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O Quinto dos Infernos
BRASÍLIA [
ABN NEWS ] -Costumeiramente, às
segundas-feiras, estamos neste espaço tratando dos mais variados
assuntos. Contudo nunca tratamos de produções artísticas, até
porque não somos críticos de arte. Todavia na sexta-feira santa
passada, dia 29 de março, a Rede Globo de Televisão levou ao ar
o último capítulo da série “O Quinto dos Infernos”, que, no
seu início, mostrou a angustia e o desespero da Côrte
Portuguesa, em especial da família real, ante a iminente invasão
de Portugal pelo exército de Napoleão Bonaparte. Depois,
satirizando, retratou o frenético e atabalhoado embarque da
Côrte Portuguesa nas caravelas inglesas, sua viagem e sua estadia
no Brasil até a derrota de Napoleão Bonaparte, quando pôde
voltar com segurança à Portugal.
Imaginávamos que “O Quinto dos Infernos”
se encerraria com o regresso da família real portuguesa à
Lisboa. No entanto, a produção estendeu o seriado até a morte
de D. Pedro, após ter assumido o trono de Portugal, o que
transformou aquela série, apesar da sátira, num verdadeiro
documentário histórico, que, caso não tenha havido nenhum
equívoco na pesquisa do texto, estabeleceu uma enorme polêmica
sobre um fato acontecido no Brasil em 1972, em meio aos festejos
do sesquicentenário da independência do Brasil.
Entretanto, antes de tratarmos do ocorrido
em 1972, apesar de pouco ou nada entendermos de arte cênica, não
poderíamos deixar de elogiar o magnífico desempenho do excelente
elenco da série, especialmente do ator André Mattos que,
interpretando D. João VI, foi um espetáculo à parte.
Simplesmente, sensacional. Na verdade, “O Quinto dos Infernos”
foi um dos melhores espetáculos já produzidos pela Rede Globo de
Televisão, não só pelo desempenho dos brilhantes atores e
atrizes, tão sabiamente escolhidos pela direção, mas,
principalmente, pela qualidade do guarda-roupa e dos cenários que
retrataram, com rigor, a época em que se passou o episódio
encenado.
Mas, esqueçamos as exuberantes
interpretações dos personagens e da sátira gostosa que foi “O
Quinto dos Infernos” e voltemos a nossa atenção aos aspectos
históricos daquele seriado que, no seu último capítulo, colocou
em dúvida a homenagem que o povo brasileiro prestou àquele
príncipe português que declarou a independência do Brasil, às
margens do Riacho do Ipiranga, naquele histórico dia 7 de
setembro de 1822.
Se o eventual leitor prestou a devida
atenção aos momentos finais do último capítulo, daquele
belíssimo seriado, terá percebido que o cadáver de D. Pedro
não foi sepultado em Portugal, como muitos imaginavam, uma vez
que o seu corpo foi cremado e, atendendo ao seu pedido, suas
cinzas foram lançadas ao mar pela própria esposa, D. Amélia - a
então rainha de Portugal e ex-Imperatriz do Brasil, que se fez
acompanhar por Chalaça.
Se assim foi, como mostrou aquele seriado da
Globo, como é possível os restos mortais de D. Pedro I - o
Imperador do Brasil, ter sido trasladado de Portugal para o nosso
País, para ser depositado no monumento do Ipiranga, na cidade de
S. Paulo, em setembro de 1972, em meio aos festejos do
sesquicentenário da Independência do Brasil?
Aliás, aqueles restos mortais, ditos de D.
Pedro I, antes de serem depositados no monumento do Ipiranga, no
dia 7 de setembro de 1972, foram levados à várias capitais
brasileiras, inclusive à Belém onde foi homenageado pela
população nas ruas e velado no átrio do Palácio Lauro Sodré,
que na época era a sede do governo estadual, com honras de Chefe
de Estado.
Se o corpo de D. Pedro I foi cremado e suas
cinzas jogadas ao mar, como mostrou a Rede Globo de Televisão, no
último capítulo do seriado “O Quinto dos Infernos”, não
poderia haver restos mortais sepultado em Portugal. E se assim é,
o que é que foi trasladado para o Brasil, em setembro de 1972?
Se a Rede Globo de Televisão não cometeu
nenhum equívoco em suas pesquisas, o traslado dos restos mortais
de D. Pedro foi uma fraude. E neste caso, quem foi o enganado?...
O Presidente Médice, o povo brasileiro, ou ambos?...
Seja como for, em sendo verdade a versão da
Globo, como fica a Nação brasileira diante desse desrespeito?...
Cremos que urge um esclarecimento sobre o
fato em si, até mesmo para que nós brasileiros não sejamos
forçados, pelas circunstâncias, a admitir que, de fato, o Brasil
é o quinto dos infernos, como pensava D. Carlota Joaquina.
(Matéria editada em
08/04/02)
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