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Mario Persona é articulista, consultor, escritor e palestrante. Estas crônicas fazem parte dos temas apresentados em suas palestras

 

 

 

 

 

Segredos de bastidores

Mario Persona mp@mariopersona.com.br é articulista, consultor, escritor e palestrante. Esta crônica faz parte dos temas apresentados em suas palestras.

SÃO PAULO (ABN) - "Ri com a história da Panificadora Francesa em Alto Paraíso - desta eu fui testemunha", escreveu um antigo colega de faculdade, reencontrado graças a uma crônica minha na Web. "Me faz acreditar na história da corajosa de Angra", completou, referindo-se à crônica "Empreender sem dor".

É comum indagarem se as histórias que conto são verdadeiras. Todas são. A menos que eu as identifique como anedota. Talvez sejam até menos interessantes do que as vividas por outras pessoas. O segredo é saber contá-las, para extrair do banal o extraordinário. E enxergar pepitas na bateia do dia-a-dia, onde só parece haver cascalho.

Comunicação é o foguete propulsor do marketing. Sua empresa sempre irá precisar de alguém que separe o ouro do chumbo, mesmo no cadinho do mais tedioso produto. E revele seu brilho aos olhos do cliente. Será muita ousadia eu sugerir que este alguém possa ser eu?

Conhecer o comportamento das pessoas é essencial. E o que decora o cenário com matizes que surpreendem, acrescentando uma eufonia que cativa até os mais peludos ouvidos, são as velhas e conhecidas palavras.

Ou uma calculada omissão das mesmas, gerando a ansiedade de um vácuo de expectativa, onde o cliente esperava ouvir algum som. Técnica cuja excelência foi descrita por quem elogiava um vendedor de sucesso: "Ele usava frases de efeito e as sublinhava com o silêncio".

Comunicar é também saber o que não dizer. É a arte de não revelar os bastidores, onde acontece a ação de produzir. E deixar vir à tona somente a emoção de seduzir. Como fazem os parques Disney com seus coadjuvantes subterrâneos.

Será que no cinema alguém assiste a lista após o "The End"? São nomes conhecidos apenas das costas do público. Longe dos holofotes, amargam ter de competir com as luzes pecocemente acesas na sala que se esvazia. Nunca aparecem no início. Evita-se expor o que não agrega valor.

Mas evitar expor não é o mesmo que esconder. Há empresas que escondem porque não durariam um dia se a transparência chegasse à produção. A padaria onde eu costumava brincar na minha infância era assim.

Nos bastidores, apenas funcionários e anônimos amigos dos filhos do dono. Circulando entre tabuleiros de inertes pãezinhos em crescimento, e outros de não tão inertes verminhos em fase de engorda. Formavam a criação de bichos da seda de meus amigos. O cliente que visse aquelas massinhas gosmentas roendo folhas de amoreira sujas de pó de trigo, jamais comeria seus pães companheiros.

Por mais repulsivas que fossem as lagartas vomitando fios prateados, produziam a matéria prima do mais excepcional tecido já criado. Tão grande foi sua influência nos negócios da humanidade, que a mais célebre rota comercial da história leva o seu nome.

Mas pela Rota da Seda não circulavam as lagartas, segredo que os chineses conseguiram trancar por dois mil anos. Cada mercador chinês só transportava e revelava o que interessava. A sublimidade do tecido.

Porém seda vomitada por bichinhos não era o que os clientes da padaria procuravam. Eles queriam pão. Igual ao que agasalhava a lingüiça surrupiada do balcão nas noites frias de solidão estomacal. Porque o único padeiro era movido a pão, lingüiça e pinga. Muita pinga. Tanta seda lhe dava sede.

Numa daquelas noitadas panificantes, o padeiro usou de uma dose extra de energia etil-calabresa para sovar a massa. Talvez visse nela o patrão. E a massa cresceu. Cresceu como nunca. Para os clientes, o segredo estava no vigor do padeiro ou no fermento. Para os meninos dos bastidores, o padeiro apenas usara a técnica dos bichos de seda para produzir fio.

O dia amanheceu como outro qualquer. Com clientes se enfileirando no balcão para comprar pão. E leite, que vinha em garrafas de vidro de goela larga. Tudo parecia normal, até o dono ser surpreendido por clientes que começavam a voltar. Para buscar mais daquele delicioso pão de lingüiça (ABN). 

( Esta crônica faz parte dos temas apresentados em suas palestras. Veja mais crônicas de Mario Persona em www.mariopersona.com.br )

 

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Palavras são palavras. Nada mais?

Mario Persona mp@mariopersona.com.br> é articulista, consultor, escritor e palestrante.

SÃO PAULO (ABN) - Palavras. São elas que sustentam os negócios. Nas trocas, nas vendas, no diálogo para dentro e para fora. São elas que garantem um lugar no mercado. Ou fora dele, quando equivocadas. As empresas sobre elas saltitam perigosamente, como em caminho de pedras em meio à escuma dos inquietos meandros de uma economia falaz.

Palavras fazem toda a diferença. Somos dirigidos por sua corrente. De pais, filhos, amigos ou inimigos elas nos vêm. E são por meio delas que eles nos vêem. Mesmo no silêncio não

param de nos inquietar. Sussurradas pela memória de uma experiência gratificante, são renovadoras de negócios. Gritadas pela consciência traída, são devastadoras.

Palavras são meus anzóis. Pequenos e imperceptíveis, vão fundo e chegam longe. Consegui fisgar três minutos de seu precioso tempo só para ler meu texto. Multiplicados pelo número de pessoas alcançadas pela tiragem estimada dos sites, jornais, revistas e boletins que me publicam, podem passar de setenta mil horas. Uns oito anos para quem só pediu três minutos de atenção.

Palavras são como o vento que areja com o frescor de uma solução a mente de seu cliente. Ou transporta um cisco indesejado para seu olho. Muito depende de quem as articula. Daí o cuidado de só soprar as palavras certas na corneta de sua publicidade. Elas podem abrir carteiras para sua mensagem. Ou fechar ouvidos para sua marca.

São escribas e locutores os malabaristas das letras. Manipulam fluidos cerebrais articulados em impulsos audíveis ou códigos legíveis. Com habilidade as lançam no ar, na quantia adequada e cadência controlada, fazendo desaparecer a mão para deixar visível só a sensação. Que mesmeriza uma platéia ávida por emoções.

Você contrata palestrantes que derramam palavras de levantar o moral de seu pessoal. Ou fazem descer a guarda de seu cliente, que precisa entender antes de comprar o que você vende. Você investe em profissionais de consulta, para diagnosticar as doenças de seus negócios. E dizer o que você já desconfiava, mas não verbalizava por falta de talento. Ou coragem.

O Roberto estava certo quando cantou que "palavras são palavras, e a gente nem percebe o que disse sem querer, e o que deixou pra depois". Uma comunicação mal feita pode deixar você sem achar um jeito para explicar, e esperando que o cliente possa aceitar. Mas a concorrência é implacável demais. Não deixará você explicar a seu cliente que tem "um jeito meio estúpido de ser, mas é assim que eu sei te amar."

A erupção que palavras mal colocadas provocam pode ser devastadora para qualquer negócio. Até para a escola secundária onde lecionei quando jovem. Para resolver o problema da indiferença dos alunos para com os estudos, convidamos os pais para uma palestra na presença da delegada de ensino. Eram, em sua maioria, pequenos agricultores e criadores de gado.

A idéia era mostrar que eles foram bem sucedidos numa época em que estudar não era uma prioridade. Porém seus filhos precisavam estar preparados para um mundo diferente daquele que garantiu o sustento de seus pais. Com o crescente êxodo rural, fatalmente teriam de enfrentar uma concorrência acirrada na cidade. Erramos ao foi convidar o menos diplomático dos professores para fazer a palestra.

"Ilustríssima senhora delegada de ensino", começou ele, entregando a única porção bem sucedida de seu discurso. E numa passada de braço que abrangia toda a platéia, qual espada ceifando na altura dos pescoços, continuou: "Como sabe, as pessoas nesta sala têm um nível de escolaridade baixíssimo!". Mal teve tempo de colocar o ponto de exclamação e já tinha pai com punhos cerrados e bocas escancaradas. Incêndio de paixões que os bombeiros do deixa-disso extinguiram de imediato. Só com palavras, nada mais.

( Esta crônica faz parte dos temas apresentados em suas palestras. Veja mais crônicas de Mario Persona em www.mariopersona.com.br )

 

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Articulistas

 

 

 

Ana Echevenguá é advogada, presidente da Ambiental Acqua Bios, apresentadora do programa ' Eco&Ação' da TV Barriga Verde/Band (SC) e coordenadora da Academia das Águas

     
 

 

 

Edir Macedo é escritor, teólogo, radialista e jornalista, controlador da Rede Record de Televisão e da Record Internacional

     
 

 

Ezequiel Novais Neto é médico endocrinologista, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos de Minas Gerais (IBEM-MG) e Diretor Nacional da Confederação Monárquica do Brasil

     
 

 

Feichas Martins é jornalista, cientista político, presidente do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB), diretor da Federação Nacional da Imprensa (Fenai/Faibra) e da Associação Brasiliense de Imprensa (ABI-DF)

     
 

 

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil,palestrante e membro da diretoria da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias

     
 

J.H. de Oliveira Junior é empresário de comunicação, presidente da Associação Brasiliense de Imprensa (ABI-DF), da Federação das Associações de Imprensa do Brasil / Federação Nacional da Imprensa (Faibra-Fenai) e da Agência Brasileira de Notícias (ABN)

     
 

 

Kurt Pessek é articulista, escritor e diretor da Associação de Brasiliense de Imprensa (ABI-DF) / Associação da Imprensa do Distrito Federal

     
 

 

 

Marcos Pontes é articulista, astronauta, professor, engenheiro aeronáutico e mestre em Engenharia de Sistemas.

     
 

 

 

Mario Persona é articulista, consultor, escritor e palestrante

   

 

 

 

Nicias Ribeiro é articulista, professor, engenheiro eletrônico, parlamentar e diretor da Federação das Associações de Imprensa do Brasil / Federação Nacional da Imprensa (Faibra-Fenai)

     
 

 

 

Ricardo Bergamini é escritor, articulista e professor de economia

     
 

 

 

Theresa Catharina é articulista, escritora, palestrante. professora universitária e editora do Notícias Culturais

 

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