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Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
] |
"O Papa é pop"
Antes de qualquer coisa, é
bom ter como pano de fundo minha tese de que o maior problema da
humanidade é nossa própria natureza humana, em termos de
falibilidade e limitação, diante das situações divinas,
naturais ou criadas por nós mesmos. Assim, todas as teorias e
doutrinas religiosas, filosóficas, políticas, econômicas e
futebolísticas, por melhores e mais bem intencionadas que sejam,
estão sujeitas à esta inexorável condição. (<http://try.at/HeitorReis>
- "O Fator Humano")
Cumpre a cada um de nós, apesar de falhos também, exercer nossos
direitos de pressionar indivíduos e instituições no sentido de
que caminhem mais celeremente em direção ao ideal preconizado
pela corrente de pensamento que julguemos mais adequada. Ou seja,
nossos absolutos... Dentro deste quadro, analiso aqui um problema
específico, sem esquecer-me de que todas as organizações
humanas padecem do mesmo mal, independentemente de sua coloração
ideológica, mas proporcional à sua idade e poder.
Aos meus leitores céticos, ateus e agnósticos solicito
compreenderem que, independentemente de as religiões serem ou
não verdadeiras, elas deveriam possuir coerência interna e
pureza ideológica, em função dos livros sagrados que afirmam
seguir. E, caso fossem capazes de tal façanha, este mundo seria
um paraíso, já que as mais populares preconizam como fundamental
a paz, o amor ao próximo, a empatia, a caridade, etc. O problema
é que, na prática, a teoria, é outra!...
A mídia, como uma destas grandes organizações falíveis,
fazendo a cabeça do povo através sua (da mídia) conveniente e
altamente bem remunerada ignorância, divulgou, de forma
extremamente superficial uma notícia que merece nossa
apreciação mais profunda.
Sua Santidade, ontem (14/11/2002), quando um Papa discursou pela
primeira vez no parlamento italiano, solicitou àquele povo que
aumentasse a reprodução, ressuscitando antiga proposta do
fascista Mussolini, o qual promovia desfiles públicos para exibir
as mães que tivessem gerado maior número de filhos. O dogmático
chefe da ICAR (Igreja Católica, Apostólica e Romana) assim
julgou fazer, em função do fato de que aquele país possui hoje
o menor índice de crescimento populacional do mundo.
Talvez ele tenha sofrido uma recaída em sua infalibilidade, ao
desconhecer, naquele momento, o fato de existirem 800 milhões de
famintos no mundo, conforme dados da FAO (agência da ONU para a
alimentação e agricultura), que tem como sede a capital
italiana. Vale a pena lembrar que a maioria deles é católica, à
qual (e aos quais) deveria solicitar que reduzissem sua
multiplicação, caso os amasse realmente como Jesus nos ensinou.
Também deveria salientar o mandamento do divino mestre, quando
ele ordena que os ricos devem vender seus bens e entregá-los aos
necessitados, como era costume na igreja verdadeira, documentada
no livro de Atos dos Apóstolos (Lucas 12:33, Atos 2:44,45 e
4:32-35), os quais não viviam nababescamente como seus pretensos
seguidores atuais, inclusive os grandes líderes protestantes e de
outras religiões.
Afinal, não foi Jesus um dos precursores do comunismo, possuindo
em comum com Karl Marx o mesmo objetivo, ainda que através de
método diferente?
Para que aumentar o número de italianos, enquanto sobram
africanos e sul-americanos famintos no planeta? Os brancos teriam
valor maior que os negros, pardos e índios os quais foram
massacrados e violentados, de todas as formas sob as bênçãos
papais e de todas as religiões.
Por que não exortar aos católicos ricos (e de outra fé também)
que adotassem os pobres do mundo, como era feito na igreja
primitiva, viabilizando a Taxa Tobin, por exemplo? Trata-se de
algo como uma CPMF mundial, que incidiria sobre o fluxo
monetário, e que seria
aplicado no saneamento da miséria(www.attac.org
<http://www.attac.org>). Talvez as
ex-colônias exploradas pelo próprio povo italiano deveriam ser
as prioritárias para esta nação...
Por que não fazer como Gandhi e Madre Tereza de Calcutá e
colocar os sacerdotes, bispos e papas católicos (e de outra
religiões também) na mesma condição material de suas ovelhas
mais carentes?
Por que tanto luxo e riqueza no Vaticano, enquanto a miséria
campeia solta pelo planeta a fora, mais precisamente em
ex-colônias, secularmente submissas aos dogmas papais? Claro, que
também mantidas em sua desgraça, atualmente pelo substituto do
antigo império
católico, o império judáico-protestante, que exerce atualmente
a hegemonia e tirania em todo o planeta.
Mas, Sua Santidade proíbe até o uso da camisinha, como se fosse
a vontade de Deus uma explosão demográfica e a destruição dos
sistemas ecológicos por este câncer planetário, chamado
"homo sapiens", que ficaria melhor denominado de
"homo equinus". Infelizmente, é isto mesmo que o livro
de Apocalipse proclama que irá ocorrer (Apocalipse 8:7-11), ainda
que alegando causas mais abstratas e simbólicas que estas, como
é peculiar neste livro. Por outro lado, haverá o tempo em que
Deus irá destruir os que destruíram a terra (Apocalipse 11:18).
Em Gênesis 1:28, o Criador afirma: "Crescei e
multiplicai-vos, e enchei a terra..." Quando a ICAR vai
desconfiar que a terra ou a Terra já está cheia?
Quantos bilhões de pessoas nossos cientistas admitem serem
adequados ao atual estágio de destruição em que nos
encontramos, de tal forma que a natureza se recupere, sem sofremos
as conseqüências fatais e inexoráveis de nossa bestialidade? A
Revista Superinteressante respondeu esta questão, há uma década
atrás: apenas um bilhão. Quantos temos hoje? Seis vezes mais!...
É bom reconhecer que o cargo ou função papal é desconhecida
nos textos canônicos do Novo Testamento (NT). Muito menos atuando
como "Chefe de Estado". Até porque Jesus determinou que
jamais devemos chamar alguém de pai. Papa = papai e padre = pai.
Por outro lado, ele alega que seu reino não é deste mundo (João
18:36), apesar de que seus atuais seguidores negarem isto,
ensinando e praticando algo que, absurdamente, pode ser denominado
materialismo cristão.
Ele está referindo-se ao sentido espiritual do termo, já que o
compara com o pai celestial e assegura ser este o único que
possuímos, ainda neste sentido espiritual. (Mateus 23:9) Deus é
tido como o "pai dos espíritos" (Hebreus 12:9).
Afinal, o Messias também concorda com parte do Velho Testamento
(VT), quando considera o mandamento de honrar pai e mãe
biológicos, como sendo adequado aos seus ensinamentos (Mateus
19:19), apesar de estar trazendo um NOVO mandamento (João 13:34)
e uma NOVA lei (João 1:17, I Coríntios 9:21 e Gálatas 6:12).
Nisto inclui o fato de que devamos amar aos nossos pais e mães
biológicos, apenas o suficiente para que este relacionamento não
nos impeça de reverenciarmos adequadamente à Deus (Mateus
10:37), o qual deve estar acima de todas nossas considerações
(Marcos 12:30).
Ao atribuir automaticamente para si o título de santidade,
exigindo de alguns um longo e penoso processo de canonização
(também inexistente no NT), ele desconhece algumas
determinações básicas do Criador, do qual alega ser
representante e detentor da mesma infalibilidade, ao infringir
alguns princípios cristãos originais, que afirmam todos os
membros da igreja terem o dever de serem santos como é o pai
celestial (I Pedro 1:16) e, ser esta condição exigida para que
se possa alcançá-lo (Hebreus 12:14) e ser seu filho (Mateus 5:44
e anteriores).
É patente nas sagradas escrituras que os discípulos imediatos do
fundador do cristianismo consideravam genericamente toda (ou quase
toda) a comunidade espiritual, à qual pertenciam, como composta
por santos (Efésios 1:1, Filipenses 1:1, I Tessalonicenses 5:27,
Hebreus 3:1, etc.) e sacerdotes (I Pedro 2:5).
Sua Santidade está muito preocupada com a população e a
copulação. "O Papa é pop." Quanto maior o número de
miseráveis, maior será a organização que comanda, bem como o
faturamento que ela lhe proporciona. Outra possibilidade para
justificar tamanha insensibilidade social e espiritual pode ser
encontrada nas próprias escrituras. Talvez ele queira que
pipoquem mais algumas dezenas de bilhões de seres sub-humanos, de
tal forma a aumentar o sofrimento da maioria e assim, contribuir
para a purificação de seus espíritos, conforme o desejo do
Criador:
"Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da
consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente.
Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e
sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso
é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também
Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais
as suas pisadas. (I Pedro 2:19 a 21)
Vale a pena visitar a página indicada a seguir e conhecer o
trabalho (em inglês) do maior estudioso das atividades da ICAR e
verificar se merecem créditos suas pesquisas de que se trata da
empresa mais rica do planeta, envolvida até o pescoço com
atividades bélicas e políticas no cenário mundial: <http://www.reformation.org/avro.html>
(Matéria Editada em
15/11/02)


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