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De bem com a vida
Drama de situações familiares, sociais,
existencialistas, " De Bem com a vida" (Unhook the stars - EUA/França, 1996 -
90 min.- com direção e roteiro de Nick Cassavetes) é sentimental, mas inserido em
circunstâncias realistas. Os personagens estão em nosso cotidiano, em nossa vizinhança,
às vezes em nossa casa...
Uma viúva enfrenta a solidão, procurando tomar decisões para mudar a sua vida,
quando os filhos vão morar longe. A vizinha lhe pede ajuda, para cuidar de seu garoto de
seis anos, enquanto ela trabalha.
Destaque para: direção, interpretação (elenco de primeira qualidade- Gena Rowlands,
Marisa Tomei e Gérard Dépardieu) e temática.
A protagonista aprende (e nos ensina) que, para viver melhor,precisa compreender a si
mesma, antes de compreender os outros. E aceitar a vida, plena de surpresas, dolorosas e
alegres!
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Alpha Filmes).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
professora universitária

Destinos
cruzados
Drama romântico sobre casamento, fidelidade,
confiança e a perda de um ente querido, "Destinos cruzados" (Randon Hearts -
EUA, 1999 - Sydney Pollack-133 min.) tem como protagonistas Harrison Ford e Kristin Scott
Thomas. Ele é o sargento Dutch Van Den Broeck, da Corregedoria do Departamento de
Polícia de Washington, D.C.; ela, Kay Chandler, congressista de New Hampshire em campanha
de reeleição.
Suas vidas parecem organizadas, sem surpresas, longe de sustos ou desconfianças no
ambiente familiar. Quando um acidente aéreo revela que seus cônjuges eram infiéis e
viajavam lado a lado, tinham chaves idênticas e, na lista de passageiros, estavam sob o
nome de Sr. e Sra. Chandler, o policial e a deputada reagem bem diferente.
Essa trama, inspirada em fatos reais, demonstra como é difícil conhecermos em
profundidade até mesmo aqueles com quem convivemos na intimidade. (Saint-Exupéry
escreveu: "Na morte de um homem, um mundo desconhecido está morrendo.".)
Enfatiza a diversidade de sentimentos e reações, sobretudo o sofrimento causado pela
traição no contexto matrimonial.
O policial não aceita que tenha sido enganado, pois no seu trabalho, sua função é
investigar, desconfiar, interpretar. Ele amava a esposa e afirma, sem titubear: "Eu
era muito feliz". A parlamentar conclui sobre o seu relacionamento conjugal:
"Não éramos infelizes". Diante do desespero do viúvo, que passa a procurar
razões para a infidelidade da esposa, ela diz: "Não há uma razão". Sua
atitude, mesmo reconhecendo ter sido ludibriada como esposa e mulher, é de
sobrevivência: está determinada a esquecer, a não pensar mais no passado, explicando
que, se não fizerem isso, continuarão a ser quatro pessoas...
No elenco, também estão: Bonnie Hunt e Peter Coyote.
Destaques dessa versão cinematográfica de romance de Warren Adler : o enredo, a
interpretação dos atores principais; a fotografia; os personagens do policial e da
parlamentar; a questão da representação dos eleitores, da campanha eleitoral
(arrecadação de fundos, discursos e anúncios publicitários; a família, o trabalho, a
equipe de auxiliares e colaboradores); a imagem pessoal e o relacionamento com a imprensa.
Podemos dizer que o filme confirma:todo casamento deve envolver esforço diário para que
a convivência se mostre satisfatória para ambos os cônjuges, inclusive no decorrer dos
anos.Contudo, as pessoas são diferentes,sobretudo em suas percepções e aspirações...e
mudam, às vezes, com o passar do tempo. Palavras e atos nem sempre dizem a mesma coisa. E
a imagem social freqüentemente se dissocia da familiar.
Os créditos finais passam acompanhados das palavras significativas
(que se repetem) de uma canção:
"Os anjos estão correndo para juntar os pedaços dos corações que estão
partidos.".
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Columbia Tristar.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
professora universitária

Dez
"Se você
se ama, pode amar outra pessoa."
O drama das mulheres iranianas, com algumas
semelhanças universais, é apresentado em " Dez " ( Irã/França 2002
de Abbas Kiarostami - 94 min p/b 35mm), com a rotina da protagonista
que, sendo profissional e mãe de um filho, vive por amor um segundo casamento. Ela dirige
o próprio carro, organiza seus horários de trabalho, levando e trazendo o garoto
insolente, machista como o pai, que tem o privilégio de ser conduzido pela mãe mas, no
entanto, em nenhum momento lhe dá qualquer demonstração de carinho. Nem mesmo quando
ela lhe pede, carinhosamente, um beijo...
" Não me casei de novo só para te dar um bom
pai. Ele é um bom companheiro para mim. (...) Mas você nem olha para ele."
" Dez seqüências na vida emocional de 6
(seis) mulheres e os desafios com que elas se deparam num momento particular de suas
vidas."
Os principais intérpretes são: Mania Akbari e Amin
Maher, sob a direção do mesmo diretor de " Gosto de cereja ", " A vida
" e " A vida e nada mais ".
"Você fala demais. (...) Você nunca vai
aprender a conversar."
O menino se queixa, reclama, exige, como se fosse um
adulto e superior à
" motorista ". No tom de voz, nas
críticas que se sucedem e multiplicam, age como se aquela mulher lhe pertencesse, lhe
fosse subordinada. Trata a mãe como alguém destinado a lhe satisfazer. Não quer ficar
com ela. Prefere ir para a casa da avó.
E como critica a mãe! De forma irritante,
desrespeitosa. Reclama sobre o atraso dela, que estava trabalhando. Diz que ligou
"mil vezes" para casa e a empregada falou que a mãe não tinha chegado.
" Por que não abasteceu o veículo?"
O crítico Sérgio Rizzo, colaborador do jornal
Folha de S. Paulo, escreveu: " Dá vontade de bater no menino."
Tive reação idêntica! (Isso apesar da aparência
física da criança, que se parece bastante com o galã norte-americano George Clooney...)
O garoto se mostra abusado nas atitudes e palavras. Jamais diz " por favor ",
nem "obrigado"! E conta à mãe sobre os canais de sexo, aos quais seu pai
assiste sozinho à noite, bloqueando o acesso do filho a esses programas para adultos.
" As leis apodrecidas de nossa sociedade não
dão direitos às mulheres! (...) Para conseguir um divórcio, a mulher tem de falar que
apanha do marido ou que ele usa drogas! "
Quando uma das irmãs da motorista começa a chorar,
ela admoesta:
" Você é fraca, muito fraca! Por que ser
dependente de um homem? (...) Por que sua vida e sua ruína devem depender de uma pessoa
só? (...) Nós, mulheres, somos muito dependentes. Não nos amamos." (...)
"Querida, não se vive sem perder! Viemos ao
mundo para isso! Perder e ganhar! Ganhar e perder!
(...) Sei que é difícil perder. Muito
difícil."
A personagem principal vai a diversos lugares,
cumprindo obrigações regulares, familiares, dialogando com as personagens femininas que
entram em seu veículo. Enfim, realizando tarefas cotidianas, esforça-se por dialogar,
conhecer e compreender, se expressar e se manifestar.
" Hoje em dia, as crianças acusam os pais de
tudo."
O ex-marido mal se dirige a ela, nos momentos em que
se encontram quando a mãe vai apanhar o filho na residência do pai. Mal responde à
ex-esposa, quando esta procura saber qual deve ser o horário em que deve levar a criança
de volta. A mãe procura organizar, providenciar o roteiro do filho cheio de vontades e
caprichos, um garoto que não se envergonha de manifestar suas opiniões sobre os "
defeitos " da jovem "motorista" como dona de casa e mulher.
O garoto acha que sabe tudo, conhece tudo. Não tem
limites com as palavras usadas contra a mãe. Compreende-se que é um privilegiado: não
passa necessidades materiais, entretanto, demonstra claramente considerar monótona a sua
vida. Nada parece entusiasmá-lo. Uma companhia bem desagradável!
" Quantos menos laços você tiver, melhor
você vive."
Talvez por ser fotógrafa, a mãe observa melhor;
registra a realidade, enfoca as maiores dificuldades femininas, revela uma compreensão
maior da tragédia experimentada por mulheres que dependem material e sentimentalmente de
outra pessoa. Ela expõe o drama, conversando sobre essa profunda dependência emocional,
que cerceia uma possibilidade de crescimento, limita o potencial, impede o amadurecimento
individual. Oferece carona a uma velhinha. Depois, a uma prostituta, que não se acanha de
falar sobre sexo.
Escuta o que têm a dizer. Fala o que pensa.
" Acha que seu marido é fiel e só ama você?
(...) Você se prende demais a seu marido."
Se o roteiro pode ser acusado de repetitivo, também
é verdade que essa repetição denuncia uma realidade que não deveria ser ignorada por
mais tempo.
" Quando crianças, somos dependentes da mamãe
e do papai. Depois, do nosso marido e de nosso filho."
Apesar de proclamar a independência feminina, a
mãe fica pedindo um beijo ao filho, no carro...
Uma jovem mulher, que foi orar num templo, também
aceita a carona da fotógrafa .
" Eu não acreditava. De qualquer forma, quando
venho rezar, eu me acalmo."
Ela ainda não se tranqüilizou de todo porque não
conseguiu realizar seu "pequeno desejo": casar-se.
Segundo confidencia, seu amor " está cheio de
contradições". Ele gosta de outra pessoa. Pensa em outra mulher.
A motorista também lhe confessa: " Agora tudo
que faço é rezar."
A moça solteira complementa: "Antes, eu achava
rezar uma atitude ridícula."
Os dez episódios que compõem o roteiro do filme
são melancolicamente realistas e atuais. Os destaques: a direção, interpretação e
montagem; os diálogos, temas e personagens; o roteiro; a trilha sonora; a solidariedade
feminina.
A mãe diz ao filho:
" Não grite! "
E ele responde imediatamente: "Gosto de
gritar!"
Quando a mãe vai apanhar o menino na casa do
ex-marido, logo que entra no automóvel o garoto exige, iniciando o último "diálogo
" do roteiro, que encerra o filme:
" - Quero ir para a casa da vovó . " (Uma
das irmãs da "motorista " já se queixara do sobrinho ter tratado mal a avó,
durante as férias...)
- Está bem." (responde a mãe
"moderna", que se considera independente, emancipada)
Será um círculo vicioso? Um túnel sem saída?
Claro que não! Precisamos aprender com a vida a nossa e a do próximo. E todo
aprendizado conduz a uma transformação íntima que vai se manifestar externamente.
" Dez " é uma lição, ministrada pelo
cineasta e acessível a todos nós.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
professora universitária (Matéria editada
em 01/09/03)

Dirigindo no escuro
Dirigindo no Escuro
A comédia dramática urbana, contemporânea, ambientada no meio artístico, " Dirigindo no Escuro" ( Hollywood Ending -EUA , 2002 - COR, 35 MM. , DOLBY, 112MIN. ), Seleção Oficial Cannes 2002, é dirigida, escrita e protagonizada por Woody Allen.
"Ele tem Nova York nas veias."
(...) "O cinema é uma amante ciumenta."
Embora tenha personagens caricaturais, o roteiro apresenta situações realistas e atuais, no contexto urbano e cinematográfico de países ricos, expondo ao ridículo a indústria de Hollywood ( produtores, diretores, agentes, técnicos e artistas).
"Ele é o pior inimigo de si mesmo."
(...) "É um caso tipicamente psicológico."
(...) "Você tem fama de louco. Desta vez, veio a calhar."
(...) "Não é fácil encarar três horas de adulação."
O público vê-se na posição privilegiada de participar , assistindo ao filme, da rotina de filmagem. Acompanhamos até algumas atrizes que buscam a fama rápida, as oportunidades sonhadas, se oferecendo sexualmente ao diretor.
E comprovamos que, de fato, todos nós, dentro ou fora dos estúdios, nos comportamos como seres humanos: frágeis, vulneráveis, egoístas e com um certo grau de cegueira... Uma cegueira psicológica, afetiva, existencialista.
"O amadurecimento genuíno é lento."
(...) "Não estou nervoso. Estou tenso!"
(...) "Sou um narcisista artístico."
(...) "- Acordei sem enxergar nada! Estou cego!
- Ninguém sabe! (...) Vai dirigir este filme e fazer dele um sucesso comercial."
Os problemas do diretor não são apenas no estúdio e com os executivos. Nem com a sua cegueira súbita, desconhecida por quase todos. Ele não fala com o filho adulto há anos. Quando tentam conversar, visando reatar o relacionamento familiar, o jovem diz que aprendeu a se drogar com o pai, que recorria o tempo todo a remédios, estimulantes e pílulas as mais variadas. O diretor de cinema quer uma vida tradicional para seu filho rebelde:
"Ele teria uma família e eu faria parte dela."
Hipocondríaco, com tendência à depressão, o diretor que precisa reerguer a sua carreira não esconde a mágoa porque a esposa o trocou por outro homem. Volta e meia, reclama, grita a sua decepção. Confessa não entender as razões da separação.
"Três é uma multidão."
(...) "Aonde vão os casamentos?"
(...) "Fazíamos sexo. E sexo é melhor que papo! O papo é para chegar ao sexo!"
(...) "O coração é imprevisível. Não é como o banco nem o fígado..."
Téa Leoni, George Hamilton, Treat Williams, Mark Rydell e Barney Cheng integram o elenco de " Dirigindo no Escuro", produzido pela DreamWorks (estúdio de Steven Spielberg).
(...) "Agora eu sei por que os canadenses não cometem crimes..." (Para entender essa referência, ver " Tiros em Columbine".)
Destaques: direção, interpretação, roteiro; a questão do profissionalismo versus os interesses financeiros, abordada com humor inteligente; a trilha sonora, cenografia e montagem.
"- Estou enxergando! Você está linda! - exclama, entusiasmado, o diretor Val ( Woody Allen), elogiando a ex-esposa (Téa Leoni).
- É assim que a pessoa vê, depois que ficou cega por um período!"
(...) "Você está tão linda! Todo marido devia ficar cego durante uns tempos..."
A impertinência da jornalista que vai cobrir as filmagens provoca desconfiança.
"Cuidado com ela. Andréa é mortal."
As questões afetivas também refletem atitudes freqüentes na sociedade atual. Os diálogos levam ao riso, fazem pensar, divertem.
"- Voltou a se apaixonar por seu ex-marido?
- Acho que nunca deixei de amá-lo."
Eis aí um tema recorrente nos filmes de Woody Allen - os casamentos que foram desfeitos quando estavam em crise. Depois, a atração que levou os casais a se unirem volta a se manifestar. Não teria sido melhor, ao invés de recorrerem à separação, solucionarem os problemas juntos, encarando as dificuldades comuns com paciência e amor?
No clima de humor do roteiro de "Dirigindo no Escuro", os traumas do próximo - por mais trágicos que sejam -como na vida real, nem sempre são levados a sério.
"Não se preocupe. Vou melhorar meu papo furado."
O tema do diretor "difícil" no relacionamento com os atores e a equipe técnica revela, igualmente, o contexto de interesses que provoca discussões porque os objetivos se chocam. Os produtores, os agentes pensam exclusivamente nos lucros possíveis, daí o conflito com aqueles que visam à realização artística.
"Nada faz sentido!"
(...) "Incoerência? Ótimo! Era isso que eu queria..."
(...) "Não podemos julgar um filme pelos copiões. As cenas não estão montadas!"
Ainda que os críticos e o público, na história abordada, tenham falado horrores, nem tudo está perdido, ou melhor, outras opiniões salvarão o diretor estressado.
"- Os franceses adoraram o seu filme. Dizem que você é um gênio, não um idiota, um gênio!
-Graças a Deus os franceses existem."
"Dirigindo no escuro" : nas dificuldades das relações humanas, mas também, confiando nas suas possibilidades, a interação profissional consegue produzir uma obra criativa, capaz de vencer , na sua realização e no seu diálogo com o público, os momentos de cegueira de nossa vida.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
professora universitária (Matéria editada em
01/09/03)

Dois Córregos - Verdades
Submersas no Tempo
Esbanjando uma belíssima fotografia e muita sensibilidade, "Dois Córregos"
(Brasil, 1999 - 112 min.) é o décimo longa-metragem de Carlos Reichenbach.
Inspirado no drama pessoal do padrinho do diretor, militante político refugiado (1969) em
uma casa de fazenda, às margens da represa Billings, em São Paulo, o filme é narrado em
flashback pela sobrinha do protagonista, Ana Paula (Beth Goulart), décadas mais tarde.
"Já adulta, relembra o episódio e o fascínio que o tio exercia sobre ela."
São reminiscências dos dias que ali passou, com sua irmã de criação - interpretada
por Ingra Liberato -, a sobrinha adolescente e uma amiga pianista (Luciana Braga), filha
de general; e a caseira, envolvida com um Capitão do Exército.
Os temas abordados: a repressão política do regime militar a partir de 1964; o
sofrimento do protagonista (Carlos Alberto Riccelli), com a separação dos filhos
pequenos que sonha reencontrar; os processos de alienação e conscientização; o
despertar do desejo; os conflitos familiares.
Intimista, elaborado e profundo, na forma e no conteúdo, "Dois Córregos" tem
trilha sonora original de Ivan Lins, além de obras de Schubert e César Frank.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo - Versátil.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
professora universitária

Don
Juan DeMarco
Sobre "Don Juan de Marco" (Don Juan DeMarco - EUA,1995 - 95 min), drama
existencial dirigido por Jeremy Leven, enfatizo que se trata de um filme comercial para
jovens e adultos que se interessam por assuntos psicológicos, românticos e sensuais num
formato acessível.
Tem mensagem direta, explícita, sobre a importância predominante do amor, que pode dar
sentido a toda uma vida, desde que as pessoas envolvidas compreendam o significado para a
sua existência e se decidam por realizar os seus sonhos, mostrando-se capazes de serem
fiéis a seus sentimentos.
O coração, a imaginação, a fantasia são instrumentos eróticos,
afetivos,existenciais.
Outros destaques: a produção, o elenco (Marlon Brando, Johnny Depp, Faye Dunaway, Rachel
Ticotin e Talisa Soto), a fotografia e a trilha sonora.
Em Los Angeles, rapaz (Johnny Depp) que usa máscara negra, dizendo ser o lendário Don
Juan ("o maior amante do mundo"), ameaça pular de edifício. O motivo: não
poder suportar o sofrimento, a rejeição como efeitos de uma desilusão amorosa. O
psicanalista Jack Mickler, interpretado por Marlon Brando, é solicitado para tratar o
jovem perturbado por sua imaginação romântica.
No decorrer das sessões de tratamento, paciente e médico interagem psicologicamente, de
tal modo, que os relatos de conquistas do "Don Juan" levam o profissional a
refletir criticamente sobre a sua vida, o relacionamento com a esposa, as emoções
perdidas.
Diante das atitudes determinadas do jovem, o psicanalista reavalia suas próprias
atitudes. O redescobrimento da paixão, como a arte de amar a vida e o amor que lhe dá
alento e razão, significam a possibilidade de se recuperar o que parecia perdido para
sempre.
Assisti ao filme no cinema, mas também pode ser encontrado em vídeo - Paris Vídeo
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
professora universitária

Dr. Dolittle 2
BRASÍLIA (ABN) - Comédia familiar, contemporânea, filmada com lente anamórfica
(35mm=70mm), e apresentando bonita fotografia em cenas externas,"Dr.Dolittle 2
"(idem, EUA, 2001 - 88 min.Steve Carr) é protagonizada por Eddie Murphy com
eficiência e naturalidade no personagem do médico que conversa com animais de todos os
tamanhos.Ele vive em San Francisco, com a esposa advogada e duas filhas - uma família que
reclama do pouco tempo que o médico dedica ao lar, por viver tão ocupado com seus
pacientes, humanos e outros seres do reino animal.
A filha mais velha, com 16 anos de idade,já se mostra difícil no dia-a-dia, o que requer
mais atenção dos pais. Para surpresa (!) de Dr.Dolittle, ela já tem namorado e quer uma
vida própria,independente, longe dos parentes mais próximos, sonhando com a
universidade.
No elenco, acompanham Eddie Murphy os atores:Jeffrey Jones, Kristen Wilson e Kevin Pollak.
Desde os créditos iniciais, começamos a rir, ao vermos Dr. Dolittle reunido com animais
deprimidos por não terem uma família. O médico os incentiva: "- Vamos repetir:
quero ser amigo de alguém."
Os dramas ecológicos do roteiro (inspirado nas histórias de Dr. Dolittle, de Hugh
Lofting), tratados com muito humor, fazendo jovens e adultos rirem, incluem salvar uma
floresta, seus animais e até uma espécie de urso em extinção. Entre os temas
abordados, a denúncia sempre atual da exploração e comercialização dos animais de
circos e zoológicos.
Destaques: produção, fotografia, temas e personagens, trilha sonora; o trabalho dos
treinadores de animais e dos dublês; os efeitos especiais; a presença em cena de 70
(setenta) espécies diferentes da vida animal.
"Lobos, girafas, gambás, guaxinins, cães e corujas, todos apinhados nos estúdios
da Twentieth Century Fox, aguardando pacientemente por seus close-ups e pela direção de
Steve Carr (ou de seus respectivos treinadores.Um animal que faz sua estréia no cinema
com Dr. Dolittle 2, porém, destacou-se: Tank, um urso de 2,10 metros de altura e 360
quilos que foi o escolhido entre 50 competidores para o cobiçado papel de Archie, o
possível salvador de uma floresta ameaçada. (...)Tank é realmente especial. Às
vezes,era difícil perceber que ele era um urso, e não, um ser humano."
(Recomendo ver Dr. Dolittle 1, de 1998, que rendeu mais de US$290 milhões e foi também
protagonizado por Eddie Murphy.)
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
professora universitária

Duas Vidas
Filme indicado para todas as
faixas etárias, "Duas Vidas" (The Kid - EUA, 2000 - 104 min.), dirigido por
Turteltaub, é uma fábula contemporânea, urbana, sobre a reflexão crítica de um homem
bem-sucedido no ponto de vista profissional, embora angustiado intimamente e na área
afetiva.
Destaques: temas e personagens;aspectos dramáticos numa perspectiva de humor que
desenvolve o roteiro de forma leve, divertida.
Protagonizado por Bruce Willis e Lily Tomlin, usa a técnica de narrativa que une passado
e presente, ao colocar o empresário,insatisfeito com a monotonia de sua existência, face
a face com um visitante inesperado.
Ele se vê diante do menino sonhador que foi aos 8 anos, passando a revisar a sua maneira
de pensar e ser, ao recordar os tempos felizes de sua infância, quando se mostrava
alegre, espontâneo,entusiasmado com os desafios de seu dia-a-dia.
O garoto se declara insatisfeito com o indivíduo sem emoções no qual ele se tornou, na
idade adulta.E não desiste, em sua insistência para que promova as mudanças
necessárias em sua vida. O menino se mostra determinado a transformar o homem, fazendo
com que acredite na importância de imprimir significado à sua existência, realizando o
seu potencial como ser humano.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Buena Vista/Walt Disney.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN é articulista, escritora e
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