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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

Elias Maluco & Cia. Ilimitada

Franchising. Franquia. Este é o grande negócio do momento. Mesmo em empresas ilegais, como é o caso das bocas de fumo, cheiro e aplicações em geral.

Talvez eu esteja abordando o óbvio ululante... Ainda que haja óbvios, para os quais muitos permaneçam ainda cegos, em função da alta sensibilidade ao brilho sedutor da Vênus Platinada e suas irmãs, também prostitutas, todas deitando e rolando com quem puder lhes
retribuir favores tão especiais. Afinal, negócio é negócio. E não uma obra de caridade. A verdade é apenas um detalhe... Como o povo.

Como alguém pode dominar uma favela ou várias, fazendo feira-livre de drogas, com suas Forças Armadas assegurando ostensivamente a segurança daquele segmento da economia, decretando o fechamento do comércio, em respeito ao feriados nacionais e luto oficial daquele micro-estado, sem o consentimento das autoridades que deveriam impedir que tal coisa ocorresse?

Como a droga pode chegar até estes locais, viajando milhares de quilômetros em território nacional ou passando por portos, também sem constrangimento algum?

Como um arsenal maior e melhor que o da própria polícia também consegue a façanha de atender às Forças Armadas do Estado meliante?

Como podem os bandidos dominar as prisões, usufruindo da maior liberdade para administrar o "brench" da multinacional à qual estão ligados, assassinar rivais ali dentro, comprar armamentos, comandar chacinas externamente, etc.?

Não se trata apenas de incompetência, falta de recursos físicos e humanos, limitação da lei e de outros motivos alegados. É pura e simplesmente falta de vontade política!

Basta um destes funcionários públicos da narcocracia eliminar o jornalista de uma das grandes formadoras de opinião, para que se torne questão de honra da polícia colocá-lo por detrás das grades. Mas, se ele não tivesse feito esta bobagem, estaria aumentando sua coleção de sessenta outros assassinatos impunemente. São os não-Tim Lopes. Gente que não é igual ao Tim, perante à lei...

Quantos Tim terão que morrer tragicamente assim, para que o Estado brasileiro queira, de fato, resolver este problema?

Quantos não-Tim?!!!

Do Acre ao Rio Grande do Sul, de Minas ao Ceará, do Amazonas à Bahia, em todo o país, há uma organização extremamente eficaz, que se beneficia da criminalidade.

Elias Maluco, Fernandinho Beira-Mar, Hildebrando Pascal e outros já conhecidos, são apenas o terceiro escalão de um estado paralelo muito mais forte do que a mídia pode mostrar. Ou quer mostrar. Ou ainda, é conveniente para os negócios mostrar.

"Em 'Morcegos Negros', Lucas Figueiredo mostra que o Esquema PC tinha conexões com o crime organizado internacional. Vasculhando documentos sigilosos no Brasil e no exterior, o jornalista teve acesso a dados referentes às movimentações financeiras entre PC Farias e seus parceiros: mafiosos italianos pertencentes a uma das maiores redes internacionais de narcotráfico. São transações frenéticas, feitas em quase uma dezena de países espalhados por três continentes. 'Morcegos Negros' também revela como as instituições brasileiras tiveram acesso a muitas dessas informações e, mesmo assim, deixaram impunes crimes que vão de tráfico de drogas a assassinato - incluindo o de PC Farias e sua namorada, Suzana Marcolino."
<http://www.editoras.com/record/059056.htm>

Quem é o novo executivo que substituiu a queima de arquivo, nesta empresa? Por enquanto, não sabemos. Não é conveniente que a mídia o divulgue. Muito menos que ele é apenas um dos muitos homens deste negócio altamente lucrativo, cujas organizações tem alvará dos verdadeiramente poderosos para trabalhar, desde que contribuam para a campanha eleitoral daqueles que tem a função de combatê-las.
Ou retribuam de outra forma mais discreta...

O próprio relator da CPI do Narcotráfico declarou no Boris Casoy certa vez que eles apenas arranharam estas organizações, pegando somente alguns peixes grandes, já que as baleias mesmo ainda estão inacessíveis.

Como já tivemos um Presidente da República conhecido como "do pó" e visceralmente ligado ao crime organizado, tudo pode acontecer. Até mesmo que o mais bem intencionado dos homens possa ser refém involuntário destes empresários informais.

Todo o poder emana do povo, reza religiosamente a Constituição. Todo o poder emana do pó, celebra o ritual pagão do deus Mercado, Mamom ou Plutão. A mão invisível do pó paira sobre todos nós e regula nossas relações comerciais, políticas e sociais.

Onde isto vai parar? Vai parar? Não precisa ser muito esperto para imaginar... Mas para enfrentar o problema, certamente, teremos de construir uma nova sociedade, firmada sobre fundamentos diferentes do hedonismo e da falta de caráter generalizado das "pessoas de bem" que lavam suas mãos e empurram com a barriga uma atitude objetiva a este respeito.

Respeito? Alguém ainda se lembra o que é isto?

(Matéria Editada em 20/09/02)

 

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