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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

Negro ou branco?

Recebi o texto abaixo, sobre o qual refletiremos a seguir, tendo em vista sua natural e numerosa divulgação na Internet e fora dela. Vamos refletir, no sentido de meditar, e não no de agir passivamente como espelhos, retransmitindo compulsoriamente a mesma imagem recebida. Ou ainda uma idéia, um argumento ou tese.

Vamos assumir assim nossa responsabilidade de enfrentarmos esta questão, utilizando o pensamento crítico, defendido pela Lei de Diretrizes e Bases (Lei Darcy Ribeiro, artigo 35 - alínea III) e não ensinado em nossas escolas. Será um excelente exercício para percebermos duas formas diferentes de leitura de uma notícia e os dois tipos de seres humanos que estas possibilidades podem gerar.

No debate de 04/10/02, entre os candidatos à presidência, pela Globo, o candidato Lula propôs "meios científicos" para classificar a raça das pessoas, visando possibilitar a implantação de um regime de preferência para os negros no acesso à universidade pública. Tamanha barbaridade foi cometida pelo regime nazista alemão, onde "meios científicos" foram utilizados por Adolf Hitler para separar a "raça pura ariana" dos judeus, eslavos, ciganos e outras inconvenientes e inferiores, a seu ver.

Qual a diferença entre meios científicos, com e sem aspas?

Qual das duas opções foi utilizada pelo candidato em sua afirmação?

Qual foi utilizada pelos nazistas?

Qual era a intenção deles, nesta seleção?

Aqui há o pressuposto de que a ciência (sem aspas) afronte, premeditadamente, à verdade e à vida?

É claro que, como uma ferramenta disponível apenas a quem tenha poder econômico suficiente para utilizá-la, ela estará sujeita aos propósitos lucrativos de seus senhores, os quais também dominam o Estado, e, normalmente afrontam, sub-repticiamente, à ética. Se estivéssemos em um Estado Democrático de Direito e de fato, seria diferente...

Mas vivemos na mais descarada plutocracia <http://geocities.yahoo.com.br/ditaduracivil/pluto.html>, ainda que a mídia mercenária não tenha informado isto ao público, em função de também servir à estes mesmos amos. Assim, sofremos, diariamente, a lavagem (ou sujagem) cerebral, de tal forma a sermos convencidos de uma grande mentira. Escravidão mental coletiva. Não há necessidade de grilhões físicos, como nos negros do passado... As duas possibilidades mais extremas de leitura da notícia acima nos asseguram isto.


É claro também que o ser humano, especialmente os chamados cristãos, justamente por e apesar de terem o Evangelho por regra de vida e fé, o qual ensina amar até ao inimigo, a fazer-lhe o bem, a oferecer-lhe a outra face, quando agredido (Mateus 5), etc., cometeram as maiores iniquidades do planeta, no que foram genialmente imitados pelos nazistas...

Um método não-científico seria melhor que o científico para distinguir as raças?

Ou seja, no caso de oferecer-se algum benefício à determinada raça, como distinguir, de forma justa, entre elas, para impedir que outras usufruam do mesmo direito?

Confiar apenas na autodeclaração do indivíduo, como sugeriu Ciro Gomes? Especialmente num país, cuja ética nacional é capaz de gerar os maiores, mais cruéis e triunfantes corruptos do planeta, os quais vivem nababescamente, enquanto a maioria do povo é quase pobre, pobre ou miserável? Não são eles que nos fazem o 3o. país do mundo <http://jbonline.terra.com.br/papel/economia/2002/04/20/joreco20020420005.html> em concentração de riqueza no topo da pirâmide social?

Talvez seja o caso de defendermos que não haja privilégio racial algum... Mas, por outro lado, a sociedade, especialmente as que se dizem cristãs, têm uma dívida incomensurável para com os negros e índios, pois no passado (e alguns, até hoje), não os consideravam como seres humanos. Assim, cometeram contra eles as maiores atrocidades. Seria um gesto humanista e espiritual que este débito fosse saldado o mais rápido possível.

Há ainda outros ângulos, pelos quais podemos observar esta questão, de maneira a constatarmos seu enfoque enormemente errado, em termos de lógica e percepção de valor, na abordagem desta questão.

Vamos mergulhar e nos lambuzar candidamente nesta maionese!

Caso analisemos a tese defendida pelo autor, utilizando a mesma técnica científica (desta feita, sem aspas), poderemos percebê-lo. Basta negligenciarmos por algum momento nosso limitado, obscuro e rançoso preconceito. Para quem se interessar pelo assunto, a heurística <http://www.dictionary.com/search?q=heuristic> oferece vasta literatura objetivando a análise, solução de problemas e tomada de decisão <http://www.kepner-tregoe.com>.

O problema maior...

(a) não é o método utilizado (o como fazer),

(b) nem a própria distinção racial (o que fazer),

(c) mas a intenção (para que fazer) com a qual ele é aplicado, o objetivo de quem o determina: se praticar o bem ou o mal, o amor ou o ódio, a caridade ou o furto. Defender a vida ou extinguí-la.
(d) é ousar uma avaliação do erro decorrente de tal critério científico e se produziria algum tipo de prejuízo para os negros, brancos ou mestiços.

(e) determinar a diferença existente entre estas possíveis conseqüências e as efetivamente produzidas pelos "cientistas" nazistas.

(f) perceber qual teria sido a intenção do autor e de seus partidários ao elaborar semelhante prodígio de raciocínio.


No caso de quem utiliza tal (ou qualquer outro) argumento para condenar o Lula (ou qualquer outra pessoa), também o que conta mesmo é a intenção (c).

A ciência incha, mas o amor edifica. (I Cor:8:1b)

(Matéria Editada em 07/10/02)

 

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