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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

As classes sociais

Este é assunto é tabu na mídia do Brasil, em função de ser matéria de interesse especial da teoria socialista (na prática, a vaca foi para o brejo...), a qual nunca andou em boa conta em nosso mundo capitalista, já que este (como aquele) evita enfrentar as conseqüências de sua sede insaciável pelo lucro (ou das delícias do poder). Agora, quando o império plutocrata avança velozmente em direção ao domínio total do planeta, este tema continua relegado à insignificância.

Para minha surpresa, a Rede Globo apresentou matéria a este respeito no seu Jornal Nacional por alguns dias, o que somos obrigados à celebrar e a congratularmo-nos com ela. Infelizmente, devido a seriedade e relevância do tema, esta ainda é uma mísera gota no descomunal oceano da ignorância geral sobre o assunto.

Não é que a Globo deixe de mostrar eventualmente a triste realidade social do país... O que critico é ela não apresentar suas causas e nem dar ao assunto a relevância e o tempo que merece, fazendo uma opção preferencial por distrair a massa iludível da origem de seus problemas. Ou seja, ela finge que aborda o assunto de forma séria, mas apenas faz uma média com os pobres, enquanto seu pacto comercial com os ricos é que predomina, ditando sua programação alienante. Afinal, ela depende, tanto de vender publicidade para eles, quando de financiamentos do Estado que eles dominam, como foi no caso do Projac e da GloboCabo.

Defendo que o povo deve ter consciência de sua miséria e do quanto está dominado por esta enfermidade social, bem como as causas reais que a provocam. A classe média também deve ter condições de avaliar sua posição e a das demais classes, para que, como formadora de opinião, influenciar os mais fracos na direção de mudarmos este quadro. Mesmo dentre os ricos, que vivem isolados da realidade maior que os cerca, talvez alguns fossem sensibilizados pela desgraça que proporcionam, ao privatizarem o Estado, através do financiamento das campanhas políticas de seus legítimos representantes, travestindo-os de legítimos representantes do povo.

Propaganda enganosa da grossa!

Somente assim encontraremos a cura antes de que corpo social fique comprometido, levando-nos à uma amputação ou perda de órgãos vitais. Até quando nosso tecido social suportará uma cabeça que cada vez mais se distancia do restante do resto?

Guardo com carinho matéria do Jornal do Brasil, datada de 18 de junho de 2000, quando a população ainda era 166 milhões, apresentando nossas castas, usando um critério diferente do IBGE, o qual foi citado pela Globo:

"A concentração de renda no Brasil gerou cinco categorias de grupos sociais, segundo indicadores do desenvolvimento, publicados há um mês pelo Banco Mundial: (a) os ricos, 2 milhões; (b) a classe média, 50 milhões; (c) os quase pobres, 60 milhões; (d) os pobres, 30 milhões; (e) e os miseráveis, que correspondem a 24 milhões."

Aqui constatamos facilmente que os miseráveis, pobres e quase pobres somam 114 milhões de pessoas, ou seja, 70 % de nosso povo. Apenas 1 % é rico, pelos critérios do Banco Mundial, em contraste com o IBGE/Globo que consideram 10%, procurando assim, esconder o sol com a peneira.

Mas isto não seria o problema, se estes 1% não concentrassem 53% da riqueza nacional, enquanto nos EUA, eles abocanham apenas a metade disto. O salário médio deles é 150 vezes maior que a dos mais pobres... Ou seja, nossos ricos são duas vezes mais vorazes que os de lá. A matéria também informa que o crescimento da riqueza não significa melhoria para os pobres, já que, normalmente ela flui para a classe dominante.

Não é à toa que perdemos quatro posições no IDH - Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, caindo da 69a. (2001) para a 73a. posição (2002), mesmo sendo uma das maiores economias do planeta. (
<http://hdr.undp.org/>) Nossos ricos ficam cada vez mais ricos, enquanto os pobres ficam cada vez mais pobres.

Independentemente de ideologias políticas, econômicas, religiosas ou futebolísticas, este é um fato incontestável. Nada tem a ver com a esquerda ou a direita. Miséria é miséria em qualquer sistema. E, fazer política é a arte de bem governar.

A questão é saber para quem!...

(Matéria Editada em 23/08/02)

 

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