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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

A mídia amestrada

Uma das provas mais extravagantes de como os jornalistas das grandes empresas de comunicação são limitados no sentido ético, intelectual, ou em ambos, é sua incapacidade de mostrar a realidade ao povo.

Afinal, como dizia Bertold Brecht, a política é fundamental e decide quase tudo em nossas vidas.

Mas nossos jornalistas parece que trabalham para manter-nos na maior ignorância política, jamais aprofundando-se realmente nos fatos que nos relatam diariamente.

Sonho ver uma reportagem séria sobre o governo FHC, deixando bem claro quais foram os partidos que o apoiaram.

Vejo trechos de sua campanha de 1994 e 1998 sendo comentados, ilustrados com índices, por exemplo, de violência daquela época, comparados com os de hoje.

Cada dedo daquela mão que nos acenava com um futuro melhor, deveria ser fruto de uma avaliação criteriosa.

O que ele prometeu e realizou?

O que ele prometeu e não cumpriu?

O que ele fez, mesmo sem ter firmado um compromisso?

(Por que não fazer assim também com os governadores e prefeitos?)

Também seria de esperar-se uma análise racional do valor real do salário mínimo, a perda salarial dos trabalhadores no período, o fato de que os preços das telefônicas e do setor elétrico estão, de certa forma indexados, enquanto os salários, não.

Por que não mostram ao povo que em qualquer lugar do mundo as empresas correm risco, ao se estabelecerem no mercado, mas que aqui, este governo, ao privatizar nossas estatais, assegurou o lucro para quem as adquirisse, em prejuízo de todos nós?

O que foi feito com o dinheiro das privatizações? Ele foi usado como? Quanto custou o saneamento dos bancos, antes da venda?

Uma reportagem desta natureza traria muito mais resultado que as do Tim Lopes, mostrando nas favelas a conseqüências das decisões governamentais, ainda que ele jamais vinculasse uma coisa com a outra.

Mas, o mais importante seria considerar o que é realmente mais importante.

O fato de haver melhoria no índice de crianças nas escolas é importante, sem dúvida, mas redução do nível de emprego é muito mais.

O paternalismo de alguns trocados além nos bolsos dos pobres é mais importante que um emprego ou trabalho que lhes proporcionasse renda para uma vida digna?

Por falar em desemprego, o que ele tinha prometido mesmo à este respeito? O que cumpriu?

O que é mais importante? Ter uma moeda desvalorizada por uma inflação elevada, com emprego e um salário de pouco poder aquisitivo, mas reajustado periodicamente, ou, uma moeda artificialmente estável, dependendo de constantes e onerosas vendas de dólar pelo Banco Central, cuja manutenção custou o emprego de uma parte significativa da força de trabalho nacional. Ou seja, é melhor ter pouco para todos ou ter um pouco mais para muito menos?

Parte destes fatos até podem ter sido abordada isolada e superficialmente pela TV (a mídia do povão) no dia a dia, entre inúmeras amenidades e os seios de beldades que desfilam a moda para os ricos usarem e os pobres babarem. Mas o que eu estou enfocando é a necessidade de tudo isto aparecer junto, como uma avaliação neutra das promessas de campanha de um político que está em final de mandato, cujos partidos responsáveis por seu governo estão novamente disputando votos dos eleitores.

De uma coisa eu sei... Antes de FHC não havia tanta gente debaixo dos viadutos e ao redor dos trevos rodoviários de Belo Horizonte. Este é o meu índice: IHVT (Índice de Habitantes sob Viadutos e em Trevos).

Será que há, no Brasil, algum jornalista ou empresa de comunicação que não dependa dos favores governamentais e que ouse dizer a verdade ao povo?

Enquanto não houver, é terrorismo informacional afirmar-se que há democracia neste país.

(Matéria Editada em 26/07/02)

 

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