abn                                       Desde 1924: Agencia Brasileira de Noticias / Since 1924: Brazilian News Agency - ABN News

artigos.gif (2597 bytes)
 
 

 

Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

Conceito atual de democracia: Uma Ilusão Sustentada pela Mídia

"Ao homem livre, cabe libertar o escravo;

ao sábio, ensinar aos tolos;

ao feliz, auxiliar os desafortunados." (??)

Antônio Ermínio de Morais, ontem num programa de entrevista da Rede Bandeirantes de TV, recebeu a seguinte pergunta do jornalista Mitre, cuja resposta também descrevo de memória: A elite econômica nacional não participaria espontânea e alegremente do processo do redistribuição de renda do país, o qual o senhor considera solução para nosso maior problema? Resposta: Ela somente participará, se houver pressão. Estou sendo sincero. Se deixar por conta de nossa elite, tudo continuará do jeito que está...

Isto me fez lembrar à isto a tese de Eugênio Staub, presidente da Gradiente: O responsável pela situação atual não é o pobre, nem o americano, nem o militar: somos nós, a elite brasileira.

Também é oportuno trazer à baila esta já tão citada (por mim) síntese do ilustre Dep. Federal do PPB, Delfim Neto: O capitalista é uma animal voraz.

São pessoas acima de qualquer suspeita, que tem a ousadia de dizer aquilo que sentem, mesmo participando do sistema que provoca todas nossas mazelas. Vamos filosofar um pouco sobre isto, partindo do princípio que estas migalhas de verdade não são suficientes para nos assegurar a idoneidade dos meios de comunicação, os quais preferem, na maior parte do tempo, a superficialidade, como meio de esconder as causas, a intensidade dos fatos e verdadeiras soluções para nossos problemas.

Antes, porém, que a turma da direita pegue no meu pé, faço questão de salientar também que o socialista ou comunista possui similar voracidade, já que ideologia política, econômica, religiosa ou futebolística, jamais é capaz de alterar o caráter do ser humano, quando ele não quer. (Vide "O Fator Humano", <http://try.at/HeitorReis>) Se eu estivesse agora em um país socialista, certamente estivaria escrevendo outra coisa, criticando o sistema oposto, cujas raízes comuns estão solidamente fundamentadas em nossa própria natureza humana.

Por que a elite brasileira é responsável por tudo que está acontecendo de bom e de ruim hoje no país? Porque foi ela que sempre deteve e ainda detém a totalidade ou a maior parte do poder, financiando a companha dos políticos que governam a Nação, como legítimos representantes dos capitalistas, ocupando quase todos os cargos públicos relevantes. A lógica natural é de que a riqueza vale mais que o ser humano. Os pobres, sempre mantidos na ignorância do dogmatismo religioso e político, são mera massa de manobra neste mercado eleitoral, já que não podem financiar também seus candidatos, não sendo, assim, iguais perante à lei que rege esta atividade.

O fenômeno do PT ainda não nos permite avaliar resultados futuros, exceto fazendo numa extrapolação, a partir da trajetória de um comunista sociólogo e de sua turma, a qual se travestiu de Papai Noel de banqueiros o ano inteiro. Oito anos inteiros...

E, é natural que, a ONU, servindo ao poder econômico internacional, retribua tais favores, oferecendo prêmios por seu desempenho, o qual obteve resultados negativos naquilo que realmente interessa, ou seja, na redistribuição da riqueza nacional, conforme a indubitável opinião do proprietário do Grupo Votorantim. O resto é conversa mole para boi dormir...

Já pensou, a mídia afirmando que não há democracia no país e que, quem governa mesmo são os ricos, enquanto os pobres são apenas material de consumo, facilmente descartável, nos empreendimentos daqueles?

Já pensou, a mídia divulgando os conceitos de plutocracia disponíveis nos melhores dicionários e entrevistando aqueles que defendem ser este o sistema vigente no país? Que surpresa não será, então, a análise do que seja cleptocracia? E de ambos conjuntamente...

Mas o que ocorre é justamente o contrário... Diariamente somos vítimas de uma sobrecarga ("overdose", no idioma imperial) de informação, assegurando estarmos em uma democracia, que as eleições foram a celebração deste processo, etc., etc., etc.

Não tenho como comprovar se nossos jornalistas e similares fazem isto por ingenuidade, ignorância, incompetência, simples má-fé ou por necessidade de sobrevivência material (uma má-fé "justificada"). Afinal, jamais aprendemos tais coisas na escola ou na universidade. Eles também são frutos podres de um sistema idem... Eu, nos píncaros de meus cinqüenta anos, faz pouco tempo que tive esta intuição ("insight", na metrópole), a qual fui racionalizando gradualmente, graças ao ócio criativo decorrente de minha saída opcional do mercado de trabalho.

O poder econômico, que também domina a tão proclamada liberdade de expressão, permite somente uma direção neste processo. Os interesses vorazes da elite tem prioridade absoluta dentro das empresas de comunicação, fazendo, assim, com que haja um sutil, porém perpétuo, processo de lavagem (ou sujagem, como queira) cerebral da sociedade, no melhor estilo de Göebbels, ministro da propaganda de Hitler: Uma mentira, repetida inúmeras vezes, pode tornando-se verdade.

Acrescento eu: especialmente quando o recipiente não tem condições de refletir sobre ela e de fazer uma análise crítica, como ocorre com a quase totalidade dos brasileiros, cuja maior preocupação é sofrer calada o assédio moral em seus empregos ou procurar uma vaga no narcoestado, por falta de oportunidade melhor, graças à premiada administração do príncipe dos sociólogos.

Afinal, como as concessionárias do direito de informar ao público poderão criticar o sistema que lhes concede tal regalia (bem como pode retirá-la) e ainda as financia, a preço de banana, graças ao fundo dos trabalhadores, quando estão à beira da falência, privilégio este, naturalmente, dividido com os bancos e multinacionais ao adquirir estatais?

Se o legítimo representante da elite, que em nome dela governa a Nação, distribui concessões de TV e de rádio, apenas para quem permita manter (ou aumentar) a distribuição de poder e de renda na condição atual, como poderá ser mudada alguma coisa neste país, para democratizar a riqueza nacional?

Como as empresas de comunicação poderão dizer a verdade, a verdade essencial e suficiente para educar o povo e promover a cidadania, a libertação de consciências cativas, como prevê a Constituição, se a voracidade daqueles que as possuem, visa apenas seu próprio lucro e de seus clientes abastados, os senhores do Estado?

Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político.

Parágrafo único - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Como o Congresso Nacional pode ter isenção para apreciar este processo, determinado pela Carta Magna, se seus membros são comprados e vendidos em pútridas negociações, onde o preço da ética é uma concessão?

Art. 49 - É da competência exclusiva do Congresso Nacional: XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;

Será que as emissoras tem respeitado a ética e seu papel conforme previsto?

Art. 221 - A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Ou será que a ética nacional, enraizada em nossa cultura e história, é imutável, tornando inexorável a mentira e o engano, compatível com a publicidade de uma democracia inexistente?

Enquanto a posse dos meios de comunicação não estiverem distribuídos democrática e proporcionalmente dentro das classes sociais de nosso povo, será uma falácia afirmar-se que há democracia ou liberdade de expressão por aqui. A menos que encaremos com naturalidade o fato de que os representantes do povo governem, contrariando os interesses de seus representados...

Ao que parece a sociedade brasileira acomodou-se. Faz bem para o ego nacional acreditar que estamos num governo do povo, para o povo, etc., mesmo isto sendo mais uma ilusão carnavalesca que a mídia promove para dezenas de milhões de incautos, ano após ano, meses e dias consecutivos...

Faz bem acreditar que ser pentacampeões mundiais de futebol é o que importa, no final das contas, como a fábrica de ilusões insiste em difundir.

É como uma amiga de minha ex-mulher, décadas atrás dizia para seu companheiro: "Diga que me ama, mesmo que seja mentira!..." Ela era como o Brasil: uma extensão territorial enorme, geografia exuberante, cheia de riquezas cobiçadas por todos, um terreno promissor de prazeres paradisíacos, porém, com uma auto-estima muito baixa. Sentia prazer em ser explorada por qualquer um. A um preço irrisório... Apenas algumas palavras ao pé do ouvido.

E, o pior de tudo é que somente teremos uma democracia de fato, quando concluirmos o quanto ainda estamos distantes dela hoje. Enquanto isto não acontece, esta conscientização, a mídia continuará mantendo a massa em sua ignorância, os lucros para a classe dominante e o desconforto para aqueles, que contrariando todas as tendências da psicologia de massa, começam a pensar por si próprios, carregando sozinhos a frustração e a angústia de ver o mal dominando o bem... E os bens.

(Matéria Editada em 10/12/02)

 

Subir / Topo

linha2.gif (86 bytes)

Volta para Índice de Artigos de Heitor Reis

 

Voltar para a página principal (Início/Home)

linha2.gif (86 bytes)

Volta para a página principal

 

Voltar para Índice Artigos Gerais

LINHA2.gif (86 bytes)

Índice/Sumário Artigos Gerais

 

Atenção:  Todas as editorias são atualizadas em tempo real para os veículos de comunicação cadastrados como usuários dos serviços da  Agência Brasileira de Notícias.

Clique aqui para solicitar mais informações para ser cliente da ABN e contratar os serviços noticiosos em tempo real