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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

Sacralização do Sexo

Uma coisa é saber de um fato; outra, é este fato fazer parte de nossa cultura e relacionamentos, determinando um comportamento com ele coerente. Infelizmente, na prática, alguns tem a vida e as propriedades como sendo mais importantes que a vida da maioria. Mas, a vida pode ser considerada o bem mais precioso de todo ser humano e mesmo dos animais.

Ouso afirmar peremptoriamente que a vida é sagrada. Ou, torna-se sagrada, quando somos racionais ou sensíveis o suficiente para contemplar e meditar sobre seu ciclo. Mesmo nos menos dotados, há uma percepção inconsciente de sua relevância, levando-nos todos à lutar por ela com todos os recursos disponíveis.

Para os trancendentais ainda haveria a vida eterna a considerar... Mas, seja ela "bios" (grego: biológica) ou "zoe" (espiritual), ou ambas, é o ponto culminante de nossos valores existenciais.

Assim, sendo, como todos sabem (ainda que não vivam de acordo com isto), o sexo gera a vida. Este prazer religioso, fanático e idolátrico nos domina à tal ponto que nossa razão costuma ser por ele anulada, e, para atingir este clímax, cometemos as mais flagrantes irresponsabilidades, perdendo assim a percepção das consequências de tal ato.

Sendo a vida sagrada, o ato que a faz existir também o seria, já que, sem ele, ela também não viria à luz.

Justamente por originar nossa existência, o fato de considerar-se o sexo como sagrado, poderia (poderia!) levar-nos à usá-lo com mais responsabilidade, evitando banalizar a própria vida que ele produz.

Mas, infelizmente, existem sagrados e sagrados... Profanos e profanos...

Não há anticoncepcionais absolutamente seguros e saudáveis, exceto a abstinência. Uns atentam contra a própria vida, outros contra o prazer... Quantas mulheres não pagam caro hoje pelas delícias permitidas por suas pílulas de progesterona? Quantos dias de vida saudável custa um coito seguro? (Infelizmente, a mídia não pode demonstrar isto com a ênfase adequada aos problemas provocados, em função dos interesses comerciais em jogo...)

O enfoque elevado no sexo, como em qualquer outra atividade tipo alimentação, trabalho, estudo, lazer, etc., mesmo sendo também fundamentais (ou sagradas), como inerentes à uma vida digna em toda sua plenitude, deve ser regulado por um princípio, digamos, religioso, ético ou moral.

Sem equilíbrio ou harmonia, pagamos caro pelo nosso pecado... Ooops! Pelo nosso erro ou desarmonia com as leis que regem esta função vital.

A lei de ação e reação existente na natureza (dialética) nos traz o retorno de tudo de positivo, negativo, neutro ou omissão praticados. Tanto no nível individual, quanto no coletivo.

O excesso populacional hoje existente provoca problemas sociais e ecológicos, extremamente suspeitos de nos conduzir à destruição. Ao destruirmos o sagrado equilíbrio da vida no planeta que nos pariu, colhemos inexoravelmente a divina maldição de nossa própria mãe.

A lei de oferta e procura, infelizmente atua também nesta área. "Quanto menos somos, melhor passamos", já dizia meu avô pau-de-arara, em função de sua experiência em administrar a vida sobre e sob (respectivamente) as secas e enchentes periódicas do Rio Jaguaribe em Limoeiro do Norte (CE). Deve ter adquirido esta sabedoria após colocar no mundo uma dezena de bocas, no que foi imitado por meu pai, em época quando dava "status" uma família numerosa. Este, por sua vez, acredita estar dando a oportunidade para outros espíritos frequentarem esta escola de décima categoria que trafega pelo cosmos, nos termos de Alan Kardec, e depurarem seus carmas, merecendo subir na escala (e escola) racional e moral, cursando assim universidades superiores em outras esferas materiais e abstratas.

Vale a pena relembrar que o excesso populacional é fruto do excesso copulacional, considerando que o uso de contraceptivos não é algo natural, havendo muita resistência ao utilizá-los por vários motivos, ou mesmo, impossibilidade econômica para tanto, por parte das classes inferiores material e intelectualmente. (Art. 226 da Constituição Federal do Brasil)

Os ricos e a classe média (52 mi no Brasil), em função de participar de uma elite cultural e educacional, conseguem conviver mais confortavelmente com o equilíbrio, bem como com a promiscuidade e depravação, sem o sub-produto indesejável da gestação, condição esta negada socialmente aos 118 milhões de quase pobres, pobres e miseráveis brasileiros (4 bi em todo o mundo), levando nossa população à duplicar nos próximos 40 anos.

Incapaz de produzir uma sociedade justa socialmente, esta elite dominante (plutocracia e cleptocracia) deleita-se egoisticamente em seus privilégios, julgando-se imune à reprodução desenfreada da massa ignara.

Eventualmente temos exemplos claros, que vão aumentando diariamente, e demonstram a luta de classes cada vez mais exuberante (Karl Marx seja louvado! Ave, Malthus!), ainda que camuflada até o momento pela mídia amestrada como se fossem fatos isolados de desvio de conduta no caráter de algumas exceções.

Caso não seja feita alguma coisa de concreto breve, os favelados invadirão as mansões; os africanos, a Europa; e os desgraçados de todo o mundo voltar-se-ão ao canibalismo (antropofagia é mais bonito!), deleitando-se em roer os suculentos e saudáveis ossos de seus opressores milenares.

(Matéria Editada em 02/08/02)

 

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