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A Amazônia e a Guerra
BRASÍLIA [
ABN NEWS ] -Qual a perspectiva do futuro,
no momento em que acontece uma guerra no oriente médio? Aliás,
uma guerra não, um massacre. Pois o Iraque não dispõe da menor
condição, em armamento e tecnologia, para se contrapor a mais
espetacular máquina de guerra já montada no mundo e que irá
provocar uma enorme destruição a ponto de tremer Nabuco Donozor
- o poderoso Rei daquela região que mandou construir ali, onde
hoje é o Iraque, os famosos Jardins Suspensos da Babilônia, uma
das 7 maravilhas do mundo. É ali, naquele lugar onde dizem que a
história do mundo começou com Adão e Eva, no lugar onde o
patriarca Abraão foi informado por Deus - o todo poderoso - que
dele sairia uma grande Nação, é ali que o País mais rico e
mais poderoso do mundo irá mostrar à humanidade, através das
imagens de televisão, a sua grandiosa tecnologia, o seu enorme
poderio militar, o controle que tem sobre todo o planeta através
dos satélites artificiais,... enfim, é lá que os Estados Unidos
irá mostrar toda a sua força, para que os demais países saibam
que devem respeitá-lo, ou melhor, temê-lo e assim, de joelhos,
submissos, acatem as suas decisões, pois, do contrário, poderão
receber um “corretivo” como este que está sendo dado ao
Iraque, que, conforme o prometido, após ser destroçado e
humilhado, será reconstruído, pelas empreiteiras já contratadas
para esse fim, ao mesmo tempo em que se instala um novo governo
“que dará comida e liberdade ao povo iraquiano”.
Na verdade essa guerra contra o Iraque é
uma agressão a um estado soberano e esse comportamento de “guardião
do mundo”, que o presidente Bush se outorgou, lembra, em vários
aspectos, os Cézares da velha e poderosa Roma - “a capital do
mundo” - que invadia e dominava pela força os povos vizinhos,
submetendo-os aos “Senhores do mundo” de então,
escravizando-os. E essa demonstração de força dos Estados
Unidos, que desmoralizou a ONU, deve alertar todos os paizes do
mundo, especialmente aqueles que tenham grandes reservas de
petróleo ou outros bens materiais, que sejam considerados
estratégicos à economia dessa superpotência ou ao futuro da
humanidade. E neste caso é interessante que o Brasil fique em
alerta máximo, uma vez que nas escolas americanas é ensinado às
crianças, aliás já algum tempo, que a Amazônia é um “patrimônio
da humanidade”, entre outras razões, por ser considerada o “pulmão
do mundo”, apesar de estar provado que a floresta consome todo o
oxigênio que produz.
É evidente que ao tratarmos deste assunto,
não desejamos provocar nenhuma crise diplomática e nem tão
pouco estimular uma exacerbada preocupação entre os brasileiros.
Contudo, os fatos estão aí. Quem duvida das razões desta
guerra? Será que ela ocorreria se o Iraque não tivesse sob os
seus domínios a 2° maior reserva de petróleo do mundo e a
reserva americana não tivesse caído para 5% do seu consumo ?....
Se verdadeiramente for esta a razão da
guerra, é obvio que temos que nos preocupar com à Amazônia,
até porque, como dizem os caboclos: “quando se vê as barbas do
vizinho pegando fogo, coloca-se a da gente de molho”. E isso é
fato! Não apenas porque a Amazônia tenha 5,1 milhões de
quilômetros quadrados de área, que equivale a mais da metade dos
Estados Unidos e toda uma Europa Ocidental. Mas porque ela é
rica. Têm 67% das florestas tropicais do planeta, 22% das
espécies de plantas conhecidas no mundo, mais de 300 espécies de
mamíferos, 517 de anfíbios, 1.300 de pássaros e 1.400 de
peixes. Em valores monetários, a Amazônia tem 1,7 trilhão de
dólares em madeira de lei e 1,6 trilhão de dólares em metais
nobres. E o petróleo ainda nem se pesquisou direito. Todavia, o
mais preocupante é que a Amazônia detém 20% de toda a água
doce da Terra. E se essa guerra está acontecendo por causa do
petróleo, o que não ocorrerá no futuro se a água disponível
no Planeta for insuficiente para atender à uma população sempre
crescente? Considerando-se, principalmente, que a vida depende da
água?....
Se por causa do petróleo se invade um
Estado soberano, para dominá-lo e subjugá-lo a uma nova ordem, o
que não se fará, em nome da sobrevivência dos povos, com a
Amazônia? Mas, “como todo mal traz alguma coisa de bem”,
esperamos que essa guerra faça com que os brasileiros do Sul e
Sudeste se conscientizem que a AMAZÔNIA É BRASIL e que, para
continuar sendo, é necessário que seja efetivamente desenvolvida
e o primeiro passo é a conclusão das obras de pavimentação das
rodovias Transamazônica (BR-230) e Cuiabá-Santarém (BR-163).
[Matéria editada em
24/03/2003]
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