| 22/02/01 às 00h20:
Raízes da Polivalência
Raimundo Filho é
articulista, jornalista e diretor de Redação da Tribuna de Goiás
GOIÂNIA (ABN) - Pelo andar da carruagem, ainda não serão os nossos netos os
responsáveis por qualquer tipo de mudança radical ou significativa da cultura
predominante em Goiás. O atraso é, não só visível, como palpável em todos os
segmentos da sociedade. É prosaico, mas verdadeiro, constatar que o uso do terno (o
famoso traje a passeio) não seja visto por aqui como uma vestimenta de trabalho. É por
esse motivo que costumo afirmar que, se o governador Marconi Perillo não tivesse feito
nada em termos administrativos, ainda assim entraria para a História por ter obrigado os
goianos a se trajarem, civilizadamente, em seu local de trabalho.
E ainda tem gente que insiste em não ver nada de novo no atual governo. Fazer o quê?
Foi na festa de 15 anos da Lorena, filha da Valquíria e do Ideraldo, que descobri uma
grande verdade sobre a realidade de Goiás. Nem sempre concordo com o ponto de vista do
jornalista Batista Custódio, mas gosto de ouvi-lo, pois sabe quase tudo da política
goiana. Conhece, como ninguém, as coisas boas e os podres da sociedade. Se quisesse, com
certeza, daria um historiador de primeira.
Dotado de uma inteligência acima da média e de um invejável senso crítico, Batista,
quando quer, analisa com fino faro o comportamento da elite dominante. Mostra, por
exemplo, como certas pessoas nasceram fadadas a se perpetuarem no poder. Entra governo,
sai governo - das mais diferentes ideologias -, e elas continuam lá, mandando.
Batista tem uma explicação para o fenômeno: "Vejo o quadro como um bosque, onde
as copas das árvores parecem distantes umas das outras, mas as raízes estão
entrelaçadas. Mais juntas do que nunca". Pura verdade! Por aqui, esse pessoal faz
qualquer tipo de malabarismo, mas não cai do galho..
No mais recente episódio político, o governador foi obrigado a demitir toda a
diretoria da Agência Goiana de Regulação, embora todo mundo, em Goiás, soubesse que a
medida tinha como objetivo cortar a cabeça de seu presidente, Ruy Brasil Cavalcante
Júnior, acusado, à boca miúda, de estar a serviço dos principais empresários do
transporte coletivo.
Não me arrisco a analisar esse aspecto, pois o que a corrupção tem de maléfica, ela
também tem de escorregadia. Corruptor e corruptível trabalham em sintonia. Jamais um
denuncia o outro. Diante disso, nesse caso, prefiro falar de outros ângulos dessa
história.
Por exemplo: a surpresa de ler numa entrevista do professor Nion Albernaz a afirmação
de que espera ver Ruy Brasil ocupando novo cargo no governo Marconi Perillo. Cá, com meus
botões, imagino: ou o professor Nion está brincando ou quer agradar ao Ruy Brasil. Não
existe outra explicação (ABN).

Por um
parlamento mais próximo da população
Vanderlei Macris <vmacris@al.sp.gov.br> é deputado estadual
(PSDB) e ex-presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo
SÃO PAULO (ABN) - Estamos retomando os trabalhos no Legislativo paulista após o
recesso parlamentar. Este é um ano atípico pois teremos as eleições para a
Presidência da República, governos estaduais e mandatos legislativos. Dessa forma, é
comum concentrarmos os principais temas para serem apreciados no primeiro semestre, uma
vez que no segundo as atenções do país se voltam para as eleições.
Um assunto que deverá ser uma das prioridades da Assembléia Legislativa de São Paulo
é a mudança do seu regimento interno. É ele que determina o funcionamento da Casa e a
forma como tramitam os projetos. Mas, o leitor deve estar se perguntando sobre a
importância da mudança do regimento interno para a população e é isso que procurarei
responder neste artigo.
Pois bem, o atual regimento, como os das demais casas legislativa do país, foi
elaborado na década de 70, em plena vigência do regime militar no país. O objetivo era
diminuir o espaço de aprovação e discussão dos projetos de iniciativa dos
parlamentares, de forma a dar prioridade à aprovação dos projetos do Executivo federal.
A oposição, além de ter de observar os limites impostos pela legislação partidária,
como por exemplo, a autorização para o funcionamento de apenas dois partidos políticos
(um para representar o regime e outro para agrupar a oposição consentida) e enfrentar a
censura e todos os mecanismos antidemocráticos existentes, tinha pouca margem de
atuação nos parlamentos.
Toda a mobilização popular que resultou na luta pelas eleições diretas até o
completo restabelecimento da democracia, em 1985, foram responsáveis por mudanças nos
regimentos internos dos legislativos estaduais, como é o caso de São Paulo que aprovou
doze emendas constitucionais, a partir da mudança da Constituição federal, em 1988, e
da estadual, no ano seguinte. Mas a essência do regime autoritário, entretanto,
permaneceu no regimento e esse foi um dos motivos pelos quais considero que o Legislativo
se distanciou da sociedade.
A população, por força do desejo de mudanças e do atendimento de suas legítimas
reivindicações, não consegue ver no parlamento um instrumento ágil para aprovação
das leis necessárias para o atendimento de suas demandas. É exatamente isso que
precisamos resgatar para a Assembléia Legislativa o papel de estar à frente dos
acontecimentos e responder com eficiência o que a população necessita.
Recentemente, a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou o fim do voto secreto nas
votações em plenário, a Câmara federal fez o mesmo e votou a limitação da imunidade
parlamentar, permitindo que o deputado pudesse ser julgado pelos crimes comuns, de modo a
não permitir que ele se escondesse atrás de um mandato para estar acima das lei.
Essas duas medidas tiveram por objetivo conferir mais transparência nas atividades dos
deputados e é esse um de nossos propósitos ao defendermos a mudança do regimento
interno do nosso Legislativo. Também queremos fazer que o processo de tramitação dos
projetos seja mais rápido e democrático, abrindo espaço para a participação popular,
tanto na apresentação de propostas como em audiência públicas para discutir os temas
mais importantes. Queremos enfim ajustar o regimento à atual Constituição do Estado,
que foi alterada em 1989, sem que o regimento fosse modificado na sua essência.
Esse trabalho já está adiantado. No final do ano passado, um grupo parlamentar,
constituído pela Presidência da Assembléia Legislativa e coordenado por mim, apresentou
uma proposta de um novo regimento, que deverá ser apreciada ainda este ano pelos demais
parlamentares.
Aprovada essa proposta, acrescida da contribuição de outros deputados, São Paulo
dará mais um exemplo ao país de um parlamento em sintonia com os anseios da sociedade. A
população só terá a ganhar com essa mudança.




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