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Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
] |
A nação mais burra do planeta
II
Reconhecer nossos próprios
erros é sinal de sabedoria.
Trabalhando durante muito tempo com planejamento, fui adestrado
para avaliar a situação atual, de tal forma a procurar
modificá-la, aproximando-a do alvo, onde se pretende chegar.
Não é possível solucionar um problema, enquanto não o
conhecermos profundamente. A menos que contemos com um milagre,
coisa que a padroeira do Brasil ainda não parece disposta a
fazer, pelo menos em termos sociais...
Portanto, não me queiram mal os ufanistas fanáticos, que amam e
idolatram nossa pátria (salve, salve!) ou a padroeira, de tal
forma que sejam incapazes de perceber a proporção de seus (da
pátria, nossos) defeitos e limitações. "O pior cego é o
que não quer ver..." Já os devotos de Santa Luzia,
possivelmente não terão dificuldade alguma nesta área.
Fizeram conosco uma lavagem cerebral (ou sujagem?) desde
crianças, de tal forma a acreditarmos ser o maior país do mundo
em algumas coisas, o que não deixa de ser real, ainda que apenas
uma meia verdade, aliada a uma meia mentira, por omitir-nos,
ocultar-nos e alienar-nos dos fatos que dizem sermos os piores em
outras, muito mais relevantes que aquelas. Portanto, uma mentira
completa, caso busquemos a síntese superior.
Vivemos numa gelatinosa cultura ibero-católica, latino-americana,
emocional, sentimental e passional. A razão ainda não é ainda
nossa melhor amiga. O negócio é ganhar "no grito",
catimbar, dar sempre um jeitinho bem brasileiro para nos
enganarmos a nós mesmos e levar vantagem em tudo, certo? Bem...
Pelo menos aparentemente.
Mas, além da idiotice continental no setor agrícola (mencionada
anteriormente), há uma outra situação que merece melhor
análise, de tal forma a constatarmos friamente, cara a cara, a
lógica ufanista sob a qual estamos vivendo.
O SEBRAE nos assegura que o volume dos financiamentos para micro e
pequenas empresas é inversamente proporcional ao número de
empregos que elas geram. Mesmo sendo responsáveis pela maioria
deles, recebem apenas um percentual insignificante dos recursos
nacionais. É ou não é burrice?
Como instrutor credenciado por esta instituição, a qual é um
dos motivos razoáveis para ufanismo parcial da Nação, tenho
podido presenciar a indolência (ou má fé) dos bancos estatais,
que se dizem sociais, no sentido de participar do Programa Brasil
Empreendedor, o qual disponibiliza recursos do FAT (Fundo de
Amparo ao Trabalhador) para quem pretender iniciar ou ampliar um
pequeno negócio, cobrando juros aproximados de um por cento ao
mês (TJLP + 0,5 %).
Ao visitar qualquer agência da CEF, BB ou Banco do Nordeste,
verifique se há algum panfleto ou cartaz divulgando este fato.
Você não irá encontrar um só!...
Afinal, banco, mesmo estatal e, teoricamente social, gosta mesmo
é de lucro. E, juros baixos estão na contra-mão da história
destas instituições. Seus funcionários não são adestrados
para pensar em "lucro social". E a administração
superior não tem vontade política para adotar premissa diferente
desta. Divulgam ostensivamente apenas outras linhas de crédito,
para as quais cobram juros algumas vezes maiores. E a verba que é
destinada às pequenas empresas fica inacessível aos seus
destinatários, esperando um "insigh" de inteligência
de nossa parte.
É incrível a naturalidade com que o candidato governista
reconhece, em sua própria campanha para Presidente, que 50 % dos
recursos destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (PRONAF) não são utilizados, graças à 'burrocracia"
institucionalizada por seu partido, o qual está no poder há oito
anos.
O BNDES, usando dinheiro do FAT, prefere financiar grandes
empresas estrangeiras para adquirem nossas estatais (sem geração
de emprego) à aumentar recursos destinados às grandes geradoras
de trabalho para nosso povo. Para financiar bancos falidos também
não
faltam recursos ao Banco Central...
Assim, nossos maiores partidos políticos, controlados por grandes
mestres, pós-graduados, doutores e PhD em tretas e mutretas, mais
uma vez, vão nos vender a plataforma eleitoral de que pretendem
privilegiar as pequenas empresas com recursos dignos de sua
capacidade para geração de emprego. E muitos vão acreditar
novamente em sua lábia e levar grande parte deles para continuar
o desmonte de nossa Nação.
Portanto, temos algumas alternativas:
Ou quem governa este país é outro povo, talvez até mesmo de
outro planeta, o qual pratica terrorismo de Estado contra os
brasileiros, uma alienocracia;
Ou o povo brasileiro é burro mesmo, completamente destituído de
qualquer capacidade de gerir-se a si próprio, trocando os pés
pelas mãos e praticando o suicídio social, econômico e
financeiro, apesar de estarmos em uma democracia;
Ou, ainda, não temos democracia alguma e, na realidade, há uma
classe dominante, que financia a campanha de políticos
mercenários, os quais governam para seus patrocinadores, lesando
inteligentemente os demais estratos sociais (que não tem a
possibilidade de competir com o poder que a minoria possui de
investir fortunas neste processo), em benefício daquela,
caracterizando assim uma plutocracia, cleptocracia ou ambas.
Após o reconhecimento sereno e tranqüilo de onde estamos,
poderemos, então, tomar medidas eficazes para planejarmos para
onde queremos ir. Enquanto isto, estaremos na contra-mão de nosso
próprio presente (tanto no sentido de tempo, quanto no de dádiva
recebida gratuitamente da Natureza ou de Deus), bem como na
contra-mão de nosso futuro.
(Matéria Editada em
25/09/02)


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