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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

Jornalista e alcagüete

Eu desconheço os aspectos legais que possam ou não exigir que um jornalista forneça provas para incriminar as pessoas que investiga. Seja como for, a função do jornalista é informar à sociedade e não aos órgãos de segurança. Afinal se estes tivessem o mínimo de
competência, não já estaria institucionalizado em nossa cultura, viverem no vácuo aberto por aqueles.

Tim Lopes jamais deveria ter permitido a identificação dos traficantes em sua fita sobre a feira de drogas. A polícia, que, se quisesse, providenciasse, por seus próprios meios, as provas necessárias para prender os culpados.

Quando os jornalistas propiciam, com tanta freqüência, condições para conhecimento de fatos desta natureza, a polícia recebe seu atestado de incompetência, de conivência ou de cumplicidade com o crime organizado. A eficiência da iniciativa privada nesta área é tal que, acaba fazendo do próprio Estado, seu aliado ou cúmplice, como ocorre também no crime legalmente organizado, na forma de partidos políticos eleitorais.

O que não está certo é jornalistas fazerem o trabalho policial e, depois, serem caçados por suas vítimas, as quais, neste caso obtiveram sucesso em eliminar o alcagüete. Mas, neste mister, é sempre de bom alvitre considerarmos a hipótese de que a verdade não seja exatamente o que nos foi informado oficialmente...

E, se depois tudo, esta metodologia tiver de continuar sendo utilizada, por que não oficializá-la de uma vez, contratando um batalhão destes destemidos profissionais para os quadros da segurança pública? Certamente nossas polícias estão carecendo
urgentemente de um choque de inteligência e objetividade. Certamente, ainda poderão vender matérias para a mídia, recuperando (ou aumentando) parte do investimento (tão reduzido) na defesa da lei e da ordem.

Para completar esta proposta, não podemos deixar de explicitar a condição sem a qual nada disto dará certo. Precisamos de um choque ético de alta voltagem, especialmente na polícia, mas também nos três poderes (em todos os níveis), bem como na sociedade, de uma
forma geral.

Por que não começar, dedicando mais tempo e qualidade na educação de nossos próprios filhos (ou até mesmo, na medida do possível, na dos outros, com os quais convivemos), os quais estarão, em breve, demonstrando para o planeta, a formação do caráter que receberam de berço?

A p(m)aternidade responsável, no seu sentido intelectual e emocional, é a melhor substituta para a sedução de uma mídia que faz a cabeça de todos, anestesiando-os empatica e eticamente.

O caráter nacional da próxima geração poderá ser pior ou melhor que o da atual. Você decide!

(Matéria Editada em 15/09/02)

 

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