BRASÍLIA (ABN) - No campo e na cidade, dentro e fora dos edifícios e veículos, uma
praga se alastra como epidemia sem vacina, simulando progresso e liberdade. Telefones
celulares e bips interrompem conversas, invadem o espaço sonoro; perturbam os momentos de
oração e lazer, as salas de aulas, as bibliotecas, as igrejas, os cinemas e teatros. Um
horror!
As pessoas não parecem entender que, ao invés de demonstrarem evolução, poder,
eficiência e posse, estão revelando incompetência no uso de seu precioso tempo. Afinal,
deixam-se envolver em compromissos supostamente inadiáveis, abdicam de seus momentos de
privacidade, esquecem as mais elementares regras de etiqueta, mostram-se descorteses,
egoístas ao extremo.
Falta de educação, organização, planejamento...salta aos olhos dos que, incomodados
e/ou boquiabertos, resistem a esse tipo de escravidão voluntária, sentem-se mal e
aguardam que, num instante de reflexão, os viciados no uso ininterrupto de bips e
telefones celulares venham a compreender que se deixaram dominar por um vírus barulhento
e visível.
Afinal, não se trata mais de prova de status;aparelhos reais, ou de brincadeira,
surgem nas mãos de todos... como armas quase tão perigosas como os revólveres de
brinquedo. Olhando-se à volta, vemos que apenas os bichos ainda não dispõem de celular.
E por isso são mais saudáveis do que nós!
Tenhamos a coragem de resistir, colocando limites aos exageros e abusos, dizendo
"não" a esta nova forma de escravidão voluntária. Conscientes da liberdade
que precisamos conquistar a cada dia, reconhecendo os direitos e a dignidade do próximo,
aprendamos - e tenhamos orgulho de mostrar que sabemos exercer tal domínio - a manter
nossos bips e celulares, apesar de ativos, agradavelmente invisíveis e calados,
aguardando que a nossa
inteligência e cortesia determinem quando, com urgência, precisamos utilizá-los!