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Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
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Democracia Ambiental e Democracia
Política
A democracia política
determina a democracia ambiental, climática e todas as demais. A
reprodução e sua função social e ambiental. A causa do
totalitarismo: a voracidade do capitalismo selvagem, sem
sensibilidade social e ambiental. A solução: o povo assumir o
poder, ou seja, implantar-se uma democracia no pais.
A democracia ambiental
será conseqüência da democracia no sentido mais amplo, geral e
irrestrito.
É quase impossível que haja democracia num sentido, sem que haja
em outro.
Enquanto houver o totalitarismo político, como sempre submisso ao
econômico, ele estender-se-á a toda e qualquer outra forma
relevante de interesse público.
A única motivação da plutocracia (1) é o lucro e um lucro
seguro. Sua ansiedade neste sentido é tão grande, que acaba
tornando-se, naturalmente, uma cleptocracia (2), coisa que fica
patente em cada noticiário da TV, graças à privatização do
Estado por esta classe superior, em termos materiais, mas
miserável, ética, moral e ambientalmente.
Como está no poder há milênios, ela possui técnicas
sofisticadíssimas para alcançar seu alvo.
No caso do Brasil, os ricos são uns dois milhões, segundo o
Banco Mundial. Sua capacidade de organização é tão produtiva,
que dominam todo o restante do país, que gira hoje em torno de
168 milhões de habitantes, dos quais quase 120 milhões são
miseráveis, pobres e quase pobres, alcançando um dos maiores
percentuais de concentração de riqueza em suas mãos, em termos
planetários, ficando atrás somente de dois países africanos.
(Jornal do Brasil, 18 de junho de 2000)
A questão ambiental, como todas as outras, somente será
devidamente tratada quando houver oportunidade da população
participar democraticamente das decisões.
Enquanto o povo permanecer distante do poder, tendo apenas o
direito de ser massa de manobra para votar nos candidatos
maquiados e marquetados pelo ouro hollywoodiano, cujo brilho
ofusca aqueles que não são tão iguais perante à lei, por não
terem um centavo sequer para investir na campanha de ninguém,
tudo ficará como antes.
Sendo o interesse da classe dominante exclusivamente o lucro
seguro e prolongado, ela somente concederá que outro entre
efetivamente na pauta, quando estiver dentro de seu propósito
natural ou quando não tiver outra alternativa.
Não há nada que as oligarquias brasileiras e internacionais
temam mais que a organização do povo, quando este acredita que
seu país deva ser uma verdadeira democracia e não apenas uma
formalidade para inglês ver.
Naturalmente, fazem de tudo para que tal coisa jamais ocorra,
adotando a estratégia milenar de dividir para conquistar.
Os militantes do ambientalismo devem buscar com ardor o apoio
popular, inclusive junto aos sem-terra, sem o qual este planeta
poderá ser aniquilado.
Mas, por outro lado, é importante também tentar demonstrar que,
à longo prazo, até mesmo o lucro dos capitalistas selvagens
estará comprometido, caso não considerem que a natureza
necessita de tempo para recuperar-se de seus vorazes ataques. Sua
natural ansiedade, mesquinhez e insensibilidade, dificilmente
permitirá recomposição em tempo hábil para evitar-se a
catástrofe que nos avoluma no horizonte.
Voltemos, então ao povo, um grande número de pessoas plenamente
analfabetas, outras apenas funcionalmente e, outras mais,
incapazes de se concentrarem em outra coisa que não seja o
trabalho e o pouco lazer, às vezes, de gosto duvidoso, que ele
pode proporcionar. Não devemos nos esquecer de nossos 50 milhões
de famintos e dos 12 milhões de desempregados e desocupados.
Não é coincidência o aumento exponencial do lucro dos bancos no
Brasil especialmente, que é um dos maiores do mundo, ocorrer
exatamente enquanto a miséria de nosso povo atinge elevada
grandeza.
Se a classe média, que tem alguma consciência dos fatos
ambientais, utilizando sua condição de formadora de opinião e
intermediária dos interesses dos grandes, não trabalhar,
unindo-se aos excluídos, de tal forma a demonstrar as
conseqüências sobre a natureza da alienação política, da
reprodução prematura e excessiva, nossas esperanças ficam ainda
mais reduzidas.
A Taxa Tobin (uma CPMF internacional), defendida pelo movimento
ATTAC ( www.attac.org
) como forma para redução das desigualdades sociais é uma
possibilidade interessante, mas ainda distante.
Como não temos perspectiva alguma à médio prazo de que haverá
justiça social, permitindo que todos tenha acesso à educação
de qualidade, à informações e recursos que lhes permitam
exercer cidadania, a solução mais razoável é o planejamento
familiar, nos termos da Constituição (art. 226).
Ou seja, fornecer a cada membro da sociedade condições adequadas
para que, como os mais abastados, também determinem o número de
filhos que julguem melhor e a época em que devam nascer,
conscientes das conseqüência sociais e ambientais desta
decisão.
Matematicamente, estaríamos reduzindo a grandeza do denominador
na equação que divide a riqueza por todos os brasileiros. Isto
é a parte da riqueza que a plutocracia permite que seja dividida
pelos demais... Já que ela, além de receber uma renda média 150
vezes maior que a média dos mais pobres, mesmo sendo 1,3% da
população, devora 53 % da riqueza nacional (o dobro do que
ocorre nos USA). Isto é, sobra apenas 47% para serem divididos
por 98,7% de nosso povo. (Jornal do Brasil, 18 de junho de 2000)
Em 12/03/2002, o Jornal Hoje, da Rede Globo, documentou o aumento
da gestação precoce no país. O que ela não mencionou é que a
contribuição da mídia televisiva com sua fixação em temas
sexuais promove uma deseducação maior que aquela, alegada como
causa do problema (falta de diálogo com os pais). A revista Isto
É publicou anos atrás que a estimativa de adolescentes grávidas
no país era em torno de um milhão anualmente.
Somente reduzindo o crescimento populacional (através de
campanhas educativas) ainda mais do que já tem sido feito
naturalmente, é que eliminaremos a possibilidade de que este
número ameaçador de famintos duplique, com todas as suas
conseqüência no meio ambiente, já que, na falta de uma
atividade produtiva melhor, nosso compatriota do interior irá
participar de qualquer atividade extrativista ilegal antes de ir
para os grandes centros ser recrutado pelo narcoestado.
Mesmo a realização das mínimas funções biológicas, faz com
que os 6 bi de habitantes do planeta sobrecarreguem o ambiente de
tal forma, a ponto de estarmos transformando a maioria de nossos
rios em esgotos a céu aberto. E, à tudo isto é acrescido o
esgoto industrial, o lixo de ambos, a poluição do ar, a
redução da camada de ozônio, o aquecimento do planeta, com
degelo das calotas polares, a violência urbana, o desemprego,
etc.
A destruição da natureza ocorre graças à inexistência de uma
ecologia social.
Mesmo que mantivéssemos o atual estilo de vida poluente, a
redução da população já traria benefícios enormes ao meio
ambiente. Mas é claro que devemos atacar em todos as frentes de
solução possíveis deste gigantesco desafio.
Além das políticas de desenvolvimento sustentado e um
planejamento amplo para a Nação, necessitamos urgentemente
equilibrar o crescimento populacional com as possibilidades que a
sociedade e a natureza tem de fornecer dignidade e qualidade de
vida (segura e à longo prazo) para os brasileiros e para a
humanidade.
Os capitalistas precisam compreender, por mais difícil que seja
para eles, a premência de compatibilizarmos o lucro com justiça
social, passando necessariamente por justiça ambiental. Este
discurso feito até pelos líderes da economia mundial tem de sair
do papel e tornar-se algo substancial, enquanto ainda temos tempo.
Somente haverá democracia política e ambiental, paz, segurança
e vida digna para todos quando a humanidade compreender que este
câncer populacional no qual nos tornamos, pode destruir não
somente nossa civilização, mas também a frágil biosfera deste
planetinha azul, ainda inédito no cosmo, não havendo, no
momento, um outro para onde possamos ir.
Portanto, por mais amargo que nos pareça, e, por mais caro que
isto possa nos custar, apliquemos urgentemente um tratamento
rígido para nos curarmos desta enfermidade.
Antes que a própria natureza o faça...
_________________________________
(1) Plutocracia: Dominação da classe capitalista, detentora dos
meios de produção, circulação e distribuição de riquezas,
sobre a massa proletária, mediante um sistema político e
jurídico, que assegura àquela classe, o controle social e
econômico.
(2) Cleptocracia: Governo dos ladrões.
(Matéria Editada em
29/08/02)


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