|
 |
|
Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
] |
Prostituição:
poder político e poder de informação
Se nossa mídia fosse realmente utilizada para informar
ao público da verdade fundamental em termos políticos, algo já teria ocorrido de fato e
tudo seria diferente.
Os partidos políticos utilizam-se normalmente dos canais de comunicação para divulgar
suas propostas antes das eleições, de forma sistemática e também através do horário
eleitoral gratuito no rádio e TV. Alguns são proprietários de empresas de comunicação
e divulgam somente informações favoráveis à si mesmos e contrárias à seus
adversários.
No entanto, fica tudo por isto mesmo...
Por que não há um horário eleitoral gratuito, então, para avaliar a forma como os
eleitos administraram o poder que lhes foi concedido pelo povo? Ou melhor, pelo dinheiro
dos ricos investido em suas campanhas...
Ou por que a própria mídia não se dispõe (independente de um lei para obrigá-la) a
divulgar a história de cada partido, mostrando ao povo suas origens, quem os financia,
processos de corrupção em andamento e já transitados em julgado, comparação entre
eles, considerando o percentual de corrupção em função do número de cargos públicos
que possuam?
Por que não colocam a mesma ênfase ao divulgar fatos políticos que utilizam para
amenidades e superficialidades do esporte, da vida dos artistas, etc.?
Por que fazem questão de dar importância ao que não a tem e de reduzir o valor do que
é relevante?
Vale a pena cada eleitor que possua consciência desta possibilidade avaliar porque tais
coisas não ocorrem.
A prostituição do poder midiático com o poder político é indecente.
Deveria ser proibida a posse de uma empresa de comunicação por qualquer político ou
para membros mais próximos de sua família. Mesmo sabendo que isto ainda não é o
suficiente...
São necessárias inúmeras concessões públicas de rádio e TV para que as próprias
comunidades as administrem, livres deste conluio mercenário e materialista. Mas quem as
obtém normalmente são políticos e seus asseclas.
Assim, cria-se um círculo vicioso, concentrando mais poder nas mãos de uma classe cujos
limites éticos são mais largos que os extremos do Universo conhecido.
A Rede Pública de TV (TV Cultura/SP, TV Minas, etc.) já é um avanço, mas mesmo assim,
permanece sobre a tutela do Estado. Tanto que jamais se menciona nela que não há
democracia no país, mas uma plutocracia.
A verdadeira liberdade de imprensa exige que qualquer cidadão possua o mesmo direito que
os poderosos de usufruir dos meios de comunicação para defender seus interesses e
interagir com seus pares, defendendo-se dos políticos profissionais, dos capitalistas (e
até mesmo dos comunistas) selvagens.
Sob qualquer ideologia, há manipulação da informação para iludir o público. Faz
parte da natureza humana utilizar-se de qualquer forma de dominação para perpetuar-se no
poder.
Enquanto não ocorrer a distribuição do poder de expressão, há má-fé em quem afirma
existir democracia neste país.
Enquanto não houver uma Agência Nacional de Comunicação, com representantes de nossas
melhores universidades e de demais entidades da sociedade civil, nada vai mudar.
De que adiante a liberdade de pensamento para todos, se somente uma elite possui o direito
de divulgá-los?
De que vale minha liberdade de expressão, sem uma contra-partida, ou seja, sem a
liberdade para também ser ouvido, lido ou assistido? Meio direito é uma meia mentira.
Uma meia democracia, caso isto fosse possível.
Ou o povo governa ou não governa!
Não há meio termo entre uma democracia e uma ditadura.
Não há democracia onde alguns tem mais direitos que os demais. Deveríamos ser todos
iguais perante à lei e uns perante aos outros...
(Matéria Editada
02/08/02)


Volta
para Índice de Artigos de Heitor Reis


Volta
para a página principal


Índice/Sumário
Artigos Gerais
|