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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

O candidato dos meus sonhos...

Claro que ele não existe!... Mas acredito que todos precisamos construir conscientemente um candidato ideal, um modelo teórico, de tal forma a compará-lo com os reais, constatando, assim, qual se aproxima mais do candidato de nossos sonhos.

PDCA - Planejar (Plan), Desenvolver (Do), Controlar (Control) e Agir corretivamente (Action). Este pequeno sistema de raciocínio pode ser aplicado em qualquer situação. Ou melhor, já adotamos esta técnica inconscientemente inúmeras vezes por dia. Mas, para a maioria, falta a racionalização e otimização deste processo em seu cotidiano.

Aplicando o PDCA às eleições, podemos começar planejando (P) nosso candidato ideal, enfocando alguns aspectos principais: sua história política e pessoal desejável; a que classe social ou facção ideológica ele deveria estar ligado ou se isto não faz diferença alguma; quais seriam as propostas relevantes que deveria defender; etc.

Em termos ideológicos, eles podem estar mais à direita ou mais à esquerda. Contudo, isto pode ser um pouco difícil de perceber.


Assim, nada mais seguro que buscarmos socorro no Dicionário do Aurélio, o qual define, de forma muito simples, em termos políticos, o que seja "direita": "(4) Grupo parlamentar que se assenta ao lado direito do presidente da respectiva assembléia, e tradicionalmente constituído por elementos pertencentes aos partidos conservadores. (5) Os diferentes partidos que compõem esse grupo. (6) Os direitistas. (7) Regime político de caráter totalitário e capitalista. (8) Parte conservadora ou reacionária da opinião pública."

Os conservadores desejam que tudo permaneça (conservar, manter) como está; que nada mude para os excluídos. Afinal, a situação para a elite capitalista está muito boa... Os reacionários procuram agir (acionar alguma coisa) apenas quando são obrigados por uma situação ou ação promovida por outros, quando se trata do interesse da maioria. Não procuram antecipar-se aos fatos e prevenir situações futuras, a não ser para o benefício de sua classe social.

Fazem de tudo para impedir a distribuição da riqueza nacional e a para criar obstáculos à melhoria da renda da população, para atrasar a reforma agrária e os benefícios para os menos favorecidos. Os interesses dos políticos de direita (ou melhor, de quem financia sua campanha) são mais prioritários. "O empresário, por definição, é um animal voraz." (Dep. Delfim Neto, na revista Veja de 15/09/93) O capitalista é insaciável.

Como os legítimos representantes dos trabalhadores, desempregados e desocupados não tem tantos recursos como eles, para aplicar na campanha eleitoral, o poder de convencimento dos eleitores de ambos é muito diferente.

Os direitistas acreditam piamente que o mercado remunera adequadamente cada um, conforme sua competência. Mas se esquecem que, quando o Estado por eles controlado (plutocracia ou cleptocracia, sistema de governo completamente diferente de uma democracia), não propicia as condições mínimas de cidadania e dignidade para o ser humano, ele é rejeitado pelo mercado como um traste inútil. Não há outra opção além de virar camelô, a prostituição ou a criminalidade. E, infelizmente é o que normalmente acontece, às vezes até na própria infância...

O problema é que nenhum partido se apresenta como de direita. Todos asseguram-nos ser de centro ou centro-esquerda. Ou seja, afirmam ser progressistas, voltado para o social, para o bem-estar da população pobre, etc. Apresentar-se como esquerda também é negativo, já que o objetivo principal da maioria dos grandes partidos é convencer os banqueiros e capitalistas mais graúdos à investir em sua campanha. E, só Deus sabe o custo desta barganha para cada um de nós...

Já imaginou um candidato afirmando que irá defender somente o lucro dos capitalistas, concentrar a renda no topo da pirâmide social e gerar 15 milhões de desempregados? Isto é suicídio explícito!.. O que ele faz então? Por exemplo, no caso de FHC, ele prometeu tudo que sonhamos: mais se-gu-ran-ça... mais emprego... mais saúde... mais habitação... mais educação, etc.

Bem... Depois de analisarmos todos os candidatos, vamos votar (desenvolvimento, realização de nosso plano, neste caso) naquele que concluímos ser o mais adequado, o que é representado pela letra "D".

A próxima etapa é o "C" do PDCA, o controle. Isto é, comparamos o planejado com o desenvolvido (feito ou realizado). Se a mídia não fosse prostituída com o poder econômico e político, ela faria esta comparação, para demonstrar ao eleitor o que o Presidente, Governador ou Prefeito, etc., realizou: todas, parte ou nenhuma das promessas que fez durante a campanha.

Continuando em nosso exemplo, infelizmente, dos itens mais relevantes, dentro do ponto de vista dos eleitores, FHC fez muito pouco, ainda que tenha realizado algumas medidas positivas, as quais tem pequena conseqüência na melhoria geral da qualidade de vida da população. Mas é claro que ele gasta uma fortuna, tentando supervalorizar este resultado, através de uma propaganda maciça... Um exemplo claro de sua situação, é a baixa popularidade e o discreto apoio dado ao seu candidato, o qual, por sua vez, não faz muita questão de aparecer ao lado do Presidente ou de mencionar seu apoio.

O próprio Real tornou-se uma moeda moribunda, mantida artificialmente através de altas e freqüentes doses de morfina no CTI do FMI, mantendo-nos assim insensíveis às dores de uma enfermidade fatal para nossa economia nacional e particular. Ou seja, estão empurrando com a barriga o doente desenganado, de tal forma que o próximo governo fique responsável pelo atestado de óbito e pela conta do funeral de uma moeda, cujo nome deveria ter sido "ilusão".

O último passo de nosso PDCA é a ação corretiva. Se não estamos satisfeitos com um candidato ou com os partidos que o sustentaram durante seu mandato, vale a pena avaliar uma mudança de posição. Isto é, no caso de FHC, se você gostou do governo dele, vote em candidatos apoiados pelo PSDB, PMDB, PFL, PTB e PPB, cujos partidos são responsáveis pelo resultado que colhemos hoje. Isto é, nada haveria para corrigir. Caso não tenha aprovado a atuação destes partidos, os quais permaneceram quase oito anos no poder, procure seu candidato em outros.

Não deixe de observar cuidadosamente a tática adotada por eles, que, antes das novas eleições, muitos de seus políticos travestem-se de oposição e simulam uma debandada momentânea e apenas aparente para a esquerda.

A população é pouco instruída e muitos são analfabetos funcionais (aprenderam a ler, mas não o sabem mais), provocando uma facilitação para a propaganda enganosa ter resultados altamente lucrativos para a direita, iludindo os mais simples. Outros, mesmo letrados, são muito ingênuos, vivendo distraídos da relevância de seu voto, escolhendo seu candidato de forma emocional, dominados pela propaganda movida à peso de ouro dos ricos, para arrependerem-se mais tarde, como foi o caso do Presidente Collor e, em parte, com FHC.

De qualquer forma, devemos ter sempre em mente que hoje colhemos o voto que plantamos anos atrás. Caso julguemos o governo atual incompetente e tenhamos votado em outro candidato, o qual perdeu as eleições, também colhemos o fruto de nossa omissão, por não termos sido mais militantes (coletivamente) no sentido de trabalharmos efetivamente para demonstrar aos eleitores nossos amigos as condições de nosso candidato, comparadas com os demais.

De uma coisa podemos estar certos: cada povo tem o governo que merece. Nossa esperança é de que muitos brasileiros cheguem à esta conclusão e de que, assim, passem a defender seus salários, empregos, segurança, saúde, habitação, etc., aplicando o mesmo vigor com que torcem pela Copa do Mundo ou pelas equipes que disputam os certames nacionais e regionais.

(Matéria Editada em 16/08/02)

 

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