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Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
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FHC e a bancarrota
Quando o Presidente ainda era
candidato, ele, naturalmente, buscou quem financiasse sua
campanha. Homem de confiança do governo, já tendo demonstrado
sua competência política, não teve dificuldade em contatar e
granjear uma fortuna considerável em seu caixa 1, e, como soe
acontecer na política nacional, supõe-se que tenha engordado
também seu caixa 2.
Mas, de onde veio o dinheiro para assegurar-lhe uma propaganda
hipnotizante, elevando-o de uns poucos pontos percentuais nas
pesquisas, para a vitória contra Lula, que levava enorme
vantagem, como sempre?
O DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
mantém a prestação de conta dos candidatos à Presidente de
1998.
<http://www.diap.org.br/scripts/diap2000/financ/finpres.asp>
Dos R$ 43 milhões, somente o Banco Itaú forneceu oficialmente R$
2,6 milhões. Dentre os 20 maiores filantropos, os bancos
forneceram aproximadamente R$ 6 milhões, correspondendo à uns 30
% do total destas contribuições. As empresas petroquímica e
congêneres acumularam R$ 4 milhões ou 20 % deste sub-total de
quase R$ 18 milhões. O restante veio de empreiteiras, montadoras
de automóveis e outras grandes indústrias.
O sociólogo-mor recebeu também contribuições de 174 empresas
inadimplentes junto ao Cadin - Cadastro Informativo dos Créditos
Não-Quitados de órgãos federais. Juntas, doaram R$ 13 milhões,
30% da arrecadação total, conforme registrou a Revista Época,
aos 28/12/98, em sua página na Internet. <http://www.acordacidadao.hpg.ig.com.br/ForaFHC!.htm
Se uma empresa está endividada, por que prefere financiar a
campanha do futuro Presidente, ao invés de quitar ou reduzir o
tamanho de sua dívida? Ou mesmo, não estando nesta condição,
por que os bancos, por exemplo, que tem como obsessão o lucro,
também fariam este vultuoso investimento?
A resposta vem do jornal Folha de São Paulo: "Bancos
estrangeiros rendem mais no Brasil", de 17/03/2002.
"Cada dólar aplicado pelos bancos estrangeiros no Brasil
rendeu, em média, 50% a mais do que no resto do mundo em 2001. A
informação consta de levantamento realizado pela ABM Consulting."
O candidato Garotinho cunhou uma frase que espelha bem esta
realidade: "FHC é o Papai Noel dos banqueiros." Eu
diria que também dos sonegadores, das petroquímicas e demais
financiadores de vulto de sua campanha no caixa 1 e nos demais
caixas seqüencialmente
numeradas, que porventura existiram em suas duas campanhas.
Somente constatando para quem este governo trabalhou, é que
podemos descobrir como é que ele nos trouxe à situação atual.
Tanto que foi proposta pela oposição uma CPI para verificar o
lucro exorbitante dos bancos na desvalorização do real,
boicotada pela maioria parlamentar da situação.
Um destes renomados pilares de apoio de FHC afirma
surpreendentemente:
"Quando você ouve um empresário dizendo que (...) busca o
bem comum, ou é mentira ou ele é doido e a família está
pensando em interditá-lo. O empresário, por definição, é um
animal voraz (...) O governo pode pedir tudo ao empresário, menos
que ele desista de ganhar dinheiro".
Esta citação é do Deputado Delfim Netto, na revista Veja de
15/09/93, utilizada por Osny Duarte Pereira (Jurista, membro do
Conselho da República e professor do Instituto Superior de
Estudos Brasileiros - ISEB, quando em vida) em seu texto
"Plutocracia nas Eleições". <http://br.geocities.com/ditaduracivil/>
Pudemos ver nitidamente as faixas que os argentinos carregavam
pelas ruas de sua "via crucis" bancária, apontando a
origem de seus problemas, confirmado pelo Presidente do Uruguai, o
qual preferiu, mais tarde, pedir perdão pela verdade que havia
dito.
Desta forma, podemos compreender claramente o Instituto Ethos e a
Transparência Internacional, quando nos afirmam que cada
brasileiro é assaltado em R$ 6.000,00 por ano, por arte dos
corruptos.
O problema todo é que somos nós, os que não financiamos a
campanha dele que pagamos a conta. Os lucros dos doadores de
contribuições é o nosso prejuízo. Isto é, se conseguirmos
pagá-la, já que o futuro parece tenebroso: Brasil está a
caminho de uma moratória, diz Bear Stearns. Jornal Estado de São
Paulo de 24/07/2002. <http://www.estadao.com.br/agestado/noticias/2002/jul/24/88.htm>
Mas FHC já tem uma resposta na ponta da língua:
"A decisão do País não é dizer 'não pagarei', mas sim
'não posso pagar', o que é diferente. (...) Não podemos pagar e
não vamos pagar. Pagaremos renegociando. Chamemos de moratória.
Não vamos ter medo da palavra..."
(FHC, 17/06/83, quando ainda era Senador.)
Ou melhor, tinha... Muita água já passou debaixo desta ponte.
Ele nos solicitou que esquecêssemos tudo que já disse. O Itamar
lembrou-se e adotou esta técnica, logo no início de seu mandato
como governador de Minas Gerais, irritando profundamente o
desmemoriado Presidente.
Certo é que estamos à beira da bancarrota. Como o próprio termo
sugere, há uma banca financeira em nossa rota. Ou um banco. Ou
vários. Uma banca de bancos.
Seja como for, resta-nos uma possibilidade: Não teríamos tantos
problemas assim e tudo isto é apenas uma encenação dos grandes
especuladores internacionais, de tal forma a criar um clima mais
adequado para que seu candidato vença, quando tudo voltaria às
mil maravilhas. Ou, pelo menos, às cem maravilhas. Bem... Dez já
quebram o galho!
(Matéria Editada em
31/07/02)


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