|
Buenos
Aires: A mais européia das capitais
sul-americanas
BUENOS AIRES
[
ABN NEWS ]
—Buenos
Aires é uma cidade que convida a
grandes caminhadas: suas ruas e avenidas são planas, largas e
arborizadas. Cafés se sucedem um ao longo do outro,
convidando a uma parada que poderá ser rápida ou longa:
mesmo que se tome apenas uma xícara de cortado, ou expresso
curto servido com gotas de leite, o garçom não se importa se
o cliente se demora por uma hora ou mais. Existe, quem passe
horas lendo um livro numa mesa de café consumindo apenas um
café. A tradição diz que essa conduta deve ser respeitada.
Afinal, o mais antigo café de Buenos Aires, o Tortoni, foi
fundado em 1858, e ainda permanece instalado no número 825 da
Avenida de Mayo, e mantendo todos os detalhes da decoração
original. Imagens e fotos nas paredes ajudam a resgatar a
história que não é conhecida por todos os garçons que ali
trabalham.
A imigração italiana e a
arquitetura ao estilo francês do início do século XIX
certamente tem muito a ver com o conceito de ser Buenos
Aires a mais européia das capitais sul-americanas.
Museus de Buenos Aires
Na Cidade de Buenos Aires existem 132 museus de diferentes
áreas temáticas: Arte, História, Ciência e Técnica e uma
grande variedade dedicados a diversos aspectos. Desde salas
destinadas às crianças até o Museo de la Pasión Boquense
(Museu da Paixão Boquense), que recria a história e logros
esportivos do Clube Atlético Boca Juniors, entidade
localizada no emblemático bairro de La Boca. Existem também
aqueles dedicados ao teatro, aos costumes crioulos (recriam
a vida dos gaúchos), à assuntos religiosos, e também, aos
escultores, pintores e outras personalidades destacadas da
história argentina.
Desta ampla oferta destacam-se nitidamente o Museo Evita
(Museu Evita), que expõe a vida e a obra de Eva Perón. Nele
conservam-se as roupas e outras pertenças de Evita e da
Fundação que tinha criado para ajudar aos mais humildes.
Através de uma mostra multimídia é possível também reviver
parte de seus discursos e visualizar vídeos de suas exéquias
e da despedida tributada pelo povo.
É imporante também visitar a Casa Museu Carlos Gardel, no
bairro do Abasto. A casa onde morava o máximo representante
do tango argentino abriu suas portas como museu em 2003, e
desde esse momento é ponto obrigado de passagem para os
turistas nacionais e estrangeiros.
Programe também uma visita ao Museo de Arte Latinoamericano
de Buenos Aires (Museu de Arte Latino-americano de Buenos
Aires), ou simplesmente MALBA, como é conhecido na cidade.
Além de expor obras de Frida Kahlo, Diego Rivera, Antonio
Berni e Guillermo Kutica, ali se realizam exposições, ciclos
de conferências e de cine, e encontros organizados por
empresas ou instituições.
O tango como tradição
O tango surgiu nos fins do século XIX da fusão de diversos
ritmos que eram dançados nos ambientes festivos. Nos seus
começos era dançado por duplas de homens e interpretado com
flauta, violão e guitarra. A flauta foi substituída
posteriormente pelo bandônion que deu sua marca definitiva.
Com a nostalgia e a saudade que aportaram os imigrantes, o
tango foi evoluindo para dar autores e interpretes da
grandeza de Astor Piazzolla e Aníbal Troilo.
O máximo cantor de tangos da Argentina foi e será Carlos
Gardel. Um circuito evoca a transcendência do “Zorzal
Criollo” na vida de Buenos Aires. O passeio inclui a Casa
Museo (Casa Museu) no bairro do Abasto - onde viveu desde
1927 até 1933-, o Hipódromo Argentino de Palermo muito
freqüentado por Gardel pela sua afeição ao turfe, o Luna
Park, templo máximo do boxe nacional onde foram velados seus
restos e o Café Tortoni onde Gardel cantou numa festa
realizada em homenagem a Luiggi Pirandello. No primeiro
andar do histórico café, funciona a Academia Nacional do
Tango.
No ano 2009 o tango foi inscrito na Lista do Patrimônio
Cultural da Humanidade como tesouro intangível.
A noite portenha tem seu eixo vertebral na Avenida
Corrientes, plena de cinemas, teatros, salas de espetáculos,
restaurantes e pizzarias abertos até bem entrada a
madrugada. A Avenida Santa Fe compartilha a animação que se
acha nos centros culturais General San Martín, Borges e
Recoleta, no Paseo La Plaza e em áreas recreativas e
gastronômicas como Puerto Madero, Recoleta, Palermo Viejo,
Palermo Hollywood, Las Cañitas, Paseo de la Infanta, Arcos
del Sol e Costanera Norte.
A noite portenha
Antes de "la movida", como os portenhos chamam a
noitada, vale a pena jantar em um dos novos restaurantes de
Puerto Madero, o Píer revitalizado da cidade, como as Docas
de Alcântara, de Lisboa e Barcelona, em Barcelona. A área,
hoje concentra boa parte dos melhores restaurantes da cidade.
O metro quadrado ali fica em torno de US$ 1.800 e, nos
restaurantes (fora as redes de fast-food), raramente se gasta
menos de US$ 30.
A noite em Buenos Aires, está apenas
começando. O jantar deverá acontecer em torno de meia-noite
ou uma da madrugada. Tomo Uno, El Palcio de la Papa Frita, Los
Immortales, La Estancia, são apenas alguns exemplos de locais
para uma boa refeição, que pode começar com uma porção de
provoleta, o provolone grelhado e temperado com orégano.
Caminhar à noite é fascinante. Não é raro encontrar, em
torno de uma hora da madrugada, grupo de senhoras, todas
vestidas com elegância, maquiadas e perfumadas, passeando
pelas ruas, sem nenhuma preocupação com a segurança. A 9 de
Julio parece ser o ponto favorito para a movida deste povo que
intitula a própria cidade de la ciudad que nunca duerme.
Nela, o ponto de maior destaque é o Teatro Colón, um centro
musical comparado ao Scala de Milão e ao Metropolitan de Nova
York. A constução do Colón demandou 18 anos e três
arquitetos. Hoje, o teatro garante trabalho a 1.300 pessoas.
Outro lugar de passeio obrigatório é
La Recoleta, um dos pontos mais elegantes e caros de Buenos
Aires, e onde se confirma o clichê de que a capital portenha
é a Paris da América do Sul. Edifícios luxuosos abrigam
pequenas lojas sofisticadas e se debruçam sobre ruas
arborizadas, em cujas calçadas, cafés e restaurantes
espalham suas mesas. Vale uma visita pelo menos para tomar um
sorvete do Freddo - o mais popular é o sambayon. Com um pouco
mais de tempo, recomenda-se uma parada no café La Biela ou o
de la Paix. Em torno da Recoleta, existem vários pontos de
interesse: o Palais de Glace e o Museu Nacional de Bellas
Artes.
Certos lugares devem ser visitados na
cidade, a começar pela sede do governo, a lendária Casa
Rosada, de cujas sacadas, Eva Perón discursava para a
população. Outro endereço é as banquinhas de artesanato de
El Caminito, uma rua de casas multicoloridas do bairro La
Boca, e da feira de artes de San Telmo, programa obrigatório
nas manhãs de sábado e domingo.
Sabores da Argentina em
Buenos Aires
Cozinha argentina e internacional. Buenos Aires oferece um
amplo mostruário das especialidades argentinas, com os
melhores assados, as melhores carnes (novilho, bezerro)
preparadas segundo à tradição pampeana, e é uma janela
aberta à cozinhas próximas ou remotas. Existem numerosos
restaurantes espanhóis e italianos, além de alemães, árabes,
brasileiros, chilenos, chineses, escandinavos, gregos,
indianos, ingleses, japoneses, judeus, mexicanos, suíços,
tailandeses, bascos, vegetarianos, de comidas rápidas, com
espetáculos e, desde logo, muitas pizzarias. Estão
representadas também as cozinhas húngara, polonesa, peruana
e russa.
Assado argentino - Alimento fundamental da região pampeana
pelo seu grande número de reses, a seleção de pastos e a
melhora das raças. Antigamente as reses eram assadas
inteiras num rito que podia durar dois dias. Sobrevive o
"asado con cuero" (churrasco campeiro) com aterramento de um
bezerro dividido em pedaços numa vala submetida ao fogo
durante algumas horas. Com o couro apoiado na terra,
cobre-se a carne com chapa de zinco e por cima são colocadas
as brasas que são mantidas ardendo por mais algumas horas.
Outros sistemas são o “asado a la cruz” ou “a la reja”,
típico do campo, e “a la parrilla”. Em qualquer caso, o
secreto de um bom assado está no corte da carne e na sábia
administração do fogo.
As qualidades supremas do assado argentino são dadas por
certos cortes vacuns (assado de tira ou costillar inteiro
(costelas), “vacío”, cuadril (alcatra), matambre (acém)) e
as achuras (víceras) (chinchulín, molleja (moleja), tripa
gorda (intestino), criadilla (tésticulo do touro), ubre
(úbere)). Achuras, morcillas (morcela) e chorizos
parrilleros (chouriços) costumam ser servidos como entradas.
A carne é comida só ou adereçada com diversos molhos, como o
"chimichurri".
Mercados e feiras
Na Cidade de Buenos Aires, a Feira de San Pedro Telmo é a
mais popular, mas resulta também interessante o artesanato
que os sábados, domingos e férias se instala no Parque
Lezama e na Plaza Intendente Alvear de Recoleta. Os
domingos, em Mataderos tem lugar a Feria de Artesanías y
Tradiciones Argentina (Feira do Artesanato e Tradições
Populares Argentinas).
Outras feiras - Mercado de las Luces, Parque Centenario,
Pasaje Caminito, Plaza Manuel Belgrano, Plaza Vuelta de
Rocha e Plazoleta Santa Fe.
Doces - “Alfajores” de Mar del Plata, bolachas dobres
recheias de doce de leite e cobertas de açúcar ou chocolate.
Compra em Buenos Aires
Na Cidade de Buenos Aires, a rua Florida e a avenida Santa
Fe são as mais concorridas. A maioria das butiques mais
exclusivas encontram-se no bairro Recoleta, especialmente na
avenida Alvear, onde se estabeleceram as grandes marcas de
luxo do mundo. Outras zonas comerciais periféricas
localizam-se sobre as avenidas Cabildo (Belgrano), Mitre (Munro)
e Avellaneda (Flores). Numerosas lojas do bairro Once contam
com telas e indumentária a bom preço.
Nos últimos anos instalaram-se modernos centros comerciais
como Galerías Pacífico (Florida e Av. Córdoba), Patio
Bullrich (Av. del Libertador 750), Buenos Aires Design (Av.
Pueyrredón 2501), Alto Palermo (Av. Coronel Díaz e Arenales),
Abasto de Buenos Aires (Av. Corrientes 3247), Paseo Alcorta
(Salguero 3172), El Solar de la Abadía (Av. Luis María
Campos e Maure), Dot Baires Shopping (Vedia 3632) e outros
tantos nos bairros Caballito, Liniers, Villa del Parque,
Villa Devoto, Villa Lugano e na área suburbana.
História
Da grande época de ouro, só restaram lendas, histórias e
personagens mitificados até hoje pelos "potenhos"
(como são chamados os cidadãos de Buenos Aires). Eva Perón,
a Evita, talvez seja o maior deles. Seguida de perto por
Carlos Gardel - que nem argentino era. O lugar de nascimento
do grande cancioneiro, até hoje causa polêmica entre a
França e Uruguai. Foi em Buenos Aires que Gardel buscou
inspiração para fazer uma das mais belas canções da
história Argentina. Suas canções que fizeram história e
libertaram o tango do submundo cultural portenho. O ritmo
tornou-se tão popular em Buenos Aires que dezembro virou o
Mês do Tango. No final do ano são programados vários
festivais e eventos e até shows de rua. Nessa época, volta e
meia algumas das principais vias da cidade são interditadas
para apresentação de alguns minutos.
Existem boas casas especializadas no
ritmo. A mais popular, hoje, é a Señor Tango, que consegue
conciliar a dança e o canto do tango sem se vulgarizar. O
ingresso é salgado, porém inclui um show bastante
interessante, acompanhando de um jantar bem servido, com
carnes e vinhos argentinos.
Buenos Aires se estende como um leque a
partir do porto no rio da Prata. A Avenida De Mayo forma o
principal eixo deste leque, indo da Casa Rosada, residência
oficial da Presidência da República, até os edifícios do
Congresso. A Plaza de Mayo, localizada bem em frente à Casa
Rosada, é citada em todos os guias de turismo devido aos
imponentes edifícios em estilo colonial que a cercam. Mas é
também o local onde se reúnem para protestar, todas as
semanas, as mães de desaparecidos políticos. São as
conhecidas madres de la Plaza de Mayo . Do ponto central da
Avenida de Mayo sai a 9 de Julio. Mais que uma avenida, ela é
um boulevard, os verdadeiros centros da cidade.
Na parte sul da Plaza de Mayo está o distrito de San Telmo,
encantador com suas casas de paredes brancas, poucos
edifícios e bares com garrafas de vinho penduradas sobre os
balcões. No meio do distrito fica a Plaza Dorrego, onde
acontece todos os domingos, um dos mais famosos mercados de
pulga do mundo. É o programa perfeito para o final de semana.
Começa-se percorrendo as seis fileiras
de barracas de objetos antigos que circundam a praça.
Gramofones, Prata, relógios, bronze, porcelanas; objetos
gauchescos; gravações novas e antigas de tangos velhos e
atuais - às vezes, acontecem algumas apresentações
acompanhando um casal que dança no centro da praça. Tudo
merece atenção e, eventualmente, uma compra.
Depois, vale a pena caminhar alguns
quarteirões. Na Avenida San Juan, está um dos muitos
exemplos argentinos de reciclagem de ocupação de um imóvel:
o Museu de Arte Moderna foi instalado numa antiga fábrica de
tijolos e cimento. Ali, entre telas de Dalí e Picasso, está
a obra de Carlos Gallardo, um dos mais expressivos pintores
argentinos.
O passeio pelo museu é o suficiente para a feira terminar. É
quando a Dorrego se transforma num grande café ao ar livre,
com mesas espalhadas por toda sua extensão, servidas por
garçons vestidos em preto e branco, lembrando pingüins.
Editada em 8 de Junho de 2010 - 01h56
|