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Heitor Reis - Articulista da Agência Brasileira de Notícias / Brazilian News Agency (ABN)  

Heitor Reis é articulista, engenheiro civil, palestrante, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa [ www.fenai.org.br ] e da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [ www.imprensa.org.br ]

 

O "desaforum" social

Fórum vem... Fórum vai...
Muitos fóruns se foram.
Foram-se...
Desaforo. "Desaforum".
Eu não levo desaforo para casa, não!
Nem individual e, muito menos, social...

- "Um mundo melhor é possível."
- Sem dúvida.
- Um mundo pior é possível.
- Também.
- Tudo é possível...
- Inclusive o contrário de tudo!
- Nada?
- Nada é possível.

Esta é apenas uma das inúmeras alternativas de futuro, ora disponível no mercado (ai!) das especulações, ilusões, ilações, devaneios, fantasias, imaginações, sonhos, conjecturas e utopias.


Mas, na prática mesmo, pouca coisa acontece. Os sonhos tornam-se pesadelos. Geralmente... Há exceções, sem dúvida.

Como otimizar o processo de transformar possibilidades em realidades?

A cantiga de meus cursos de empreendedorismo responde simplória e filosoficamente:

Quem somos? (Who?)
Onde estamos? (Where?)
Para onde vamos? (Where?)
Para onde queremos ir? (Where?)
Por que queremos ir? (Why?)
O que teremos de fazer para chegarmos lá? (What?)
Quando queremos chegar lá? (When?)
Quem é responsável pelo que? (Who?)
Como chegaremos lá? (How?)
Quanto custa chegarmos lá? (How much?)

Estas são questões fundamentais, as quais teremos de analisar, para qualquer empreitada adquirir um mínimo de possibilidade de sucesso. (Os termos em inglês podem ajudar na memorização.)

Se não adotarmos as regras simples de planejamento estratégico para nossas vidas particulares e coletivas, dificilmente alcançaremos o desempenho de organizações mais perenes.

Saber que o importante é o mais importante, é fundamental. Em termos políticos e sociais, abordados pelos fóruns da moda, é mais importante avaliarmos a questão da democracia, cuja conceituação pasteurizada nos é imposta pela mídia diariamente.

- Estamos realmente em uma democracia?
- Eles partem do princípio que sim.
- E eu que não.
- O que é, então, uma democracia?
- Simples: governo do povo.
- Se o povo não governa, não há democracia.
- Ah! Mas o povo vota... Temos eleições.
- Eleições e voto nada significam.
- Democracia é governo do povo!
- Votar não significa governar...
- As eleições tem de ser livres, inclusive da influência do poder econômico.
- Ah! Mas eles votam em seus legítimos representantes, que governarão em nome deles.
- Se isto for realmente verdade, estamos em uma democracia de fato.
- Mas não é!
- O povo vota nos legítimos representantes do poder econômico, os quais tem por ele suas campanhas financiadas e aos quais irão servir, quando eleitos, devolvendo multiplicados, os investimentos recebidos.

"We want a government of the People, by the People and for the People. Not a government of the Exxons, by the General Motors and for the DuPonts."
(Ralph Nader, ex-candidato do PV à Presidência da República dos EUA)

Foi iniciado mais um Fórum Social. O argentino, que tem como tema central "A crise do modelo neoliberal e os desafios para o movimento global".

É inegável tratar-se de um avanço, qualquer reunião no sentido de avaliar, compreender e procurar modificar a realidade para melhor. Contudo, quando parte-se de uma premissa errada, os resultados repercutem esta deficiência naturalmente.

Se o tema central fosse "A ditadura do poder econômico (plutocracia ou cleptocracia) e os desafios para o surgimento da democracia", poderíamos esperar uma eficácia maior do evento. A tal possibilidade de um mundo melhor seria mais possível ainda...

Sugiro ainda um tema introdutório: "A crise da conceituação, da constatação prática e a lavagem cerebral, gerando o engodo da pseudo-democracia."

Mas, o pior é que os dirigentes deste movimento partem do princípio de que estamos sob uma democracia de direito e de fato. Santa ingenuidade ou pura ignorância! Infelizmente, ainda existe a possibilidade de pura má fé...

Assim, independentemente das razões originais, o resultado é a manipulação dos inocentes sonhadores de um mundo melhor, mantendo-os presos na gaiola de ouro da ilusão, crentes de que estão efetivamente transformando o mundo, num ritmo maior que o constatado.

São cegos guiando cegos numa batalha infernal contra as sombras. A realidade é apenas uma ficção. E os resultados do fórum já se foram.

Antes mesmo de começar.

(Matéria Editada em 31/07/02)

 

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