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Articulistas

Nicias Ribeiro

Editoria de Opinião & Artigos

 

Nicias Ribeiro - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Nicias Ribeiro é articulista, professor, engenheiro eletrônico, físico, matemático, parlamentar e diretor da Federação Nacional da Imprensa (www.fenai.org.br) e da Federação das Associações de Imprensa do Brasil (www.faibra.org.br)

 

Deus Salve o Brasil!

Na semana retrasada, a Nação ficou estupefata com a fala do Presidente LULA, na Paraíba, quando S. Exa. chamou todos os seus “antecessores” de covardes. É claro que uma expressão tão forte quanto esta não é comum à Chefes de Estado e pode ser vista como uma inominável deselegância para com o antecessor e seus predecessores. É evidente que uma descortesia desta monta, pronunciada pelo próprio Presidente da República, provocaria, como provocou, a reação de vários segmentos, especialmente da classe política que sairia, como saiu, em defesa do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso e de outros expoentes da história republicana deste País, como Juscelino Kubsticheck e Getúlio Vargas.

Fui um dos que reagiu à fala do Presidente LULA, tanto da Tribuna da Câmara dos Deputados, como através do artigo intitulado “A fala infeliz”, publicado neste espaço, em “O LIBERAL”. É óbvio que não sei se foi a repercussão negativa de sua fala, na Paraíba, ou se caiu em si. O certo é que, no dia seguinte, o Presidente LULA mudou o tom e disse que não era bom criticar os governos passados, senão, quando deixasse o governo, o seu substituto iria criticar aquilo que não havia conseguido fazer. E continuou: “temos é que olhar para frente...”.

É claro que essa nova postura do Presidente é de um bom senso indiscutível, até porque quem olha para trás vira estátua de sal, conforme diz a Bíblia Sagrada, na passagem da destruição de Sodoma e Gomorra. Ademais, como ele mesmo disse, “se continuar falando dos que lhe antecederam, quando deixar a Presidência irão falar daquilo que não conseguiu realizar”. E como nada fez até agora, nesses 10 meses de governo, corre o risco das críticas acontecerem já, como, aliás, está ocorrendo nas inserções do PDT, em rede nacional, quando o ex-Governador Leonel Brizola diz, textualmente, que o governo LULA não construiu nenhuma escola, nenhum posto médico e só taxou os inativos e pensionistas, no que, aliás, concordo plenamente. Mas, o que ainda precisa ser dito, é que enquanto o governo diz que não há recursos para obras, o Presidente LULA promete ajudar Cuba, Colômbia e, ultimamente, Angola e outros Países da África. Se há recursos para investir no estrangeiro, porque o governo não recupera as nossas estradas, que continuam esburacadas? Ou as promessas do Presidente, em suas andanças pelo exterior, são apenas falácias?

Na verdade, como diz o ex-Governador Brizola, nada foi feito no governo LULA. Muito pelo contrário. Não fez e está dificultando aos governos estaduais e municipais à fazê-lo, em razão da violenta queda das quotas-partes do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios, de tal ordem que muitos Municípios terão dificuldades de pagar o 13º salário. E se isso não bastasse, o governo LULA ainda vai descontar recursos do FUNDEF, que teria sido repassado a mais para os municípios do Pará.

Mas, pior do que isso, é o desmonte que o governo LULA está fazendo nos programas no Ministério da Saúde, criados pelo ex-Ministro José Serra e que lhe garantiram reconhecimento internacional. O PITS, por exemplo, que é o Programa de Interiorização dos Trabalhadores da Saúde, planejado para 10 anos, e que viabilizou a presença de médicos e enfermeiros nos municípios de IDH baixo, será encerrado no final de 2003. Os programas da catarata e da próstata, não há informação precisa sobre a sua continuidade. Esses programas, garantiam a ida de médicos especialistas até os municípios do interior, para realizarem cirurgias no tratamento dessas doenças. O programa da farmácia popular há 6 meses não recebe medicamentos. Até o soro antiofídico, que nunca faltou nos municípios do interior, está em falta, porque o Ministério da Saúde não renovou o contrato com o Instituto Butantã. Dá para imaginar o que representa a falta do soro antiofídico nos hospitais do interior da Amazônia, onde os caboclos costumeiramente são picados por cobras venenosas, das mais variadas espécies?

Como se vê, não há dinheiro para manter os programas de saúde, no Brasil, mas há dinheiro para ajudar Cuba, Colômbia, Angola e outros Países. O que está acontecendo? Será que no governo LULA, o povo estrangeiro é mais importante que o brasileiro? E se não há dinheiro para manter os atuais programas, para que lançar novos? Ou o governo LULA é aquele caricaturado no programa “CASSETA E PLANETA” que só cuida do lançamento de novos programas, sem se preocupar com a sua execução? Serão essas as mudanças prometidas?... Deus salve o Brasil!

Matéria Editada em 10/11/2003

 

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