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Matéria Editada em 11/04/2007
Conheça a sua
espaçonave
Marcos
Pontes
Ao saber da
minha história de vida, iniciando em Bauru como eletricista
aprendiz aos quatorze anos para poder pagar pelos estudos, até
levar a bandeira do Brasil ao espaço pela primeira vez, muita
gente me questiona sobre algum possível segredo ou metodologia
especial para realizar e viver os seus sonhos.
O fato é que
não existe nenhuma “receita de bolo” para isso. Cada um de nós
tem suas características pessoais exclusivas. Um conjunto de
pontos fortes e fracos que o fazem um indivíduo, um ser humano
único entre bilhões. Também os sonhos são diferentes, tanto em
concepção quanto em percepção. Isto é, mesmo que olhemos para um
mesmo objetivo, o conjunto de nossas experiências pessoais
passadas, somado as nossas características individuais, nos faz
“ver” a questão de forma distinta.
Isso
significa que alguns conseguem “chegar lá” e outros não? Claro
que não! Essa é a maravilha do ser humano! Cada um de nós é
especial! Todos nós podemos ter sucesso! Podemos vencer e ser
felizes plenamente! É apenas uma questão de conhecer e aprender
a utilizar suas próprias características pessoais, preparando-se
corretamente e desenvolvendo habilidades específicas
necessárias.
Assim,
quando perguntado sobre “como realizar os meus sonhos”, costumo
dizer que não existe uma receita mágica, um procedimento único
para ser seguido, mas existe uma maneira de pensar, uma busca
pelas suas próprias soluções, um conjunto de ferramentas que irá
facilitar a caminhada.
Nesse
contexto, para facilitar, utilizo de uma comparação prática
entre a realização de um sonho de vida e o desenvolvimento de
uma missão operacional.
A idéia é
simples e abrangente. Tanto que pode ser completamente utilizada
de forma direta nas nossas vidas, nos nossos projetos, nos
nossos ideais.
Primeiro, é
importante traçar um paralelo entre as duas situações. Inicie
por imaginar seu grande sonho como o objetivo final de uma
missão. Para realizá-la, você terá que conhecer muito bem o
objetivo e suas vizinhanças. Estude todo o material disponível.
Use também a imaginação, ela é uma ferramenta preciosa. Imagine
cada detalhe. Visualize o seu sucesso! Traçe a navegação. Olhe
os mapas e procure o melhor caminho. Prepare-se para possíveis
erros de atualização nos mapas. Planeje alternativas. Atenção
com o combustível! Aprenda tudo sobre sua aeronave, ou
espaçonave, em detalhes. Conheça as interfaces, os controles
pelos quais você irá comandar os sistemas. Finalmente, considere
o elemento mais importante: você. Não se deixe levar pelo ego.
Seja honesto consigo mesmo. Identifique suas potencialidades e
suas limitações. Prepare-se. Essa será a missão de sua vida. Não
tenha medo. Aprecie a jornada!
OK! Por onde
começamos então?
Em qualquer
tipo de operação aérea, a primeira coisa a ser feita é o chamado
“ground school”. O que é isso? É um curso composto por aulas e
simuladores onde aprendemos como funciona, e como devemos
utilizar, cada um dos sistemas da aeronave, ou espaçonave. Tudo
isso antes mesmo de tocarmos pela primeira vez no verdadeiro
veículo. Além disso, quando a idéia é voltada para uma missão
específica, como é o caso dos vôos militares e espaciais, também
é necessário estudamos detalhadamente o objetivo e todo o
ambiente ao qual estaremos expostos durante a missão. O
princípio é antigo, já anunciado há muito tempo pelos chineses:
para ter chances reais de vencer a batalha é necessário conhecer
tanto o inimigo quanto a si próprio.
Assim, vamos
dividir a nossa preparação inicial em três partes: o ambiente, a
interface e o ser humano.
Nas próximas
semanas voltaremos a tratar desses tópicos em maiores detalhes.
Marcos Pontes, primeiro astronauta profissional lusófono a
orbitar o planeta, é colunista, professor, engenheiro
aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA), piloto de testes de aeronaves do Instituto de Aeronáutica
e Espaço (IAE) e mestre em Engenharia de Sistemas graduado pela
Naval Postgraduate School (NPS USNAVY, Monterey - CA).
www.marcospontes.net
Matéria Editada em 11/04/2007
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