Brasília    Buenos Aires    Frankfurt    Macau    Maputo    Milão    Moscou    Nova York    Lisboa    Los Angeles    Roma    Paris    Pequim    Washington

 
 
ABN News: A Mais Ampla e Completa Cobertura Jornalística com 49 Editorias cobrindo o Brasil e o Mundo 24 em Tempo Real: Agricultura | Agropecuária | Amazônia | Assembléias Legislativas | Artigos & Opinião | Autos & Motos | Brasil | Câmara Federal | Cidades & Municípios | Ciências | Cinema | Comportamento | Consumidor | Culinária | Cultura | Diplomacia & Embaixadas | Direito | Economia | Educação | Enologia | Esportes | Empregos & Concursos | Fotojornalismo | Gastronomia | Gente & Sociedade | Geral | Indicadores & Investimentos | Imprensa & Comunicação | Informática | Judiciário | Literatura | Medicina | Meio Ambiente | Mundo | Países | Mundo Lusófono | Política | Presidência da República | Religião | Relações Exteriores | Saúde | Senado Federal | Teatro & Espetáculos | Tecnologia  | Telecomunicação | Tempo & Temperatura | Televisão | Trânsito & Estradas | Variedades | Viagem & Turismo
 
Since 1924: ABN News - Desde 1924: A Mais Ampla e Completa Cobertura Desde 1924: Agencia Brasileira de Noticias / Since 1924: Brazilian News Agency - ABN News Since 1924: ABN News - Desde 1924: A Mais Ampla e Completa Cobertura Fotos  Imprensa Hotéis & Resorts  Since 1924: Brazilian News Agency
Cultura Literatura Viagem & Turismo
Artigos Informática Relações Exteriores
Cinema Automóveis Sociedade & Eventos

  

Desde 1924: Agência Brasileira de Notícias - Since 1924: Brazilian News Agency - ABN News

     
 

.

 

Articulistas

Editoria de Opinião & Artigos

Feichas Martins

 

Feichas Martins - Articulista da Agência Brasileira de Notícias - ABN News - Brazilian News Agency  

Feichas Martins é Jornalista, Mestre em Ciência Política pela UnB, Professor Universitário, Especialista em Planejamento Político-Estratégico e Consultor Político-Eleitoral, membro do Comitê de Ética e Liberdade de Expressão da Associação Brasiliense de Imprensa (ABI-DF)

 

linha2.gif (86 bytes)

 

 

Celg D: Distribuindo a melhor energia para Goiás !

Súmula vinculante é pivô da disputa jurídica do Poder

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

O Presidente Lula terá a oportunidade de nomear quatro ministros do Supremo Tribunal Federal até o próximo ano, em substituição aos atuais ministros Sidney Sanches, Márcio Moreira Alves e Ilmar Galvão, que se aposentarão até dezembro próximo, e Maurício Corrêa, que se aposentará no ano que vem.

Áulicos do Planalto vêm com olhos gordos essas aposentadorias como oportunidades de Lula fazer quatro ministros e conquistar a simpatia do STF para as reformas que o Governo pretende promover, pois, se as reformas forem aprovadas neste ano, certamente gerarão demandas durante todo o período de Governo Lula (inclusive o de sua possível reeleição).

O presidente da OAB, Reginaldo de Castro, condena a tentativa de uso do STF como instrumento de governabilidade e adverte que isto viola o princípio da harmonia entre os poderes., pois, a seu ver, o STF não deve ser hostil nem submisso ao Executivo, mas, sim, julgar com absoluta isenção.

Fala-se, também em arrumar vaga naquela Corte para representantes das mulheres e dos negros (afrodescedentes), dentro da política reparadadora e compensatória para os oprimidos no Brasil, que vem sendo praticada pelo Governo Lula, de que temos exemplo a lei que reserva vagas aos negros nas universidades.

Não creio que seja defensável um ministro do STF negro para defender o negro, ou uma ministra para defender a mulher, o que seria ética e moralmente condenável, além de inconstitucional.

Enquanto as mudanças no STF não chegam, esboça-se uma articulação ampla para a reforma do Poder Judiciário, inclusive com aprovação da súmula vinculante.

Esse dispositivo daria a Lula um poder arrasador de realizar as reformas sem contestação judicial, caso, como pensam alguns acólitos do Planalto (e pensam absurdamente!) o Supremo viesse a ser usado como instrumento de governabilidade, o que mereceria o repúdio de todo o universo jurídico.

O STF não existe para coonestar interesses de qualquer parte do Estado ou da Sociedade, mas, sim, para atuar como eixo do ordenamento jurídico, o qual previne e compõe os conflitos, caracterizando-se como resultante e ao mesmo tempo mola propulsora do desenvolvimento da nação.

A proposta de reforma do Poder Judiciário tramitou oito anos na Câmara dos Deputados e dois no Senado e, em outubro passado, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, com parecer do então senador Bernardo Cabral (PFL-AM).

No plenário, foram apresentados 114 destaques para votação em separado de trechos da emenda constitucional, e a votação acabou suspensa em dezembro, após quatro sucessivos adiamentos.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dono de movimentada banca advocatícia, acredita que a criação de uma secretaria da Reforma do Judiciário será capaz de realizar, em quatro anos, as mudanças na legislação, razão pela qual descarta o aproveitamento da reforma que tramita no Senado.

Um dos pontos mais polêmicos dessa proposta é a instituição da súmula vinculante, segundo a qual os juízes de instâncias inferiores têm de acatar em suas sentenças decisões dos tribunais superiores em processos de mesmo conteúdo, medida que sofre oposição das entidades representantes dos magistrados.

Um dos defensores ardorosos da súmula vinculante é o ministro Nelson Jobim, do STF, que vive denunciando a indústria advocatícia que existe atualmente, em questões que não encontram sustentação na jurisprudência firmada pela Suprema Corte.

Em resumo, a súmula vinculante seria em tese boa para o STF e duvidosa para o Presidente da República ( se considerarmos que ele nomeia os ministros do STF, mas não pode usar este órgão como instrumento de governabilidade), mas não agrada os advogados, os quais têm no Ministro Thomaz Bastos e no deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), amigo do peito de Lula e de Bastos, dois poderosos aliados.

(Matéria Editada em 18/02/03)

 

Subir

 

FHC prepara cama-de-gato para Lula

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Um curioso debate surgiu na reunião que o PT realizou com suas bancadas no Congresso nesta semana. Alguns parlamentares criticaram a postura do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que, obviamente, faz propaganda de seu período de governo, dando a entender que está passando ao sucessor um país bem administrado e em boa situação política, econômica, financeira, científica, tecnológica, militar e psicossocial. Isso é verdadeira cama-de-gato para Lula, tantos são os problemas existentes.

FHC até tem dado explicações aparentemente convincentes sobre os pontos mais questionados de seu governo, durante as eleições, e que levaram alguns milhões de brasileiros que não são petistas a votarem em Lula

Uma das frases de FHC que mais irritam o comando petista é aquela em que afirma que todas as mudanças propostas por Lula em sua plataforma eleitoral são providências já implementadas pelo atual governo e que o PT apenas usa uma nova fachada. Um exemplo: o programa de combate à fome, pomposamente anunciado por Lula e meticulosamente desmontado pelos assessores governamentais, que deram a entender que Lula não tem informações sobre a realidade dos programas sociais em execução.

Diz FHC que deixa uma democracia consolidada. É verdade, e ainda por cima informatizada como em nenhum outro país, mas ainda não se fêz a reforma política necessária. Há uma verdadeira geléia geral político-partidária-ideológica e sistema político continua cheio de curtos-circuitos. A redução do tamanho do estado se deu à custa do desmantelamento de importantes setores e de uma terceirização de eficácia e custo duvidosos.

FHC diz que as contas estão em dia. Sim, pagamos em dia nossas dívidas e temos crédito com o FMI, mas a dívida externa e interna é a maior de nossa história. A economia cresceu e a inflação foi controlada, mas a política de câmbio fixo acabou sendo flexibilidade tardiamente, apesar das frequentes advertências de economistas de grande porte, entre os quais Delfim Netto.

O desemprego também cresceu a níveis assustadores e a inflação está aí de volta antes de terminar seu governo, com os juros fixados em 22%, uma taxa abusiva para os padrões internacionais.

As privatizações não evitaram o apagão, a alta das tarifas telefônicas, a péssima conservação das rodovias e a queda da qualidade dos ensinos médio e superior.O recrudescimento do crime organizado e da violência urbana é um fato, a ponto de se transformar a segurança pública no calcanhar-de-Aquiles de todos os candidatos à
Presidência.

A criação do Ministério da Defesa propiciou o sucateamento das Forças Armadas e o aviltamento da remuneração dos militares, além da piora das condições operacionais dos quartéis e de treinamento das tropas. Há quartéis onde falta comida e farda. Basta prestar atenção às denúncias do deputado Jair Bolsonaro, para se constatar tal precariedade.

No campo científico e tecnológico, a Lei das Patentes, aprovada pelo rolo compressor de FHC, não deixa de ser uma capitulação aos interesses internacionais pelas riquezas da Amazônia e do Pantanal, o mesmo ocorrendo com a Base de Alcântara, no Maranhão, que passa literalmente para o controle dos Estados Unidos.

Obviamente, não se pode esperar de qualquer governante que resolva todos os problemas nacionais. O que se torna passível de críticas ao período de FHC é que, mesmo dispondo de oito anos de mandato por eleição e reeleição diretas - o maior mandato conferido a um Presidente do Brasil -, FHC não fêz o que poderia ter feito com planejamento, sensibilidade política e patriotismo, sendo que este não deve e não pode ser confundido com obscurantismo e xenofobia.

(Matéria Editada em 21/11/02)

 

Subir

 

São Paulo domina política através da economia

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Um assunto pouco comentado e que merece discussão ampla é a hegemonia atual do estado de São Paulo no sistema político,eleitoral e partidário brasileiro, que, provavelmente, decorre da própria hegemonia econômica do estado, uma tese ainda não comprovada, pois nem sempre houve esse mando paulista absoluto.Teria São Paulo o papel que Herodes desempenhou para o império romano?

Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já tiveram dias de maior glória, que chegaram ao fim com o advento da tal globalização, que não passa de estratégia de dominação dos Estados Unidos, que coloca de um lado os globalizados, como o Brasil, e de outro os globalizantes, os países do Grupo dos Sete (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Inglaterra e Itália).

São Paulo, além de possuir o maior PIB, tem o maior colégio eleitoral do País, a maior bancada na Câmara dos Deputados - 70 deputados federais -, o presidente da República (FHC e agora Lula), possivelmente a próxima Presidência da Câmara, os presidentes do PMDB (deputado Michel temer), PSDB (deputado José Anibal), PPB (Paulo Maluf), PT (deputado José Dirceu) e PL (deputado Valdemar Costa Neto), e as lideranças do Governo
(deputado Arnaldo Madeira), do bloco PDT/PPS (deputado João Hermann Neto) e do PT (deputado João Paulo), afora inúmeras presidências de comissões, cargos estratégicos no Congresso e ministérios.

Os dois finalistas do segundo turno das últimas eleições foram de São Paulo (Lula e Serra).O núcleo central do poder nacional e do comando petista é todo de São Paulo e o paulista Antonio Palocci é o coordenador da atual equipe e transição do governo.

São tantas as posições de mando a caracterizar a dominação paulista no cenário político brasileiro, a centralização de poder político e econômico, que hoje as decisões passam obrigatoriamente por São Paulo, onde está o governo paralelo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Se essa dominação paulista é boa ou ruim para o país, ainda não se sabe, porque não há manifestação explícita de consentimento ou rejeição dos demais estados a essa situação, que interessa às potências dominantes, principalmente aos Estados Unidos.

É mais fácil negociar com um sistema político claramente definido, na prática, com centro e periferia, do que com um sistema pulverizado, como tende a ser o federativo brasileiro. E São Paulo atua como interlocutor principal do poder nacional, embora isto não esteja escrito em nenhum lugar.

Mas, há o consenso entre os políticos de que a força de São Paulo decorre do poder econômico, pois acabou-se o tempo em que política se fazia apenas com idéias e bom verbo. Hoje, um deputado federal no Sudeste não se elege com menos de um milhão de reais, quantia que pode subir, dependendo do candidato.

Cientista político, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) entende que o poder econômico se projeta hoje no poder político, em decorrência das transformações ocorridas na legislação eleitoral.

Aqueles mineiros que pontificaram na política, como Milton Campos, Alckmin, Aleixo, etc., eram homens pobres, movidos pelo seu ideário.Hoje fariam política com muita dificuldade, como muitos idealistas ainda fazem.

Na Europa, o sistema de listas permite a escolha de nomes não vinculado a grupos econômicos, enquanto, no Brasil, o voto uninominal (um candidato, um voto) induz o poder econômico a eleger o representante de seus interesses.

Como São Paulo tem o maior poder econômico, nada mais lógico do que traduzir esse poder em votos. Os cinco deputados e senadores mais votados do Brasil estão em São Paulo.

Na minha opinião, a política como arte perdeu muito com essas transformações, pois os paulistas não têm o talento e a sagacidade daqueles mineiros, dos gaúchos, dos fluminenses e dos baianos do PSD e UDN.

O poder econômico é mecanicista: programa as decisões políticas para que aconteçam conforme seus interesses, sem o teor humanístico que caracteriza a preocupação social.

(Matéria Editada em 08/11/02)

 

Subir

 

Cientista nuclear quer Brasil investindo no ensino secundário

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Rex Nazaré é um cientista brasileiro de renome internacional, um dos maiores especialistas em energia nuclear e membro da Agência Internacional de Energia Atômica. Nazaré hoje chefia o Departamento de Tecnologia da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).Tem 40 trabalhos publicados no exterior e 19 no Brasil.

Do alto de sua experiência em diversos cargos, entre os quais o de Presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Nazaré apontou, em conferência ao Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB), sobre o tema "Economia, Ciência e Tecnologia e o Estado", qual o caminho que o Brasil tem a seguir para o desenvolvimento econômico, que considera atrelado ao científico e tecnlógico, onde o Estado, a seu ver, ainda é o principal ator: "E um caminho com três vetores: 1) Não perder mais; 2) Retomar o que foi perdido, e 3) Prospectar para o futuro.

O desenvolvimento do ensino secundário, que hoje situa-se 20% aquém do seu potencial, segundo Nazaré, é um dos fatores-chaves para a conquista tecnológica, que hoje é uma respeitável fonte de renda, principalmente para os países detentores de informação tecnológica relevante (ITR), que diz respeito a tecnologias não publicadas e que não são transferidas."A tecnologia não está nos manuais, mas , sim, na cabeça de quem a desenvolve ou executa."

Como janelas de oportunidades para o Brasil empreendes seu grande salto neste século, Nazaré menciona os recursos florestais, a biodiversidade, a imensa área de terra áravel e a disponibilidade de recursos hídricos - esta uma das maiores do planeta.

Lula fêz o Senai e, como torneiro-mecânico, sabe o quanto é importante a mão-de-obra técnica especializada para o desenvolvimento da tecnologia nos setores primário, secundário e terciário. Nazaré é um nome que merece ser ouvido pelo próximo Governo, embora não tenha pretensão de exercer nenhum cargo.

Ao destacar que a energia, a ciência e a tecnologia são as principais propulsoras do desenvolvimento, o cientista observou que, nos últimos trinta anos, foram criadas e aplicadas 50% do manancial de tecnologia hoje existente no mundo e que o grande desafio da atualidade consiste na redução do espaço entre a ocorrência do fato científico e a geração do produto dele decorrente. Cerca de 20 ou 30 países são os detentores das principais tecnologias do mundo, sendo que os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha Federal detém 52,6% do PIB mundial e são responsáveis por 28,3% da exportação global.

A questão energética, vista como estrategicamente vital por Rex Nazaré, envolve investimentos maiores em pesquisa científica e tecnológica levando-se em consideração o esgotamento das reservas de petróleo, das quais 66% estão no Oriente Médio. Hoje, o Brasil, com seu potencial de exploração, teria petróleo para 19 anos, enquanto os Estados Unidos para 10 anos.

O desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como o álcool, que o Brasil começa a exportar para o Japão em grande quantidade, para ser misturado à gasolina, a nuclear, a solar, a eólia, a do hidrogênio líquido,etc.,é defendido por Nazaré, para quem há setores estatais no Brasil que foram desmantelados, pesquisas que foram interrompidas e nichos simplesmente abandonados. Consequência é que o país é um dos grandes pagadores de royalties na importação de tecnologias.

Até para a superação de crises e combate ao terrorismo, como os atentados às tôrres gêmeas do Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em 11 de setembro do ano passado, Nazaré lembrou que é preciso ter tecnologia. Os Estados Unidos - informou - estão construindo um megacomputador que lhes permita relacionar os fatos históricos com a evolução do conhecimento desde o acumulado nos 600 mil livros da Bibiloteca de Alexandria, em 332 a.C. Para ilustrar essa revelação, Rex Nazaré cita a obra "Revolução Surrealista", escrita por André Bretton, em 1925, que faz referência à possibilidade de, no futuro, "hordas do Afeganistão" lançarem aviões contra as "torres brilhantes de Manhatan." Ou seja, há 76 anos, escreveu-se algo que, seguramente, inspirou os planejadores dos atentados em Nova York.

(Matéria Editada em 27/10/02)

 

Subir



Liberdade de imprensa precária no Brasil

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Já disse em conferências e escrevi que o Brasil, maior democracia informatizada do mundo, tem um modelo de "democracia mitigada e desmobilizante", ou seja, um modelo caracterizado por poucos movimentos de massa participativos da decisão política.

A própria eleição eletrônica teve altos e baixos e pude comprovar o quanto exigiu sacrifício do eleitor, que enfrentou filas intermináveis, sendo obrigado a votar, sem atendimento adequado dos mesários e conforto de, pelo menos, uma água para beber ou um sanduiche para comer. Isto em Brasília, na capital federal, e no CEUB, uma das maiores e tradicionais zonas eleitorais. Se o voto fôsse voluntário, muita gente certamente ficaria em casa ou iria para o lazer...

A questão da liberdade de imprensa situa-se nessa precariedade da democracia brasileira. A ONG "Repórteres sem Fronteira " classificou o Brasil em 54º lugar em liberdade de imprensa, atrás de países como a Nigéria e a Uganda.

Digamos que os critérios de classificação daquela ONG sejam questionáveis, pois uma pesquisa dessa envolve um mundo de recursos, os quais não sei se ele investiu realmente. Mas, a premissa de que a liberdade de imprensa no Brasil não é das maiores é verdadeira.

As três vertentes de controle dos meios de comunicação são a política, a econômica e a jurídica. A política apresenta o controle do Estado sobre as concessões dos canais de emissoras de rádio e televisão. A econômica, a que no momento é mais eficaz, consiste no controle dos anúncios, ou da publicidade e da propaganda oficial e privada na mídia impressa e eletrônica. A jurídica é a quem sido mais amena, pois a deontologia dos meios de comunicação sofre mudanças após a revogação da lei de Segurança Nacional e da censura prévia à imprensa e à denominada indústria cultural.

Só que agora, a censura prévia voltou a ser praticada contra o jornal "Correio Braziliense", que foi impedido pela justiça eleitoral de Brasília de publicar trechos gravados de conversas entre o Governador Roriz e os irmãos Pedro e Ricardo passos, acusados de prática de grilagem no Distrito federal. Também sofreram censura prévia os jornais "Comunidade", "Jornal de Brasília" e "Tribuna do Brasil", que foram impedidos de publicar denúncias que afetariam a candidatura de Geraldo Magela (PT) ao governo do DF.

A mordaça imposta ao "Correio Braziliense", o assassinato de jornalistas no interior do País, a censura disfarçada imposta através do poder econômico aos órgãos de comunicação e as dificuldades inerentes ao próprio exercício da atividade jornalística comprovam que a ONG "Repórteres sem Fronteira" não está longe da realidade vivida pela imprensa no Brasil.

(Matéria Editada em 26/10/02)

 

Subir

 

Brasil precisa de mais planejamento

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Na condição de fundador e presidente da Junta Superior Consultiva do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB), entidade que procura disseminar, como instrumentos de melhoria das condições de vida dos povos, o Planejamento Político-Estratégico, empregado para elaboração de Planos de Governo, e o Planejamento Estratégico Organizacional, aplicado às organizações e empresas em geral, considero importante salientar a escassez de aplicação do planejamento no Brasil, por razões diversas, entre as quais a associação errônea desse instrumento com modelos de prática política e empresarial rígidos e isentos de criatividade.

Em termos empresariais, ausência de planejamento significa renúncia automática ao êxito do empreendimento, seja ele qual for. Tratando-se de governo, ausência de planejamento significa descontinuidade administrativa e perda de recursos materiais e humanos, com prejuizos incalculáveis para o País e a população. Qual é a visão de futuro do Brasil? Difícil responder, mas sabemos que algumas nações desenvolvidas responderão imediatamente a essa pergunta.

Com planejamento, tanto faz a vitória de Lula, José Serra, Ciro Gomes ou Garotinho para a Presidência da República. A ideologia não excluiria a busca dos objetivos nacionais permanentes (políticas) e os meios para a sua consecução (estratégias). A Escola Superior de Guerra, entidade que é a maior especialista em Brasil, pelo volume de informações que historicamente acumulou em todas as expressões do poder nacional, bem que poderia ser transformada em Escola Superior de Altos Estudos Políticos e Estratégicos (ESAEPE) e continuar funcionando com algumas adaptações ao mundo globalizado e virtual.

Todo planejamento é feito sobre um Sistema, que podemos definir basicamente como um conjunto de unidades interligadas, interagentes e delimitadas no espaço, com objetivos comuns. Podemos ter um sistema político, organizacional, social, etc. todos desdobráveis em subsistemas. Por exemplo, o Sistema Segurança Nacional pode ser desdobrado nos subsistemas Segurança Interna e Segurança Externa, sendo que o subsistema Segurança Interna contem o subsistema Segurança Pública, e este os subsistemas de segurança estadual, segurança municipal e segurança comunitária.

As lideranças ou elites são responsáveis pela definição dos objetivos, o que configura a missão do sistema. Esses objetivos devem ser gerenciados para que o sistema tenha sua dinâmica e cumpra sua missão. Quando o resultado é qualitativamente superior à mera soma das capacidades das partes do sistema, é porque foi obtido o efeito sinergético, a sinergia. Uma dinâmica inadequada pode conduzir a resultados inversos e aquém das capacidades das partes envolvidas. Para esse gerenciamento, temos que usar um método (como dizia Dèscartes, "a arte de bem dispor uma série de pensamentos").

O gerenciamento de sistemas complexos exije planejamento, pois o sistema por si só não decide e necessita de que suas ações sejam direcionadas, com base nas necessidades de seus componentes. O referido método deve ter como características básicas: 1)compreender o sistema; 2) visualizar as suas necessidades; 3) estabelecer um futuro desejado; 4) determinar as ações necessárias para buscar esse futuro; 5) implementar essas ações, e 6) monitorar o resultado dessas ações para corrigir ou aperfeiçoar os rumos na direção desejada.

Todo planejamento obedece, necessariamente, a um processo contínuo de aproximações sucessivas e de frequentes reajustamentos. Feitas tais observações, podemos concluir que o planejamento em geral pode ser aplicado tanto à elaboração de planos de governo quanto à elaboração de planos de qualquer organização empresarial ou social de pequeno e grande porte, como, por exemplo, governos em vários níveis, conglomerados empresariais, órgãos internacionais, microempresas e órgãos estatais.

Como já observamos anteriormente, para gerenciarmos as variáveis extremamente diversas e complexas que interagem no processo decisório da condução de um sistema, adotamos um método. O Planejamento Político-Estratégico é o método preconizado pelo IPEB para sistemas complexos e de grande porte, como organizações governamentais e grandes empresas. Vejamos o que significa esse método, em termos conceituais. Política é um conjunto de objetivos a serem atingidos(O que fazer?), através da Estratégia(Como fazer?), que consiste no conjunto de recursos humanos, materiais e imateriais, com que se implementará a política.

Vemos aí, portanto, que a Política é o que os norte-americanos denominam polyce, que compreende programas de governo, não devendo ser confundida essa expressão com politics, que diz respeito ao teatro político, envolvendo atores e instituições ligados às atividades eleitorais, partidárias e parlamentares, à seara onde ocorrem os embates ideológicos.

Quando se trata de planejar a ação de uma organização qualquer ou empresa, o IPEB preconiza o método de Planejamento Estratégico Organizacional.O planejamento, a partir de uma visão da organização como um sistema, objetiva precipuamente estabelecer os caminhos mais favoráveis para a organização, apesar das incertezas do ambiente. Por meio dele, se projeta para onde deve evoluir a organização e como ocorrerá essa evolução, dentro de um horizonte de tempo definido.

Deve esse planejamento basear-se em estatísticas e informações sobre o ambiente interno e externo à organização, observando-se que as hipóteses de trabalho, as tendências e os cenários prospectados são sempre discutíveis e sujeitos a mudanças e que as premissas básicas para amarração do conjunto planejado exigem permanente reflexão. Trabalha-se sobre um modelo, que é uma tentativa de representação da realidade, visando-se à menor margem de erro possível.

O planejamento deve ser feito em sintonia com os princípios fundamentais de uma política de desenvolvimento, constituindo um todo integrado e coerente. Esses princípios, que também podemos chamar requisitos para uma política de desenvolvimento, são:

a)Integralidade: o desenvolvimento deve abranger todas as expressões do Poder Nacional;

b) Realismo: É preciso saber o que se quer e querer o que se pode;

c) Flexibilidade: Possibilidade de alteração dos objetivos a serem atingidos, em face de mudanças conjunturais;

d) Autenticidade: Cada sistema tem suas próprias características e necessidades básicas, o que condena a tentativa de cópia ou reprodução de outros modelos;

e) Unidade de Direção: A execução exige unidade de direção,com democrática divisão de responsabilidades e sem imposição autoritária,como forma de preservar a homogeneidade de ações e a otimização dos resultados;

f) Sentido Humanístico:O desenvolvimento deve ter como referência a valorização do Homem;

g) Representatividade:É direito e dever de todos participarem do esforço do desenvolvimento.

É importante assinalar que um planejamento requer o emprego de ferramentas de trabalho, entre as quais se destacam os métodos prospectivos, que permitem a montagem de cenários, os quais ensejam a previsão (e não advinhação) do futuro, com vistas à definição de políticas e estratégias.

(Matéria Editada em 25/09/02)

 

Subir

 

Inteligência Competitiva, um conceito (ou preconceito?) ainda ignorado no Brasil

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Inteligência Competitiva é o método de identificação e avaliação de informações na área empresarial com o objetivo de tomada de decisão no ambiente complexo da globalização, marcado pela competitividade, concorrência acirrada e excesso de informações.

A guerra hoje é pela disputa da informação, a principal matéria-prima do poder, e nesse contexto a inteligência competitiva ganha crescente importância como poderosa ferramenta de planejamento político-estratégico, aplicada ao campo da Prospectiva. O processo de inteligência competitiva tem origem nos métodos utilizados pelos órgãos de inteligência governamentais, que visavam basicamente identificar e avaliar informações ligadas à defesa nacional. Hoje, não pode e nem deve ser visto como matéria restrita a uso militar. Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Inglaterra, Suécia e Suiça são os principais investidores na inteligência competitiva, mais conhecida sob a denominação técnica de IC. Os espectivos governos desses países dão suporte a programas de inteligência com o objetivo de tornar suas empresas mais competitivas e lucrativas nos mercado nacional e internacional, acionando diplomatas, empresários, bancos comerciais e acadêmicos na coleta e busca
de informação.

Não se trata de mera espionagem ou "arapongagem", como, preconceituosamente, o termo "inteligência" é tratado no Brasil, inclusive com manchetes frequentes nos jornais de hoje vinculando o serviço de inteligência prestado pela Agência Brasileira de Inteligência - ABIN - a questões policiais. É a contaminação remanescente do período de regime militar, quando a informação foi empregada com fins repressivos pelo extinto Serviço Nacional de Informações.

O processo de produção de informação é cientificamente composto das seguintes fases: 1)planejamento e direção; 2) coleta(trabalho formal e legal) e busca(conquista da informação negada, mesmo que haja necessidade de emprego de meios informais e até ilegais ou anti-éticos - espionagem propriamente dita); 3) análise; e 4) disseminação. Tanto faz ser ABIN ou órgão governamental de qualquer outro país, esse é o processo científico de aquisição de informação, evidentemente complementado com o trabalho de contra-inteligência, que é a proteção da informação e do conhecimento.

Uma das especialistas brasileiras no assunto é Elaine Marcial, da Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva - ABRAIC -, sociedade civil sem fins lucrativos, criada em Brasília, em abril passado, e que congrega profissionais ligados à área de inteligência (c.e.
abraic@abraic.org.br).

Segundo Elaine, que procura disseminar a inteligência competitiva no Brasil, o assunto ainda desperta pouco interesse junto às empresas e aos órgãos governamentais. Enquanto o Brasil engatinha nesse campo, as empresas estrangeiras tomam conta do mercado nacional faturando alto e gerando pouco emprego, voltadas exclusivamente para seus interesses e os interesses dos governos de seus países, que lhe dão suporte. "O
jeito -afirma Elaine -é partirmos para a conscientização dos estudantes e dos meios empresariais para a nova realidade competitiva e a importância da IC no mundo atual."

A realidade é que falta ao Brasil maior emprego de planejamento político-estratégico, do qual a IC é uma poderosa ferramenta, dentro de uma visão de futuro bem explicitada e assumida pelas elites brasileiras, em sintonia com o mundo globalizado. Não é por acaso que Abraham Lincoln, que governou os Estados Unidos entre 1861-1865), foi eleito pelos 58 melhores historiadores como o mais importante dos 41 presidentes(segundo Veja desta semana), pois foi ele quem definiu a visão de futuro do seu país -a de país unido, justo e democrático - em seu célebre discurso na inauguração do cemitério nacional de Gettysburg, na Pensilvânia, em 1863. Os norte-americanos, desde então, sabem o que querem, não o ocultam de ninguém e perseguem implacavelmente seus objetivos.

(Matéria Editada em 20/09/02)

 

Subir



A Democracia Desejável

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Vem de Hanna Arendt, a grande filósofa política, a advertência de que a falta de poder legítimo gera a violência dos governantes. Em seu clássico estudo "Sobre a Violência", ela observa que o emprego do canhão, da bazuca ou da arma de fogo que se queira é demonstração de fraqueza, e não de poder de quem a empunhe num regime democrático.

Arendt refere-se à questão de legitimidade como o consentimento dos governados, persuadidos pela eficácia e pela própria autoridade moral e ética de quem governa. Hoje esse conceito está um pouco desgastado, porque a governabilidade (ou governança, para os social-democratas) não se limita apenas à legitimidade e eficácia, mas também à capacidade de decisão política, independentemente de participação popular.

As medidas provisórias estavam aí para comprovar essa mudança: uns poucos legislando pela sociedade inteira, ad-referendum do Congresso Nacional. Felizmente,sua reedição foi restringida pela emenda constitucional nº32, pois foram seis mil medidas provisórias baixadas desde a criação desse instrumento de governabilidade, na Constituição de 1988, numa iniciativa do então constituinte Nelson Jobim,inspirado no modeloi taliano.

A idéia de reforma política, palidamente defendida por alguns segmentos sociais e políticos, não contempla até agora a democracia que se quer para o Brasil, pois a que temos no momento é uma "democracia mitigada desmobilizante" ( vou registrar essa expressão de minha autoria no INPI, antes que algum aventureiro a distorça em nome da democracia, como soe acontecer no Brasil e no mundo com esse que é considerado o melhor dos regimes).

Entendo como democracia mitigada desmobilizante esse modelo atual vigente no Brasil, com mínimo de abertura democrática e o máximo de desmobilização das forças sociais capazes de expressar as idéias, os anseios, as aspirações e os interesses da população. Onde estão os estudantes, os trabalhadores, os profissionais liberais e demais segmentos supostamente organizados e capazes de protestar contra o mediavelismo que se instala
em determinados setores do País, o retrocesso planejado pelo FMI em nome da "irreversível" globalização e fielmente cumprido por elementos da elite herodiana brasileira, doutrinada e municiada pela pax americana?

Primeiramente, foi quebrada a espinha dorsal do Estado, o funcionalismo público, desmantelado e há quase oito anos sem reajuste linear, ao arrepio da Constituição. Os candidatos que aí estão prometem agravar mais ainda sua "delenda" ao funcionalismo,com estelionato planejado para os aposentados e pensionistas.Terão dificuldades para aprovar no Congresso tanta tramóia para agradar ao FMI, mas é bom que o funcionalismo
permaneça muito, mas muito alerta, e não na letargia que o levou a engolir oito anos de massacre aos seus direitos.

O "apagão", planejado cuidadosamente, desde o primeiro ano de mandato do Presidente Fernando Henrique, quando diversas emendas constitucionais abriram o caminho para a privatização do setor energético, que é o que comanda todo o desenvolvimento de qualquer país, nos forneceu de imediato alguns exemplos da tênue democracia que temos observado sob a égide da globalização.

A normatização vertical e a intolerância à diversidade de idéias, ambas típicas de regimes excepcionais autocráticos e praticadas com a conivência de considerável parte da imprensa, sob o pretexto de que vivíamos a maior seca da história do País, fizeram com que a população brasileira aceitasse colaborar na redução do consumo de energia, de tal forma que ,hoje,as empresas estão tentando estimular o consumo para recuperar seus lucros.

A sociedade manifestou bela reação às imposições verticais, como essa de adesão à Alca, promovendo plebiscito em âmbito nacional e obtendo como resposta à consulta o repúdio de 95% de 10 milhões de entrevistados ao ingresso do Brasil naquela entidade a ser constituida a partir de 2005,sob a liderança dos Estados Unidos.

A democracia desejável é aquela da livre expressão de idéias, da pluralidade de correntes ideológicas, da diversidade de opiniões, dos embates políticos, da dialética criadora, da mobilização e participação populares, etc.Enfim, a democracia de Tiradentes, Tancredo Neves, José Sarney, Franco Montoro, Mário Covas, Ulysses Guimarães, etc.

(Matéria Editada em 20/09/02)

 

Subir


Comércio exterior exige ministério, mas será desafio para o presidente

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

O século corrente será marcado por uma competição comercial sem paralelo na história das nações. A guerra comercial, se assim é denominada essa competição determinada pela integração e complementação dos mercados mundiais, mobilizará todos os centros de poder, segundo estudos realizados pelo Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB), de Brasília.

Essa tendência, exacerbadora do protecionismo comercial, exige que o Brasil crie, no próximo governo, o Ministério do Comércio Exterior, como providência estratégica para a inserção competitiva do País no contexto internacional e para a ampliação das exportações com vista ao maior equilíbrio no seu balanço de pagamentos.

O País já teve 1,5% de participação no volume total de comércio mundial e agora apresenta índice bem inferior, de 0,8%, no exato momento em que o Mercosul sofre um esfriamento e os Estados Unidos impõem a criação da Alca , que será um organismo destinado a reproduzir, no plano econômico, os velhos fundamentos e objetivos da doutrina proclamada pelo Presidente Monroe, em 2 de dezembro de 1823.

A diferença entre a Doutrina Monroe daquela época de independência dos países hispanos-americanos - quando Washington precisava definir para as potências européias os contornos dos seus domínios muito claramente e conter o surto anti-escravagista nas Américas, principalmente em Cuba - para os tempos atuais é a situação presente de absoluta hegemonia norte-americana em todas as expressões do poder. Assim, a Alca, que se implanta à revelia de alguns países, como o Brasil, traduz a Doutrina Monroe dentro da realpolítica continental e mundial: Não passa de uma reserva de mercado para os Estados Unidos.

Os candidatos José Serra e Antony Garotinho têm defendido abertamente a criação do Ministério do Comércio Exterior, mas, embora necessária e estratégica, tal medida enfrentará diversos óbices. No âmbito interno, um ministério específico para o comércio exterior gera calafrios no Itamaraty. Nossos diplomatas, por tradição cultivada por figuras como Rio Branco e Joaquim Nabuco, adoram o papel de captadores de recursos através das exportações e da atração de investimentos.

Durante o regime militar, esse papel acentuou-se de tal forma, que o Presidente Geisel transformou o Itamaraty num órgão de negócios econômicos e financeiros, com certo detrimento da política. Foi quando diplomatas como Expedito Resende e João Hermes da Fonseca, no Departamento das Américas, Paulo Nogueira Baptista, à frente do Departamento Econômico, Paulo Tarso Flecha de Lima, no comando do Departamento de Promoção Comercial, João Paulo do Rio Branco, no Departamento da Europa, e Ítalo Zappa, no Departamento da Ásia, sob a batuta de Azeredo da Silveira, tiveram que arregaçar as mangas e direcionar seus talentos para a busca pragmática de divisas.

Não adianta qualquer movimento fora da órbita do Itamaraty para criar o tal Ministério. Ele terá o desenho e o recheio do Itamaraty e o modus operandi ditado pela vetusta Casa de Rio Branco, o que já permite antever quem será potencialmente o Ministro das Relações Exteriores com José Serra na Presidência da República.No plano externo, é óbvio que o Ministério do Comércio Exterior terá a oposição dos Estados Unidos, que não querem saber de autonomia brasileira no plano comercial, ainda mais sob o regime da Alca, a menos que o novo Ministério atue a reboque da política comercial de Washington, o que parece especulável, mas que é improvável, porque a condição de global trader do Brasil impõe um certo respeito ao mundo inteiro (ABN).

(Matéria Editada em 06/08/02)

 

Subir

 

Nova estética da candidatura oficial: chapa parlamentarista à Presidência

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Para contrabalançar a sizuda e caricata figura do senador e economista José Serra, candidato oficial à Presidência da República, nada melhor do que o rosto jovial e charmoso da Deputada Rita Camata para a Vice-Presidência. Uma chapa com dois eméritos defensores do sistema parlamentarista de governo, embora ambos não preconizem a imediata implantação desse sistema.

Lula que se cuide, pois começou de verdade agora o jogo da sucessão. Inteligente, pragmática, manhosa e politicamente inquieta, a Deputada Rita Camata é, inquestionavelmente, um dos destaques da galeria nacional de louras que atiçam as fantasias e os desejos da imensa e majoritária população morena deste País.

A antiga motoqueira capixaba, que conquistou o coração do radialista e senador Gerson Camata chegou de mansinho à Câmara dos Deputados, conquistou a admiração de próceres do PMDB, o principal deles Ulysses Guimarães, na Assembléia Nacional Constituinte, e prosseguiu até o seu atual quarto mandato com uma ação parlamentar ousada, profundamente social e consentânea com a modernidade.

José Serra e Rita Camata representam a soma da experiência administrativa e visão econômica com a intuitiva e genuina capacidade de comunicação política. Não se contesta em Serra a competência de planejador e gestor de políticas públicas, assim como não se contesta em Rita Camata seu admirável potencial de inserção na mídia.

Serra é o produto e Rita a embalagem, se assim podemos considerar em termos de marketing político. Aliás, teria sido idéia do publicitário baiano Nizan Guanaes, coordenador da campanha de Serra, a opção por Rita, no lugar do senador Pedro Simon, outra figura respeitável do cenário político e um dos mais lídimos portadores da bandeira da ética na política.

Sem dúvida, entre Simon e Rita, entre o antigo e o novo ( e que novo!!!), o eleitorado há de escolher o segundo, dentro da tendência de renovação de lideranças que vem-se registrando na política brasileira, nos últimos anos, tendência que tem como algumas das suas principais expressões, além de Rita Camata, nomes como os da governadora Roseane Sarney, dos governadores Geraldo Alkmin e Dante de Oliveira, dos candidatos Antony Garotinho e Ciro Gomes, do presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, dos deputados Miro Teixeira, Jutahy Júnior, Henrique Eduardo Alves, Leur Lomanto, Robson Tuma, Gedell Vieira Lima, Aldo Arantes, Ronaldo Caiado, Germano Rigotto, Laura Carneiro, Roberto Jefferson, Freire Júnior, Sarney Filho, Aluizio Mercadante, José Dirceu, José Genoino, Walter Pinheiro, Rodrigo Maia, Eduardo Paes, Paulo Delgado, Bonifácio de Andrada, Cunha Bueno, José Anibal e José Carlos Fonseca Jr., e do senador Eduardo Campos, todos numa faixa etária jovem e a maioria herdeiros políticos.

José Serra e Rita Camata mostraram bom entrosamento durante os trabalhos da comissão especial da Câmara dos Deputados, que aprovou no início deste ano proposta de implantação do Parlamentarismo em 1º de janeiro de 2007. Serra, Brizola e Ciro Gomes foram foi convidados para debater o Parlamentarismo naquela omissão, então presidida pela deputada Rita Camata e tendo como relator o deputado Bonifácio de Andrada. A Deputada mostrou na ocasião extraordinário jogo de cintura, agradando em cheio aos convidados ,pela sua postura isenta e pelas suas intervenções marcantes.

Sem dúvida, a indicação da Deputada Rita Camata dá maior plasticidade à chapa ficial. Diz-se, no Brasil , que candidato a Vice-Presidente não puxa voto. Seguramente, nem sempre puxa, mas pode tirar voto. E o Vice-Presidente, com o mundo globalizado e a diplomacia presidencial instalada, tornou-se uma figura estratégica no jogo do poder, pois é obrigado com frequência a substituir o titular. Marco Maciel e Itamar Franco aí estão de prova.

(Matéria Editada em 23/05/02)

 

Subir

 

Novidades, Revoluções, Eleições e Contradições

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

O costume político brasileiro consagrou a prática de criação de "fatos novos", toda vez que um político ou candidato empaca nas pesquisas e demais sondagens e sente o sabor amargo do ostracismo, da queda ou do esquecimento junto à massa de eleitores.

Espera-se que o candidato oficial José Serra produza algum "fato novo" para alavancar sua candidatura, sob risco de ter que renunciar às suas pretensões presidenciais em favor de Aécio Neves, o jovem e ambicioso Presidente da Câmara dos Deputados.

Em Minas Gerais, Aécio ainda não conseguiu empolgar o eleitorado como potencial candidato ao Palácio da Liberdade, mas, em termos de Brasil, o neto de Tancredo Neves seguramente tem significativa projeção que o torna um candidato viável ao Planalto.

Ainda é cedo para o PT, como partido da classe média, comemorar a dianteira de Lula, pois José Serra ainda não tem seu vice definido e nem começou sua campanha. Ou seja, vários jóqueis ainda estão arreando seus cavalos, conforme as regras definidas pelo Supremo Tribunal Federal, e nenhum corredor ainda entrou no paddocke para a largada.

A verticalização das coligações partidárias determinada pelo Supremo Tribunal Federal, com base na interpretação da legislação eleitoral em vigor, permitirá, a par da garantia de uma base governamental coesa, melhor aglutinação das correntes partidárias, favorecendo particularmente aos partidos que têm pouco voto na zona rural, entre os quais o PSDB.  

Partidos como PMDB e PPB (à parte o fenômeno urbano do malufismo em São Paulo), contribuirão com seus votos no interior, onde os demais partidos são carentes. Aderindo à coligação, o PFL, mesclando os segmentos urbano e rural, tornaria o candidato oficial imbatível; sem aderir, ou bandeando para a esquerda, criará uma grande incógnita nos rumos da sucessão. O PFL pode definir a sucessão, eis seu grande trunfo estratégico. Portanto, o grande e decisivo "fato novo" da sucessão é a obtenção do apoio do PFL. "Fato novo" não é necessariamente "fato revolucionário".

Analisando a crise do Mercosul, decorrente da situação da Argentina, a passagem de Le Pen para o segundo turno das eleições na França, a investida de Israel sobre a Palestina, as denúncias de pedofilia dentro da Igreja Católica, a queda e o retorno de Cháves na Venezuela e a dianteira de Lula nas pesquisas eleitorais à Presidência, podemos concluir que são alguns dos fatos marcantes componentes do mosaico histórico deste outono conjuntural brasileiro. Mas não são fatos revolucionários.

Fatos revolucionários são aqueles que mudam o curso da história, como, por exemplo, a viabilização de testes nucleares em megacomputadores, em futuro próximo, e a conclusão do Projeto Genoma, que permite o mapeamento genético do homem. Os alimentos transgênicos também são potencialmente revolucionários, mas ainda se revestem de incertezas quanto à sua utilidade para a humanidade, consequência das dúvidas que ainda persistem sobre os seus efeitos no organismo animal e - por que não? - sobre as combinações estranhas que podem representar entre animais e vegetais, reinos diferentes.

Na Ciência Política, há três ramos de estudos teóricos e aplicados de natureza evolucionária, na mesma dimensão de importância desses três fatos anteriormente citados: a biopolítica, a educação política e a comunicação política.

A biopolítica, que tem merecido estudos especiais dos norte-americanos, pode ser associada ao organicismo, doutrina que, comparando a sociedade ao organismo vivo, tende a aplicar aos fatos sociais as leis e teorias biológicas. Expoentes do organicismo foram Comte, o maior filósofo francês (organicismo materialista), Spencer (organicismo biológico)e Savigny (organicismo historicista).

Tendo o homem como figura central, sujeito da ordem social e unidade embriogênica, que não criou nem há de criar nada que lhe seja superior, o organicismo seria, na visão de alguns críticos, estimulador dos regimes políticos autoritários.

Os mecanicistas, opondo-se aos organicistas, afirmam que a sociedade é mera soma de partes, que não gera nenhuma unidade susceptível de existir fora ou acima dos indivíduos.

A biopolítica, contudo, tem mais ciência e menos teoria, ao contrário do organicismo. A política, como produto vital na biopolítica, torna-se corolário do que disse Aristóteles: que o homem é um animal social. Hanna Arendt discorda de Aristóteles, considerando que a sociabilidade é um fenômeno incidental, não uma necessidade humana; mas Toynbee (Um Estudo da História), valendo-se de citação de David Hume, explica que o fenômeno da sociabilidade humana tem fundamentos bioquímicos: o homem tem necessidades bioquímicas de relacionar-se com outros.

Charles Darwin, estudando a evolução das espécies, já fazia biopolítica. Idem o filósofo argentino José Ingenieros (Simulação na Luta pela Vida). Essas necessidades bioquímicas moveriam o processo de interação cultural que provoca a emigração em massa do campo para as cidades e que transformaram o Brasil de hoje num país majoritariamente urbano e atração máxima dos produtores mundiais de bens de consumo eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis e alimentos industrializados.

No Brasil, a política nos municípios do interior é marcada pela biopolítica, na qual as leis da sobrevivência condicionam o comportamento político, dando razão ao que afirma Oliveira Viana (Populações Meridionais do Brasil): "Cada comunidade, cada grupo local, tem a sua forma de desenvolvimento, a sua equação genética e evolutiva própria. É a fórmula sociogênica: meio/cultura/raça)...Não há tipos sociais fixos e, sim, meios sociais fixos, que determinam as diferenças regionais". O Municipalismo nutre-se dessa fórmula sociogênica de Oliveira Viana, resistindo como contracultura da globalização, enquanto a Federação, menos resistente, esgarça-se em crescentes movimentos separatistas e emancipacionistas, que ameaçam a "balcanização" do Brasil.

A educação política é a química fina da Ciência Política e diz respeito à preparação o homem para a cidadania, para tudo aquilo que o exclua do estado de barbárie. Seria uma versão contemporânea da Paidéia - a formação do homem grego-, em que cidadania (politia) é condição do habitante da cidade, quando no pleno gozo de seus direitos civis e políticos.

Nesse contexto, destacam-se duas matérias hoje elevadas ao nível de ciência e que vêm pautando os princípios políticos e partidários: moral e ética. Moral diz respeito ao conjunto de valores baseados nos bons costumes. Ética (do grego ethos) é o conjunto de princípios e ideais de conduta individual que dizem respeito à forma de procedimento, baseados na moralidade ou nos bons costumes e fundamentados na honestidade e na justiça. Contrapõem-se a tudo que represente, material ou espiritualmente, a corrupção.

A incorporação acentuada da moral e da ética no discurso político brasileiro não deixa de ser surpreendente, muito mais quando as últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos, que deram vitória a Bush, apresentaram lances nebulosos até hoje questionados pela imprensa.

E na França, a performance de Le Pen foi um escárnio à ética, pois sua plataforma política é a corrupção dos tradicionais valores ocidentais. Quanto à comunicação política - o conjunto de mensagens circulantes no sistema político e condicionadoras das ofertas e demandas desse sistema - , seu desafio maior no Brasil consiste no processo de integração nacional, através da circulação de bens, serviços, pessoas e mensagens.

São crescentes os curtos - circuitos/estrangulamentos nesse processo. As dimensões continentais do Brasil, a inconsistência das instituições estatais, a falta de vontade das elites políticas e a excessiva concentração dos meios de comunicação, da renda, dos meios de produção, das oportunidades, dos investimentos e da população são fatores que contribuem para o esgarçamento da Federação nos termos anteriormente aqui colocados.

O Brasil tem enormes e bizarras contradições, uma delas a falta d`água doce e potável onde tem gente e a falta de gente onde tem a maior reserva de água doce do planeta (a Amazônia).A "balcanização" é uma questão de tempo, pois até o idioma, grande fator de unidade nacional, vem sendo solapado pelos métodos científicos de aplicação da semiótica e neurolinguística como instrumentos de dominação política e cultural da potência hegemônica absoluta, no caso os Estados Unidos. O português conseguirá resistir estoicamente?

(Matéria editada em 30/04/02)

 

Subir

 

União Européia espera sucessor de FHC com viés conservador

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

Qualquer que seja o próximo Presidente eleito no Brasil, sua administração tende a ser menos aberta e mais nacionalista do que a do período de governo de Fernando Henrique Cardoso, segundo expectativa reinante na União Européia e revelada pelo seu representante no Brasil, Stefano Gatto.

A União Européia, que atualmente congrega 15 países, adota uma estratégia de ação política em três eixos - no Mercosul, no México e no Chile - visando estimular o surgimento de novos atores ou pólos de poder na América do Sul, capazes de dificultar a absoluta hegemonia dos Estados Unidos nas Américas.

Essa estratégia de multipolarização do poder mundial da União Européia foi revelada pelo seu representante no Brasil, em conferência realizada recentemente no Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB) - , entidade com sede em Brasília e dedicada à disseminação do planejamento político - estratégico como instrumento de melhoria das condições de vida dos povos.

Preocupado com a crise da Argentina, a seu ver estimulada pelos Estados Unidos, através do Fundo Monetário Internacional, com o objetivo de desestabilizar o Brasil e enfraquecer o Mercosul, de modo a facilitar a implantação da Área de Livre Comércio das Américas - ALCA -, Stefano Gatto afirma que não há, por incrível que pareça, uma percepção concreta dessa manobra norte-americana por parte dos países europeus. Estes -observa -, embora sejam os maiores investidores na Argentina e sócios majoritários do FMI, assistem impassíveis a crise argentina sem vontade de socorrer financeiramente Buenos Aires e dispondo-se apenas a pagar a conta que os Estados Unidos lhes apresenta naquele órgão.

Como processo de integração pioneiro e sem similar no mundo inteiro, a União Européia, segundo Stefano Gatto, apresenta resultados exitosos na sua proposta de livre circulação de bens, serviços, pessoas e capitais, consolidando-se economicamente, através do mercado comum, e, agora, monetariamente, com a vigência do Euro. Mas, admite Stefano Gatto, ainda há problemas de integração de natureza política, como a definição da política externa e de segurança comuns, além da necessidade de harmonização dos assuntos internos judiciais, visando à integração do sistema penal.

Um dos dispositivos em estudo para aplicação nesse sentido é a adoção da ordem de detenção comum, que permite um mandato de detenção ser cumprido em qualquer dos países - membros . A União Européia, militarmente, não tem como estabelecer sua autonomia em relação à presença dos Estados Unidos na região, através da OTAN, razão pela qual os europeus se limitarão a atuar em forças de paz e ações de solidariedade internacional.

O representante da União Européia acredita que as relações do bloco com o Mercosul tendem a se consolidar em função de dois fatores fundamentais: A simpatia do Mercosul pelo processo de integração européia e o volume de investimentos europeus no processo de privatização em curso principalmente no Brasil e na Argentina. Atualmente, na Europa, se questiona a eficácia da privatização como forma de desenvolvimento econômico, mas, segundo Stefano Gatto, há muitos pontos positivos a serem considerados em vários setores, mesmo admitindo-se que o Estado deva prevalecer na infra-estrutura de algumas atividades essenciais.

A tendência de uma política mais protecionista na verdadeira guerra mundial que se trava no comércio, para Stefano Gatto, é um ponto de dificuldades para a cooperação entre os blocos, no tocante a algumas áreas, como, por exemplo, a agricultura, que é altamente subsidiada na União Européia, chegando a absorver 56% do orçamento europeu, embora os produtores rurais representem apenas 7% da população. A existência de uma Política Agrícola Comum na União Européia, ao contrário do que ocorre nos países do Mercosul, é um fato de raízes culturais, mas não impede que os dois blocos continuem negociando compensações e ampliando o intercâmbio comercial, que já registra atualmente a posição de destaque dos europeus nas importações de produtos agrícolas.

(Matéria Editada em 26/04/02)

 

Subir

 

Imunidade e impunidade parlamentar

Feichas Martins, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

No final do ano passado, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram, pela emenda constitucional nº 35,o fim da imunidade parlamentar, medida aplaudida pela sociedade.Leitores e articulistas manifestaram sua euforia com a responsabilização penal dos parlamentares que buscavam a impunidade no mandato. Até então, qualquer pedido de licença para processar deputados e senadores tinha que ser previamente acatado pelas duas Casas.

Quando a emenda foi aprovada, houve só um voto contrário, o do deputado Bonifácio de Andrada, do PSDB mineiro, constitucionalista emérito e professor de Direito, descendente do "Patriarca da Independência", José Bonifácio de Andrada e Silva, e representante da única família no mundo inteiro que tem assento ininterrupto num Parlamento há mais de 200 anos."O diabo é sábio porque é velho", diz o ditado.

Com a sabedoria e a experiência política peculiares aos Andrada, o deputado mineiro argumentou o seguinte:

Acabar com a imunidade do parlamentar seria o mesmo que tirar sua principal arma. Ora ,-comparou Bonifácio- se o motoqueiro precisa do capacete e o soldado precisa da arma para exercer seu ofício, como pode o deputado ou o senador ter a liberdade para exercer seu mandato sem a prerrogativa da imunidade?

Bonifácio de Andrada estava certo: Agora, o presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, busca socorro no Supremo Tribunal Federal para encontrar uma fórmula para abrandar o ritmo de transformação de inquéritos contra deputados em processos por crimes comuns.

Às vésperas das campanhas eleitorais, é de se prever a transformação da denúncia numa poderosa arma eleitoral, principalmente contra aqueles que efetivamente cometeram crime comum. O problema é que a denúncia, mesmo sendo infundada, poderá afundar muitas candidaturas de parlamentares dispostos à reeleição.

Não se questiona a necessidade de fortalecimento da ética na política e os nobres objetivos que motivaram o engajamento do Presidente Aécio Neves e outros próceres do Congresso Nacional na campanha pelo fim da imunidade.

De fato, era preciso dar uma freada na impunidade que se ocultava na imunidade parlamentar. O crime organizado e até o Comando Vermelho e o PCC têm projetos de eleger seus representantes parlamentares, ostensivamente ou através de apoio financeiro na campanha eleitoral. É o que a imprensa noticia com frequência assustadora.

Como conciliar o fim da imunidade com a necessidade de resguardar o parlamentar/candidato contra a indústria da denúncia é um novo desafio que se apresenta.

Fazer a triagem dos processos, separando os crimes comuns dos crimes contra a honra, como afirma o presidente do STF, ministro Marco Aurélio Mello, é o caminho natural, que já vinha sendo seguido mesmo antes da emenda aprovada.

Mais eficaz seria, talvez, a Justiça Eleitoral ser mais exigente nas inscrições de candidatos a cargos eletivos, averiguando mais a fundo e impedindo o registro daqueles sobre os quais pese alguma acusação de prática de crime comum. Ainda que funcionasse, essa medida preventiva não impediria que candidatos corruptos se elegessem, e a corrupção é um crime que pode afetar dezenas, centenas, milhares ou milhões de pessoas. Eis uma questão ética para reflexão dos políticos.

(Matéria Editada em 05/04/02)

 

Subir

 

Segurança Coletiva das Américas

Feichas Martins
, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

BRASÍLIA (ABN) - Uma diplomacia com realismo e pragmatismo, respaldada pelas Forças Armadas, é a sugestão feita pelo presidente do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB), coronel da reserva Roosevelt Wilson Sant'Ana, para inserção "não bizantina" do Brasil nas discussões sobre a segurança coletiva do hemisfério, a serem travadas durante a Reunião dos Ministros da Defesa das Américas, na primeira quinzena de outubro, em Manaus.

Advertindo que a situação da América do Sul, uma região relativamente pacífica e rica, mas com muitos desafios potenciais determinados pelas profundas transformações geradas pela globalização, requer a integração entre os países no combate ao inimigo comum, hoje representado pelo conjunto de situações imprevisíveis estimulado pelo crime estruturado internacional, Sant'Ana acentuou que o conceito atual de segurança é mais amplo, abrangendo a política, a economia, o social, o militar, o científico e tecnológico e o ambiental.

Em conferência aos membros do IPEB, um instituto que se firma cada vez mais em Brasília como fórum de debates e de idéias, já visitado por políticos como o senador José Roberto Arruda e o ex-governador Cristovão Buarque, do Distrito Federal, e devendo receber em breve o ex-ministro Jarbas Passarinho, Roosevelt Sant'Ana defendeu a destinação de maiores dotações orçamentárias para a área da defesa, observando que nenhum país pode abdicar, como o Brasil vem ingenuamente fazendo, de um poder militar forte. "Até países que adotam a política do "low profile" investem alto na defesa. O Japão e a Alemanha, por exemplo, são os maiores investidores atuais nesse setor."

O Presidente do IPEB recorda que a segurança coletiva é um ideal nascido com o pan-americanismo de Simón Bolivar, em 1815, mas hoje todos os países procuram estratégias nacionais próprias, como as do isolamento político, da integração regional, da multidependência, da influência participativa, da imposição" nobre", da adesão e do "low profile". "No fundo, o poder militar através da supremacia tecnológica - salientou Sant'Ana - tem por objetivo a imposição da civilização do mais forte. Através do "downsizing", países como os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, a Inglaterra e a França reduziram seus aparatos e custos, mas aumentaram sua eficácia militar, e a Rússia tenta seguir o mesmo caminho."

O Brasil, especificamente, além da inserção bizantina, corre outros riscos, se continuar com sua atual indiferença às transformações no cenário internacional, no tocante à sua política de defesa. Riscos como os da internacionalização, instabilidade interna, dependência e prestação de serviço como nação "contratada", fragmentação, consolidação de oponentes, intervenção externa por "causas nobres", perda de recursos e perda de status internacional.

(Matéria Editada em 05/04/02)

 

Subir

 

Os Militares e as Urnas

Feichas Martins
, articulista, jornalista, cientista político, professor, diretor da Associação da Imprensa do Distrito Federal e membro do Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB)

BRASÍLIA (ABN) - A volta do regime militar no Brasil obteve 38% da simpatia popular em recente pesquisa realizada por uma revista de circulação nacional, o que pode ser associado à credibilidade das Forças Armadas, que sempre obtiveram índices elevados, muito acima dos obtidos por outras instituições, entre as quais a própria imprensa.

As vulnerabilidades do país na área da segurança pública e a emergência de diversos fatores de violência potencialmente disrruptiva nas cidades e no campo, afora a contaminação parcial de órgãos institucionais que se mantinham até poucos anos indenes à corrupção, empurram a classe média para o recurso ao regime forte, fenômeno que já se registra em diversos países da América Latina, entre os quais nossos vizinhos Venezuela e Peru. Em resumo, o autoritarismo popular, como vem sendo denominada essa tendência pelos estudiosos europeus, é a mesma coisa que ditadura civil, daquela mesmo que exerceram Peron, Vargas, Trujilo, Duvalier, etc., aqui nas Américas, em tempos não muito distantes.

O modelo de regime autoritário, militar ou civil, tem relação direta com a instabilidade social.

A violência tende a crescer, como constatou recentemente o Instituto Político-Estratégico Brasileiro (IPEB), com sede em Brasília, que, debatendo o problema das drogas, concluiu que faltam o mapeamento dos pontos críticos, campanha educacional sistemática em torno de valores e princípios humanísticos e reformulação da legislação brasileira com vistas a maior rigor para a prevenção e repressão à produção, ao transporte e à distribuição de drogas.

Para o IPEB, coibir a lavagem de dinheiro e fazer a profilaxia dos setores públicos contaminados pela corrupção, com o envolvimento da sociedade, são medidas políticas paralelas necessárias para combater o narcotráfico, hoje, junto com o trânsito, um dos maiores responsáveis pela violência urbana.

A destinação das Forças Armadas para combater diretamente o narcotráfico, defendida por importante líderes políticos, nem de longe seria assimilada pelos militares, cuja papel constitucional é outro.

Obviamente, o sistema de informação militar pode servir de apoio às ações estratégicas e operacionais dos órgãos federais competentes, entre os quais a Polícia Federal.

Os políticos mais perspicazes sabem que as Forças Armadas compõem a dimensão militar do poder nacional (usando-se uma expressão esguiana), com atribuições constitucionalmente bem definidas e doutrinariamente centradas nos seguintes Objetivos Nacionais Permanentes: Democracia, Soberania, Paz e Justiça Social, Integridade do Patrimônio Nacional e Integração Nacional. São objetivos definidos pela Escola Superior de Guerra e difundidos por todo o Brasil.

No momento, no Brasil, há uma democracia mitigada desmobilizante (expressão que reivindico como de minha autoria e que significa uma democracia com rígido controle sobre os movimentos da classe média, as universidades, os sindicatos, a imprensa e outros setores corporativistas), de interesse dos países globalizantes, à frente o Grupo dos Sete, em nome do equilíbrio macro-econômico e das boas condições de reprodução do capital aqui investido. É a política neoliberal, que coloca a economia na frente da política.

A classe média brasileira é a principal tributária das Forças Armadas, em especial do Exército. Ela vem suportando, desde o Governo Collor, supressões cada vez mais significativas de itens indispensáveis à condição de vida condigna. É uma tendência natural subirem os índices de simpatia à volta do regime militar em razão direta dos preços dos remédios, combustíveis, alimentos, transportes, etc. e em razão inversa do poder aquisitivo da classe média.

Há mais de 10 milhões de eleitores no segmento militar no País, suficientes para compor uma bancada de trinta deputados federais. E há militares convictos de que as Forças Armadas precisam ampliar sua representatividade em mandatos eletivos, no Legislativo e no Executivo, adotando assim uma postura pragmática, já a partir dessas eleições municipais. Dá para imaginar o quanto poderão influir nas próximas eleições presidenciais, inclusive surgindo um candidato militar,ao estilo Eduardo Gomes...

(Matéria Editada em 26/09/00)

 

 

linha2.gif (86 bytes)

 

 Em Tempo Real:  Todas as editorias são atualizadas em tempo real para os veículos de comunicação cadastrados como usuários dos serviços da Agência Brasileira de Notícias.

Clique aqui para solicitar mais informações para ser cliente da Agência Brasileira de Notícias e contratar os Serviços Noticiosos 24 Horas em Tempo Real

 

 

 

Empregos e Currículos

 

 

Expediente | Como Contratar os Serviços Noticiosos da ABN News | Fale Conosco

Agência Brasileira de Notícias - Desde 1924: A Primeira Agência de Notícias do Brasil
P. O. Box n° 8816 - Agência SHS - Quadra 2 - Bloco B - 70312-970 - Brasília - DF - Tel. (61) 8531-9011