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Afinado no Amor
Comédia romântica sobre as dificuldades em se
encontrar a pessoa certa para casar e "envelhecer juntos", "Afinado no
Amor" (The Wedding Singer, EUA - 1998- 97 min.) tem direção de Frank Coraci.
Lideram o elenco: Adam Sandler e Drew Barrymore (de "Para sempre Cinderela" e
"Nunca fui beijada"). São coadjuvantes: Steve Buscemi e Jon Lovitz.
A história se passa em 1985, apresentando alguns momentos dramáticos por conta de
relacionamento amoroso desfeito e outras situações nas quais os sentimentos são
dissimulados, impedindo uma tomada de decisão.Os dois protagonistas são pessoas
trabalhadoras, sinceras, amigas e sensíveis, além de cultivarem sonhos profissionais e
afetivos.
Destaques: temas e trilha sonora.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Warner.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária.

Além da
linha vermelha
Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 1999,
"Além da linha vermelha" (The thin red line - EUA, 1998 - 170' - de Terrence
Malick) é um excelente drama de ação e reflexão sobre a loucura, a insensatez da
guerra.
"Não enobrece o homem...transforma-o em animal feroz...envenena a sua alma".
Recebeu também sete indicações ao Oscar: melhor filme, diretor, roteiro adaptado (do
livro de James Jones), fotografia, montagem, trilha sonora e som.
No elenco estão: Jim Caviezel, Sean Penn, Nick Nolte, John Cusack, John Travolta,
Woody Harrelson e George Clooney.
Comovente, profundo, abrangente, realista na crueza de suas cenas reproduzindo
episódios da Segunda Guerra Mundial; perturbador em suas muitas - e necessárias -
perguntas.
Filmado em grande parte nos locais onde aconteceu a primeira ofensiva dos EUA para
desalojar os japoneses de suas conquistas (Ilha de Guadalcanal, Pacífico Sul - no
período de agosto de 1942 a fevereiro de 1943), tem travellings emocionantes. A campanha
militar começou com um desembarque dos fuzileiros navais. Morreram mil e seiscentos
(1.600) americanos e vinte e cinco mil (25.000) japoneses.
"Além da linha vermelha" mostra a ação do Exército dos EUA, que iniciou
seus combates em dezembro de 1942, lutando para conquistar as colinas na região do monte
Austen, e em torno do rio Matanikau. Ao contrário do que acontecia na Europa, japoneses e
americanos raramente faziam prisioneiros.
O filme é baseado no romance homônimo (1962) do escritor James Jones (1921-1977),
ferido e condecorado na campanha militar retratada. O título traduz-se literalmente como
"a tênue linha vermelha", expressão usada pelo general inglês Duque de
Wellington, que derrotou Napoleão. Ele se referia à fraqueza de suas tropas, que usavam
um uniforme vermelho. Metáfora para luta difícil, e para a resistência e a união dos
soldados em circunstâncias as mais adversas.
Jones já escrevera uma outra obra naturalista sobre a guerra, muito mais célebre:
"From here to eternity" ("A um passo da eternidade") (1951), logo
transformada em filme de sucesso, premiado com Oscar.
"Além da linha vermelha" faz o público viver, durante quase três horas, o
horror da Segunda Guerra, alternando momentos de ação e conflitos com diversos
questionamentos existencialistas (em off ) sobre a vida, o amor, a natureza, o bem e o
mal. Com tais perguntas, acrescenta um toque lírico, poético, à narrativa de tantos
sofrimentos.
Comparar com: " A um passo da eternidade", de Fred Zinnemann; "O resgate
do soldado Ryan", de Steven Spielberg; "Nascido para matar",de Stanley
Kubrick; "Platoon", de Oliver Stone; e "Pearl Harbor", de Michael
Bay.)
Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode ser encontrada em vídeo - Abril
Vídeo/Fox.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária.

Alta
Freqüencia
BRASÍLIA (ABN) - Drama
familiar romântico, psicológico e policial, com ação, violência, suspense e ficção
científica sobre a possibilidade do retorno ao passado, por meio da freqüência de um
rádio, " Alta Freqüência " (Frequency - EUA, 2000 - de Gregory Hoblit -118
min.) tem linguagem comercial mas propõe, também, uma discussão sobre as dimensões do
tempo, inclusive com a perspectiva de se poder modificar o futuro.
Com elenco liderado por Dennis Quaid e Shawn Doyle, enfatiza a importância do amor e
da amizade, num ambiente familiar onde as pessoas encontram atenção e carinho,
demonstram afeto no dia-a-dia, e se dedicam não apenas a seus parentes, como aos amigos e
companheiros. As dificuldades rotineiras do trabalho constituem desafios enfrentados com
determinação.
Aborda, ainda, o relacionamento pai e filho no contexto do aprendizado para a vida. E a
tristeza traumática provocada pela ausência de entes queridos. Não é um filme fácil
de ser visto ou apreciado. Pode parecer repetitivo, ingênuo e até confuso. Entretanto,
vale a pena tentar compreender a sua mensagem sobre as várias possibilidades das ações
humanas ... e suas conseqüências. As escolhas que influenciam o destino das pessoas. As
muitas dimensões do tempo.
Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode ser
encontrada em vídeo - PlayArte.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária.

O americano
tranqüilo
Drama de amor, jornalismo e política, inspirado no romance
homônimo do renomado escritor britânico Graham Greene, ambientado em Saigon, no outono
de 1952, " O americano tranqüilo" ( The quiet American EUA/Alemanha,
2002 de Phillip Noyce - cor 118 min. scope- dolby), com Michael Caine
(indicado ao Oscar 2003 de Melhor Ator), Brendan Fraser e a bela atriz Do Thi Hai Yen,
registra os fatos que precederam a Guerra do Vietnã. Os franceses estão perdendo o
conflito, vencidos pelas ações comunistas.
" Na guerra, a arma de maior poder é a sedução."
Destaques: apresentação dos créditos iniciais; produção,
direção, interpretação, fotografia; figurinos, maquiagem, penteados e adereços de
Phuong; trilha sonora original - composta, com arranjos e orquestração de Craig
Armstrong e a trilha sonora complementar (especialmente nos créditos finais
canção linda e triste!); o roteiro; as imagens finais, de reportagens sobre os conflitos
no Vietnã; as informações rápidas sobre os principais acontecimentos posteriores,
descrevendo o cenário internacional. E os temas que despertam reflexão, como os
princípios éticos do jornalismo; a atuação da CIA; os viciados em ópio, a
prostituição agressiva, a corrupção; e a falsidade nos relacionamentos sociais e
afetivos.
" Até a opinião é uma forma de ação."
Durante as lutas pela libertação de Saigon do domínio francês,
na década de 50, um jornalista inglês veterano ( Caine) e um americano que se apresenta
como diplomata e médico idealista disputam o amor de uma jovem vietnamita, Phuong (nome
que significa fênix). Funcionário de missão americana econômica e humanitária,
recém-chegado à área em conflito, Alden Pyle (Fraser) testemunha o auge da guerra
francesa na Indochina, logo se tornando amigo do correspondente do The London Times. Ele
se apaixona pela amante, há dois anos, do veterano jornalista britânico, Thomas Fowler.
Este, vai enfrentar os seus limites, como ser humano e profissional de imprensa.
Pyle trabalha no Departamento de Assistência Médica. Seu objetivo
é tratar os quem sofrem de tracoma. Seria, também, investigar o correspondente?
" Podemos discordar e continuar a ser amigos, não
podemos, Thomas? "
Os dois homens enfrentam muitos perigos juntos, trocando
confidências sobre seus sentimentos em relação a Phuong, que ambos desejam. Por que um
deles foi salvo pelo outro? ( " Se eu morresse, você poderia ficar com
Phuong.")
O jornalista chega a aconselhar Pyle, num determinado momento, a
deixar o Vietnã, levando Phuong, o mais rápido possível. Pyle fala sem rodeios:
solteiro, ele pode se casar com a jovem vietnamita. E, assim, protegê-la. O americano
compara a situação de Phuong com a do Vietnã. Daí ele querer salvá-la. De acordo com
o que combinou com Fowler, o americano declara seu amor a Phuong, na frente do
correspondente. Dizer ao jornalista que se apaixonou à primeira vista pela amante
dele...foi sinceridade, lealdade, um jogo aberto que indicaria nobreza de coração, ou
ele pretenderia desencadear uma situação de angústia e desespero...que poderia até
levar a um ato extremo?
Marcos Rossi, do Correio Braziliense, escreveu:
" A combinação entre o diretor australiano Phillip Noyce e um
roteiro adaptado de livro com trama envolvendo a CIA (serviço secreto norte-americano) e
atentados terroristas já rendeu dois filmes de ação que faturaram alto nas bilheterias,
" Jogos Patrióticos " e " Perigo Real e Imediato " baseados em
best-sellers de Tom Clancy e protagonizados por Harrison Ford, no papel do herói Jack
Ryan, um agente do governo dos Estados Unidos.
Os mesmos elementos agora resultam em uma obra completamente
diferente e de qualidade muito superior, como " O Americano Tranqüilo" (...)
Brilhante também é a atuação de Michael Caine como o repórter Thomas Fowler, que tem
em Saigon um refúgio, escapando de um casamento infeliz e encontrando conforto nos
braços da bela e delicada Phuong ( a vietnamita Do Thi Hai Yen). Esporadicamente
escrevendo para o jornal "The London Times" e trabalhando burocraticamente em
seu escritório, à margem do sangrento conflito entre vietnamitas e franceses, ele vê
sua rotina transformar-se completamente quando é chamado de volta a Londres e tenta
mostrar serviço para justificar sua permanência, ao mesmo tempo em que outra ameaça à
sua felicidade surge na figura do americano Alden Pyle ( Brendan Fraser), que se apaixona
por Phuong e oferece a ela uma estabilidade que Fowler não tem como proporcionar.
A partir daí, Fowler inadvertidamente começa a desvendar a ação
orquestrada pela CIA para derrubar os comunistas e preparar terreno para os Estados Unidos
atacarem o Vietnã. No processo, ele conhece os horrores da guerra e presencia a gradativa
transformação de Saigon em um inferno onde carros-bombas explodem nas ruas sem
distinguir homens, mulheres e crianças. (...)
O crescente desespero de Fowler, para quem perder a amada representa
a morte em vida, dá a Caine a possibilidade de ser ora contido e introspectivo, ora
colérico e angustiado, num exuberante desempenho (...).
Uma das grandes qualidades do filme " O Americano
Tranqüilo" está em suas perguntas explícitas e às vezes sem respostas, nas
circunstâncias que propiciam dupla interpretação, nos questionamentos silenciosos, nos
enigmas aparentemente (ou verdadeiramente ) sem solução. As armadilhas das palavras. Os
riscos da amizade. Os perigos da lealdade.
Não saber até que ponto o outro poderá ir... Quais são os
limites nossos e dos outros?
" Os três formam um tempestuoso triângulo amoroso, que traz
como conseqüência uma série de revelações assustadoras. Esta adaptação do livro de
Graham Greene profetiza o catastrófico envolvimento americano na guerra do sudeste
asiático."
O repórter é casado e, bastante preocupado, revela à amante que
foi chamado a retornar a trabalhar em Londres, onde vive a sua esposa católica,
determinada a não lhe conceder o divórcio:
" Se eu pudesse, casaria com você."
(...) " O medo de perder Phuong era maior do que o medo de um
tiro." (reconhece Fowler)
(...) " Os mortos não estão envolvidos. Os mortos não têm
paixão." (idem)
Respondendo a uma pergunta direta de seu rival, sobre se ele teria
tido muitas mulheres em sua vida, o jornalista confessa:
" Você começa sendo promíscuo. Depois, termina como
seu avô, fiel a uma única mulher. Sei que eu não sou essencial a Phuong. Mas, se eu
perdesse Phuong, seria o início de minha morte."
Ação, violência, suspense do início ao fim. Inclusive, suspense
emocional. Os ataques terroristas, as mortes brutais de civis, em pleno centro da cidade.
O desespero dos inocentes: homens, mulheres e crianças assassinados sem chance de defesa.
As terríveis mutilações.As tragédias irreparáveis, causadas por esses atos de
agressão.
" Brilhante interpretação de Michael Caine em ótima
história sobre os antecedentes da Guerra do Vietnã." (Marcos Rossi Correio
Braziliense)
Phuong não esquece a amiga a quem o namorado prometera levá-la
para a França. Ela chegou a ir ao aeroporto, mas ele desapareceu, deixando a moça
sozinha, marcada pelos preconceitos da sociedade local e, por isso, sem poder aspirar a
casamento com um homem vietnamita.
(Pyle) " As pessoas mudam, Fowler.
- Ou as pessoas nunca são o que nós pensávamos que fossem.
(retruca o veterano jornalista)
- E quem é, Thomas, quem é? "
Lúcia Nagib, articulista da Folha de S.Paulo, gostou de " O
Americano Tranqüilo ", afirmando que se trata de "fina percepção da
arrogância americana ". A cineasta Suzana Amaral também apreciou o filme,
destacando que é "politicamente atual".
" Pyle falava vietnamita como se fosse a sua língua
nativa." (...)
Eu gostava dele. Era um amigo.Um americano tranqüilo."
Tantas afirmações... Verdadeiras? Ou falsas?
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Amistad
Dirigido e produzido por Steven Spielberg, inspirado em fatos reais,
"Amistad" (Amistad- EUA, 1997-154 min.) inicia-se em 1839, com uma violenta
rebelião de escravos, apresentada com cenas bem chocantes(cruas, naturalistas).
Intérpretes principais: Morgan Freeman, Nigel Hawthorne, Anthony Hopkins, David
Paymer, Matthew McConaughey, Anna Paquin, Stellan Skarsgard, Jeremy Northam.
Uma aula de História, na linguagem vívida do cinema; com personagens marcantes
lutando por justiça, liberdade e poder...antes da Guerra Civil americana.
A bela trilha sonora de John Williams reforça nossas emoções, ao acompanharmos os
acontecimentos ( de interesse, também, para a política/sociedade dos Estados Unidos, da
Grã-Bretanha e da Espanha ).
Destaque para os diálogos, a direção, interpretação, o roteiro e a
reconstituição de época.
Na Corte americana, o caso foi tratado como uma questão de propriedade, e não, de
direitos humanos.
Um filme, na verdade, muito comovente.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo CIC.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Amor ou
Amizade
História romântica,
com humor e drama, sobre as dificuldades dos relacionamentos afetivos, "Amor ou
Amizade" (Boys and Girls - EUA, 2000 - de Robert Iscove) é protagonizado por Freddie
Prinze Jr. (que também estrelou, do mesmo diretor, a comédia "Ela é demais"
).
No elenco, estão ainda: Claire Forlani, Jason Biggs e Amanda Detmer.
Rodado em San Francisco, o roteiro tem uma trama bem contemporânea, direcionada aos
jovens universitários. Estudam (alguns...), buscam o reconhecimento dos colegas, como
também se esforçam para afirmar-se como pessoas, amigos e parceiros.
A mensagem é clara: assim como se planeja a estrutura de uma ponte, deve-se procurar,
cautelosamente, a quem amar. Relação sexual não pode ser considerada como impulso
fútil, nem um momento sem importância. Seriedade, responsabilidade demonstram amor.
Destaques: temas e diálogos.
Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode ser
encontrada em vídeo - Paris Vídeo (ABN).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Amor além da
vida
Drama romântico sob a perspectiva religiosa do
espiritismo e seus ensinamentos sobre a reencarnação, "Amor além da vida"
(What dreams may come - EUA, 1998 - 114 min.de Vincent Ward) fala poeticamente, com um
lirismo profundo, da vida e do amor, da morte e da imensa dor que experimentamos com a
perda daqueles que mais amamos.
Robin Williams e Annabella Sciorra são os intérpretes principais dessa história em
que a eternidade quase se transforma em personagem. Cuba Gooding Jr. é um guia no
paraíso, assim como o ator sueco Max von Sidow.
A questão do suicídio enfatiza, de forma didática, os aspectos do desespero que se
opõe à aceitação do sofrimento. Na força da espiritualidade bem vivenciada, e no
perdão que tudo pode reiniciar, estão os elementos fundamentais do aperfeiçoamento
humano.
Destaque para: os efeitos especiais; as cenas inspiradas nos quadros de Monet, Van Gogh
e nos pintores românticos alemães do século passado, como Caspar David Friedrich (obras
selecionadas de museus europeus e norte-americanos).
Vencedor do OSCAR de efeitos especiais (1999).
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Warner.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Amores divididos
Produzido por Samuel Jackson, que também protagoniza o filme, ao lado de Lynn
Whitfield e Debbi Morgan, "Amores Divididos" (Eves´ Bayou - EUA, 1997- de Kasi
Lemmons- 109 min.) é um drama familiar contado em linguagem poética, num clima de
superstições e magia negra.
Destaque para a produção e direção; a fotografia de Amy Vincent,envolvente
desde a apresentação dos créditos iniciais; o roteiro; e a trilha sonora de Terence
Blanchard.
"A memória é uma seleção de imagens. Algumas fugidias, outras impressas
indelevelmente no cérebro".
A história se passa em Louisiana, na década de 50, e todos os personagens são
negros, num contexto de cultura crioula, afro-americana.
O pai, médico endinheirado e mulherengo, regularmente infiel, reconhece ter
"a esposa mais linda e perfeita - uma dama". Os três filhos - duas meninas e um
garoto - convivem sob a disciplina carinhosa da mãe, entretanto, se ressentem da
ausência freqüente (até aos domingos) do chefe da família.
Os acontecimentos são narrados por Eve, menina de dez anos, já consciente,
embora amedrontada com isso, da existência de uma realidade espiritual atuando no mundo
visível, material. A visão feminina domina o roteiro com originalidade. Há beleza,
profundidade, emoções dinâmicas, num constante turbilhão de complexidade.
Os questionamentos "contam" a história, com elementos da cultura
regional. A tia Mozelle, que faz "leituras psíquicas", tenta amenizar as
mágoas/dores do clima familiar, assegurando à cunhada que, num dia futuro, seu irmão
deixará de procurar o que ele já tem a seu lado, sem ver...
As duas mulheres consultam uma "sacerdotisa de vudu", assustando-se
com algumas das previsões.
A menina Eve presenciou cenas impróprias do pai com a Sra. Moreau, casada com
um amigo dele. A irmã adolescente está passando por uma fase difícil nos
relacionamentos familiares.
Amor, ciúme,solidariedade, raiva, sexualidade adolescente/adulta...
sentimentos/realidades presentes no roteiro; às vezes, são circunstâncias confusas,
emoções tão misteriosas em suas manifestações como a paisagem enigmática
clara-escura, árvores-lama dos pântanos locais. Para decifrar as dúvidas, alcançando a
verdade, será preciso buscar uma luz especial: a do coração inquieto, dolorosamente
vivo.
A diretora declarou sua intenção de registrar "esse drama muito íntimo e
humano, e colocá-lo tendo, como pano de fundo, o universo fantástico da imaginação de
uma garota e o folclore mágico de Louisiana".
O público se mantém com dúvidas sobre os personagens, suas ações e os
acontecimentos, do início ao fim do filme, compactuando com o suspense emocional da
trama.
A cena final é bela na estética e no conteúdo afetivo.
Nos EUA, "Amores Divididos" foi considerado "o melhor filme
independente de 1997".
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (PlayArte).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Anastásia
O sucesso de bilheteria " Anastásia"
(Anastasia - EUA, 1997, de Don Bluth e Gary Oldman- 94 min.), na versão original, tem as
vozes de Meg Ryan e John Cusack conduzindo o conto de fadas sobre a princesa russa,
sobrevivente da família Romanov, assassinada durante a Revolução Comunista de 1917.
A tragédia pessoal da garota, criada num orfanato após conhecer as alegrias da vida
em família e o luxo da corte, é narrada com fantasia, ação e suspense, humor e
romance.
Destaques: a reconstituição de época, as danças e a trilha sonora.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo (Abril Vídeo/Fox).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Antes da
revolução
Romântico e realista, este filme (Prima della
Rivoluzione - Itália, 1964 - 115'), de Bernardo Bertolucci, oferece temas e personagens
muito bons para debate. Com Francesco Barilli e Adriana Asti.
Religião e ideologia são apresentadas como causadoras de uma vida angustiada, longe
do que seria o ideal difícil de viver.
Mas é preciso registrar a franqueza de quem se deixa seduzir por "tudo" que
a riqueza material pode dar.
Atenção para a figura persistente do Professor; e para a leitura que ele faz de um
texto de "Moby Dick", de Herman Melville.
Assisti ao filme no cinema; pode ser encontrado em vídeo Cult Films (ABN)
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

O apóstolo
Escrito, produzido, dirigido e protagonizado por Robert Duvall, "O Apóstolo"
(The Apostle - EUA, 1997 - 133') é um drama ( para adultos) que se inicia no Texas, em
1932, e conta com Farrah Fawcett e Miranda Richardson no elenco.
As cenas religiosas, inúmeras, mostram o ambiente dos cultos, porém a temática
enfoca o ser humano dividido entre o mal e o bem, a sua duplicidade, as suas ações
antagônicas na família e na sociedade.
No roteiro, ação e suspense estão intimamente relacionados aos personagens
perturbadores, inquietantes.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo CIC.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

O aprendiz
Análise profunda sobre a violência (física, intelectual, emocional), "O
Aprendiz" ( Apt Pupil - EUA, 1998 - 128min.), de Bryan Singer, é a versão
cinematográfica do romance homônimo de Stephen King, mestre do suspense.
Filme perturbador, atual. Indicado para adolescentes e adultos. Protagonizado
por Ian Mckellen e Brad Renfro.
Narra, em clima tenso, cruel, como a curiosidade mórbida para ouvir histórias
reais de um criminoso nazista, transforma (ou revela?) a personalidade e o dia-a-dia de um
jovem estudante.
Apesar de viver num ambiente familiar considerado normal, ele prefere esconder a
verdade; escolhe chantagear, mentir, ser violento, dissimular, caluniar. E ainda quer
esquecer o que lhe aconteceu como pessoa... "continuar sua vida"!
(,,,) quando atirar não era matar... e matança não era crime".
Destaques: tema, roteiro; direção, interpretação, fotografia e trilha
sonora.
Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em vídeo Columbia Tristar.)
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Arquivo
X: o filme
Mistério, suspense, ação...em contexto de violência e mentira; mas romantismo,
sentimentalismo também; eis " Arquivo X: o Filme " (The X-Files: Fight the
Future - EUA, 1998 - de Rob Bowman - 121 min.).
"A explosão de um prédio no Texas e a disseminação de um vírus mortal levam os
agentes (...) a uma investigação que pode desvendar a presença de alienígenas na
Terra.
O melhor da premiadíssima série de TV em linguagem cinematográfica e com os dois
famosos protagonistas, os "agentes do FBI" -Fox Mulder (David Duchovny) e Dana
Scully (Gillian Anderson), é acompanha-los empenhando-se na busca da verdade para salvar
vidas humanas. Inteligência, coragem, dedicação em dose dupla de companheirismo, e um
afeto tão grande quanto respeitoso.
As imagens chocantes de alienígenas e seres monstruosos em mutação não apagam de nossa
mente a bela visão de algumas paisagens deslumbrantes.
Integram também o elenco: Martin Landau, Blythe Danner, Armin Mueller-Stahl e Glenne
Headly.
Destaque para: a temática; as perguntas perturbadoras não-respondidas; a produção; os
efeitos especiais; e a fotografia de cenários externos em Washington D.C., Texas,
Londres, Antártida e Califórnia.
Os personagens principais procuram, implicitamente, conhecer o seu íntimo e, além de si
mesmos, o outro. Uma questão de relacionamento mais profundo; talvez uma angústia
pessoal que não conseguem calar na mente e no coração.
Quando Scully abre a porta para Mulder, ela pergunta: - Você decidiu vir até aqui me
procurar antes ou depois de ficar bêbado?
Esse questionamento da médica/agente do FBI parece indicar muito mais que a sua
racionalidade costumeira. Há uma preocupação em saber os sentimentos do colega...
(Assisti ao filme no cinema, mas pode ser encontrado em Abril Vídeo/Fox.)
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Assim
Deus mandou
“ – Não é estrangeira?
- Aqui somos todas irmãs . “ - responde
Madre Thérèse.
O cotidiano das religiosas do Carmelo mostra
sua disciplina, os trabalhos e os ideais em que se fundamenta a
Ordem, tudo em clima de suspense político e muitos perigos. Mas há
risos e carinho entre as irmãs. E a alegria de Irmã Constance.
“ Reze, não há nada mais a fazer.”
Há uma personagem - freira carmelita, mais
idosa do que as suas companheiras de clausura, e surda - na peça O
Diálogo das Carmelitas ( La Dernière à l´Échafaud ), de
Gertrude Le Fort, obra em que se inspirou o romance de George
Bernanos.
“ Sempre temi a vida e a morte.”
Quando a Superiora passa por seus momentos
finais, está atormentada por visões de sangue, morte e
profanação do convento e da capela.
“ Antes dos votos, você, como noviça, tem
a liberdade de nos deixar.”
" A caminho do cadafalso" é o
título do filme em português para Le Dialogue des Carmélites
(França- 1960, de Philippe Agostini – p/b - 112 min.).
“ Onde houver uma carmelita, haverá um
Carmelo. ”
No elenco, Jeanne Moreau (Mère Marie), Alida
Valli (Mère Thérèse), Madeleine Renaud, Pascale Audret, Anne Doat,
Pierre Brasseur, Jean-Louis Barrault.
Sucesso do cinema tradicional francês, o
roteiro conta a trágica história de Blanche de la Force e das
religiosas de um convento de Compiègne, entre os anos conturbados
de 1789 e 1793.
Nem os jardins internos do Carmelo escapam da
multidão enfurecida. A violenta invasão do convento, a
destruição desenfreada, deixam a Priora profundamente preocupada
com a sobrevivência do Carmelo.
“ Não se fala com os furiosos.”
Por não ter jurado à Constituição,
renegando a sua condição de sacerdote, o Capelão das carmelitas
está fora da lei, vivendo como fugitivo, disfarçado de cidadão
comum. O medo do irmão de Irmã Blanche, foragido, reflete a
situação difícil.
Após votarem individualmente – com bastante
convicção – a favor do martírio – as religiosas são
forçadas a deixar o convento e a se dispersarem, vestidas com
roupas comuns.
“ Não somos combatentes. Somos suplicantes.”
(afirma a Priora, Mère Thérèse)
Elas prosseguem com sua existência de
reclusão, orações e cânticos, regras e votações secretas.
Contudo, a Revolução Francesa não aceita a prática da religião,
não respeita a escolha de vida dos religiosos, fazendo-lhes as
piores ameaças. O pai da noviça covarde (Irmã Blanche – sempre
temerosa e com dúvidas, numa fragilidade visível) é guilhotinado.
" Quando tudo vai mal no país, é
preciso culpar alguém. Por que não vocês ? “ - diz o
Comissário à Priora.
" Fielmente transposta para a tela por
Agostini, grande diretor de fotografia dos anos 40 e pelo reverendo
Bruckberger, a quem Bernanos havia autorizado a adaptar seu texto
antes de falecer em 1948. "
Os acontecimentos inspiraram os diálogos
belíssimos, interpretados por atores famosos.
" – Eu não irei! (Irmã Blanche)
- Você virá! Você se juntará a nós!
(Madre Marie)
"Bresson teria certamente proposto um
tratamento menos convencional."
Os destaques do filme: produção, direção,
interpretação, roteiro, diálogos; fotografia, cenografia, trilha
sonora, som, figurinos; reconstituição de rituais (como a
adoração a Jesus Crucificado, a eleição da nova Madre Superiora
e o corte dos cabelos das noviças) e cenários religiosos.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

Astérix & Obélix
Longa-metragem em
co-produção, "Astérix & Obélix contra César" (Astérix & Obélix -
França-Alemanha-Itália -1999 - de Claude Zidi), inspirado na história em quadrinhos
criada por Albert Uderzo e René Gosciny, em agosto de 1959, é uma comédia dramática,
histórico-política, romântica e de muita ação, além de momentos de suspense que
prenderão a atenção do público adulto e dos adolescentes.
Com uma bela fotografia, inúmeros efeitos especiais e texto crítico sobre o Império
Romano enfrentando a resistência corajosa de um povoado galês, o filme teve um
orçamento de mais de 48 milhões de euros, tornando-se a produção mais cara do cinema
europeu já realizada até esta data. Nas primeiras semanas de exibição na França,
arrecadou o suficiente para cobrir aquela quantia, passando a lucrar com as bilheterias
subseqüentes, inclusive em outros países da Europa.
Ao lançamento seguiu-se uma grande campanha de divulgação, que destacou os nomes do
elenco: Gérard Dépardieu, Roberto Benigni, Christian Clavier e Laetitia Casta.
O roteiro enfatiza astúcia, coragem e sentimentos de amizade e amor.
Segundo declarou Dépardieu: "Eu, particularmente, acredito no amor, prefiro o
amor, creio mais no amor que no ódio, gosto de admirar as pessoas, e por isso não tive
trabalho em criar meu Obélix, porque acredito na beleza que ele vê nas coisas".
Em 21 semanas de filmagem, com 60 atores, l.495 figurantes, 5.200 metros quadrados de
grama artificial, 10,5 toneladas de pintura, cera e verniz, 398 animais para o circo
romano e outros 61 para o povoado galês, a produção de "Astérix & Obélix
contra César " conseguiu atingir seus objetivos: contar uma aventura de forma
inteligente, provocando risos e reflexão poética sobre os personagens - alguns, encantam
por sua ingenuidade.
Vale a pena ver e repetir!
Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode ser encontrada em vídeo - Paris
Vídeo (ABN).
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária

O Auto
da Compadecida
Comédia dramática,
farsa de costumes narrada em ritmo e linguagem de cordel, a obra-prima de Ariano Suassuna,
traduzida para dezenas de idiomas e conhecida internacionalmente, "O Auto da
Compadecida" (Brasil, 2000), com direção e roteiro de Guel Arraes, ganha mais essa
versão cinematográfica.
Filmado em Cabaceiras, interior da Paraíba, destaca-se pela produção, direção,
roteiro e interpretação, fotografia e trilha sonora.
No elenco, estão: Matheus Nachtergaele (intérprete de João Grilo); Selton Mello
(Chicó); Lima Duarte, Paulo Goulart, Denise Fraga, Diogo Vilela e Luís Melo.
Participações especiais: Fernanda Montenegro e Maurício Gonçalves.
O roteiro retrata as injustiças sócio-econômicas, ao mesmo tempo que mostra as
artimanhas de João Grilo para sobreviver, apesar da indiferença e ambição dos ricos e
poderosos.
Enfatiza a fé que a tudo resiste, perseverando inclusive nas circunstâncias onde o
materialismo domina. A alegria transforma-se em instrumento da luta diária para não
desistir diante da fome e da miséria, do descaso e dos preconceitos. O perdão demonstra
a imensidão do amor, capaz de misericórdia maior que toda a extensão dos erros
cometidos. A mensagem evangélica se regionaliza, adaptando-se aos personagens e às
situações, mostrando quem defende os pobre e os mais fracos.
Assisti ao filme no cinema, mas a obra também pode ser
encontrada em vídeo - Columbia Tristar.
Theresa Catharina de
Góes Campos, colaboradora da ABN, é articulista, escritora e professora
universitária
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