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Articulistas

Feichas Martins

Editoria de Opinião & Artigos

 

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Feichas Martins - Articulista da Agência Brasileira de Notícias - ABN News - Brazilian News Agency

 

 

Feichas Martins é Jornalista, Mestre em Ciência Política pela UnB, Professor Universitário, Especialista em Planejamento Político-Estratégico e Consultor Político-Eleitoral, membro do Comitê de Ética e Liberdade de Expressão da Associação Brasiliense de Imprensa (ABI-DF)

 

O Fim do emprego

Um dos maiores desafios sociais desse século, em todo o mundo, é a geração de empregos, em face da revolução da alta tecnologia. O mundo tem hoje cerca de um bilhão de desempregados e subempregados. O processo de globalização, que traduz novas formas de produção, é a síntese de mudanças substanciais, físicas e mentais, na pessoa humana, nas inter-relações humanas, no meio-ambiente e nas relações entre o homem e o meio-ambiente, sendo essas últimas influenciadoras da boa ou má qualidade das instituições.

O declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho são diagnosticados pelo norte-americano Jeremy Riffkin, economista formado pela Wharton School of Finance and Commerce, da Universidade da Pensilvânia, em sua obra “Fim dos Empregos” (São Paulo, Makron Books, 1995).

Nessa obra, que já se tornou conhecida no mundo inteiro, criticada pelos conservadores cépticos e elogiada pelos “utopistas tecnológicos”, Riffkin observa que cresce consideravelmente o número de pessoas desempregadas e subempregadas, vítimas das tecnologias sofisticadas da informática, robótica, telecomunicações, das indústrias e de setores como manufatura, varejo, serviços financeiros, transporte, agricultura e administração pública.

Esse fenômeno é explicado por Riffkin como marcador da “Terceira Revolução Industrial”, a transição para a “Sociedade da Informação”, ou “Era do Conhecimento”, uma sociedade quase sem trabalhadores. A “Primeira Revolução Industrial”, iniciada no século XV, com a energia a vapor, e a “Segunda Revolução Industrial”, com o petróleo e a eletricidade, entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do Século XX, são seguidas pela “Terceira Revolução Industrial”, iniciada, logo após a II Guerra Mundial, pelas máquinas inteligentes (robôs, computadores e softwares) e ainda em curso.

As grandes economias, principalmente a dos Estados Unidos, mecanizaram o campo, deslocando para as cidades, nas indústrias, consideráveis contingentes de trabalhadores; por alguns anos, a indústria aumentou consideravelmente sua oferta de emprego e força de trabalho total, mas, com a sua automação, partiu para a dispensa de mão-de-obra sem perder a sua produtividade. Iniciou-se considerável absorção de mão-de-obra pelo setor terciário, o da prestação de serviços, que evitou um desemprego devastador no mundo inteiro. Mas, agora, a nova sociedade em formação apresenta o mesmo sinal dos demais setores: “A tecnologia criou com uma mão e tirou com a outra”.

Estima-se que haja mais de um bilhão de computadores no mundo inteiro, quantidade crescente. Riffkin conclui: ”O único novo setor emergente é o setor do conhecimento, formado por uma pequena elite de empreendedores, cientistas, técnicos, programadores de computadores, profissionais, educadores e consultores”.

No Brasil, que já tem 80% da sua população de mais de 190 milhões de habitantes mal acomodada nas cidades, com variada pletora de problemas sociais, que se agravam a cada dia, as observações de Riffkin podem ser facilmente comprovadas. Quando se percorrem as vastíssimas e despovoadas zonas rurais, imensas plantações de cana, soja e milho perdem-se no horizonte. Desmata-se um Estado do Sergipe por ano na Amazônia para a criação de bois. E a grande vedete das beiras de rodovias são as placas de revendedores credenciados da John Deere, aquela empresa multinacional (que tem um veado-galheiro como símbolo) produtora de tratores, arados e outros maquinários componentes do arsenal mecanizador do campo. Com exceção do plantio de café, são culturas de latifúndios, que não geram emprego e nem fixam o homem à terra. Nada contra John Deere, pois, afinal o Brasil não se posiciona hoje na liderança da produção agrícola, com 142,6 milhões de toneladas de grãos?

O setor industrial brasileiro cresce atualmente em torno de 7% e o de serviços 5%


Mas, é útil, para uma justa avaliação, que se ressalte que certas posições de liderança brasileira no setor de alimentos, energia (maior produtor mundial de etanol e 12º produtor mundial de petróleo) e matérias-primas não se convertem em benefício do povo. A concentração de renda, riquezas e oportunidades gera desequilíbrios sociais que empobrecem e marginalizam quase 70 milhões de pessoas.

Leio nos jornais a insatisfação das lideranças políticas de São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Caçapava, Caraguatatuba e São Sebastião contra a Petrobrás, que não está contratando operários qualificados para seus projetos no Vale do Paraíba e no litoral norte paulista. A empresa teria prometido contratar 70% de um total de 7.200 trabalhadores a serem qualificados até setembro de 2009, mas até agora tem dado preferência para mão-de-obra vinda de fora de São Paulo, majoritariamente do Nordeste.

Realmente, o Vale do Paraíba, maior complexo industrial da América Latina, e o litoral norte paulista, região turística estratégica, com sintomas de violência social tendentes a transformá-la numa nova baixada santista, ressentem-se da falta de condições para atender à crescente demanda de empregos, principalmente no setor privado. Mas, como adverte Riffkin, é uma ilusão treinar ou retreinar para cargos já inexistentes, pois o mundo está eliminado o emprego de massa na produção e comercialização de bens e serviços. Urge a imediata conscientização das lideranças regionais sobre essa questão.

Matéria Editada em 10/11/2008

 

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