Theresa Catharina de Góes Campos, articulista,
jornalista, escritora e professora universitária
Homens e mulheres podem ter câncer de cólon e reto
(também chamado de colo-retal). Como resultado do trabalho de pesquisadores, esse câncer
demonstra ser menos letal, matando menos e permitindo uma melhoria na qualidade de vida
dos pacientes.
Para tomar decisões fundamentadas nas informações necessárias, é preciso que o
paciente converse com seu médico. Prepara-se para a consulta, anote as suas dúvidas e
perguntas; depois, faça anotações das respostas; se preferir, pergunte se pode usar um
gravador.Algumas pessoas preferem ir acompanhadas por um membro da família ou amigo. Eles
também podem fazer anotações, tomar parte na conversa ou, simplesmente, ouvir.
O cólon e o reto são partes do sistema digestivo, que retira nutrientes dos alimentos e
guarda o que vai ser, depois, eliminado pelo corpo. Cólon e reto formam o chamado
intestino grosso, um tubo longo e musculoso.O cólon fica no início do tubo.
O câncer que começa no cólon chama-se câncer de cólon; iniciando-se no reto, câncer
do reto. Câncer colo-retal refere-se ao câncer tanto do cólon quanto do reto.
Quais são as causas do câncer colo-retal? As causas exatas ainda não foram
determinadas.
Qual a idade em que mais comumente as pessoas podem vir a ter câncer de cólon e reto?
Geralmente, acima dos 50 anos.
Tumores
Como o câncer se desenvolve no corpo humano?
Sendo a unidade básica da vida, para que o corpo funcione normalmente os diversos tipos
de células crescem, se dividem e produzem mais células, de acordo com as necessidades.
Os tumores - que podem ser benignos ou malignos - aparecem quando as
células continuam se dividindo, mesmo que isso não seja necessário. Portanto, tais
células extras provocam crescimentos ou tumores.
O aparecimento de tumores é câncer?
Nem sempre. Os tumores benignos não são câncer. Em sua maioria, podem ser retirados,
não voltam e raramente constituem uma ameaça à vida. As células nos tumores benignos
não se espalham para outras partes do corpo.
Por outro lado, os tumores malignos são câncer. As células anormais desses tumores se
dividem sem ordem ou controle; podem invadir e destruir o tecido à sua volta;
afastando-se do tumor, podem entrar no fluxo sangüíneo ou no sistema linfático (os
tecidos e órgãos que produzem e armazenam células que combatem infecções e doenças).
Esse processo de difusão do câncer, espalhando-se a partir do tumor original ( primário
) para formar novos tumores (secundários) em outras partes do corpo, é chamado
metástese.
Os riscos de câncer
Que pessoas têm mais probabilidade de desenvolver câncer colo-retal?
Os fatores de risco associados a esse tipo de câncer são: idade, dieta, pólipos,
antecedentes pessoais, familiares e colite de úlcera.
Câncer colo-retal ocorre com mais freqüência quando as pessoas vão ficando mais
velhas, sendo mais comum em homens e mulheres com mais de 50 anos. Entretanto, também
pode atingir os mais jovens - até mesmo, em casos raros, adolescentes.
Dietas com elevados níveis de gordura e calorias e baixo consumo de alimentos ricos em
fibras parecem ter influência no desenvolvimento do câncer do cólon e do reto.
Comuns em pessoas com mais de 50 anos, os pólipos são crescimentos benignos na parede
interna do cólon e do reto. Alguns tipos aumentam os riscos do desenvolvimento de câncer
colo-retal. Uma condição rara, por exemplo, chamada de polipose familiar, leva centenas
de pólipos a se formarem no cólon e no reto, órgãos onde o câncer surgirá
gradualmente, se não houver tratamento da polipose.
Mulheres com um histórico de câncer do ovário, útero ou seio têm mais probabilidade
de desenvolverem câncer colo-retal. E ainda: os que já tiveram câncer colo-retal, podem
voltar a sofrer uma segunda vez desse tipo de câncer.
Os parentes em primeiro grau (pais, irmãos, filhos) de uma pessoa que desenvolveu câncer
colo-retal estão sob maiores riscos para sofrer do mesmo mal, sobretudo se o parente teve
câncer na juventude. Se muitos familiares desenvolveram câncer colo-retal, as
probabilidades aumentam.
Se uma pessoa tem um ou mais desses fatores de risco, o câncer ocorrerá?
Não necessariamente, entretanto, como as probabilidades são maiores, aconselha-se
consultar um médico sobre esses fatores de risco. O médico poderá sugerir alguns meios
de reduzir essas probabilidades, além de planejar um cronograma para exames.
Quais são os meios para reduzir os riscos de câncer do cólon e do reto?
Diagnóstico precoce e a retirada de pólipos; parar de fumar; uso de suplementos na
dieta, assim como de aspirina ou remédios similares; redução do consumo de álcool e
aumento de atividades físicas; uma dieta com baixos índices de gordura e muita fibra -
são medidas que podem ajudar na prevenção, segundo os pesquisadores.
Estudos também indicaram que a ocorrência de mudanças em alguns genes (unidades
básicas da hereditariedade ) aumentam os riscos do câncer colo-retal. Daí se aconselhar
que os membros de famílias com vários casos desse tipo de câncer consultem um
especialista em genética, para discutirem a possibilidade de um exame de sangue
específico, que identificaria mudança genética com potencial de aumentar a
probabilidade de desenvolvimento do câncer colo-retal. A mudança genética não
significa a certeza do câncer, no entanto, sugere-se uma consulta a seu médico sobre
como prevenir ou diagnosticar precocemente a doença.
Diagnóstico precoce
Quando alguém se identifica entre aqueles que têm qualquer um dos fatores de risco, deve
perguntar a seu médico sobre: quando começar a fazer exames para o diagnóstico de
câncer de cólon e de reto; que exames são esses; e com que freqüência precisam ser
realizados. Mesmo que a pessoa não apresente sintomas, o médico poderá sugerir um ou
mais testes, usados para detectar pólipos, câncer ou outras anormalidades.
O médico também poderá dizer ao paciente se os exames são dolorosos e quando os
resultados serão conhecidos, após a sua realização.
- Exame fecal para detectar presença de sangue oculto (FOBT). Às vezes, o câncer ou
pólipo podem sangrar . Este exame de fezes detecta pequenos sangramentos.
- Sigmoidoscopia é um exame do reto e do baixo cólon (cólon sigmoid), por meio de
instrumento com luz chamado sigmoidoscópio.
- Colonoscopia - exame do reto e de todo o cólon, usando-se instrumento com luz chamado
colonoscópio.
- Um enema de bário com duplo contraste (DCBE) é uma série de raios-x do cólon e do
reto. Dá-se um enema ao paciente com uma solução que contém bário, permitindo ver-se
o cólon e o reto nos raios-x.
- Um exame digital do reto (DRE) é realizado pelo médico, que usa uma luva lubrificada,
para colocar um dos dedos no reto e verificar a existência de anormalidades.
Sintomas e diagnóstico do câncer colo-retal
Quais os indícios e sintomas de câncer no cólon e no reto?
São vários...e um médico deve ser consultado, porque podem ser causados por câncer ou
outras doenças.
- Mudança no funcionamento dos intestinos (isto é, nos hábitos de defecar).
- Diarréia, prisão de ventre, ou sensação de que ainda há fezes para sair.
- Sangue nas fezes (sangue vermelho brilhante ou muito escuro).
- Fezes mais finas (estreitas ) do que de costume.
- Desconforto abdominal em geral ( gases doloridos com freqüência, inchação,
sensação de estar com o estômago muito cheio, e/ou câimbras).
- Perda de peso sem razão aparente.
- Cansaço constante.
- Vômitos.
Quando o paciente relata ao médico esses problemas, o doutor avalia o histórico médico
da pessoa, além de fazer um exame físico. O doutor também pode solicitar um ou mais
exames:
- raios-x do intestino grosso, como o DCBE, visando a detectar
pólipos ou outras mudanças;
- uma sigmoidoscopia permite ao médico observar o interior do reto e o baixo cólon e
retirar pólipos ou outros tecidos anormais a serem examinados com um microscópio;
- uma colonoscopia permite ao médico examinar o interior do reto e o cólon por inteiro e
fazer a retirada de pólipos ou outros tecidos anormais para serem observados sob o
microscópio;
- uma polipectomia é a retirada de um pólipo durante uma sigmoidoscopia ou colonoscopia;
- uma biópsia é a retirada de amostra de tecido para ser examinada sob um microscópio
por um patologista visando fazer um diagnóstico.
Quais são os estágios do câncer colo-retal?
Com o diagnóstico de câncer, o médico vai determinar, ainda, o estágio (estádio) ou a
extensão da doença, procedendo a um exame cuidadoso para verificar se o câncer se
espalhou (e para que partes do corpo) ou não. Mais exames podem ser solicitados, para
auxiliarem na determinação do estágio e, posteriormente, ajudarem o médico a planejar
o tratamento.
- Estágio 0 - o câncer está no começo, sendo encontrado apenas no revestimento interno
do cólon ou do reto.
- Estágio I - o câncer envolve mais do que a parede interna do cólon ou do reto.
- Estágio II - o câncer espalhou-se para fora do cólon ou do reto, atingindo tecidos
próximos, mas não chegou aos nódulos linfáticos. (Nódulos linfáticos são pequenas
estruturas na forma de feijão que fazem parte do sistema imunológico do corpo humano.)
- Estágio III - o câncer espalhou-se para os nódulos linfáticos próximos, mas não
para outras partes do corpo.
- Estágio IV - o câncer espalhou-se para outras partes do corpo. É tendência do
câncer colo-retal se espalhar para o fígado e/ou para os pulmões.
- Recorrente (recidivo) - o câncer voltou a ocorrer, após o tratamento, podendo isso
acontecer no cólon ou reto ou em outra parte do corpo.
Qual o tratamento para o câncer colo-retal?
Vai depender do tamanho, da localização e da extensão do tumor, assim como do estado de
saúde do paciente. E vai ser realizado, geralmente, por uma equipe de especialistas:
gastroenterologista, cirurgião, oncologista e radiologista-oncologista. Há vários tipos
de tratamento para o câncer colo-retal. Às vezes, a decisão é usar uma combinação
dos diferentes tratamentos.
Pergunte a seu médico: o que acontecerá se eu não tiver o tratamento aconselhado para
mim? Precisarei me internar no hospital para receber esse tratamento? Por quanto tempo?
Qual a mudança que ocorrerá em minhas atividades normais, durante o tratamento? Após o
tratamento, qual será a freqüência dos exames de acompanhamento? Que tipos de cuidado
deverei ter?
Os efeitos colaterais dos tratamentos de câncer variam de acordo com o paciente e o tipo
de tratamento. Esses efeitos são, em sua maioria, temporários. Sobre os possíveis
efeitos colaterais, os pacientes devem perguntar a médicos e enfermeiros, sem deixar de
relatar ao médico a ocorrência dos mais graves. Meios de auxiliar o paciente quanto aos
efeitos colaterais, durante e depois do tratamento, podem ser sugeridos pelos médicos.
Pergunte a seu médico: que efeitos colaterais posso esperar? Quanto tempo vão durar? Que
efeitos colaterais devo informar? A quem devo informar esses efeitos colaterais? Quem
estará envolvido com o meu tratamento e a minha reabilitação? Qual a função de cada
membro da equipe médica que vai cuidar de mim? Qual tem sido a sua experiência ao tratar
de pacientes com câncer colo-retal? Há grupos de apoio locais, com pessoas que eu
poderia procurar para conversar sobre esse meu problema de saúde? Onde posso encontrar
mais informações sobre câncer colo-retal?
- A cirurgia, tratamento mais comum, em geral retira o tumor, juntamente com uma parte do
cólon saudável ou do reto e os nódulos linfáticos próximos. Na maioria dos casos, o
médico reconecta as áreas saudáveis do cólon ou reto. Quando isso não é possível,
torna-se necessária uma colostomia, temporária ou permanente. A colostomia, uma abertura
cirúrgica (stoma) por meio da parede do abdômen para o cólon, proporciona um novo
caminho para os resíduos alimentares deixarem o corpo. Após uma colostomia, o paciente
usa uma bolsa especial para coletar os resíduos do corpo. Alguns precisam de uma
colostomia temporária que permita a recuperação do baixo cólon ou do reto, após a
cirurgia. Cerca de 15 por cento dos pacientes de câncer colo-retal necessitam de uma
colostomia permanente.
São conseqüências temporárias da cirurgia - dor e sensibilidade no local da
operação; prisão de ventre e diarréia. A colostomia pode causar irritação da pele à
volta do stoma. O paciente receberá orientação sobre a limpeza do local e a prevenção
de infecções e irritações cutâneas.
Pergunte a seu médico: Vou precisar de uma colostomia? Será permanente?
- A quimioterapia usa drogas anticâncer para destruir células cancerígenas. Esse
tratamento pode ser empregado para destruir células cancerígenas que ficaram no corpo
depois da cirurgia, para controlar o crescimento de tumores, ou aliviar os sintomas da
doença. É um tratamento sistêmico, o que significa que os remédios entram no fluxo
sangüíneo e percorrem todo o corpo. A maior parte das drogas anticâncer são injetadas
diretamente na
veia (IV) ou por meio de um catéter, um tubo estreito colocado em uma grande veia, ali
permanecendo durante o tempo necessário. Alguns remédios anticâncer são ministrados na
forma de comprimidos.
A quimioterapia ataca tanto as células doentes quanto as células normais. Os efeitos
colaterais dependem principalmente das drogas específicas e de sua dosagem: náusea e
vômitos, perda de cabelo, feridas na boca, diarréia e fadiga. Com menos freqüência,
podem ocorrer efeitos colaterais graves, como infecção e sangramento.
- A radioterapia envolve o uso de raios-x com elevados níveis de radiação (energia)
para destruir as células cancerígenas. Trata-se de uma terapia local, dirigida somente
para a área onde estão as células cancerígenas. No câncer do reto, é utilizada com
freqüência. Os médicos podem usá-la antes da cirurgia (para reduzir um tumor de modo a
facilitar a sua retirada) ou após a cirurgia (visando à destruição das células
cancerígenas que permaneceram na área tratada). A radioterapia também alivia os
sintomas. A radiação pode vir de uma máquina (radiação externa) ou de um implante
(pequeno recipiente de material radioativo) colocado diretamente no tumor ou em sua
proximidade (radiação interna). Ambos os tipos de radioterapia podem ser aplicados no
mesmo paciente.
Como acontece com a quimioterapia, ataca tanto as células doentes quanto as saudáveis.
Os efeitos colaterais dependem, principalmente, da dosagem e da parte do corpo que está
sendo tratada. Os mais comuns: fadiga, mudanças na pele do local onde o tratamento é
ministrado, perda de apetite, náusea e diarréia. Às vezes, a radioterapia pode causar
sangramento por meio do reto (fezes com sangue).
- Terapia biológica, também chamada imunoterapia, utiliza o sistema imunológico do
corpo para combater o câncer, procurando as células cancerígenas e trabalhando para
destruí-las. As terapias biológicas são usadas para reparar, estimular ou aperfeiçoar
a função natural anticâncer do sistema imunológico. Pode ser ministrada após a
cirurgia, isolada ou em combinação com a quimioterapia ou o tratamento de radioterapia.
A maioria é injetada na veia (IV).
Na terapia biológica, os efeitos colaterais, freqüentes, também variam com o tipo
específico de tratamento: sintomas semelhantes aos da gripe, como arrepios, febre,
fraqueza e náusea.
- Experiências clínicas (pesquisas) para avaliação de novos meios de tratamento do
câncer podem ser uma boa opção para muitos pacientes de câncer colo-retal. Em alguns
estudos, todos os pacientes recebem o novo tratamento. Em outros, os médicos comparam
terapias diferentes, ministrando o novo tratamento para um grupo de pacientes e a terapia
comum (padrão) a um outro grupo.
Pergunte a seu médico: que experiência clínica seria apropriada para o meu caso?
Acompanhamento médico e apoio emocional
Após o tratamento, o paciente deverá seguir disciplinadamente o programa de
acompanhamento aconselhado por seu médico. Os checkups regulares garantem que sejam
observadas as mudanças. Isso permitirá que, em caso de retorno do câncer, ou o
desenvolvimento de um novo câncer, seja tratado o mais rápido possível.
Os checkups podem incluir: exame físico, exame de fezes para verificar a presença de
sangue oculto, uma colonoscopia, raios-x do peito, exames de laboratório.
Entre os checkups programados, quem teve câncer colo-retal deverá informar sem demora
qualquer problema de saúde a seu médico.
Os aspectos emocionais também precisam ser cuidados. O paciente se preocupa muito,
enfrenta dificuldades, conflito de emoções, etc. Tudo isso ao mesmo tempo que deve
seguir tratamento médico, fazer exames físicos, conviver com problemas causados pela
doença. Daí ser aconselhável que o paciente procure grupos de apoio, capazes de
auxiliarem nos momentos de dúvida e solidão e na melhoria de sua qualidade de vida.
Encontrar
pessoas que se mostram solidárias, entendem, conversam com o paciente significa obter uma
ajuda de valor inestimável, inclusive para evitar uma situação crônica de desânimo ou
até depressão.