No ritmo da
dança
Sem truques, nem dublês, "No Ritmo da
Dança" (Dance with me - EUA,1998, 127 min.,de Randa Haines), tem como protagonistas
Vanessa Williams e Chayanne, ambos cantores, atores e dançarinos.
No elenco, também estão: Kris Kristofferson e Joan Plowright.
Faz uma bela homenagem à cultura e à música eclética latina: salsa, merengue,
tango, paso doble, rumba, chá-chá-chá e muitas outras manifestações corporais da
criatividade e sociabilidade de povos que expressam artisticamente as emoções de seu
coração.
Ressalta a alegria, mesmo quando surgem as dificuldades; a persistência em resolver os
problemas.
O roteiro também destaca a importância e a necessidade de se ter uma família, que
pode ser formada a partir de escolhas conscientes.
Há romantismo; algumas situações dramáticas; cenas de humor e números musicais de
qualidade.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Columbia Tristar).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Noite de Reis
Com excelente interpretação do elenco (Ben Kingsley, Nigel Hawthorne, Helena Bonham
Carter, Richard E. Grant, Imogen Stubbs, Toby Stephens, Mel Smith, Imelda Staunton),
"Noite de Reis (ou O que quiseres)" (Twelfth Night - Inglaterra, 1996, de Trevor
Nunn - 130 min.) é uma comédia romântica, inspirada no drama homônimo de William
Shakespeare.
Segundo comentaram tradutores e críticos especializados em textos de Shakespeare, é a
mais popular comédia shakespeareana. Sobre essa versão cinematográfica, com direção
do ex-diretor da Royal Shakespeare Company de Londres, alguns deles declararam ser
"luminosa".
Jovem que sobreviveu a um naufrágio disfarça-se de homem para servir ao Conde Orsino, na
Ilíria.
Destaques: produção, direção, interpretação, roteiro; fotografia; trilha sonora,
coreografia; iluminação, direção de arte, cenografia, figurinos e adereços;
maquiagem, penteados; as locações em Cornwall.
Aspecto negativo da história: uma vingança cruel, planejada e executada pelos empregados
contra o intendente Malvólio.
"É assim que a reviravolta dos tempos traz consigo os seus castigos."
Mas o Conde Orsino ordena: "Ide e pedi-lhe desculpas."
E Olivia comenta: "Foi excessiva a brincadeira que fizeram com ele."
(...) "Se a música fosse alimento do amor..."
"(...) "As preocupações são inimigas da vida."
(...) "Sendo tão devotada à memória de seu irmão, como não amará!"
(Orsino, sobre Olívia)
(...) "- Como é um homem embriagado?
-Como um bufão, um louco e um afogado. O primeiro trago
torna-o tonto, o segundo trago enlouquece-o, e o terceiro, afoga-o."
(,,,) "Meu amo e senhor está apaixonado por vós. Não haveria como recompensar tal
amor."
(...) "Não somos donos de nós mesmos."
(...) "...e meus desejos, desde então, me perseguem como cães
ferozes."(Orsino, descrevendo a Cesário a sua paixão por Olívia)
(...) "As mulheres são como rosas..."
(...) "Venha e me beije docemente. (bis) A mocidade não dura eternamente.
(bis)" (canção)
(...) Amar "como se o coração e o cérebro fossem ocupados por um único
rei..."
(...) "Dize-lhe que meu amor não pode acabar."
"Noite de Reis" é uma autêntica festa para os que sabem apreciar a versão
cinematográfica do teatro de Shakespeare. Uma vez só não basta! Do início ao fim,
"Noite de Reis" nos oferece emoções que nos comovem, inspiram, entusiasmam.
Drama e humor; ação e suspense sentimental. Convidados para um espetáculo inteligente,
bem urdido como esse, os temas e os personagens nos tocam de perto. Para os que se rendem
, de coração, aos encantos dessa "Noite de Reis", muitas palavras se tornam
companheiras, tal a beleza com que foram tecidas para a nossa memória.
Assisti ao filme no cinema, mas também pode ser encontrado em vídeo Alpha Filmes.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Noiva em fuga
Romantismo, humor, farsa, caricatura e drama, bem como os problemas nas relações
afetivas entre homem e mulher, estão presentes em "Noiva em Fuga" (Runaway
Bride, EUA, 1999 - de Garry Marshall - 116 min.), que tem uma bela fotografia e volta a
unir, sob o mesmo diretor, os populares Julia Roberts e Richard Gere, o trio responsável
pelo sucesso de "Uma Linda Mulher" (1990).
Joan Cusak, Hector Elizondo e Rita Wilson também estão no elenco, interpretando
personagens que se dividem em dois tipos: residentes em Nova York e habitantes de uma
pequena cidade do interior, Hale (Maryland).
Jornalista encontra algumas dificuldades para escrever a sua coluna. Decide, então,
apresentar o caso de noiva que vem escandalizando sua comunidade, ao deixar vários noivos
sozinhos no altar. A reação da moça, escrevendo para a editora e afirmando que o artigo
era exagerado, provoca a demissão do colunista. Sem emprego, o jornalista resolve ir até
a pequena cidade onde mora a jovem que se sentiu prejudicada. Ele pretende investigar a
responsável por sua demissão, aprofundando-se no tema, inclusive, com entrevistas.
Destaques: temas e personagens; trilha sonora; fotografia; créditos finais (para quem
fica até o fim, uma surpresa muito especial).
O toque de realidade, no roteiro, enfatiza o nervosismo e a insegurança da jovem, no
momento do casamento. E ainda: destaca a maneira de agir e falar, tanto de parentes como
de amigos e conhecidos, que desrespeita a dignidade da moça indecisa. Afinal, ela precisa
se conhecer, antes de assumir um compromisso matrimonial.
"Muita gente confunde atração com adequação."
O importante é reconhecer que haverá momentos difíceis para ambos, mas os dois se
conhecem, por meio da sinceridade, na medida do possível e, conhecendo um ao outro, se
escolheram como a pessoa amada.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Buena Vista.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária
(Matéria
Editada em 25/07/02)

Nosso tipo de Mulher
Humor, realidade, romantismo, nesta comédia dramática sobre assuntos bem sérios e
contemporâneos: "Nosso tipo de mulher" (She is the one - EUA, 1996). O jovem
diretor Edwards Burns escreveu o roteiro, além de ser o protagonista.
O filme aborda valores pessoais, familiares, afetivos e profissionais. Trata,
inclusive, de sexo, sem apelar para cenas explícitas. O importante são as palavras...e
as decisões, para se fazer uma reflexão crítica sobre a realidade do comportamento; e
sobre o amor fiel e presente.
Destaques: o despojamento, a simplicidade da produção; a direção, interpretação;
o roteiro; a trilha sonora; os personagens e seus diálogos.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Nova York Sitiada
Inteligente, perturbador, ótimo thriller sócio-político, "Nova York
Sitiada" (The Siege - EUA, 1998- de Edward Zwick, que é também o produtor e
roteirista do filme) tem, como questão central, o terrorismo e a atuação da CIA
(agência internacional de inteligência norte-americana) em alguns países árabes.
Contudo, a proposta da história busca uma análise bastante profunda, envolvendo direitos
humanos, princípios democráticos, ética pessoal e profissional.
Policiais, membros do FBI, militares do Exército (chefiados por general interpretado
por Bruce Willis) e agentes da CIA são os personagens principais, num contexto explosivo
de conflitos políticos, violência e desconfiança. Todos acreditando servir a seu país
e à Constituição.
Atualidade, ação e muito suspense, além de reflexão crítica em ritmo de gênero
policial. Inspirado nos eventos terroristas que ocorreram em fevereiro de 1993, quando uma
bomba explodiu na garagem do edifício do World Trade Center; e nas medidas
anti-terroristas votadas pelo Congresso americano, em 1997. Os terroristas atacam Nova
York...e só então os americanos percebem/vivem a tragédia que costuma
ameaçar/amedrontar outras cidades do mundo.
Destaque para: a direção; o roteiro; e a interpretação de Denzel Washington e
Annette Bening.
Precisamos aprender, como sociedade, não apenas com
as lições do passado. É importante exercitar nossa capacidade de, analisando a
realidade do presente, imaginar o futuro (próximo ou remoto) de modo a evitarmos as
possibilidades negativas.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária

Nunca fui beijada
Tendo a intérprete principal - Drew Barrymore - como produtora
executiva, "Nunca fui beijada" (Never Been Kissed - EUA, 1998 - 107' - de Raja
Gosnell) é uma comédia dramática para todas as idades, com roteiro inteligente e
romântico focalizando as idiotices e crueldades que ocorrem nas escolas onde a
mediocridade se une para prejudicar os estudantes dispostos a fazer um trabalho sério.
Josie não foi popular, nem teve uma vida escolar fácil; suas
recordações não são agradáveis; e, até o momento, mesmo atuando como jornalista,
ainda não realizou seus sonhos e suas fantasias românticas. Também na redação do
jornal, ela se destaca como pessoa diferente. Vai enfrentar uma tarefa que, para ela, é
muito difícil: voltar à escola, como se fosse uma aluna de dezessete anos, para que,
assim disfarçada, consiga escrever uma reportagem sobre o ambiente e os personagens.
Aliás, no jornal, a situação está ameaçadora: do êxito de
Josie dependem o emprego dela e de seu editor-chefe. As pressões deixam todos nervosos,
inclusive porque alguns repórteres já foram despedidos recentemente.
Alguns personagens - e até as situações - às vezes se mostram
caricaturais. Contudo, a temática tem fundamentos reais. Há diálogos interessantes,
sobretudo a referência a enredos de Shakespeare onde o disfarce permite às pessoas
agirem com sinceridade.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e
professora universitária |