Theresa
Catharina Brasília DF
Esperança e tempos difíceis
Theresa Catharina de Góes Campos <theca@abn.com.br>, articulista da ABN < www.abn.com.br
> , jornalista, escritora e professora universitária
Em tempos difíceis, para
sobreviver é preciso manter a esperança!
Ainda profundamente chocados e relembrando a
morte de dois colegas, que tomaram veneno, em datas separadas, e
assim se afastaram em definitivo de nosso convívio, sentimo-nos
no dever de fazer algumas reflexões. Não podemos ignorar as
condições sócio-econômicas da maioria de nossos companheiros,
iguais a nós como pessoa humana, com necessidades e motivações
individuais/familiares comuns a todo ser humano.
Daí não concordarmos em calar diante da
expressão de desespero que todo suicídio representa. Não
aceitamos que apenas as condições emocionais do indivíduo
expliquem atos angustiados, como a desistência de viver,
manifestada por alguém . Acreditamos que os suicídios,
provocados pelos baixos salários e por perspectivas de uma vida
de qualidade menor, podem e precisam ser evitados, em nível de
empresa e em nível de comunidade.
Estatísticas preocupantes indicam que, no
mundo inteiro, morre-se cada vez mais de suicídio, e que a idade
dos suicidas a cada ano é menor, com registro de ações
desesperadas de crianças e adolescentes. Os números ainda seriam
mais elevados, se os casos suspeitos pudessem ser comprovados, o
que nem sempre é possível. Outro aspecto a ser enfatizado está
no perigo, em termos de grupo, que o suicídio representa, devido
a seu efeito de certo modo contagioso, provocando outros atos
semelhantes, face à sua influência negativa nas emoções e
reações das pessoas.
Impõe-se a tomada de medidas preventivas,
nos locais de trabalho, considerando-se, também, as
circunstâncias sócio-econômicas e familiares dos empregados, em
especial dos analfabetos, aqueles com salários mais baixos,
enfim, os mais desamparados em um país como o nosso, que ocupa o
60% lugar em distribuição de renda...
Nesse contexto, que apesar das leis vigentes
se afigura praticamente uma aberração não- democrátida de
distribuição injusta de bens, muitas vezes o suicídio pode
surgir como uma falsa alternativa. Cabe a todos nós, sendo
membros da mesma família universal, exercermos uma solidariedade
ativa, atuante, para que o direito à sobrevivência seja
garantido.
Sermos responsáveis pela nossa vida e a de
nossos irmãos, um preceito cristão fundamental, exige que
tenhamos olhos e ouvidos para ver e ouvir, e palavras de
esperança que possam indicar, aos que se desesperam diariamente
por lhes faltar o essencial (alimentação, moradia,saúde,
educação, emprego), que nem tudo está perdido.
Sejamos sensíveis às dores alheias,
sejamos atentos às reivindicações justas, para que salvemos a
vida e, como a vida, a esperança, que torna a vida digna de ser
vivida... porque o amanhã promete dias melhores e o amanhã
começa hoje!
Matéria editada em
26/11/03 às 03h21



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