 |
|
Heitor Reis
é articulista, engenheiro civil, palestrante,
membro do Conselho Consultor
da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida. É
membro afiliado da Fenai - Federação Nacional da Imprensa
[ www.fenai.org.br ] e
da ABI-DF - Associação Brasiliense de Imprensa [
www.imprensa.org.br
] |
Terrorismo
estatal, tribal e pessoal
Devemos aproveitar este momento para refletirmos sobre o terrorismo.
Apresento um ângulo, o qual ainda não vi sendo enfocado, talvez, até mesmo por não ser
politicamente correto. Mas, até que tem uma certa lógica...
Não devemos nos esquecer que os governos são eleitos ou tolerados pelo seu próprio
povo.
Cada cidadão estadunidense é responsável pelo atos de seu governante, da mesma forma
que os brasileiros, australianos, chineses, etc, pelos deles. E sua culpa é proporcional
ao seu grau de consciência, o que nos demais países é menor que o do cidadão da
metrópole.
Os EUA mantém um padrão de vida elevado para seus habitantes, graças à exploração e
destruição que provocam mundo à fora. Coisa que qualquer outro país, no lugar dele,
também o faria ou seria ainda pior. É da natureza humana utilizar o poder para tal fim e
isto não vai mudar tão cedo. Talvez nunca...
O terrorismo de Estado, seja ele bélico ou financeiro, não é mais santo que o
terrorismo religioso, racial, ideológico, futebolístico ou ateu. Todos são atos
bestiais.
Cada indivíduo é uma célula, parte inexorável de um corpo nacional, e é digno de
receber as conseqüências dos atos de seus líderes. Quando uma Nação é terrorista,
todos seus membros compartilham da mesma condição. São alvos legítimos, dentro da
própria lógica que praticam contra os outros.
Se "inocentes" cidadãos estadunidenses morreram nas mãos de um terrorista que
eles mesmo geraram, é porque também consideram ético assassinar direta ou indiretamente
"inocentes" japoneses, vietnamitas, cambojanos, chilenos, brasileiros,
iraquianos, palestinos, kosovares, afgãos, etc. Lei de ação e reação.
Não deveriam ter eleito este presidente, então. Nem os outros, que também foram
responsáveis por massacres anteriores.
Se não concordam com ele, que o deponham legitimamente. Mas o índice de aprovação do
Bush está elevado... Afinal, ele está defendendo uma fonte de energia estratégica para
seus liderados, ainda que alegando um objetivo secundário, o que lhe asseguraria a
reeleição.
Como homem visceralmente ligado aos interesses dos magnatas do petróleo, ele deve abrir
caminho à força para o lucro de seus patrocinadores de campanha. Seja no Afganistão ou
no Iraque. Por outro lado, não há nada melhor que uma guerra para aquecer a economia e
os bolsos.
Como o líder hegemônico do mundo não tem um povo com uma filosofia fraterna, cordial e
empática, como era a de seus ancestrais, caminhamos a passos largos para uma hecatombe em
proporções planetárias. Os puritanos acreditavam que "todos os que lançarem mão
da espada, à espada morrerão" (Mt:26:52). Seguindo o caminho do Império Católico
Romano, este país protestante faz também suas cruzadas e santas inquisições.
Não seria justo deixar de ressaltar também a responsabilidade do grande, rico e poderoso
"lobby" judeu que domina a política estadunidense, segundo Emir Sader, na
Agência Carta Maior, 7/6/2002, "AIPAC, o maior lobby dos EUA" (AIPAC - American
Israel Public Affairs Committee).
Assim, todos são cúmplices da mesma bestialidade, por ação ou por omissão.
A propagação do mal praticado por uma minoria, ocorre pela simples omissão da maioria
de pessoas, que é boa, defendia o Pastor Marthin Luther King Jr, até ser assassinado
pelo conluio de ambos.
Todos somos bons, inocentes e, como Pilatos, lavamos nossas mãos diante da desgraça
alheia, seja ela na favela brasileira mais próxima, na Palestina ou em Manhattan.
Ninguém tem culpa de nada. Pagamos caro aos nossos políticos (de lá e de cá), para
fazerem o serviço sujo e assumí-la em nosso lugar.
Assim, temos somente duas alternativas: a barbárie ou a barbárie.
(Matéria Editada em
12/09/02)
Livre Uso: Ao
contrário das demais matérias produzidas pela ABN News, está autorizadas, sem ônus financeiros, a publicação dos Artigos desta editoria pelos veículos de comunicação, desde que mantenham a íntegra do texto da matéria, conservando o cabeçalho ou rodapé com as informações completas sobre o autor e da fonte (ABN
News - Agência Brasileira de Notícias) com a menção obrigatória do portal (www.abn.com.br) nas edições impressas e com links nas publicações em sites.
|
Em Tempo Real: Todas as demais editorias são atualizadas em tempo real para os veículos
de comunicação cadastrados como usuários dos serviços da Agência Brasileira de
Notícias.
Clique
aqui para solicitar mais informações para ser cliente da Agência
Brasileira de Notícias e contratar os Serviços Noticiosos
24 Horas em Tempo Real
|
|

|