|
 |
|
Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
] |
Serviço Social Voluntário
Duvido que haja alguém
satisfeito com a situação em que o país se encontra, exceto
aqueles que estão numa condição extremamente privilegiada
beneficiando-se desbragadamente da desgraça alheia, ou seja, a
classe social mais elevada, nacional e estrangeira, em especial os
banqueiros.
Assim, estou certo que estes são os objetivos básicos de todos
os demais brasileiros:
I - construir uma sociedade
livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
E posso assegurar que estes elevados ideais estão sacramentados
logo no início de nossa Constituição, no artigo 3o., sob o
título: "Constituem objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil" Sem tirar, nem por. Exatamente letra
por letra. Tim-tim por tim-tim, em homenagem ao Tim Maia que deu
sua vida para nos mostrar o quanto estamos ainda distantes deste
sonho nacional.
O que é mais importante? Conquistar a sexta Copa do Mundo da FIFA
ou melhorar nossa posição no IDH Índice de Desenvolvimento
Humano da ONU? Mas, o que fazer, então, para erradicarmos a
pobreza de nossos torcedores?
Criar o "Serviço Social Voluntário" que poderia
trabalhar em conjunto com o "Serviço Social
Obrigatório" que defendi já em outra oportunidade, em
substituição ao Serviço Militar Obrigatório, o qual transforma
nossos filhos em assassinos profissionais à serviço do Estado,
sendo um dos celeiros profissionais que abastecem os traficantes
de mão-de-obra especializada.
Vamos colocar os pobres para cuidarem de outros pobres.
Começaremos com um protótipo, uma coisa simples. Somente uma
equipe de uns dez especialistas em tempo integral, contratados
através do Governo Federal, tendo como único princípio de
seleção, além da formação universitária, o tempo dedicado a
serviços voluntários junto aos mais carentes.
Um psicólogo, um sociólogo, um nutricionista, um médico, um
filósofo, um assistente social, um historiador, um advogado, um
administrador de empresas e um profissional de qualidade e
planejamento, capaz de liderá-los à todos, programar o projeto
em conjunto com a equipe, acompanhar e produzir a síntese do
trabalho de todos, com avaliação mensal e divulgação dos
resultados para seus superiores e para a comunidade em que estiver
inserido este projeto. Uma secretária do mesmo nível deve
ajudá-los nesta empreitada.
Para instalação dos trabalhos, deverá ser procurado um
edifício público disponível, um templo, um centro comunitário,
etc., desde que sua utilização não implique em ônus para o
Estado, aplicando a premissa de frugalidade, parcimônia,
simplicidade e colaboração da coletividade. Os únicos
equipamentos fornecidos seriam um computador e uma linha
telefônica, cujas despesas ficariam por conta do erário.
Nas escolas da região escolhida, serão selecionados quatrocentos
jovens (a metade de cada sexo) que tenham concluído o segundo
grau, em função de seu desempenho escolar, de seu comportamento
e de seu idealismo de lutar por um mundo melhor, através da
contribuição pontual no crescimento de um indivíduo ou de uma
família. Assim, teremos dez turmas de quarenta alunos cada.
Eles estudarão vinte horas semanais durante um ano e executarão
atividades comunitárias sob a coordenação dos profissionais,
durante outras vinte horas, na condição como voluntários,
recebendo mensalmente uma ajuda de custo do governo no valor de um
salário mínimo.
Cada um dos profissionais ministrará treinamento teórico e
prático sobre a matéria de sua especialidade, com enfoque na
melhoria das condições locais, ampliando para as possibilidades
maiores de outros ambientes, onde estes jovens irão trabalhar
futuramente.
Terminada esta etapa de aprendizado mais direto, cada casal será
enviado para cada uma das regiões carentes, com o objetivo de
contribuir para a solução dos problemas encontrados. A
comunidade que os receber deverá ser orientada para providenciar,
na medida do possível alojamento simples para que eles se
integrem mais profundamente com os moradores.
Ali eles serão catalizadores sociais, que, coordenados por seus
instrutores, estimularão a comunidade na solução de seus
problemas coletivos e orientarão como devem ser tratados
problemas particulares e individuais. Estes jovens serão, com o
tempo, naturais
candidatos a vereador, extremamente conscientes e incorporados à
realidade que todos sonhamos transformar.
Adquirida a técnica na condução desta primeira experiência,
após dois anos de trabalho, novas turmas seriam formadas e o
serviço, estendido por todo o país, com freqüente troca de
informações entre os especialistas, de tal forma a manter o
programa sempre
respondendo à necessidades mais atuais das comunidades atendidas.
Não temos outra escolha: ou investimos em colocar nossos jovens
no mercado de trabalho social, ou teremos de gastar muito mais
ainda, para providenciar penitenciárias que atendam aqueles que,
tacitamente, negligenciarmos ao cuidado já tradicional do
narcoestado.
(Matéria Editada em
03/09/02)


Volta
para Índice de Artigos de Heitor Reis


Volta
para a página principal


Índice/Sumário
Artigos Gerais
|