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Deus Salve o Brasil!
BRASÍLIA [
ABN NEWS ] -Na semana retrasada, a
Nação ficou estupefata com a fala do Presidente LULA, na
Paraíba, quando S. Exa. chamou todos os seus “antecessores”
de covardes. É claro que uma expressão tão forte quanto esta
não é comum à Chefes de Estado e pode ser vista como uma
inominável deselegância para com o antecessor e seus
predecessores. É evidente que uma descortesia desta monta,
pronunciada pelo próprio Presidente da República, provocaria,
como provocou, a reação de vários segmentos, especialmente da
classe política que sairia, como saiu, em defesa do ex-Presidente
Fernando Henrique Cardoso e de outros expoentes da história
republicana deste País, como Juscelino Kubsticheck e Getúlio
Vargas.
Fui um dos que reagiu à fala do Presidente
LULA, tanto da Tribuna da Câmara dos Deputados, como através do
artigo intitulado “A fala infeliz”, publicado neste espaço,
em “O LIBERAL”. É óbvio que não sei se foi a repercussão
negativa de sua fala, na Paraíba, ou se caiu em si. O certo é
que, no dia seguinte, o Presidente LULA mudou o tom e disse que
não era bom criticar os governos passados, senão, quando
deixasse o governo, o seu substituto iria criticar aquilo que não
havia conseguido fazer. E continuou: “temos é que olhar para
frente...”.
É claro que essa nova postura do Presidente
é de um bom senso indiscutível, até porque quem olha para trás
vira estátua de sal, conforme diz a Bíblia Sagrada, na passagem
da destruição de Sodoma e Gomorra. Ademais, como ele mesmo
disse, “se continuar falando dos que lhe antecederam, quando
deixar a Presidência irão falar daquilo que não conseguiu
realizar”. E como nada fez até agora, nesses 10 meses de
governo, corre o risco das críticas acontecerem já, como,
aliás, está ocorrendo nas inserções do PDT, em rede nacional,
quando o ex-Governador Leonel Brizola diz, textualmente, que o
governo LULA não construiu nenhuma escola, nenhum posto médico e
só taxou os inativos e pensionistas, no que, aliás, concordo
plenamente. Mas, o que ainda precisa ser dito, é que enquanto o
governo diz que não há recursos para obras, o Presidente LULA
promete ajudar Cuba, Colômbia e, ultimamente, Angola e outros
Países da África. Se há recursos para investir no estrangeiro,
porque o governo não recupera as nossas estradas, que continuam
esburacadas? Ou as promessas do Presidente, em suas andanças pelo
exterior, são apenas falácias?
Na verdade, como diz o ex-Governador
Brizola, nada foi feito no governo LULA. Muito pelo contrário.
Não fez e está dificultando aos governos estaduais e municipais
à fazê-lo, em razão da violenta queda das quotas-partes do
Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação
dos Municípios, de tal ordem que muitos Municípios terão
dificuldades de pagar o 13º salário. E se isso não bastasse, o
governo LULA ainda vai descontar recursos do FUNDEF, que teria
sido repassado a mais para os municípios do Pará.
Mas, pior do que isso, é o desmonte que o
governo LULA está fazendo nos programas no Ministério da Saúde,
criados pelo ex-Ministro José Serra e que lhe garantiram
reconhecimento internacional. O PITS, por exemplo, que é o
Programa de Interiorização dos Trabalhadores da Saúde,
planejado para 10 anos, e que viabilizou a presença de médicos e
enfermeiros nos municípios de IDH baixo, será encerrado no final
de 2003. Os programas da catarata e da próstata, não há
informação precisa sobre a sua continuidade. Esses programas,
garantiam a ida de médicos especialistas até os municípios do
interior, para realizarem cirurgias no tratamento dessas doenças.
O programa da farmácia popular há 6 meses não recebe
medicamentos. Até o soro antiofídico, que nunca faltou nos
municípios do interior, está em falta, porque o Ministério da
Saúde não renovou o contrato com o Instituto Butantã. Dá para
imaginar o que representa a falta do soro antiofídico nos
hospitais do interior da Amazônia, onde os caboclos
costumeiramente são picados por cobras venenosas, das mais
variadas espécies?
Como se vê, não há dinheiro para manter
os programas de saúde, no Brasil, mas há dinheiro para ajudar
Cuba, Colômbia, Angola e outros Países. O que está acontecendo?
Será que no governo LULA, o povo estrangeiro é mais importante
que o brasileiro? E se não há dinheiro para manter os atuais
programas, para que lançar novos? Ou o governo LULA é aquele
caricaturado no programa “CASSETA E PLANETA” que só cuida do
lançamento de novos programas, sem se preocupar com a sua
execução? Serão essas as mudanças prometidas?... Deus salve o
Brasil!
[Matéria
Editada em 10/11/2003]
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