Theresa
Catharina Brasília DF
A Casa do Relógio de Sol -
prefácio para Cândida Severiana
Theresa Catharina de
Góes Campos (theca@abn.com.br), articulista da ABN
(www.abn.com.br) e Editora do Notícias Culturais (www.noticiasculturais.com),
é jornalista, escritora e professora universitária
Pelas mãos de fada da autora, os
leitores têm o privilégio de viajar – no tempo e no espaço –
literalmente, com emoção e sensibilidade. Encontram seus
personagens multidimensionais, autênticos e de grande
personalidade – tanto a narradora como eles não se perdem na
multidão ou agem como carneirinhos liderados cegamente
(destacam-se, deixam a sua marca individual, independente, na
esfera em que atuam) – e com eles experimentam os lugares e a
sua cultura própria, vistos de uma perspectiva mais profunda:
uma visão espiritual, enriquecida pelos laços afetivos,
duradouros.
Nestas páginas escritas com sinceridade em uma linguagem de
prosa que soa como poesia, a realidade não se mostra limitada,
mas de acordo com a sua riqueza de tempo e de espaço; e vemos
que não se pode chamar de irreal, absurdo e fantasioso aquilo
que, na verdade, é simplesmente mais profundo, complexo e se
desenrola no meio ambiente do espírito, que não conhece
barreiras materiais ou fronteiras, sejam estas de países ou
épocas. Se não somos os senhores da vida e da morte, apenas
instrumentos ou marionetes nos termos do plano especial de nosso
Criador, por que estabelecer limites rígidos até mesmo à nossa
imaginação?
Que estas páginas sejam folheadas com carinho e lidas com
gratidão – pois muitos sentem e se acovardam, desistindo de
registrar publicamente a riqueza de sua sensibilidade e
expressão. Esta narrativa atrai pela sua originalidade nas
descrições e pela ausência de uma estrutura formal de enredo; os
adjetivos não foram escolhidos por acaso e sim, com a
preocupação semântica do artista no sentido de que realmente
expressem plastica e graficamente a percepção intelectual da
autora, ao contar suas experiências como ser humano que,
eventualmente, assume o papel de turista e hóspede.
Além de contribuir para o nosso enriquecimento espiritual,
através de exercício intelectual que nos convida à reflexão,
Cândida Severiana também se une aos que, conscientes e
responsáveis, não aceitam a guerra ou quaisquer conflitos
armados.
A Casa do Relógio de Sol se deixa visitar pelos leitores e se
revela pela simpatia de seus habitantes tanto quanto pelo que
oferece como habitação; e Cândida Severiana deixou registrado
que se trata de moradia que respira, vibra e adormece, com uma
existência tão VIVA como a de seus moradores.
Comecemos a leitura. Podem entrar. A casa é sua...
Matéria editada em
22/10/05 às 14h03





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