No início do século XX, a Amazônia, e em
particular o Pará, viveu a fase áurea da borracha. No mesmo
período, São Paulo viveu a fase áurea do café; Minas, a do
gado bovino; Bahia a do cacau e assim por diante...
Na década dos anos 50, São Paulo
gradativamente foi perdendo os seus cafezais para o Paraná e
passou a se industrializar cada vez mais. A Bahia, por sua vez,
além de ser o maior produtor de cacau do Brasil, passou também a
ser a terra do petróleo.
Na década de 70, São Paulo consolidou-se
como o maior centro industrial do País. Minas, juntamente com
Goiás e Rio Grande do Sul, tornaram-se referência da pecuária.
A Bahia firmou-se mais ainda como o maior produtor de cacau e de
petróleo do País. O Paraná surge como maior produtor de café,
desbancando São Paulo... e o Pará?... O Pará surge no cenário
nacional como detentor da maior província mineral do mundo, na
Serra dos Carajás, e de uma enorme reserva de bauxita no
município de Oriximiná, além de ser o maior produtor de ouro,
graças à Serra Pelada.
O País vivia a fase do milagre
brasileiro... e foi implantado o Projeto Grande Carajás, o
complexo ALBRAS-ALUNORTE em Barcarena, a ALCOA em São Luiz do
Maranhão e a hidrelétrica de Tucuruí, uma vez que a energia é
o maior insumo para a produção de alumínio.
No final do século XX, precisamente no ano
de 1995, com a inauguração da ALUNORTE, concluiu-se o ciclo da
produção de alumínio, desde a exploração da bauxita em Porto
Trombetas e a sua transformação em alumina, que é a matéria
prima do alumínio. Assim, além de ser o maior produtor de ferro,
o Pará se transformou no maior produtor de alumínio do País e
agora de caulim, graças as reservas do alto rio capim.
Porém, é no Pará que está localizada a
Hidrelétrica de Tucuruí, cujas obras da 2ª etapa serão
concluídas até o final de 2.002, elevando a sua geração para
8.400 Mwatt, que é a sua potência total.
Em janeiro de 2.002 terá início a
construção da Hidrelétrica de BELO MONTE, cuja 1ª
máquina deve entrar em funcionamento até dezembro de 2.005, num
tempo, record, assemelhado ao da montagem de uma termoelétrica.
Adiante de Belo Monte, acima da cidade de
Altamira e abaixo da foz do rio Iriri, está a cachoeira de
Babaquara, onde será construída a hidrelétrica de Altamira,
com potência de 6.500 Mwatt e cujos estudos serão retomados logo
após o começo das obras de Belo Monte.
No rio Tapajós, precisamente na cachoeira
de S. Luiz do Tapajós, será construída a hidrelétrica de
Itaituba com 15.000 Mwatt de potência, superando ITAIPU - que
é a maior hidrelétrica do mundo. E no alto Tocantins, próximo
à Marabá, será construída a hidrelétrica de Marabá
com 2.000 Mwatt de potência.
Se somarmos os potenciais da hidrelétrica
de Marabá (2.000 Mwatt), de Tucuruí (8.400 Mwatt), de Belo Monte
(11.000 Mwatt), de Altamira (6.500 Mwatt) e de Itaituba (15.000
Mwatt), chegaremos a um total de 42.900 Mwatt ou 42.900.000 Kwatt,
que eqüivale a mais da metade de toda energia hoje disponível no
Brasil, que é da ordem de 72.000 Mwatt ou 72.000.000 Kwatt.
Como se vê, a implantação de todas essas
hidrelétricas na área de influência da TRANSAMAZÔNICA, no
trecho Marabá - Itaituba, é mais do que um projeto de Estado. É
um projeto de País...
Todavia, além dessas hidrelétricas, ainda
será construída outra na cachoeira de Santo Antônio, no rio
Jarí, com potência de 100 Mwatt para abastecer Monte Dourado e o
excedente será adquirido pela ELETRONORTE para suprir o Amapá,
uma vez que a hidrelétrica Coaracy Nunes exauriu-se em sua
potência instalada que é de apenas 70 Mwatt.
Esse é o Pará do século XXI. O maior
produtor de energia elétrica do País, graças ao seu potencial
hidro-energético que é o maior da Amazônia, o maior do Brasil e
provavelmente o maior do mundo.
No entanto, o importante não é o Pará ser
o maior produtor de minérios e o maior gerador de hidro-energia
do Brasil. O importante é que, graças a construção dessas
hidrelétricas, o Pará poderá ser o “São Paulo” do século
XXI, com a instalação de fábricas de condutores forçados
(peças de aço trabalhadas), de stop-log e pots-rolants,
que são utilizadas nas hidrelétricas, além, obviamente, de toda
e qualquer outra indústria, uma vez que o Pará dispõe de
minérios e vai dispor sempre de energia farta e segura, em razão
do alto índice pluviométrico e da regularidade das chuvas em
todo o seu território.