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Premiado como o melhor documentário no Festival de Biarritz (Espanha) e selecionado para ser apresentado nos Festivais de Amsterdam e Cuba, "Fé" (Brasil - 1999 - de Ricardo Dias- 91 min.), mostra a diversidade religiosa do povo brasileiro, a sua fé que se manifesta de muitas formas, com intensidade admirável apesar das inúmeras e grandes dificuldades enfrentadas no dia-a-dia pleno de carências e necessidades.

O filme começa com a festa de Nossa Senhora do Círio de Nazaré, em Belém do Pará; e vai continuar apresentando o que o diretor explica tratar-se de "uma pequena mostra" das manifestações religiosas encontradas em todas as regiões de nosso país. De formação católica, Ricardo Dias afirmou ter recorrido à ajuda de várias pessoas e, "com muito respeito", entrou "no universo de outras crenças".

É uma viagem pelo Brasil, em contexto eclético, de sincretismo, orientada e de conformidade com os valores da fé, em pelo menos três dimensões do tempo (os fundamentos do passado, as questões do presente, as perspectivas, as visões do futuro).

Destaques: temática, roteiro, entrevistas, fotografia e trilha sonora.

A Festa do Senhor do Bomfim, em Salvador; as manifestações religiosas em Juazeiro, no Ceará; e o espiritismo, no Triângulo Mineiro - são cenas comoventes, a refletirem a importância da fé na vida do povo brasileiro.

Assisti ao filme no cinema, mas também pode ser encontrado em vídeo Europa Filmes.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em 10/12/02)

 

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Feitiço do coração

Drama e comédia romântica, urbana e contemporânea, " Feitiço do Coração" (Return to me - EUA, 2000 - 116 min.) é dirigido por Bonnie Hunt, que escreveu a história e o roteiro (com Don Lake), e faz parte do elenco, em papel coadjuvante, como James Belushi também.

Os protagonistas são David Duchovny (que ficou famoso por sua atuação no seriado televisivo "Arquivo X ") e Minnie Driver ( de " O Marido Ideal", inspirado na peça homônima de Oscar Wilde).

" Não diga isso. Deus está ouvindo."

Filme para divertir e comover, agradável de se ver, rodado em Chicago, tem fotografia do ótimo profissional Lazlo Kovacs.

" Deus dá os maiores desafios aos mais fortes."

Na apresentação dos créditos iniciais, há o estribilho " Volte logo para casa/ e para o meu coração."

Com personagens católicos e de todas as idades, o roteiro fala de muito amor e afeto.

"O Arcanjo Miguel - meu santo favorito porque é um lutador."

Achei engraçada e linda, além de comovente, a cena em que o casal interpretado por James Belushi e Bonnie Hunt estão dormindo abraçados, sentados na sala de espera do hospital.

" Fui abençoado com trabalho."

Jovens, adultos e pessoas da Terceira Idade vão gostar deste filme simpático, capaz de conquistar o público, apesar de simples, bem modesto.

" Será que isso é verdadeiro? Será que é para sempre? É apenas um caso ou um amor eterno? "

Destaques: roteiro encantador, com lindas cenas românticas; o tema bastante atual, dos transplantes de órgãos; a luta íntima para se compreender o amor, as perdas, os acontecimentos inesperados; a comunicação entre as gerações; a mensagem ecológica de amor e respeito aos animais; a trilha sonora; interpretação e direção.

" Reze em Roma. Deus a ouvirá melhor."

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Fox Home Entertainment.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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A Festa de Babette

Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, dirigido por Gabriel Axel, "A Festa de Babette " (Dinamarca, 1988 - 111 min.) é um drama existencial narrado com lirismo, espiritualidade e uma bela fotografia.

Em 1871, uma fugitiva da Comuna de Paris chega a uma pequena vila dinamarquesa, onde duas irmãs a recebem como empregada doméstica. Após quatorze anos de serviço, ganha um grande prêmio de loteria francesa.

Autorizada a organizar jantar comemorativo, no aniversário do pai das irmãs, um pastor ascético e severo, consegue transformar o evento em festa de congraçamento entre vizinhos, parentes e amigos. Um dos discursos lembra a Providência Divina, que concederá em dobro "tudo aquilo retirado, perdido"... numa graça esplendorosa, a se realizar no tempo de Deus. O clima de amizade, transformando os ressentimentos no prazer de conviver, faz do jantar um sucesso.

"O artista só espera uma oportunidade para oferecer sua arte ao público."

O passado e o presente dos personagens são relatados de forma delicada, como um poema. Intérpretes principais: Stéphane Audran (elogiadíssima por sua interpretação da misteriosa Babette, eficiente e sensível); Brigitte Fedrespiel, Bodil Kjer, Videke Hastrup, Hanne Stensgaard, Bibi Andersson.

Destaques: roteiro criativo, inspirado em conto de Isak Dinessen; produção, direção, interpretação; fotografia; reconstituição de época; diálogos emocionantes; momentos de silêncio que dizem muito, com profundidade; o tema da Providência Divina.

Filme realmente inesquecível, inconfundível.

Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode ser encontrada em vídeo - Look Vídeo (ABN).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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Festa de família

Prêmio do Júri no Festival de Cannes 1998, e finalista em vários outros certames internacionais (César, na França; Oscar, nos EUA, entre outros), "Festa de Família" (Festen - Dinamarca, 1998 - 105'- de Thomas Vinterberg) é protagonizado por Ulrich Thomse e Henning Moritzen.

O patriarca dos Klingenfelt vai celebrar seus 60 anos, mas a comemoração revelará a todos um terrível segredo familiar.

Drama atual, realista, denuncia o trauma profundo experimentado pelas crianças que são vítimas de abuso sexual no seu lar e, sozinhas, têm que enfrentar, também, a omissão, a hipocrisia no seio da família.

Obra realizada dentro dos parâmetros do movimento Dogma 95, escola cinematográfica dinamarquesa "que tem agitado a cinematografia mundial. Os filmes ignoram os métodos hollywoodianos, valorizam argumentos e roteiros e não têm preocupação excessiva com a técnica" (Antena- Cad. 2 - Correio Braziliense - Terça-feira, 27/7/99).

O filme ainda mostra o preconceito racial, igualmente impune.

Assisti a " Festa de Família" no cinema. Encontrado em vídeo Cult Filmes.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em 16/08/03)

 

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A filha do general

Contando uma história verídica, atual, em linguagem de ação e suspense, "A Filha do General" (The General's Daughter - EUA, 1999 - de Simon West - 116 min.) tem como seus intérpretes principais: John Travolta, Madeleine Stowe, James Cromwell, James Woods e Timothy Hutton.

Com muita emoção, bastante suspense e ação, o filme desenvolve-se em ambientes militares. John Travolta e Madeleine Stowe são investigadores pressionados pelos oficiais a solucionarem um crime em 36 horas, para evitar que detetives civis assumam o caso, que passaria, então, à responsabilidade do FBI.

Destaque: o roteiro ( para adultos) aborda questões trágicas,enfatizando as conseqüências permanentes dos crimes sexuais.

Baseado em best-seller de Nelson De Mille, denuncia situações e preconceitos inaceitáveis.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo CIC.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em 25/07/02)

 

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Filhos do paraíso

Uma jóia de simplicidade, profundamente comovente e realista, "Filhos do Paraíso" (Children of Heaven- Irã, 1998 - 88'- de Majid Majidi, que também escreveu o roteiro) foi candidato ao Oscar 1999 de Melhor Filme Estrangeiro. Do primeiro ao último fotograma, sua forma e seu conteúdo compõem um poema sobre a família pobre, lutando diariamente para manter suas necessidades básicas atendidas. Nada é fácil, nem mesmo ir à escola, quando irmão e irmã contam apenas com um par de sapatos. Com Mohammad Amir Naji e Amir Farrokh Hashemian.

A história mostra um lar onde existem o amor e o apoio mútuos, amizade e respeito; muita honestidade, apesar das grandes dificuldades e carências; solidariedade entre vizinhos; a disciplina na escola; os costumes familiares, sociais e religiosos iranianos. Outro aspecto importante está nas cenas em que pai e filho vão à cidade e se deparam com uma realidade que chega a lhes assustar: edifícios enormes e residências modernas, luxuosas, ocidentalizadas, equipadas com os mais variados recursos, desde os imensos portões.

Destaques: direção, interpretação, roteiro, fotografia, trilha sonora, apresentação dos créditos iniciais e as cenas finais. Clima de suspense emocional; ação; momentos líricos.

Embora o diretor tenha concluído o script de Filhos do Paraíso (Bacheha-Ye Aseman) em cinco meses, o financiamento do filme foi difícil de ser conseguido, sobretudo porque retrata personagens vivendo na pobreza. Diversas agências governamentais rejeitaram o projeto cinematográfico. Aprovado e produzido pelo Institute for the Intellectual Development of Children and Young Adults (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos), teve sua filmagem concluída em 70 dias.

Durante o ano letivo, milhares de estudantes assistiram, nas escolas, gratuitamente, ao filme, que se tornou sucesso de público no Irã.

Como os protagonistas desta sua obra, o diretor cresceu vivendo com seus pais e quatro irmãos em um único quarto. Segundo ele explicou:

"Em toda sociedade, existe sempre o problema de 'ter' ou 'não ter', o que cria um monte de conflitos. No momento, esse é o problema mais significativo de nossa sociedade. Nós estamos oscilando entre problemas econômicos e falta de justiça social. É missão da arte continuar a atacar esses problemas, enquanto eles permanecerem."

Em "Filhos do Paraíso", adultos e crianças, ainda que pobres, não abdicam de sua dignidade.

Na opinião de Mohsen Makhmalbaf, os adultos são mais emotivos e mentalmente feridos. Sofrem com o passado e este pode criar um estado de desespero. Nas crianças, só se pode encontrar esperança e paixão pela vida.Elas são a visão de nossos sonhos. Acima de tudo, são a expressão da vida. Parte do motivo pelo sucesso dos filmes iranianos estarem brilhando é devido à presença de crianças neles."

Niki Karimi, outro cineasta do Irã, chama nossa atenção para o fato de que todos os bons filmes sobre personagens infantis realizados em seu país "têm algo mais importante acontecendo em segundo plano."

Para o New York Magazine, "Filhos do Paraíso" é uma obra "simplesmente arrebatadora". Andrew Curry, do Miami Herald, afirmou: "Filhos do Paraíso" ilustra os simples laços do amor".

A permanência dos valores familiares, em ambiente de tanta pobreza, revela a força dos vínculos afetivos, ainda que enfrentando circunstâncias em que a exclusão sócio-econômica parece capaz de destruir toda perspectiva de um futuro melhor.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo: Paris Vídeo.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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A Firma

De Sydney Pollack, " A Firma" (The Firm - EUA, 1993 -154min.) mantém a atenção do público do início ao fim, sendo uma adaptação do best-seller homônimo, de autoria de John Grisham. Drama contemporâneo, com suspense, ação, romance e violência, é um filme de interesse especial para os que atuam na área de Direito. Uma ótima aula sobre o papel do advogado na

sociedade. A história revela as conseqüências trágicas dos interesses excusos, sobretudo o "gosto" pela riqueza. Negócios com mafiosos e investigações do FBI contribuem para o clima de perigo constante. O mais importante, entretanto, está em conduzir a uma reflexão crítica sobre valores profissionais, sociais e familiares, revelando as frustrações profundas na vida daqueles que, ignorando seus sentimentos e valores pessoais, se deixaram controlar pela ambição financeira até um ponto que pareceria sem retorno.

Tom Cruise interpreta o protagonista. Acompanham-no, fazendo parte do elenco do filme: Gene Hackman, Jeanne Triplehorn, Ed Harris, Holly Hunter e David Strathairn, entre outros.

Destaque para a temática, o roteiro e a trilha sonora.

Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode ser encontrada em vídeo - CIC).

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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A fortuna de Cookie

Drama familiar, existencial, narrado com humor e suspense, "A Fortuna de Cookie" (Cookie's Fortune - EUA, 1999 - 118 min. - dirigido e co-produzido por Robert Altman) foi rodado em Holly Springs, Mississipi.

O roteiro de Anne Rapp encontrou elenco à altura: Patricia Neal, Glenn Close, Julianne Moore, Liv Tyler, Ned Beatty e Chris O'Donnell.

História para adultos, é bem produzida, dirigida e fotografada. A trilha sonora constitui outro destaque.

Temas abordados: o grande sofrimento das pessoas idosas, ao enfrentarem sua solidão diária e a lembrança e saudade de seus entes mais queridos; a rebeldia dos jovens; a amizade tranqüila, fundamentada em companheirismo cultivado em atividades partilhadas; a capacidade da verdade aparecer, mesmo quando foi escondida durante muito tempo, sob as mais diversas formas e desculpas, todas muito cruéis.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Top Tape.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

(Matéria editada em 31/07/02)

 

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A Fortuna de Ned

Com originalidade de temas e personagens, "A Fortuna de Ned" (Waking Ned Devine - Inglaterra, 1998 - 91'- de Kirk Jones) é uma comédia dramática sobre um vilarejo irlandês habitado por 52 pessoas e um grande prêmio de loteria.

História pragmática, mas também lírica; um hino à amizade. Ver uma vez só não basta. Vale a pena repetir!

Momentos especiais no filme: o primeiro diálogo; a oração do casal antes de dormir; as conversas do garoto Maurice com o jovem padre; o cortejo e a cerimônia fúnebre, o discurso de homenagem na capela; a cena final.

Em termos educacionais, há alguns pontos negativos, para serem motivo de conversa dos jovens com seus pais ou responsáveis: a questão da fraude; a ganância; a cena do garoto no bar, fumando e bebendo...e, nos instantes finais, de novo se oferece bebida ao menino.

Com Ian Bannen, David Kelly e Anne Bancroft, destaca-se pela produção, direção, interpretação, trilha sonora, roteiro e belíssima fotografia (inteiramente rodado na Isle of Man).

(...) "Faça meu coração cantar" diz ele, pedindo que a sua amada lhe recite os poemas que escreve.

Ela, relutante, lê versos que falam da dificuldade que temos de revelar as coisas que são mais importantes para nós.

(...) "- Você acha que meu filho precisa mais de um pai do que de seis milhões?

- Mais de um pai do que de cinqüenta milhões!(...)

- Eu posso viver sem milhões, mas não posso viver sem o homem que amo."

Quem assistir ao "A Fortuna de Ned" vai rir um bocado. E se emocionar bastante.

Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Abril Vídeo/Fox.

Theresa Catharina de Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora universitária

 

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