Theresa
Catharina Brasília DF
Quando os satélites eram novidade
Theresa Catharina de Góes Campos, articulista, jornalista,
escritora e professora universitária
A telecomunicação
Na história das telecomunicações, o problema do aumento da
largura de faixa foi considerado como de máxima importância, de forma a possibilitar a
utilização simultânea, cada vez maior, de grande número de canais telefônicos e
canais de televisão. A solução para esse problema adquiriu
maior significado se refletirmos sobre as ligações à grande distância, principalmente
intercontinentais, onde os meios existentes no passado, os cabos submarinos e os
circuitos-rádio, eram insuficientes para atender às demandas, contemporâneas e para o
futuro, no campo das telecomunicações.
Em circuitos via rádio, a capacidade de transmissão aumenta quando se amplia a
freqüência; assim, os circuitos de micro-ondas permitiram a utilização simultânea de
um maior número de canais telefônicos ou de televisão.
Os satélites e sua utilidade
Desde 1960, o desenvolvimento tecnológico dos satélites foi acelerado. Iniciou-se com o
lançamento dos satélites refletores passivos "Echo I" e "Echo II".
Surgiram, em seguida, os repetidores ativos de média altitude - "Telstar" e
"Relay" - e, finalmente, o repetidor ativo síncrono de grande altitude, o
"Syncom". Todos esses projetos tiveram caráter experimental, sob a
coordenação dos Estados Unidos e a participação de outras nações interessadas.
Em 1965, começou a operação comercial internacional de satélites com o "Pássaro
Madrugador" ("Early Bird"),oferecendo oportunidade de transmissão de
telegrafia, telefonia e televisão entre os Estados Unidos e a Europa.
O "Pássaro Madrugador" foi o primeiro satélite lançado pelo Consórcio
Mundial de Comunicações por Satélites - INTELSAT -, com a colaboração de 53 países,
inclusive o Brasil, que também era acionista do Consórcio. O INTELSAT tinha como
objetivo estabelecer um sistema mundial de
telecomunicações por satélites. Coube à empresa COMSAT administrar o empreendimento,
além de executar as decisões.
O sistema mundial foi sendo implantado de forma progressiva, utilizando quatro satélites
síncronos de grande capacidade - mil e duzentos canais - e dois de capacidade média -
quatrocentos e oitenta canais, assegurando com isso a cobertura mundial para as
telecomunicações internacionais.
Em princípio, podemos afirmar que a utilização dos satélites nas telecomunicações
encontrou grande rentabilidade na operação comercial internacional de telegrafia e
telefonia. Estudos comparativos técnico-econômicos demonstraram que esse meio de
transmissão é bastante flexível, sob o ponto de vista operacional e, também, mais
econômico que os cabos submarinos.Uma rede mundial de comunicações, com vinte mil
canais, interligando cem países, por meio de satélites, custaria 277 milhões de
dólares - e quatro bilhões de dólares se fossem empregados cabos submarinos.
Além de telegrafia e telefonia, os satélites do INTELSAT foram empregados, em algumas
ocasiões, para a transmissão internacional de televisão entre os Estados Unidos e
Europa e Estados Unidos e Japão; na Europa, o "Molnya II" (não integrou o
INTELSAT) retransmitiu programas de televisão entre Moscou e Paris, e vice-versa, como
resultado de um acordo celebrado entre os dois países. Observou-se que a demanda
internacional de televisão era relativamente pequena, existindo, apenas, quando surgiam
acontecimentos especiais, e desde que houvesse interesse na transmissão de programas ao
vivo. A existência do "vídeo-tape" e a facilidade de transporte aéreo
rápido, reduziam o interesse comercial na transmissão de televisão por satélites.
Além da rede mundial de telecomunicações do INTELSAT, outros campos de aplicação de
satélites eram estudados; estavam entre eles: o emprego para a radiodifusão de uso
doméstico, para fins aeronáuticos, meteorológicos e para fins militares. Entretanto,
sob o ponto de vista técnico, existiam problemas ainda não resolvidos e com solução de
difícil previsão; por exemplo:a inexistência de foguetes de lançamento que pudessem
levar os satélites, de pelo menos dois mil quilos de carga útil, a uma altitude de
trinta e seis mil quilômetros.
Gravuras sonoras
O escultor e pintor Günter Maas exibiu numa galeria de arte moderna, em Colônia, as suas
"gravuras sonoras", utilizando os requisitos da técnica para tornar audíveis
os sonhos pintados nas telas, e chegando a resultados que dependem muito das pessoas. Isso
porque o aparelhamento técnico pode ser empregado de forma individual, semelhante à
individualidade com que o
artista utiliza o seu pincel. Günter Maas organizou uma demonstração pública desse
processo. A parte mecânica é demasiado complexa para ser explicada em poucas palavras.
Mas, em resumo, podemos dizer o seguinte...
Os diferentes temas de um quadro - círculos, triângulos, quadrados, e espirais coloridas
- são transmitidos a um fixador de imagens por meio de um dispositivo apropriado. Esse
fixador é um reprodutor sonoro que trabalha segundo os princípios fotoelétricos. As
estruturas, seus contornos, a escala dos matizes, são transformados em sons eletrônicos.
As variações sonoras dependem da alacridade das cores óticas. Contornos e detalhes,
cores berrantes ou opacas determinam a escala musical. A cor vermelha tem um efeito de
proximidade; o azul, de distância. O inventor elaborou uma escala cromática e analisou
suas possibilidade de mistura.
As telas são apalpadas pelo dispositivo; enquanto a vista aprecia a tela, o ouvido capta
os sons transmitidos pelas formas e cores; trata-se de uma aventura sincronizada. Ouve-se
e se vê uma curva harmônica, linhas sobrepujantes, o rompimento de uma eclipse. O som
duro, produzido pelo
preto, é suavizado pelos matizes azuis; o vermelho lança-se de cima para baixo, um cinza
leve ameniza.
Günter Maas diz que a sua filha de 12 anos reconheceu imediatamente a música de suas
telas. Se a jovem percebeu a música das "gravuras sonoras" criadas por seu pai,
ocorreu uma forma de comunicação, da pintura por meio da música. Tudo aquilo a que as
pessoas podem atribuir significações pode ser e é usado em comunicação.
A revolução da cibernética
No estudo da divulgação das idéias entre os diversos povos, bem como das mais recentes
conquistas científicas, precisamos destacar a participação das máquinas de traduzir e
a dos mecanismos postos a serviço da atualização de tais conhecimentos.Cérebros
eletrônicos e computadores, capazes de solucionar, num espaço de tempo muito
reduzido,intrincadas operações que anteriormente exigiriam o esforço de toda uma equipe
de especialistas.
O evoluir da técnica produziu a comunicação entre ciências antes separadas,
possibilitando a criação de novas, como resultado da interpenetração e conseqüente
fusão. Assim, da Química e Biologia, surgiu a Bioquímica, para citar apenas um exemplo.
A associação íntima entre seres vivos e máquinas possibilitou a descoberta do
coração artificial.As limitações do meio ambiente poderão ser vencidas com os
biocips, que resultam daquela associação.Os aparelhos inteligentes tornaram-se os
companheiros do homem nas grandes aventuras de nossa era.
A Cibernética é exatamente o estudo do controle e da comunicação nos animais e nas
máquinas, conceito introduzido pelo matemático Norbert Wiener, em seu livro
"Cybernetics", editado em 1948. São objeto de estudos cibernéticos assuntos
aparentemente os mais diversos, tais como: o
mecanismo do sistema nervoso dos animais, a programação das modernas máquinas de
computação eletrônica, os sistemas automáticos de controle de produção, a
auto-regulagem das máquinas, a teoria da informação, o processamento de dados, etc. O
computador, uma vez que o cientista lhe ensine lógica, passa a aplicá-la
implacavelmente. Foi, aliás, fabricando máquinas, que o homem compreendeu melhor que a
lógica constitui uma associação de dados por meio de "laços lógicos".
A Cibernética demonstra o seu grande alcance pela massa de colaborações modernas que
recebe - processos lógicos, problemas de linguagem e comunicação, estudos médicos
(principalmente de Fisiologia), conhecimentos de Engenharia, de máquinas,de Eletrônica,
métodos de Física e de Estatística, além de muitos outros.
Contudo, o primeiro passo para compreendermos a Cibernética, a ciência que estuda as
relações entre a máquina e o homem (relações entre o comportamento de um e outro),
deverá ser uma noção exata da máquina. Enquanto a bicicleta é ferramenta, a
motocicleta é máquina. Você sabe dizer se a lâmpada de azeite é máquina ou
ferramenta? É máquina. Por que martelo, pinça e machado são ferramentas? Porque
dependem da energia humana, pelo que constituem um prolongamento de um membro do corpo
humano.
Tanto a máquina como a ferramenta funcionam com energia. A ferramenta é um prolongamento
material que o homem dá a seus órgãos, para aumentar a eficiência e o rendimento de
sua ação.Quanto à máquina, constitui um sistema fabricado pelo homem para executar uma
certa ação, quando lhe é fornecida energia adequada.
De acordo com a Mecânica clássica, há três tipos de máquina: a que substitui o
trabalho humano (neste caso, o homem apenas orienta a máquina) - exemplo: máquinas de
artesanato; a que orienta a sua própria ação (motor de automóvel); a que determina a
sua ação, a sua oportunidade ou não (um reservatório d'água com bóia).
Por outro lado, dentro da Cibernética, encontramos um ramo dedicado à Teoria do Sinal e
da Informação - estudo da transmissão de mensagens nos sistemas de telecomunicação.
Confunde-se os conceitos de energia de comando (a informação) e energia de execução
(sinal). Observamos que, no telefone, rádio e televisão, as ondas (sinal), transportam a
informação (energia de comando). E o termômetro, é informação ou sinal, ou ambos?
Apenas informação.Sendo uma máquina, utiliza, como energia, o calor, do qual resulta a
informação.
Os aspectos técnicos do jornalismo e as projeções eletrônicas que servem para
vislumbrarmos um futuro de intenso progresso científico foram debatidos, em Washington,
pelos delegados da Vigésima Assembléia anual da Sociedade Interamericana de Imprensa, na
sessão plenária de 30 de outubro de 1969. Seis técnicos, representando diversas
empresas eletrônicas, falaram sobre o desenvolvimento das comunicações previsto para os
15 ou 20 anos seguintes, como um resultado direto do emprego da ciência eletrônica na
publicação de jornais e revistas.
Um dos expositores afirmou: "Os progressos que se verificarão, daqui a 10 anos, nas
redações dos jornais,poderão ser comparados à mudança que ocorreu quando a era da
pena e do lápis terminou, com a invenção da máquina de escrever".
Em uma entrevista publicada pelo " ScienceJournal", da Grã-Bretanha, o
professor Frank George, da Universidade de Londres,advertiu: "Tremo ao recordar a
grande eficiência alcançada pela Gestapo na Alemanha nazista, sem contar com o
procedimento mais primitivo do processamento automático de dados. Com os computadores
modernos, todo o processo de controlar e conseguir o que se deseja fica muito mais
fácil.Se os governos decidirem adotá-lo seriamente, o sistema de arquivos de dados
obtidos por computação proporcionaria aos políticos um enorme controle sobre o
comportamento de uma nação.".
O cientista acrescentou temer que os países ocidentais estejam se encaminhando para uma
nova forma de totalitarismo e que os bancos de dados possam vir a ser utilizados em um
golpe de Estado totalitário.
Não sejamos tão pessimistas. Encaremos o futuro com a esperança de que a Cibernética
seja realmente um valioso auxílio para a realização integral da pessoa humana,
alargando o seu campo de ação e fornecendo-lhe os meios de domínios e compreensão do
universo.
Matéria editada em 27/11/02
às 02h45


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