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Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
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Neoliberalismo e neoescravagismo
Atacar apenas o
neoliberalismo é como esmurrar as sombras e as trevas. Ele é
tão somente uma versão virtual do verdadeiro problema que nos
atinge inexoravelmente. O que precisamos é trazer luz para
observamos nitidamente o que está ocorrendo de fato neste grande
teatro planetário.
Somos todos gerados dentro do sistema e temos tremenda dificuldade
para superarmos o que nossa realidade virtual (mantida
cuidadosamente pelos jornalistas, sociólogos, publicitários e
psicólogos à serviço do poder) afirma ser verdadeiro e
concreto.
Mesmo a maioria nossos evoluídos militantes da
"esquerda", do FSM Fórum Social Mundial e dos
acadêmicos tidos como progressistas, não percebem que, tal como
o corpo humano, o corpo social não pode ser simplesmente
observado isolando enfoque econômico do político. É necessária
uma abordagem holística do processo. A política está
intrinsecamente ligada com tudo.
No sistema capitalista, as campanhas eleitorais geralmente são
leilões, onde o vencedor é quem mais capta recursos para
convencer eleitores de que suas qualidades são maiores que seus
defeitos (superando assim também os demais candidatos, que tem
menos dinheiro) e adequadas para exercer o poder. É leilão ou
eleição?... E, quem paga a conta do retorno para o mais rendoso
de todos os investimentos é o Estado, cujos cofres são
assaltados? Somos nós, a classe média e a massa ignara que foi
hipnotizada graças aos dólares aplicados pelos marqueteiros de
sucesso.
Não há democracia (governo do povo) onde há capitalismo. O que
tentam nos esconder através da mídia mercenária é que estamos
sob uma plutocracia (governo dos ricos) tão forte, que se torna
uma cleptocracia (governo dos ladrões). Uma classe social, com
grande poder econômico, dominando as demais, privatizando o
Estado e aumentado sua concentração de riqueza, através do
empobrecimento das outras.
Com isto, não quero que os maniqueístas de plantão critiquem-me
de estar pregando o socialismo, no qual temos apenas uma outra
elite, desta feita, os líderes revolucionários (hoje nem tanto),
ocupando a posição dos plutocratas, tornando-se ideocratas. Uma
casta ideológica oprimindo e furtando as demais. Uma oligarquia
do proletariado, também vítima do poder que nos mostra como
realmente somos...
E, onde há democracia, não haverá capitalismo e nem socialismo,
no sentido como conhecemos hoje. Se todos são iguais perante a
lei, porque alguns teriam o direito de adquirir aquilo que outros
não podem? Por que alguém poderia desfrutar de uma vida mais
regalada que o outro? Não teriam todos o mesmo direito de gerar
apenas o número de filhos que julgasse ser capaz de propiciar uma
vida digna, em conjunto com a sociedade e o Estado? (Art. 226 da
CF)
Enquanto não implantarmos uma democracia de fato e de direito,
jamais haverá economia ou sociedade que prospere por longo tempo,
de forma estável. Afinal, os trabalhadores (a maioria da
população), estando alijados do processo de decisão,
dificilmente sentir-se-ão
como membros de um corpo que o oprime.
A luta de classes, ainda que silenciosa, sutil, subterrânea e
dissimulada, atua, de tal forma a criar uma sinergia negativa,
que, em termos nacionais e globais, será prejudicial para todos
à longo prazo. Há uma operação tartaruga planetária, talvez
até inconsciente para a maioria dos trabalhadores. Quanto aos
desocupados, a criminalidade torna-se um atrativo cada vez mais
irresistível, produzindo, assim, um resultado mais visível.
Somente quando todos homens e mulheres desta Terra forem
respeitados como dignos de participar do poder e da riqueza que
geram coletivamente, é que estarão reagindo de tal forma a
otimizar nossos resultados econômicos, políticos e sociais.
Enquanto isto, seremos apenas um corpo com 6 bilhões de células,
onde uma minoria cancerosa, para sobreviver nababescamente,
necessita alimentar-se do sangue, suor, lágrimas e miséria das
demais, as quais despendem enorme energia para administrar
cuidadosamente este equilíbrio entre a vida e a morte física,
intelectual, mental, profissional, econômica, política e social.
Neste desperdício gerado pelo atrito social e pela dispersão dos
interesses individuais e classistas, é que fica perdida a maior
parte do tônus vital de nosso organismo coletivo. Desperdício
este, caso reduzido ou eliminado, iria redundar, naturalmente em
resultados positivos para toda a humanidade.
(Matéria Editada em
24/08/02)


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