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   M

 

 

A maçã

É quase impossível imaginarmos alguém assistir, sem se comover profundamente, ao drama real "A Maçã" ( Sib - Irã/França, 1998 - 86'), de Samira Makhmalbaf (roteiro e montagem de seu pai, Mohsen Makhmalbaf - o célebre diretor do inesquecível Gabbeh), com músicas tradicionais iranianas.

Nascida em Teerã, em 1980, aos 8 anos de idade trabalhou em "O Ciclista", filme dirigido por

Makhmalbaf. Estudou cinema, de 1994 a 1997, em sua cidade natal. Realizou o curta-metragem "Deserto"(Désert) e o documentário "Escola de Pintura" (Écoles de Peinture). Em 1997, foi assistente de direção do progenitor, em "O Silêncio".

Seleção Oficial do Festival de Cannes 1998, "A Maçã" recebeu o Prêmio Especial do Júri, na 22ª

Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e também, o Prêmio do Público.

A diretora tinha apenas 16 anos quando começou a dirigir seu primeiro filme - "A Maçã" - denúncia realista e poética no cinqüentenário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O roteirista dedicou o script às gêmeas Zahra e Massoumeh, que "têm treze anos mas parecem ter apenas dois anos de idade porque perderam onze anos aprisionadas" em sua casa; "o que reforça a opinião de que o tempo perdido na prisão não pode ser contado como parte de uma vida."

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Madadaio

Realizado por um mestre do cinema, "Madadayo" (Japão, 1993), de Akira Kurosawa, é uma comovente homenagem aos professores, ao mostrar o relacionamento de respeito e admiração, enfatizados pela afeição que os alunos dedicam ao mestre, ante sua decisão de se aposentar. A postura didática, as atitudes disciplinadas dos estudantes e outros valores,com ênfase nas tradições da cultura oriental, são temas do filme. A linguagem acessível ao grande público, universal, do cinema, aproxima o roteiro dos espectadores. Lírico, realista, sensível.

A história de um professor que abraçou com amor o seu tesouro pessoal também nos transmite esse ideal de vida, manifestado na constância de um dever cumprido com alegria e entusiasmo. Como dádiva espiritual permanente, os frutos da decisão do mestre aqui se tornam visíveis.

Destaques: produção, direção, interpretação, fotografia, trilha sonora; o roteiro e o belíssimo final.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Madeline

Aventura infanto-juvenil que também pode agradar aos adultos fãs do gênero, "Madeline" (idem- EUA, 1997- 105'), dirigido por Daisy Von Scherler Meyer, tem como intérpretes principais a encantadora Hatty Jones e a sempre eficiente Frances McDormand (de "Mississipi em chamas" e "Fargo").

O filme narra o cotidiano de alunas internas, entre as quais a órfã Madeline. Ela está constantemente "aprontando" e agindo como líder, apesar de sua pouca idade. Tem personalidade e muita imaginação; sabe conversar, mostra determinação.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Magnólia

Tom Cruise conquistou o Globo de Ouro e concorreu ao Oscar por sua competente atuação no drama urbano, contemporâneo, "Magnolia" (Magnolia - EUA, 1999 ), produzido, escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson.

Várias histórias entrelaçadas revelam conflitos íntimos sobre prazeres, mágoas e dúvidas existencialistas. Personagens como esposas e maridos, amantes, filhos, policiais, jornalistas, enfermeiro... tendo como cenário a rua Magnolia, em Los Angeles.

Filme para adultos. Uso de linguagem chula.

Quando chega o momento decisivo da reflexão crítica, a visão do certo e do errado compreende, desvenda e revela as conseqüências na vida familiar. Vícios e doenças são como a praga das rãs, descrita no Livro de Exodus, Cap. 8, versículo 2.

Diante do passado, uma atitude se torna fundamental: o reconhecimento das faltas.

E o pedido de perdão.

"Todos nós precisamos ser perdoados."

"Como perdoar? O que perdoar?"

Destaques: direção, interpretação (Tom Cruise, Julianne Moore; Jason Robards, Melinda Dillon); trilha sonora; o roteiro sarcástico, bem irônico, impregnado de emoção; os personagens e seus diálogos; os temas abordados; a denúncia do machismo, da infidelidade, do abandono, do incesto e do egoísmo; do refúgio nas drogas. A tragédia da falta de comunicação entre os que deveriam estar muito próximos.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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O Mahabharata

De Peter Brook, "The Mahabharata" (França/Inglaterra/Itália - 1990 - 155 min.) nos envolve, magica e poeticamente, em sua narrativa mística: são deuses e/ou seres humanos, dilacerados pela dicotomia carne-espírito, sensibilidade-ambição, amor-guerra.

"Dou-lhe esta terra arruinada, coberta de cadáveres".

(...) "- Fique neste mundo infeliz. Vou para o outro mundo. Quem pode ser mais feliz que eu?"

Este épico da cultura oriental tem a força das suas palavras.

Destaques:direção de arte, cenários, fotografia, roteiro e trilha sonora.

" - Como se pode compreender a selvageria deste mundo?

-Você faz parte dele".

- "Inseparáveis como a paciência e a sabedoria! -Mas como se pode escapar?"

- "Mostra-lhe o poder da liberdade.

- Que liberdade? Que caminho?"

- (...) Ele é o coração de tudo que é invisível.

(...) - Ouça atentamente e, no fim, você será uma outra pessoa."

(...) - Os homens estavam próximos dos deuses."

(...) - "Mas ele carregava amargura no seu coração - não sabia quem ele era."

(...) A destruição nunca chega empunhando armas. Vem devagar, enxergando o bem no mal e o mal no bem."

(...) - Mas eu quero estar descontente. Insatisfeito."

(...) - Enquanto eu nada amo, nada sou."

(...) - Deixe cada um chegar a seu limite."

(...) - Perdeu até ele mesmo."

(...) - Minha determinação se foi. Não posso me defender."

(...) - Porque tem ódio no seu coração, ele é fraco."

(...) - Meu coração deve ser de pedra, para não ter quebrado antes."

(...) - Vitória e derrota são a mesma coisa."

(...) - Ele ensinou-lhe como o mundo se revela.

(...) - Num só ponto vejo o mundo inteiro."

(...) - Através de seu corpo eu vejo as estrelas."

(...) - Agora você pode dominar seu espírito misterioso e incompreensível. Você pode ver o seu outro lado."

(...) - Você ainda é um sonho?"

(...) - Mesmo que você não possa ver, uma luz foi salva."

(...) - Levei meu irmão para a morte."

(...) - ...e esta batalha dentro de você.

(...) - Você é aquele que esta cidade espera para festejar."

(...) - Sou o brilho de tudo que brilha."

Caracterizado pelo lirismo próprio da cultura oriental, o filme nos arrebata por suas imagens e seus diálogos, muitas vezes ambíguos, misteriosos,que nos convidam à reflexão sobre a condição humana em seus aspectos metafísicos.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo - VTI (ABN).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Malagrida

De Renato Barbieri, "MALAGRIDA" (Brasil, 2000 - 73 min.- cor - Dolby/Stereo) é um excelente documentário sobre a vida e as realizações do missionário jesuíta, Padre Gabriel Malagrida.

Destaques: produção, direção, roteiro, fotografia, trilha sonora; apresentação dos créditos iniciais com uma bela imagem de um coração que pulsa com ardor; prólogo; pesquisa de arquivos;e créditos finais.

A comovente história do Padre Malagrida é relembrada desde a sua infância, com informações sobre seu ambiente familiar e início de sua vocação para o sacerdócio.

Nascido na Itália, veio para o Brasil em 1721. Dedicado, culto, idealista, Malagrida foi considerado, também, um visionário. Se não estivessem documentadas, as suas viagens, regulares, longas e atravessando áreas muito extensas, seriam quase inacreditáveis.

Educador de alto nível, recusou posições universitárias para sair caminhando por regiões inóspitas e atender a populações desassistidas espiritualmente e carentes em termos econômico-sociais.

Apesar de exercer grande influência (quem sabe até por causa disso...) sobre a corte portuguesa da época, foi perseguido e condenado pela Inquisão. Queimado vivo, em Lisboa, dizem que seu coração teve que ser jogado no Rio Tejo, em um barril, porque o fogo não o tinha destruído... e ainda pulsava, após a morte do Padre Gabriel Malagrida!

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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O Marido Ideal

Comédia de costumes, inteligente e romântica, inspirada na peça teatral homônima do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900), "O Marido Ideal" (An ideal husband - Inglaterra/EUA, 1999) tem direção e roteiro de Oliver Parker. A história, que se passa em 1895, foi rodada na Inglaterra.

"Antigamente tínhamos a tortura. Hoje, temos a imprensa."

Destaques: produção, direção, interpretação, roteiro, diálogos; montagem; fotografia, trilha sonora, iluminação; direção de arte, cenografia, reconstituição de época; guarda-roupa, chapéus, penteados, maquiagem e adereços; temas e personagens. As jóias, criadas por John Galliano, para a Coleção de Alta Costura 1997/98, foram gentilmente emprestadas pelo estilista Christian Dior.

"- Mas ela o ama. Há de perdoá-lo." (Lorde Arthur Goring, interpretado de forma brilhante por Rupert Everett, a seu amigo Lorde Robert Chiltern, papel de Jeremy Northam) (...) "Nenhum homem deve guardar segredo da esposa. Porque ela sempre descobre."

(...)

"A vida nunca é justa. E talvez seja bom para nós que assim o seja."

Goring acredita, tem fé na integridade de seus amigos.

(...)

"- O amor não pode ser comprado.É para ser dado...sem esperar nada em retorno. Eis a essência do amor." afirma, com convicção, Lorde Goring à perigosa Laura Cheveley (Julianne Moore).

(...) "Sempre passo adiante os bons conselhos. É a única coisa sensata a fazer."

Miss Mabel (Minnie Driver), irmã solteira de Lorde Chiltern, está entre as mulheres "à procura de maridos", convivendo na sociedade londrina, segundo satiriza o texto, com "as que se escondem deles... "

O aparentemente sem qualidades Lorde Goring, solteirão de 36 anos desprezado pelo pai a todo momento, incentiva Gertrude, Lady Chiltern (Cate Blanchett) a ser corajosa o suficiente para aceitar as fraquezas das pessoas e do mundo, sem deixar de amá-los. Nas horas mais difíceis, dá sua palavra de honra e arrisca o seu bem-estar para ajudar os amigos
em dificuldade.

(...) " É preciso muita coragem para ver o mundo defeituoso e ainda assim amá-lo."

(...)

"_ Que grande amigo você é para ele. Para nós."

(...)

"Olhar não é ver. Ver é enxergar a beleza que existe. Não se consegue ver algo até que se veja a sua beleza."

(...)

Entre os temas abordados, além do amor e da amizade, honra e confiança, estão: política financeira, nacional e internacional; o poder da informação; a superficialidade e a maldade nos relacionamentos da chamada alta sociedade; valores e anti-valores da época, na política e na vida social e familiar.

Vai-se ao teatro para olhar a platéia, talvez mais do que o que acontece no palco. Após a cena final de "A importância de ser Ernesto", o autor, Oscar Wilde, é chamado ao palco e muito aplaudido pela platéia do teatro lotado.

"É bom saber que gostaram da peça tanto quanto eu!"

A pobreza, a ambição e os segredos do passado tornam-se objeto de chantagem:

"Sempre chega a hora de pagarmos pelo que fizemos. E chegou a sua hora."

São bastante espirituosas as observações sobre as relações no casamento; a convivência com os pais e amigos. Constata-se o preconceito que determina o afastamento das mulheres, no Parlamento. Elas observam de longe, afastadas/separadas por grades.

(...) "Homens e mulheres têm fraquezas."

No dia-a-dia, o que se fala não é o que se faz; o exterior difere do íntimo; e até os mais próximos não sabem quem somos, na realidade.

"- Coloquei meu marido em um pedestal.

- Não o retire de lá."

"Não são os perfeitos, mas os imperfeitos que precisam de amor."

(Assistir também aos filmes de época: "Persuasão"; "Emma"; "Razão e Sensibilidade"; e "O Cadete Winslow".)

(Ler, de Oscar Wilde: o romance "O Retrato de Dorian Gray" e as peças teatrais "A Importância de ser Ernesto" e "Um Marido Ideal".)

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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A máscara do Zorro

É realmente um ótimo filme de aventura, que diverte com muita ação, lutas de todos os tipos e cenas românticas, recorrendo a momentos de humor para aliviar a tensão das cenas de violência. "A Máscara do Zorro" (The Mask of Zorro -EUA,1998 - 137' - de Martin Campbell), inteiramente rodado no México, contou com Steven Spielberg entre os seus diretores

executivos e a música de James Horner ,destacando-se ainda a fotografia de Phil Meheux e os figurinos de Graciela Montiel.

Lideram o elenco dois artistas com legiões de fãs ardorosos: Anthony Hopkins e Antonio Banderas, que interpretam o personagem que há várias gerações entusiasma os leitores de revistas populares (desde 1919).

No gênero "capa e espada", a história se passa durante a revolução pela independência do México contra o domínio espanhol. Ao mesmo tempo, mistura-se a ficção do herói Zorro com os personagens reais de bandidos californianos, como Joaquin Murieta (lutou contra os

mineradores que não respeitavam as leis mexicanas), Salomon Maria Simeon Pico (saqueador de estradas metade vilão metade Robin Hood) e José Maria Avila, revolucionário apaixonado.

Foi escolha de Spielberg, a protagonista Catherine Zeta-Jones (da minissérie de televisão "The Titanic").

"Inicialmente, procuramos locações que dessem a sensação de Monterey, na Califórnia, nos anos 1800", disse Doug Claybourne (um dos produtores). "Procuramos na Califórnia e até na Espanha, mas escolhemos o México porque nos ofereceu as mais inspiradoras locações.

A imagem vista através das lentes de nossa câmera foi a mesma que Zorro teria visto há centenas de anos." (...) "Achar a locação certa foi crucial para nós, já que 80% das filmagens de A Máscara do Zorro foram feitas em externas" - informou David Foster (produtor).

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser visto em vídeo - Colúmbia Tristar (ABN).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Mauá - O Imperador e o Rei

Drama biográfico sobre o Barão de Mauá, desde a sua infância, "Mauá - o Imperador e o Rei" (Brasil, 1999 - de Sergio Rezende - 132 min. ) conta a trajetória pessoal e sócio-econômica de Irineu Evangelista de Souza, capaz de sonhar e realizar com entusiasmo, ousadia e competência.

Seu maior ideal era o progresso do Brasil.

Nascido em Arroio Grande, no Rio Grande do Sul, em 1813, demonstrou eficiência comercial, destacou-se na indústria, nos campos da economia e da política.

Com muita sensibilidade, ainda jovem se declarou profundamente contrário à escravidão. Acreditava nos estudos, no trabalho honesto, em negócios éticos.

Tornou-se o homem mais rico do Império, dono de tal poder que provocou conflitos entre os membros da corte de D. Pedro II e os banqueiros ingleses. Chegou a perder tudo que obtivera com o fruto de seu trabalho árduo, inclusive o registro comercial. Dez anos depois, conseguiu se reerguer, pagar as suas dívidas e recuperar a honra de seu nome.

Ao morrer, com 76 anos, era um dos homens mais ricos do país. Paulo Betti e Malu Mader são os protagonistas. No elenco, também se destacam Othon Bastos, Antônio Pitanga e Roberto Bomtempo, além de atores ingleses, como Michael Byrne.

O filme foi rodado no Brasil e na Inglaterra.

Destaques: produção, direção, interpretação; roteiro, direção de arte, reconstituição de época, figurinos, maquiagem e adereços; fotografia e trilha sonora.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Columbia TriStar do Brasil.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Os Miseráveis

Inspirado no clássico romance de Victor Hugo, "Os Miseráveis" ( Les Misérables- EUA, 1998 - 131 min.) foi dirigido por Bille August, vencedor do Oscar com "Pelle, o Conquistador) e tem um elenco de ótima qualidade : Liam Neeson (de " A Lista de Schindler"), Geoffrey Rush (também premiado com Oscar, por sua atuação em "Shine -Brilhante") e Uma Thurman (de "Gattaca - experiência genética).

Versões cinematográficas foram realizadas antes, como as americanas de 1935 , 1952 e 1978; e as francesas, de 1982 e 1995.

Como na obra-prima da literatura francesa, a história começa em 1812 e termina no auge da Revolução de julho de 1832.

Um homem condenado a vinte anos de prisão por roubar um pão, Jean Valjean, está em liberdade condicional. Viveu o inferno das prisões...mas vai tentar reconstruir a sua vida; e descobrir toda a bondade e o amor que existem dentro de seu coração solitário; e, por meio do perdão, ser o agente da própria redenção. Isso apesar de alguém lhe perseguir implacavelmente (o ambicioso policial Javert).

Destaque para: a produção, direção, interpretação,reconstituição de época, fotografia; o roteiro e a trilha sonora. Um filme comovente e redentor, de conscientização sobre a tragédia e solidão dos excluídos pela miséria.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Columbia/Tristar.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Mississipi Masala

Com o excelente ator Denzel Washington, "Mississipi Massala"(EUA, 1991 - 118 min. de Mira Nair) é um filme de qualidade,desde o seu prólogo (emocionante, pungente) aos créditos finais (com a alegria da esperança).

Ao retratar o drama diário do preconceito racial - nas famílias e na sociedade - a história também nos apresenta algumas soluções imediatas. Valores como respeito ao ser humano, amizade, amor, trabalho - indicam o caminho!

(Sugerimos, para se fazer uma interessante análise comparativa, ver também o filme "Mississipi em Chamas".)

"Existe pouco amor no mundo. E hoje, menos ainda."

(...) "Lar é onde está o seu coração. E o meu coração está com você.

(...) " A crueldade não tem cor."

(...) "Ele arriscou a vida dele para salvar você. Não conheço maior prova de amor."

Uma obra atual, realista - para nossa reflexão urgente!

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo - VTI (ABN).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Melhor é impossível

De James Brooks, "Melhor é Impossível" (As good as it gets- EUA, 1997) mostra os dramas e as comédias da vida, por meio de personagens que têm dificuldades para enfrentar seus problemas e traumas. Superar as barreiras nas relações pessoais...somente com generosidade. Das ações solidárias que "informam" sobre o nosso lado mais humano pode-se partir para uma relação de amor.

Vencedor de três (3) Globos de Ouro (melhor filme, na categoria comédia; melhor ator, Jack Nicholson; e melhor atriz, Helen Hunt) recebeu sete (7) indicações para o Oscar (Jack Nicholson e Helen Hunt também levaram o Oscar por sua interpretação).

No elenco, também se destacam: Greg Kinnear, como um jovem homossexual; e Cuba Gooding Jr., seu empresário.

Um charmoso cãozinho emociona até os adultos na platéia, que acompanham com interesse as mudanças circunstanciais na existência dos personagens, a exigirem profundas adaptações no seu dia-a-dia.

Em determinados momentos, "nos reconhecemos" em certas situações; vemos o ridículo, o trágico, a comidade, o desespero.

As palavras dizem o que não se quer dizer... É preciso acertar os passos.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

 

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Memórias póstumas de Brás Cubas

Filme para adultos, "Memórias póstumas de Brás Cubas"(Brasil, 2000 -102 min.) tem roteiro, direção e montagem de André Klotzel, sendo uma adaptação do romance clássico, homônimo, de Machado de Assis, considerado uma das obras principais desse escritor brasileiro do século XIX. No elenco se destacam: Reginaldo Faria, Petrônio Gontijo, Viétia Rocha e, como atriz convidada, Sônia Braga.

Comédia dramática existencialista, de forma, linguagem e conteúdo surrealistas, oníricos, com fundamentos realista-naturalistas.

Erotismo e sensualidade (cenas de nudez imaginada), além de humor pessimista e romantismo, também caracterizam o filme, que começa com a morte e o enterro do protagonista, em 1869, solteiro e rico, aos 64 anos de idade.

"Morro há mais de cem anos, no Rio de Janeiro". A mulher que reconhece como o amor de sua vida está presente em seus últimos momentos e no cemitério.

Filmado no Brasil e em Portugal, "Memórias póstumas de Brás Cubas" faz uma boa reconstituição de época, com produção, fotografia,direção de arte, cenografia, figurinos, adereços, maquiagem e trilha sonora de qualidade (sobretudo na apresentação dos créditos finais).Belas pinturas do Rio Antigo, iconografia, antiguidades e quadros famosos compõem o visual que retrata costumes e paisagens.

Nascido em 1805, as lembranças de Brás Cubas incluem a presença de escravos de todas as idades.

Ao sonhar, ouve a Natureza lhe dizer: "Para o tempo, não importa o minuto que passa, mas o minuto que vem."

Acontecimentos na época da proclamação da Independência do Brasil têm como sonora moldura o nosso belo Hino da Independência.

"Em seis dias, Deus fez o mundo; em seis dias, eu refiz o meu." A existência de Brás Cubas passou por um período de tristeza profunda, com a morte de sua mãe.Viajou, envolveu-se com mulheres interesseiras. Aconselhado por seu pai a casar-se com Virgília,que seria "um anjo sem asas",perdeu a oportunidade. Conheceu a jovem Eugênia, de quinze anos, porém indaga a si mesmo sobre a "Vênus manca".

"Por que coxa, se bonita? Por que bonita, se coxa?" E repete várias vezes: "Ela era bonita, mas coxa." Ainda que reconheça ter chegado a pensar em casar com ela.

O pai de Brás Cubas reclama da mediocridade do filho: "Não gastei dinheiro, empenhos, para não te ver brilhar." Seu relacionamento de amante com Virgília, casada, com encontros furtivos e sobressaltos, resulta em gravidez e aborto natural do filho que esperavam.

"Tinha chegado aos quarenta anos e não era nada". Partindo Virgília com o marido, para o Maranhão, Brás Cubas se reconhece "vazio e vadio". Obcecado para ter filhos, quis casar com "Inhá Loló", porém a febre amarela mata a moça, aos dezenove anos.

A amizade com Quincas Borba ajuda bastante o protagonista, depois da separação de Virgília.Incentiva-o, inclusive, a fazer caridade, prestando auxílio aos pobres e necessitados. "Aos sessenta anos, revi Virgília, mas eu estava mudado. E ela já não tinha o mesmo viço."

O desencanto de Brás Cubas está refletido em sua afirmação: "Não tive filhos.Não transmiti a ninguém um legado de miséria."

(Recomendo ver a comédia dramática para todas as idades - uma obra encantadora! - de André Klotzel, premiada no Festival de Gramado, em 1988, pelo júri oficial e pelo voto popular: "Marvada Carne", com Fernanda Torres. Filme realista sobre nossos problemas sócio-econômicos, com roteiro de estilo alegre, gracioso e às vezes caricatural, que destaca a importância de nosso folclore na vida dos habitantes de vilas e cidades do interior.)

Theresa Catharina de Góes Campos <theca@abn.com.br>, articulista da ABN < www.abn.com.br > , jornalista, escritora e professora universitária

 

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Mensagem para você

Com produção e direção de Nora Ephron, "Mensagem para você" (You've got mail - EUA,1998 - 119') é uma comédia romântica protagonizada por Tom Hanks e Meg Ryan. Trata de negócios, realização profissional e pessoal no plano afetivo...com destaque para a comunicação iniciada via Internet. Um homem e uma mulher percebem estar mantendo uma "convivência" de harmonia emocional, eficiente, por meio do computador...embora não se conheçam.

Ela é dona de uma pequena livraria, especializada em obras infanto-juvenis. Herdou a loja de sua mãe, juntamente com o amor aos livros e às crianças. Ele parece não ter sentimentos ou sentimentalismos, pois se preocupa em ganhar muito dinheiro com sua moderníssima, enorme livraria.

Destaques: direção, interpretação, produção, roteiro, fotografia, trilha sonora; temática; narrativa leve, agradável; apresentação dos créditos iniciais; a simpatia dos protagonistas; ausência de apelação de sexo e/ou violência.

Refilmagem de "The shop around the corner", dirigido em 1940 por Ernest Lubitsch.

"Você é o que você lê ".

"Todos nós nos arrependemos do que dizemos quando estamos preocupados ou estressados".

Conhecer melhor o outro implica também conhecer-se...e até melhorar seu próprio comportamento, evitando erros como falar o que não se deve, o que não é verdadeiro, sob qualquer justificativa.

Precisamos de tempo para avaliar melhor uma situação, um relacionamento, as pessoas. Às vezes, o contato físico pode ser bastante enganador. Nossa reação social dissimula o que temos no mais íntimo. E a tecnologia pode levar a um relacionamento profundo, desde que utilizemos os equipamentos como autênticos instrumentos de comunicação. Se bem utilizada, a tecnologia revela-se uma técnica valiosa de aproximação.

Afinal, o dinheiro não é mais importante que o amor, não vale mais que a amizade, não conforta o coração.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Meu Marciano favorito

Aventura de ficção científica e comédia romântica, dirigida por Donald Petrie, "Meu marciano favorito" (My Favorite Martian - EUA, 1999 - 88') tem como protagonistas Christopher Lloyd, Jeff Daniels, Daryl Hannah e Elizabeth Hurley. Inspirada em série de TV da década de 60, a história começa com o drama de um repórter que está vivendo dificuldades em sua vida profissional e afetiva. Ele se entusiasma com o aparecimento de extraterrestre cuja nave caiu na Terra, planejando apresentar uma grande reportagem. Contudo, o marciano prefere o anonimato, para desespero do jornalista.

Destaques: a trilha sonora; a apresentação do clima de pressa, improvisação (às vezes, ignorância e desrespeito) e tensão na mídia, com os repórteres competindo por oportunidades e tentando ganhar a confiança do chefe, constantemente ameaçando despedir... E os efeitos especiais - imagens de computação gráfica, bonecos, criaturas animatrônicas.

Humor e divertimento para todas as idades.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Meu Papai é Noel

Filme rodado na província de Ontário, Canadá, "Meu papai é Noel"( The Santa Clause - EUA - 1994 - 98' - JOHN PASQUIN), é uma história diferente, inteligente e criativa, sobre o Papai Noel, para as famílias de hoje.

No elenco: Tim Allen, Judge Reinhold, Peter Boyle.

Com algumas críticas sobre: os festejos natalinos nas empresas (logo no início); pais divorciados e padrastos; a preocupação excessiva com a chamada realidade visível, por negligência da poesia e da capacidade de imaginação.

Destaque para: produção, fotografia, trilha sonora; temas abordados.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo - Abril Vídeo/Walt Disney.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Meu tio da América

Com "Meu tio da América" (Mon oncle d´Amérique - França, 1980), o diretor Alan Resnais deu a sua contribuição magistral para um mundo melhor.

"A única razão de ser/de um ser/ é ...ser./Conservar a sua estrutura."

Para os que consideram o cinema apenas uma diversão superficial e sem maiores efeitos, as palavras acima pareceriam um texto de obra filosófica. Estariam eganados, porém. Aquele pensamento, expresso em vocábulos aparentemente muito simples, mas de profunda significação, é a citação inicial que se apresenta ao público na introdução do filme "Meu tio da América". Com esse impacto verbal, Alan Resnais revela de imediato a sua intenção, como diretor de uma obra que precisa e merece ser vista muitas e muitas vezes, tais os benefícios que pode trazer para a vida de cada um e da sociedade em geral, sem restrição de tempo ou espaço.

Sendo a originalidade a marca de sua carreira cinematográfica, o cineasta aborda os mecanismos da memória (como fez em "Providence") e o paralelismo de épocas diversas (como em "O ano passado em Marienbad") de maneira bastante especial, criativa na forma e no conteúdo, e transbordante de informação e reflexão crítica.

"O filme surpreende, desafia, aguça a sensibilidade e convida à reflexão, mas tudo isso numa linha bem-humorada, rara num realizador em geral monopolizado pelos mais angustiantes debates em torno da condição humana. Tratando seus personagens como instrumentistas de uma orquestra de câmara, Resnais abre mão do comando que poderia exercer sobre eles - e que exerceu sobre os personagens de seus outros filmes - para observá-los, divertido, complacente, um pouco à maneira de Truffaut.

Essa liberdade de ação se combina à beleza de imagens requintadamente construídas, como é sua marca registrada, tornando o filme leve, fluido, belo em todos os sentidos. As interpretações de Gérard Dépardieu, em seu melhor desempenho até hoje, de Nicole Garcia e Roger Pierre contribuem para que "Meu tio da América" se defina como obra-prima." (transcrição de texto reproduzido pela Fundação Cultural do DF, sem indicação de autoria, e distribuído ao público no Cine Brasília).

"Mon oncle d´Amérique" divulga a teoria científica do biólogo Henri Laborit, exemplificando-a pela ficção - a história de dois homens e uma mulher, de cidades e origens sociais e familiares diversas, da infância à idade adulta. Enfatiza a influência da família, das recordações infantis, dos jogos e das atividades iniciais. Destaca a importância do meio ambiente no desenvolvimento de personalidades e atitudes.

Voltando a citar o prólogo do filme (Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 1980): "As plantas passam a vida toda no mesmo lugar, sem se deslocar, extraindo do solo em que estão tudo de que necessitam para viver."

Com a sua construção visual colorida (na qual também inseriu imagens em preto e branco), Alan Resnais aborda o problema da dificuldade de adaptação às constantes mudanças da vida atual, a relutância na aceitação da nova realidade sócio-econômica (exemplificado na figura do administrador de uma pequena empresa, quando esta é absorvida por uma grande companhia, com novas idéias, novos métodos e direção nova). Isolado da família (que não se mudou com ele para o local da nova função, que lhe foi imposta sem alternativa de recusa ou outra opção qualquer...), tenso, sentindo-se rejeitado e humilhado, sem saída, o marido e pai gourmet , apesar de aparentar ser fisicamente forte, tenta suicídio. Ora, logo nos seus primeiros momentos, "Meu tio da América" enuncia uma definição que precisamos apreender para conseguirmos sobreviver com dignidade e em consonância com o nosso potencial:

"Angústia é a impossibilidade de se controlar uma situação."

As idéias, experiências e conclusões do cientista Henri Laborit, divulgadas pelo filme, candidato ao Oscar de 1981 (melhor roteiro), sobre os conflitos sociais, motivam análises mais profundas: trata-se da luta pelo poder, uma luta que não respeita os direitos dos outros e provoca conflitos. Revela-se a guerra, então, como a ambição da propriedade sem restrições e sem limites, por qualquer meio, inclusive o violento, agressivo.

"Meu tio da América" aponta a presença dos outros em nós: nós somos os outros, que atuam sobre nós, que nos influenciam de um modo ou de outro. Daí ser um filme atual e permanente - universal. Os personagens são hodiernos: a atriz independente e liberada que, depois de conquistar um alto funcionário público (casado e pai de um casal de filhos menores), vê-se cuidando das crises de angústia e úlcera que ele passa a ter; uma atriz que, mais tarde, será enganada pela dramatização e astúcia (o amor?) da esposa traída que a procura para lhe pedir que permita ter de volta o seu marido, pois ela está sofrendo de uma doença fatal e tem pouco tempo de vida...Assim, a amante o abandona e o casal se reconcilia. Na sua solidão, tentando compreender o que ocorrera em sua vida particular, a atriz - transformada por necessidade em desenhista de modas - procura o seu ex-amante e a família dele, descobrindo, finalmente, que fora ludibriada. E a esposa, vitoriosa, ainda lhe diz que, se não fosse a sua ajuda (dela, esposa), o marido não teria escrito o livro sobre o sol que há muito planejava publicar.

Entre as cenas de vivências profundamente humanas, intercalam-se experiências laboratoriais com ratinhos, quando Laborit ilustra com muita ênfase os efeitos altamente perigosos da angústia, do stress, enfim, da tensão que nos fere intimamente e provoca úlceras, câncer, e muitos outros males e distúrbios funcionais, a nosso organismo tão sensível e frágil. Como não podemos reagir violentamente contra os outros que nos desagradam, ou ferem, ou irritam ou nos contrariam, escolhemos, erradamente, ser agressivos contra nós mesmos. O suicídio, por conseguinte, é a agressão máxima que se comete.

Material publicitário de "Meu tio da América" apregoa:

"O que os ratos brancos podem nos ensinar sobre a condição humana."

De acordo com as estatísticas mais recentes, o número de suicidas vem aumentando assustadoramente, no mundo inteiro, em todas as faixas etárias (até crianças e adolescentes se angustiam a ponto de perderem a esperança!) e condições, mas a idade dos que se suicidam está baixando!

A solução começa, é claro, na compreensão de que o problema existe e que a angústia precisa ser considerada como um ponto de partida para se encontrar uma saída positiva, humana, ainda que se recorra a uma alternativa, adaptação, ou a um redirecionamento de nossos interesses e objetivos. Daí a importância da criatividade - cuja definição, aliás, é, segundo cientistas da NASA que se pronunciaram a respeito, a capacidade de se resolver problemas. Sobreviver é nossa obrigação para com a vida que existe em nós. Precisamos realizar nosso potencial, conservar nossa estrutura, enfrentando e vencendo os obstáculos, sem deixar que a angústia nos domine, asfixie e nos leve à destruição.

Um dos trechos mais importantes de "Meu tio da América" comenta que, na hipótese de uma criança ser criada numa floresta, entre os animais, sem nenhum contato com outro ser humano, ainda que se desenvolvesse fisicamente, jamais seria um homem no sentido exato da palavra, devido à ausência do contato humano, pois é a comunicação com outras pessoas que possibilita a plena realização do ser humano. (Ver o filme "O garoto selvagem", de François Truffaut; ler meu comentário.)

Infelizmente, nem todos sabem apreciar essa obra-prima (a que TODOS DEVERIAM ASSISTIR!, por ser um filme que nos ensina a viver, nos faz refletir sobre nós mesmos, sobre a nossa sobrevivência pessoal, sobre a nossa realização como indivíduos inseridos em um contexto social...) do cinema contemporâneo europeu. Isto porque a comunicação de massa de baixa qualidade e o ritmo atual da vida nas metrópoles contribuem para a uniformização do espectador num estado de embotamento intelectual que se nega a pensar, raciocinar, refletir e, sobretudo, aprender, quando isso exige uma certa dose de concentração e esforço. O hábito de assistir a programas repetitivos e fáceis, no conforto de seu lar, sem nenhum esforço para selecionar outras produções de maior profundidade e de nível mais elevado, realizadas inteligentemente sobre assuntos sérios, filosóficos ou científicos.

Assim, uma janela cultural é fechada previamente pelo espectador que não busca seu aperfeiçoamento intelectual através da diversão caracterizada pela excelência de qualidade. Aos poucos, ele vai perdendo a capacidade de ler com rapidez as legendas e apreender o significado de um roteiro mais complexo, hermético ou simbólico. Conseqüentemente, os que se acostumam à mediocridade, talvez durmam ou se retirem da sala de projeção na primeira parte do magistral "Meu tio da América",
reclamando:

" - Não sabia que era documentário" , ignorando que os gêneros artísticos nem sempre são rígidos ou limitados na sua criatividade, alienados quanto à possibilidade do cinema divulgar pensamentos, ensaios e relatórios científicos por meio da ficção dramática.

Mesmo entre aqueles que assistem ao filme até o fim, ainda encontramos os que, honestamente, perguntam:

" - Por que o título?! Não tem nada a ver!"

Mas é claro que tem a ver! A mensagem do "tio da América" está explícita, em um determinado momento da película, quando o público fica sabendo que era um parente citado porque decidira se mudar para a América e continuava pobre. A família repetia a história toda vez que alguém pensava em efetuar qualquer mudança em sua vida, em seu empenho para resistir a qualquer interferência na sua rotina tradicional.

Todavia, a criança já percebia que era um relato mal contado e que o tio, na certa, enriquecera. O menino acreditava que o "tio da América" possuía realmente um tesouro, escondido em algum lugar... e, como acontece com todo tesouro, merecia ser procurado sem esmorecimento. É bem verdade que, em se tratando de símbolos e mensagens profundas, as leituras dos espectadores podem ser diferentes, pessoais... o que se constitui, portanto, em mais uma riqueza do filme. Quanta simbologia em um simples título! E como é importante que um título leve à reflexão e se revele aos poucos, devagar, gradualmente, desvendado lentamente, esclarecido pela mente e pela sensibilidade maravilhosa do coração humano!

Durante a projeção e ao término da sessão, percebemos que precisamos rever "Meu tio da América" ... para que possamos nos lembrar e compreender melhor os diálogos, a narração, as imagens. E que mais se poderia exigir de um filme, quando provoca, nos espectadores, a necessidade e o desejo de vê-lo mais vezes?!

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Mickey Olhos Azuis

Comédia romântica, no estilo besteirol, e com a violência, ação e o suspense dos filmes sobre mafiosos, "Mickey Olhos Azuis" (Mickey Blue Eyes - EUA, 1999 - de Kelly Makin ) tem elenco liderado por Hugh Grant, Jeanne Triplehorn e James Caan.

Inglês que administra casa de leilões de arte em Nova York apaixona-se por uma professora, sem saber que o pai dela é um chefão da máfia local. Sua amada recusa o noivado e o casamento por não querer envolvimento nos crimes da família.

Sem querer desistir de seus planos afetivos, Michael (Hugh Grant) começa a mudar de vida quase involuntariamente.

Gina (Jeanne Triplehorn) não aceita mentiras, atos agressivos, violência, assassinatos.
O casal de enamorados precisa achar a solução que irá uni-los, apesar de todos os perigos.

Destaques: o tema do amor; e a questão de que uma mentira ou qualquer ato de violência levam a uma sucessão de ações inaceitáveis.

Theresa Catharina de Góes Campos <theca@abn.com.br>, articulista da ABN < www.abn.com.br > , jornalista, escritora e professora universitária

 

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Mifune

Drama realista (e sentimental ao mesmo tempo), profundo e comovente, "Mifune" (Mifune Didste Sang - Dinamarca/Suécia, 1999 - 98 min. - de Sören Kragh-Jacobsen), às vezes cru e violento, recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim.

Realizado de acordo com os princípios estéticos do Dogma 95, o roteiro também oferece ao público uma proposta de comédia, narrando as relações afetivas de dois irmãos, um deles deficiente mental, e o outro, recém-casado.

A personagem Liva (interpretada por Iben Hjeijle) é uma garota de programa que paga os estudos de seu irmão menor de idade. Kresten (Anders W. Berthelsen) procura distrair o irmão Rud (Jesper Asholt) imitando os samurais dos filmes de Akira Kurosawa. O título do filme homenageia o ator Toshiro Mifune, morto em dezembro de 1997. Rud sofre muito com a morte de seu pai, protetor e companheiro.

Com temas, diálogos e cenas características de filmes para adultos, "Mifune" destaca-se por sua direção, interpretação e fotografia. Fala de responsabilidade e amor, apesar das dificuldades e dos conflitos naturais da vida.

Assisti "Mifune"no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Cult Filmes.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria Editada em 19/09/02 )

 

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Minority Report - A Nova Lei

Adaptado de um dos contos do elogiado escritor inglês de ficção científica Philip K. Dick,"Minority Report - A Nova Lei "(Minority Report -EUA, 2002 - scope -145 min.- dolby- technicolor), de Steven Spielberg, é protagonizado por Tom Cruise, acompanhado no elenco por Colin Farrell e Max von Sydow (este, um dos intérpretes principais dos filmes de Ingmar Bergman).

"Às vezes, para encontrar a luz, você precisa enfrentar a escuridão."

O clima do filme indica, desde o início, as suas origens, reveladas pelo cinema nos seminais "Blade Runner - o Caçador de Andróides" e "O Vingador do Futuro", que divulgaram as concepções futuristas de Philip K.Dick (1928-1982), uma visão de "progresso tecnológico" provocador de implicações perturbadoras na área humanística, espiritualista.

"O futuro é bem mais interessante que o passado."

Segundo afirmou Spielberg em várias entrevistas, "Minority Report" faz referência à política de segurança do governo Bush, sobretudo quanto ao trabalho de "mapeamento do paradeiro de terroristas".

Em 2054, uma organização de segurança estatal, a Pré-Crime, seria capaz de identificar pessoas antes que elas cometessem os crimes, isto é, seriam presas, para proteção prévia da sociedade, o que impediria suas ações criminosas.

Três sensitivos com poderes premonitórios permitem que os avanços tecnológicos traduzam as suas visões, exibindo e gravando os seus temores,participando, assim, de projeto experimental que desperta controvérsias políticas.

"Quer dizer que eu prendi gente inocente?"

No gênero ficção científica policial para adultos, com muita ação, violência,efeitos especiais e clima onipresente de suspense, "Minority Report - A Nova Lei" inicia-se com cenas já assustadoras, que eu até classificaria, bem subjetivamente, de "feias" e de mau gosto porque bastante agressivas.O roteiro tem momentos repetitivos; às vezes, parece pretensioso. Entretanto, o tema principal merece, de fato, nossa atenção: essa possibilidade do futuro ser previsto, levando as autoridades a punirem os culpados quando ainda são inocentes (pois não cometeram os crimes). Os envolvidos no programa "Pré-Crime" não duvidam de sua eficácia...eis o perigo, enfim, a sua maior falha seria exatamente tal sensação de certeza à toda prova...

"Os pais olham os filhos como queriam que eles fossem, e não, como são."

Os erros dos sistemas - que atingem inocentes - podem ser dolorosamente visualizados somente quando nós os sentimos na própria pele. Para julgar a eficiência desse programa de segurança seria preciso um inocente ...perseguido a priori como culpado.

Entre os temas de " Minority Report", destaco, ainda, a importância da memória humana.

"Remexer no passado pode complicar sua vida." (...)

"Agora, sua dor está fazendo mal a nós dois." (...)

" - Não fuja!

- Todos fogem."

Barulhento, com muitas lutas e perseguições, o filme expõe tragédias pessoais e familiares dos personagens. São acontecimentos que conhecemos por meio de noticiários ou vivência própria, entre nossos amigos, familiares ou conhecidos. Todos nós experimentamos perdas - todas dolorosas - e gostaríamos de tê-las evitado. São traumas que carregamos ou escondemos. Ou sofrimentos visíveis para os de nossa convivência. Na maioria das vezes, demoramos a superá-los...para continuar a viver. Não se esquece, mas aprendemos a vencer o desespero.

"Estou cansada do futuro."

Com autorização, atemorizantes "aranhas" invasoras de privacidade dos cidadãos perseguem os acusados de crimes futuros, invadindo lares e aterrorizando crianças e adultos.

Cercados de máquinas, equipamentos e dispositivos, Witwer (Colin Farrell) e Anderton (Tom Cruise)têm seu momento de confidências:

"Eu sei o que é perder uma pessoa querida. Meu pai morreu numa igreja em Dublin. Mas nada se compara à dor de perder um filho, como aconteceu com você."

Posteriormente, Witwer pergunta a Lara, o motivo de seu divórcio. A causa da separação teria sido o fato de Anderton usar drogas?

"- Não.Foi porque, toda vez que eu olhava para ele, eu via meu filho. Toda vez que eu me aproximava de meu marido, eu sentia o cheiro de meu filho."

A sensitiva Agatha tem mais talento que os gêmeos. Ela cuida deles. Os três precisam de paz e tranquilidade...exatamente as condições que não lhes dão.

Nas cenas do shopping center (momentos de grande tensão), o contraponto é obtido com a melodia (só instrumental) " Moon River".

A consciência da responsável Agatha está resumida no seu apelo angustiado:

" Você pode escolher. Você tem escolha."

Na residência de John Anderton, ela percebe o sentimento maior que ali se esconde, mas por ela é pressentido, quase de imediato:

" Há muito amor nesta casa."

Agatha conhece a "imortalidade" das pessoas queridas. E proclama: " O morto não morre."

Anderton expressa o seu desejo mais profundo: " Eu o queria tanto de volta", referindo-se ao filho Sean, desaparecido e assassinado.

Ele vai dizer ao diretor do " Pré-Crime", Lamar Burgess (interpretado por Max von Sidow):

"Agora que você sabe o seu futuro, você tem uma escolha, como eu tive. Qual vai ser a sua escolha, Lamar?"

Os destaques técnicos do filme (cuja trilha sonora inclui " Jesus, Alegria dos Homens", de Bach; além de emocionar na apresentação dos créditos finais): abundante em efeitos especiais, robôs, dublês e a fotografia enriquecida com as tomadas realizadas por sistema de câmera girosférica.

Seu valor para a sociedade fundamenta-se nos questionamentos sobre a validade, ética e segurança de programas que desrespeitam a pessoa humana sob o pretexto de " protegerem " a comunidade. Importa-nos, sobretudo, encontrar uma resposta capaz de cicatrizar as feridas daqueles que sobrevivem à perda de entes queridos.

A família tem esse potencial de esperança. Porque o seu elemento básico está no amor, capaz de gerar um futuro que se acredita melhor, apesar das circunstâncias mais difíceis.

(Obs.: Aconselho leituras comparativas: meu comentário sobre o filme "Blade Runner - o Caçador de Andróides";os livros "1984" e "A Revolução dos Bichos" (The Animal Farm), ambos de George Orwell; e as obras de Aldous Huxley, sobretudo "Admirável Mundo Novo".)

Theresa Catharina de Góes Campos <theca@abn.com.br>, articulista da ABN < www.abn.com.br > , jornalista, escritora e professora universitária

 

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Mod Squad - O Filme

Inspirado numa série de televisão da década de 60, "Mod Squad- o Filme" (Mod Squad EUA, 1998 - de Scott Silver)tem a música de abertura do seriado original e o seu produtor, Aaron Spelling. Com Claire Danes, Giovanni Ribisi e Omar Epps liderando o elenco, essa versão cinematográfica é mais violenta e menos ingênua, resultado da adaptação para o público atual. Ex-delinqüentes já cumprindo pena, eles aceitam proposta que lhes foi feita na prisão, de onde saem para formar um esquadrão de jovens policiais à paisana para investigarem casos bem complexos.

No gênero policial, a trama aborda tráfico de drogas e corrupção policial, além de salientar a profunda carência afetiva dos personagens principais.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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A mudança

Adaptação de romance, "A Mudança" (Japão, 1993 - 124'-) de Shinji Somai, comove o público ao acompanhar o sofrimento profundo de uma garota que não consegue aceitar a separação de seus pais. A menina tenta inúmeros artifícios ... mas não tem êxito em reunir as pessoas a quem ela mais ama.

Marido e mulher deixaram que o seu egoísmo dominasse a situação. É como se o perdão não existisse. Nem a solidariedade. Nem a generosidade de que um coração se torna capaz, quando nos esforçamos para superar a tentação individual da mesquinhez.

"Se eu me lembrasse de tudo, já teria morrido. É melhor esquecer", afirma um ancião.

Destaque para: direção, interpretação, fotografia e temática familiar.

Theresa Catharina de Góes Campos <theca@abn.com.br>, articulista da ABN < www.abn.com.br > , jornalista, escritora e professora universitária

 

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Mulan

Para todas as idades! Aventura, comédia, romance. Uma jóia em desenho animado, é mais uma obra primorosa dos estúdios Walt Disney; a produção contou com o talento e a eficiência de quase 700 artistas, animadores e técnicos.

Inspirado numa das fábulas mais populares da China, o filme narra as incríveis aventuras da jovem Mulan, exemplo de dedicação à sua família e a seu país. As cenas têm cores e formatos que emocionam por sua beleza expressiva. Nos mínimos detalhes, contempla-se as diversas manifestações da cultura chinesa...embora os diálogos mostrem uma adaptação contemporânea segundo os valores ocidentais.

Destaque para: a temática de valorização da mulher (devoção, feminilidade, iniciativa); a trilha sonora; a direção de arte.

Theresa Catharina de Góes Campos <theca@abn.com.br>, articulista da ABN < www.abn.com.br > , jornalista, escritora e professora universitária

 

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A Múmia

No gênero aventura de terror, "A Múmia" (The Mummy, EUA, 1999 - 125' - de Stephen Sommers) é uma versão atualizada da primeira e mais conhecida, produzida em 1932 e dirigida por Karl Freund, tendo Boris Karloff como protagonista.

No elenco, destacam-se: Arnold Vosloo, Rachel Weisz e Brendan Fraser.

Na década de 20, caçadores de tesouros do Antigo Egito enfrentam perigos e arriscam suas vidas.

Há muitas cenas de violência e crueldade, com monstros e pragas aterrorizantes. Retirando esse aspecto, o que me agradou foram: a fotografia, ação, o humor e romance na história.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

Editoria de Cinema em Tempo Real

 

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