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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

Choque patriótico

Eu sei que vou defender uma posição polêmica, mas vale ao menos pela possibilidade de levantar este assunto e promover uma avaliação sobre ele... Resta-me apenas já solicitar, antecipadamente, minhas desculpas aos maniqueístas e reducionistas de plantão, por não trilhar a rotina tradicional dos caminhos dantes percorridos. Nem repetir as fórmulas ensebadas das cartilhas dos marqueteiros profissionais, que vislumbram somente a parte mais materialista e concreta do poder.

O país está passando por uma turbulência de tal proporção, que devemos nos abster dos melindres tradicionais e agirmos conscientes de que somos tripulantes em um barco sem rumo, em vias de naufragar. É um grande engodo considerarmos que tudo está sob nosso total controle e que não nos será exigido novamente mais uma dose cavalar de sangue, suor e lágrimas. Argentina, Colômbia e Venezuela nos mostram uma tendência, que todos gostaríamos de evitar, pelo menos "da boca para fora".

O verbete "partido" significa exatamente tudo que não podemos enfocar neste momento, ou seja, uma divisão de interesses, onde o de alguns se sobrepõe aos dos demais. Mais do que nunca, devemos estar unidos em torno do ideal de construir esta nação, trazida até este ponto, justamente pela falta de um projeto comum ao interesse de todos e da perenização do espírito exploracionista de nossos colonizadores e aculturizadores.

O vencedor destas eleições para Presidente da República tomaria a atitude de um estadista (inédita talvez, na humanidade), caso convidasse os perdedores para compor seu governo, entregando-lhes cargos realmente relevantes. Assim, teríamos a concentração de toda a energia de nossos eleitores representada no Executivo, com repercussões altamente positivas no Legislativo.

A experiência e as propostas de cada um dos candidatos mais votados, debatidas publicamente durante a campanha, são congruentes em vários aspectos, e poderão ser ajustadas, de tal forma a maximizar os resultados e acelerarmos nossa saída da bancarrota anunciada.

Tamanho despojamento de interesses partidários, particulares e parciais terá como resultado final uma nação realmente digna deste nome. Somente agindo de forma heterodoxa é que superaremos nosso maior problema nacional, que é o individualismo, o imediatismo e a mesquinhez. A "Lei de Gerson", a catimba e o tradicional jeitinho brasileiro.

São atitudes desta natureza que forjam o caráter de um povo. É assim que se escreve a História, de tal forma que nossos bisnetos venham, um dia, orgulhar-se naturalmente de seus ancestrais.

Jamais colocaremos este país nos eixos, repetindo fórmulas falidas, ditadas pelos demolidores de outras economias, contrárias ao que nações de sucesso praticaram no passado e praticam no presente.

Mas, para conduzir uma sociedade para além de si mesma, é necessário que seus líderes também consigam desensimesmar-se, desegoistizar-se, desindividualizar-se, adotando uma consciência de que suas vidas não mais lhes pertencem, mas que elas somente terão sentido histórico, caso sejam forjadas na mesma fornalha que produziu outros grandes estadistas da humanidade.

Como um líder pode exigir mais sacrifícios de seu povo, quando ele mesmo é incapaz de dar este exemplo, compartilhando o poder, de tal forma a conduzir toda uma nação e não apenas a facção que o trouxe até ali?

Afinal, talvez seja realmente esta a forma mais elevada de democracia: convidar os adversários para, com eles, com sua crítica e sua prática do lado de dentro do Executivo, dinamizar nosso indolente processo dialético da história.

(Matéria Editada em 05/10/02)

 

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