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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

Proporções Propinatórias

Eu duvido que haja um partido absolutamente honesto. Até mesmo uma pessoa absolutamente honesta. Nem o papa, o qual muitos acreditam ser o representante de Deus na Terra e dotado de infalibilidade.

Imagino que este seja o ponto de visto da maioria da população. Assim, o que acaba sendo decisivo em uma eleição é a escolha do menos desonesto, ou seja, de quem rouba menos.

Existem partidos que pregam obsessivamente contra a corrupção e outros nem tão fanáticos assim são. Muito antes pelo contrário... Dentre seus membros encontramos bandidos de todas as naturezas. No entanto, todos possuem seu próprio grau de incoerência com esta teoria.

Mas quem dera todos pregassem o puritanismo e apontassem furiosamente os erros alheios (na política). Ao pregá-lo, a pessoa coloca-se como padrão de referência e seus mínimos deslizes são uma afronta àquela pregação. Todos caem sobre ele como urubu na carniça.

Nos partidos onde não se adota o puritanismo, os deslizes ou os terremotos éticos sempre parecem mais harmoniosos ao que deles se espera e a reação ao furto é bem menor.

É fundamental que se pregue o ideal ético, que se aponte os erros éticos, que se puna a corrupção com todo o rigor, mesmo sabendo que um dia o pregador será pregado na própria cruz que construiu para os outros.

Mas, para isto, é necessário ter mais coragem do que para fazer média com a corrupção, mesmo em termos de idealismo.

Este é o velho duelo entre o ideal e a prática, do qual padece qualquer ideologia política, econômica, religiosa ou futebolística.

A ênfase verbal já é um grande passo na direção da prática. Mas não o suficiente. Contudo, é por ela que devemos começar. O próximo passo será a ação. Ainda que em outra geração... "Libertas quae sera tamen", diria o herói da Inconfidência Mineira.

O fato de sermos falhos, um pouco ou muito corruptos, como indivíduos ou como Nação, não deve ser fator impeditivo de lutarmos contra este câncer social que corrói a base de nossa pirâmide social. Nem de pregarmos fanaticamente contra a corrupção.

Afinal, por que não empregarmos na ética o mesmo entusiasmo ("in theos", em deus, no grego) que aplicamos no futebol?

Por que não treinarmos estes 170 milhões de pernas-de-pau éticos e transformá-los em campeões olímpicos ou profissionais? Talvez já seja a hora de sairmos da segunda divisão no campeonato mundial deste esporte.

Somente assim mudaremos o caráter nacional.

Ética ainda que tardia!

(Matéria Editada em 26/07/02)

 

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