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Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
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Tolerância, Intolerância ou
tico-tico no fubá?
"A tolerância não é o
oposto da intolerância; é a sua contrafação. São ambos
despotismos. Uma, arroga-se o direito de impedir a liberdade de
consciência, a outra, arroga-se o direito de concedê-la." (Thomas
Paine <http://www.sobiografias.hpg.ig.com.br/ThomaPai.html>,
1737-1809)
"Tolerar a existência do outro, e permitir que ele seja
diferente, ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se
concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de
superioridade de um sobre o outro. Deveríamos criar uma relação
entre as pessoas, da qual estivessem excluídas a tolerância e a
intolerância". (José
Saramago <http://www.caleida.pt/saramago/>)
Estamos agora trabalhando no limiar de nossa capacidade cultural.
Já notou como este assunto fica cada vez mais desaparecido de
nossos papos atuais? Mas, para quem gosta, isto rende...
O problema é que o vocabulário é meio restrito nesta área e
começamos a entrar fundo nos abstratos, etéricos, intangíveis e
demais sutilezas desta vida. Conto com sua paciência e
sensibilidade... Espero também tê-las eu mesmo, o suficiente
para traduzir o que sinto e fazer com que minha percepção esteja
a mais próxima possível do real.
Existirá então um meio termo entre tolerância e intolerância?
Se ser tolerante é ser despótico, e não o ser também é, como
construir uma comunidade livre, sem tolerância?
Há um meio termo: o equilíbrio. Coisa para trapezista, né? Mas
creio que tendemos sempre aos extremos. É mais fácil e até,
mais natural. Mas, à medida em que nos tornamos mais exigentes
conosco mesmos, em matéria de ética/moral (Eu quero eticamente
ser melhor do que tenho sido!), ansiaremos por este estado de
consciência do outro, entendendo-o, compreendendo-o,
assimilando-o, interpretando-o, contemplando-o, etc.
Creio que a empatia é tudo isto. Colocar-se no lugar do outro e
avaliar melhor a condição dele. Amar ao próximo como a si
mesmo, não fazer aos outros o que não gostaria que nos fosse
feito. Ter a consciência de que, como ele, nem sempre sou
perfeito e nem sempre, também, sou imperfeito.
O outro sou eu! O outro é como eu! Eu e o outro somos um!
Mas, para alcançarmos este nível, exige-se uma sintonia com o
outro,
não julgando-o, mas percebendo-o, partindo-se do princípio de
que ele funciona como você, como um computador qualquer, mas
abastecido com dados diferente dos seus.
Portanto, ele vai gerar resultados diferentes. Por que condená-lo
ou louvá-lo por isto?
Quando não sou capaz de amar ou "empatizar <http://www2.estado.com.br/edicao/mulher/trabalho/chefia1.html>"
alguém, estou demonstrando o meu limite. Posso ampliá-lo ou
permanecer nele para sempre. Posso incluir uma menor ou menor
concepção do outro dentro de mim, tornando-o parte de meu ser,
ou rejeitá-lo definitivamente.
Posso amá-lo ou odiá-lo. Posso engoli-lo ou vomitá-lo. Posso
anulá-lo ou torná-lo cada vez mais real. Posso ter plena
consciência dele ou nem levá-lo em consideração.
Posso acreditar que, em minha imperfeição, eu preciso dele,
tanto quanto ele de mim. Ou não. Sou um ser incompleto. Somente
me realizo, na medida em que sou capaz de tornar-me o outro. De
engravidar-me dele, de gerá-lo dentro de mim e parir a
consciência de que viemos de, e vamos para um lugar comum, seja
ele qual for.
Somos todos seres complementares. Nossa completude está nos
outros. Somos simultaneamente indivíduos e coletivíduos. Somos
caminhantes na mesma estrada.
Crescemos e amadurecemos, quando fagocitamos
<http://redebonja.cbj.g12.br/bomjesus/bios/bios_dic.htm>
intelectualmente as possibilidades e realidades do outro. Ao
digerirmos o conflito com as diferenças e dificuldades alheias,
nutrimos nosso espírito (ou mente) com o mais nutritivo alimento
para sua saúde.
Além de todos os horizontes, além de todos os montes, rios e
cascatas, além da paisagem exuberante que nos rodeia, há um
arco-íris dentro cada um de nós. Há um sol, uma chuva, uma
brisa. As trevas, os vendavais e os ventos uivantes serão sempre
passageiros.
(Matéria Editada em
08/10/02)


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