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27/09/00 às 19h20:

 

Barbizon - França

 

A Escola de Barbizon ou a Arte da Paisagem

Barbizon, cidade de pintores

Sair de Paris para reencontrar a natureza tem o seu charme, seja qual for a estação: primavera, verão, outono e, mesmo, no inverno. Mas bem antes de nós, no século 19, os pintores faziam essa viagem com o objetivo de sair do espaço de seus ateliers e registrar a beleza em mutação dessa paisagem. Eles paravam em Barbizon, mais precisamente no albergue Ganne, e revolucionaram a pintura tendo como motivo a própria natureza (ABN).

Descobrir o campo

Cansados do academicismo que vigorava em Paris, nas escolas e nos salões (embora um prêmio de Roma tenha sido criado em 1817 na categoria "paisagem", a natureza servia apenas como ambientação para um personagem histórico ou mitológico!), os jovens pintores queriam buscar "a Natureza no local", segundo a expressão de Théophile Gautier. Audaciosos e anticonformistas, eles partem para a descoberta desse universo desconhecido.

..."Todos esses grandes homens da pintura

Vestidos de forma desleixada

Adentram a floresta

Para tornarem-se chiques ao natural"...

(segundo o poema "La Complainte de Barbizon", que em 25 estrofes bem humoradas descreve toda a vida boêmia dos pintores de Barbizon "com barba de bisão")

Fugindo da cidade, onde tudo custa caro: modelos, ateliê, quarto e refeições, eles se alegram ao descobrir que, no interior, vive-se com muito pouco. A natureza oferece graciosamente todos seus tesouros, e os modelos não são obrigados a fazer pose: são eles os agricultores, pastores, açougueiros... vacas, carneiros ou animais domésticos. Os artistas também fazem uso de uma invenção genial que lhes permite sair do ateliê: os tubos de tinta. Eles surgem em 1834! Com cavaletes mais leves, grandes guarda-sóis e duas telas (uma para a manhã e outra para a tarde), aqui estão os nossos pintores equipados para renovar a arte da paisagem francesa... Maravilhados com os pintores ingleses e holandeses, e pelo romantismo de Chateaubriand, eles procuram pelos bosques e se postam diante de lagoas, árvores, rochedos ... sob um céu em permanente mutação para descobrir os mistérios da luz e da sombra.

Localizado junto à floresta de Fointenebleau, o charmoso vilarejo de Barbizon atrai os pintores. Sobretudo porque, a partir de 1849, o trem facilita a viagem. Ali se chega ao fim da jornada, ali se almoça em uma hospedaria simpática... (ABN).

A hospedaria Ganne: a arte da hospitalidade

Uma acolhida cordial -- quase familiar -- acaba por fixar os pintores em Barbizon. Ela é proporcionada por Marie-François Ganne (vindo de uma família de vinhateiros) e sua mulher, Edmée-Françoise Kleine (de origem luxemburguesa). No início, "o pai Ganne" é alfaiate e sua mulher tem uma merciaria. Logo Edmée passa a cozinhar para agradar os artistas. A partir de 1824, o casal recebe Jean-Baptiste Corot, Théodore Rousseau, Narcisse Diaz de la Pena... Sob a pressão dos pintores, o marido também fornece hospedagem a um preço módico, às vezes em troca de uma tela ou painel pintados. Um ambiente de alegre boemia reina entre os paisagistas quando eles retornam de suas jornadas ao ar livre. Verdadeiro lugar de encontro de artistas -- como aconteceria mais tarde em Pont-Aven, na Bretanha, na pensão Gloannec --, a hospedaria Ganne criou a "Escola de Barbizon".

A partir de 1936, a hospedaria Ganne tornou-se um museu. Em baixo, a mercearia (ao mesmo tempo cozinha e quarto do casal Ganne), a sala dos trabalhadores e a dos artistas, bem separadas, pois os primeiros não desejam se misturar aos barulhentos pintores. Nos dias de chuva, os pintores cobrem com suas obras as paredes, portas, lareiras e armários, criando assim um maravilhoso cenário na modesta casa (ABN).

Da Escola de Belas Artes à Escola de "Belas Árvores" de Barbizon

Esses artistas, de universos tão diferentes, estão simplesmente reunidos por um gosto comum pela natureza, num ambiente estimulante e de críticas gentis e de encorajamento. Na verdade, não existe uma Escola de Barbizon propriamente dita. Evidentemente, os pintores mais influentes (Théodore Rousseau, Jean François Millet) não se furtavam a dar conselhos a quem lhos pedisse, mas eles não ensinavam.

Théodore Rousseau, que chegou a Chailly em 1833, se instala em Barbizon na hospedaria Ganne, e depois em uma casa própria, no número 55 da Grande-Rue. Padrinho de jovens talentos, ele os leva a pintar ao ar livre. Na véspera de sua morte, em 1867, ele conta a um de seus amigos: "Você vê todas essas belas árvores, eu as desenhei todas, há 30 anos eu já tinha todos seus retratos..."

Ecologista precoce, Théodore Rousseau intercedeu junto ao imperador Napoleão III para resguardar uma "série artística"(área de proteção ambiental de 1.500 hectares) na floresta de Fointenebleau. Na margem do bosque, uma placa comemorativa relembra a ação do pintor, e um baixo-relevo do escultor Henri Chapu, instalado num rochedo, imortalizam os perfis de Théodore Rousseau e de seu amigo, Jean-Philippe Millet.

Fugindo da cólera que atinge Paris, em 1849, Jean-François Millet chega com sua família a Barbizon. Ele aluga uma casa (as hospedarias são utilizadas mais pelos solteiros). Ali, depois de desenhar os esboços da planície de Chailly, Jean-François Millet dá vida à gente da terra, trabalhadores modestos com sua nobreza natural. E essa emoção captada pelo pintor impressiona o homem de Tóquio como o de Boston, que se encontre frente a obras como As Respigadoras, O Semeador, As Debulhadoras de Trigo, ou o Ângelus.

Hoje, a casa-ateliê, com seu charme preservado, pode ser visitada à vontade. Felizmente, um cicerone, zelador da casa há 50 anos, pede para servir de guia...

Camille Corot, pintor famoso e independente, fica realmente à parte do movimento, mas ele adora a floresta de Fointenebleau e seus amigos de Barbizon Ele "impressiona" por sua maneira de captar a natureza, como ele mesmo explica: "Depois de meus passeios, convido a natureza a passar alguns dias na minha casa; é então que começa minha loucura: eu ouço o cantar dos pássaros, as árvores balançando-se ao vento..."

Enquanto Charles Jacque se apaixona pelos carneiros e animais domésticos, Antoine-Louis Barye, escultor de animais, não deixa de colocar animais ferozes nos bosques, e Diaz de la Pena experimenta técnicas de pintura audaciosas: procura na natureza as formas e cores existentes em sua paleta de artista. Charles -François Daubigny reproduz a luz da paisagem... com o que sonham todos os pintores de Barbizon.

Entre 1825 e 1870, os registros destacam a presença de centenas de pintores, em sua maioria paisagistas, que chegam para pintar à volta da floresta de Fointenebleau. Durante aproximadamente meio século, Barbizon, esse simples lugar de lenhadores, será um centro artístico de fama internacional. Anteriormente recusados pelos Salões de Pintura, Théodore Rousseau, Jean-François Millet Diaz de la Pena ... serão reconhecidos e aceitos graças à fama de Camille Corot que abre a porta a seus amigos. Na Exposição Universal de 1867, a Escola de Barbizon conhece enfim o sucesso com as obras de Camille Corot, Théodore Rousseau, Jean-François Millet, Constant Troyon, Paul Huet, Diaz de la Pena, Charles-François Daubigny, Jules Dupré, Charles Jacque... Em 1889, a cidade de Nova York organiza uma exposição consagrada aos pintores de Barbizon, o que lhes traz a fama!

Entre os artistas que passaram temporadas na hospedaria Ganne ou em outros locais das redondezas (Chailly-en-Biére, Marlotte), nota-se a presença de pintores vindos da Bélgica: o barão de Papeleu, as irmãs de Cock, Alfred Stevens, Knyff O Cavaleiro...; da Alemanha: Ludwig Kanuss, Albert Brendel, Georges Saal; dos

Estados Unidos: Willliam Morris, Hunt, George Inness, Homer Tryon... e de outros países como Espanha, Itália, Suíça, Irlanda, Hungria, Romênia, Rússia... Não é preciso insistir sobre sua contribuição ao reconhecimento internacional dessa pintura inovadora, que abriu o caminho para o Impressionismo.

Hoje, como ontem, Barbizon continua atraente com suas casas floridas de rosas, seus ateliês, seus hotéis, suas galerias de pintura (cerca de vinte). A tal ponto que, às vezes, é preferível de visitá-la durante a semana para encontrar seu charme rural...A dois passos, a floresta de Fointenebleau não deixa de atrair os amantes da natureza prontos a mergulhar na paisagem que tanto seduziu os pintores de Barbizon (ABN).

 

Serviços:  

Comitê Departamental de Turismo de Seine-et-Marne: 11, rue Royale, 77300 Fontainebleau, Tel.: (33) 1 60 39 60 39, Fax (33) 1 60 39 60 40,

Escritório de Turismo de Barbizon: 55, Grande Rue, 77630 Barbizon , Tel.: (33) 1 60 66 41 87, Fax: (33) 1 60 66 22 27

Hospedaria Ganne / Museu da escola de Barbizon: 92, Grande Rue, 77630 Barbizon, Tel.: (33) 1 60 66 21 55

Casa/Ateliê de Jean-François Millet: 27, Grande Rue, 7630 Barbizon, Tel.: (33) 1 60 66 21 55

 

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